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Do Sertão do Pajeú ao poder no Cabo de Santo Agostinho

Por Nill Júnior

Blog do Magno

As sombras existem para dar vida à luz. Nada nem ninguém existe por acaso. Lembrei-me desta premissa  básica para fazer um paralelo que precisa vir à luz no rastro da escuridão das eleições municipais deste ano.

José de Arimateia, eleito vice-prefeito do Cabo de Santo Agostinho, tem raízes fincadas no município desde os anos 80, foi professor, líder estudantil e comunitário, emplacou quatro mandatos de vereador, resultados do impulso de uma energia guerreira que vem de longe, a mais de 400 km do Recife, do solo rachado e poético do Sertão do Pajeú.

Seu pai Manoel Jerônimo Neto, conhecido como o Lula do Sertão, foi guerrilheiro sindical. Saído das barrancas do sítio São Paulo, na Iguaracy de Maciel Melo, no Pajeú das Flores, onde se tem razão de cantar, como profetizou Rogaciano Leite, o Faraó do verso metrificado, Manoel foi uma das primeiras luzes acesas no movimento sindical entre o final da década 70 e início de 80.

Enfrentou poderosos em defesa dos trabalhadores rurais sem voz, com fome e sede de justiça. Garoto de pés descalços, obrigado andar a pé até a escola na caatinga fechada, Arimatéia viu seu pai ser perseguido e sofrer um atentado à bala. Levou quatro tiros, mas pela graça divina escapou da morte matada pelo cheiro da pólvora e a ruindade dos coronéis contrariados, mandantes de um Sertão marcado pela lei olho por olho, dente por dente.

O Lula do Sertão foi protagonista de uma época em que defender camponês era ofício de comunista. Revolucionário, Jerônimo bem que se enquadraria na figura lendária do Herói do Sertão. Alicerçou um sindicalismo forte e de resultados ao lado de figuras históricas, como Antônio Marques dos Santos, já falecido em Afogados da Ingazeira, e Braz Emídio, este vivinho da silva, ainda morando num sítio também em território afogadense.

Eles deram as mãos e o sangue em defesa de causas nobres forjadas no campo da luta, tendo como orientador, conselheiro espiritual e político o saudoso Dom Francisco de Mesquita, bispo que dizia as verdades na cara dos poderosos. A então temida Fetape, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura, ganhou notabilidade não apenas enfrentando usineiros na Zona da Mata, mas também pelo grito que ecoava no distante Pajeú, de Jerônimo, Antônio Marques, Braz e Dom Francisco.

José de Arimatéia Jerômimo Santos é o segundo dos 13 filhos de Manoel Jerômimo Neto e Iranete Maria dos Santos, casal de camponeses sofrido, criado numa região de maioria pobre, obrigada a trabalhar na roça ainda no reino dos sonhos infantis. “Eu andava, com alguns dos meus irmãos, 6 km por dia, para atingir a porta da escola e aprender as primeiras lições na educação”, lembra Arimatéia.

O hoje vice-prefeito eleito do Cabo viu, também, seu pai ser forçado a deixar a luta no campo, depois do atentado em praça pública. Pegou a estrada rumo a Ribeirão, na Zona da Mata, para proteger a família, no início dos anos 80. Foi a partir de Ribeirão que Arimateia criou raízes com a cidade do Cabo. Com pouco tempo no seu novo eldorado, foi  alçado a líder comunitário, diretor de escola, secretário municipal e vereador por quatro mandatos consecutivos.

“Acredito que todo mundo tem um poder. E a gente pode, sim, mudar as coisas. Me chame de idealista. De sonhador. E de romântico. Sou tudo isso. Mas ainda acredito nas pessoas e nas mudanças. E toda mudança começa no fundo de cada pessoa que quer realmente fazer alguma diferença. Essa diferença no Cabo começa com a nossa eleição, a vitória de Keko”, diz Arimatéia.

Arimatéia vai acumular na gestão de Keko a articulação política na Secretaria Governo, mas antes disso quer levar o prefeito eleito a Ribeirão, onde o valente pai, aos 86 anos bem vividos, ainda contempla a lua e vez por outra pega na enxada para não perder o costume do seu Sertão pajeuzeiro.

Outras Notícias

Defesa Civil de Afogados da Ingazeira orienta sobre os cuidados com as abelhas

As abelhas são animais organizados, contribuem com a polinização, fazem colmeias lindas e nos fornecem o delicioso mel, mas quando provocadas podem causar desconfortos, dores e até a morte. O calor e a florada influenciam no surgimento de enxames itinerantes e aumento do número de insetos nas colmeias. A alta temperatura também deixa as abelhas, vespas […]

As abelhas são animais organizados, contribuem com a polinização, fazem colmeias lindas e nos fornecem o delicioso mel, mas quando provocadas podem causar desconfortos, dores e até a morte.

O calor e a florada influenciam no surgimento de enxames itinerantes e aumento do número de insetos nas colmeias. A alta temperatura também deixa as abelhas, vespas ou marimbondos mais agitados e agressivos.

Nessa época do ano é recorrente o aumento do número desse tipo de ocorrência na nossa central de emergências.

A Defesa Civil informa que é crime ambiental o extermínio desses animais, quando não ocorrem situações de perigo iminente para pessoas, como foram os casos recentes com óbitos verificados em nosso Município. 

O QUE É PERIGO IMINENTE?

Risco à vida, idosos sem mobilidade, concentração permanente de crianças (salas de aula de escolas) e outros, pois em se tratando de abelhas o manejo correto não gera risco.

Mexer num enxame ou colmeia vai ativar o comportamento de defesa desses animais; grande parte dos casos de acionamento do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil tratam de enxames migratórios, característicos quando o enxame assenta para descansar formando uma “bola preta”, quando as abelhas cercam a rainha que parou ali para descansar. Normalmente elas ficam desta forma para passar a noite, indo embora nas primeiras horas do dia seguinte, ou seja, comportamento normal.

Só é alarmante para o proprietário do imóvel quando o enxame se “entoca”, entrando dentro de uma casinha de cachorro, dentro do forro, ou de um armário. Neste caso as abelhas podem estar fazendo uma colmeia e o aconselhamento da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros é procurar um apicultor habilitado para a remoção. Nunca aplique veneno num enxame ou tente afastá-lo com ventiladores ou afins.

As abelhas são insetos de hábitos diurnos, não existe indicação para manejo delas durante o dia, ainda mais em ambiente urbano, onde um enxame provocado pode atingir uma área de duas a quatro quadras.

Durante a noite elas estarão mais “calmas” por causa de seus hábitos eminentemente diurnos. Vale ressaltar que abelhas são sazonais e estamos em época migratória.

Para evitar problemas, a Defesa Civil de Afogados da Ingazeira recomenda:

Evite movimentos bruscos e excessivos quando próximo a colmeias;

Não grite, pois as abelhas são atraídas por ruídos, principalmente os agudos;

Evite operar qualquer máquina barulhenta próximo a colmeias. Examine a área de trabalho antes de usar equipamentos motorizados;

Ensine as crianças a se precaver e não matar as abelhas, vespas ou marimbondos;

Se for atacado, proteja o pescoço e o rosto das picadas, com a ajuda de uma camisa ou outra vestimenta. Se a ferroada ocorrer na cabeça e/ou pescoço, procure imediatamente auxílio médico;

Pessoas alérgicas a picada de insetos devem evitar caminhadas em áreas de mata, pois para quem é sensível à peçonha, apenas uma picada pode ser suficiente para gerar um choque anafilático;

Caso seja alérgico a picadas, pergunte ao seu médico o que fazer;

Caso alguém seja picado, é importante que faça a remoção imediata dos ferrões, pois eles continuam liberando peçonha gradativamente. A sua retirada interrompe esse processo;

Afaste os animais domésticos do enxame porque qualquer barulho pode irritar o enxame e desencadear o ataque;

Após a picada, a abelha perde seu ferrão e a bolsa de peçonha e morre. Contudo, o mesmo não se aplica às vespas e marimbondos. Após picar eles estão prontos para atacar novamente.

Em casos de formação de colmeias em residências, o proprietário deve acionar um apicultor especializado para a remoção do foco. Nos casos mais críticos, acionar a Defesa Civil (99629.5758), e, em casos extremos, acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

DER-PE dá continuidade a restauração da PE-635 no Sertão do São Francisco

Trecho de 33 quilômetros segue em obras entre os municípios de Afrânio e Dormentes, com investimento de R$ 25 milhões O Governo de Pernambuco avança com as obras de reconstrução da PE-635, que liga os municípios de Afrânio e Dormentes, no Sertão do São Francisco.  A iniciativa é executada pela Secretaria de Infraestrutura e Recursos […]

Trecho de 33 quilômetros segue em obras entre os municípios de Afrânio e Dormentes, com investimento de R$ 25 milhões

O Governo de Pernambuco avança com as obras de reconstrução da PE-635, que liga os municípios de Afrânio e Dormentes, no Sertão do São Francisco. 

A iniciativa é executada pela Secretaria de Infraestrutura e Recursos Hídricos, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e contempla os 33 quilômetros da rodovia. 

A ação, que faz parte do Programa Caminhos de Pernambuco, conta com investimento de R$ 25 milhões e beneficiará mais de 540 mil moradores daquela região. 

Atualmente, estão sendo realizados os trabalhos de reciclagem da base do pavimento da via e aplicação da camada de asfalto. O percentual de execução da obra, prevista para ser concluída em dezembro deste ano, está em 37%. 

As ações, iniciadas em setembro de 2020, contemplam ainda a recuperação da rede de drenagem e a implantação de uma nova sinalização. 

“A rodovia tem importância fundamental para o escoamento da produção agrícola, pecuária e das olarias da região que seguem com destino às cidades do Sertão Central e também para municípios do estado da Bahia, a exemplo de Juazeiro e Senhor do Bonfim. Sua requalificação vai intensificar o desenvolvimento econômico e social do Sertão do São Francisco,” pontua o presidente do DER, Maurício Canuto.

Tabira: no meio da Praça tem um buraco

Em Tabira, chama atenção um perigoso buraco na calçada de um dos principais cartões postais da Cidade das Tradições, a Praça Gonçalo Gomes. Curioso é ver que entra ano, sai ano, a praça recebe reparos como pintura e pequenos retoques, sempre no período de sua emancipação política. Mas o buraco, como se fora patrimônio da […]

Em Tabira, chama atenção um perigoso buraco na calçada de um dos principais cartões postais da Cidade das Tradições, a Praça Gonçalo Gomes.

Curioso é ver que entra ano, sai ano, a praça recebe reparos como pintura e pequenos retoques, sempre no período de sua emancipação política. Mas o buraco, como se fora patrimônio da praça, sempre está lá.

Não bastasse o desleixo administrativo e falta de preocupação da Secretaria de Obras com o problema, fica o risco de acidentes, principalmente envolvendo desavisados, idosos e crianças.

“Fim do Farmácia Popular é sentença de morte para milhares de pessoas”, alerta Humberto

Após o governo de Michel Temer (PMDB) fechar cerca de 400 unidades do Farmácia Popular, com a promessa de manter a distribuição de medicamentos gratuitos em instituições privadas, o programa, agora, corre risco de acabar de uma vez por todas, com novas mudanças propostas. Hoje, o projeto tem uma rede credenciada de 30 mil estabelecimentos […]

Após o governo de Michel Temer (PMDB) fechar cerca de 400 unidades do Farmácia Popular, com a promessa de manter a distribuição de medicamentos gratuitos em instituições privadas, o programa, agora, corre risco de acabar de uma vez por todas, com novas mudanças propostas.

Hoje, o projeto tem uma rede credenciada de 30 mil estabelecimentos que ofertam, de graça ou com até 90% de desconto, remédios para as doenças mais comuns entre os brasileiros.

Para o criador do programa e líder da Oposição no Senado, Humberto Costa (PT), o fim do Farmácia Popular seria uma sentença de morte para milhares de pessoas.

“O programa garante à população acesso a remédios essenciais quem têm doenças como diabetes e hipertensão. Negar esses medicamentos ao povo é, praticamente, declarar uma sentença de morte a milhões de brasileiros que não têm condições de custear um tratamento”, afirmou.

O Farmácia Popular foi criado em 2004, no primeiro governo Lula, e beneficia cerca 9,87 milhões de pessoas no País. Medicamentos contra a hipertensão, o diabetes e a asma representam perto de 90% da demanda total do programa que, segundo dados do Ministério da Saúde, cobre 80% do País.

O governo estuda uma nova fórmula de calcular o preço dos medicamentos oferecidos pelo programa, com base no valor de atacado e nos custos de aquisição e distribuição dos produtos. Representantes do setor farmacêutico e sanitaristas acreditam que as alterações devem inviabilizar o programa.

Segundo Humberto, ao contrário do que promete o ministro da Saúde, os cortes no programa não barateiam o sistema.

“A conta deve ser inversa. Sem acesso aos medicamentos de uso diário, as pessoas vão acabar demandando muito mais do SUS com internações, por exemplo. O que a gente vê é um completo descaso com a população e um jogo feito para atender interesses privados específicos. É inadmissível que o governo Temer acabe com um dos programas mais bem avaliados do Ministério da Saúde”, disse o senador.

Governo de Pernambuco quita R$ 756 milhões de dívidas da gestão anterior

A Secretaria da Fazenda de Pernambuco conclui o primeiro bimestre do ano, nesta terça-feira (28), garantindo o pagamento de R$ 756 milhões de dívidas deixadas pelo governo anterior –  o montante soma empenhos inscritos em Restos a Pagar  (RP) com Despesas de Exercícios Anteriores (DEA). Em relação aos Restos a Pagar – empenhos de obras, […]

A Secretaria da Fazenda de Pernambuco conclui o primeiro bimestre do ano, nesta terça-feira (28), garantindo o pagamento de R$ 756 milhões de dívidas deixadas pelo governo anterior –  o montante soma empenhos inscritos em Restos a Pagar  (RP) com Despesas de Exercícios Anteriores (DEA). Em relação aos Restos a Pagar – empenhos de obras, serviços e contratação de pessoal registrados e realizados ainda em 2022, mas não pagos -, a gestão comandada pela governadora Raquel Lyra já realizou o pagamento de 66% dos R$ 950 milhões de dívidas herdadas do governo anterior. 

Além desses R$ 626 milhões, também foram quitados R$ 130 milhões de Despesas de Exercícios Anteriores (gastos realizados no ano passado que só foram registrados esse ano). 

De acordo com o secretário da Fazenda do Estado de Pernambuco, Wilson José de Paula, o esforço da administração da governadora Raquel Lyra é regularizar os pagamentos em aberto da gestão anterior em paralelo à quitação ordinária dos serviços correntes do atual exercício. 

Segundo ele, diante das dificuldades orçamentárias e de caixa deixadas pelo governo anterior, o momento é de regularizar as contas para garantir a sustentabilidade fiscal. 

“Nesses primeiros dois meses, nos esforçamos na análise criteriosa e no pagamento de restos a pagar deixados pela gestão anterior, que foi de quase um bilhão. Recebemos um caixa de recursos não vinculados com trezentos e noventa e cinco milhões, mas obrigações muito acima disso. Estamos cumprindo o objetivo de garantir  o equilíbrio fiscal para executarmos o programa de governo”, registrou. 

Os maiores débitos de Restos a Pagar do governo anterior se referem a empenhos dos Encargos Gerais da Secretaria da Fazenda (R$ 249 milhões), da Secretaria de Saúde (R$ 234 milhões), da Secretaria de Educação (R$ 224 milhões) e da Universidade de Pernambuco (57 milhões). 

Conforme os relatórios fiscais de 2022 publicados em 30 de janeiro passado, o Estado de Pernambuco fechou o ano com déficit orçamentário de R$ 28 milhões além de um déficit primário de R$ 567 milhões. 

Dos R$ 395 milhões de disponibilidade de caixa de recursos não vinculados, R$ 303 milhões já foram obrigatoriamente utilizados na primeira semana do governo. Em 2022, enquanto a receita cresceu 16,2% (incremento de R$ 7,15 bilhões), a despesa aumentou em um ritmo ainda maior (21,7%, R$ 9,18 bilhões), impossibilitando o equilíbrio das contas.