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Dino defende revisão do Código Penal para punir juízes e advogados

Por Nill Júnior

A edição do Correio Braziliense deste domingo traz artigo exclusivo do ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino em que o magistrado volta a defender mudanças estruturais no Judiciário brasileiro para combater a corrupção. Na avaliação dele, os códigos de ética vigentes para regular a ação de juízes, procuradores, advogados — públicos e privados —, defensores, promotores, assessores e servidores do sistema de Justiça em geral, apesar de importantes, são insuficientes.

Por isso, Dino defende uma revisão do Código Penal. “Desta feita, entendo ser imperiosa a revisão do capítulo do Código Penal sobre os crimes contra a Administração da Justiça, com a criação de tipos penais mais rigorosos e específicos para corrupção, peculato e prevaricação”, escreve, referindo-se aos agentes do sistema de Justiça.

O ministro tem feito reiteradas críticas ao sistema de Justiça, diante da crise que atinge o Supremo, e optou por seguir um caminho propositivo. Antes de resumir quais as alterações propõem ao Código Penal, ele contextualiza a importância da reputação ilibada de profissionais que atuam no Judiciário.

Leia o artigo na íntegra:

Como punir a corrupção na Justiça?

Os agentes públicos, como regra inafastável no exercício de seus cargos/funções, ou fora deles, devem orientar suas ações pela probidade, retidão, justiça, integridade, optando pelos caminhos que melhor alcancem o bem comum

Ingressei na magistratura federal em concurso público realizado em 1993/1994. Em uma análise comparativa entre o ontem e o hoje sobre corrupção no Sistema de Justiça, algo continua igual: a imensa maioria dos integrantes das carreiras jurídicas está longe desse mal, sem “comprar”, “vender” ou falsificar decisões, pareceres, indiciamentos etc. Contudo, três aspectos mudaram para pior: o primeiro, a quantidade de casos aumentou; o segundo, esses casos se tornaram mais graves, envolvendo elevados montantes e sofisticadas redes de lavagem (inclusive fundos de mercado); e, por fim, aumentou o exibicionismo dos ímprobos.

Órgãos de controle — como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado em 2004 e instalado em 2005 — e atos normativos que estabelecem os princípios éticos para carreiras do Sistema de Justiça foram e seguem sendo importantes nesse contexto. Dentre os atos normativos, destaco a instituição do Código de Ética da Magistratura Nacional, por meio da Resolução CNJ nº 60, de 19 de setembro de 2008; do Código de Ética e Disciplina dos Advogados, atualmente regido pela Resolução nº 02/2015, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil; bem como do Código de Ética do Ministério Público brasileiro, instituído pela Resolução nº 261, de 11 de abril de 2023, do Conselho Nacional do Ministério Público.

Todas essas medidas foram acertadas, porém infelizmente insuficientes no combate à corrupção. A insuficiência não decorre direta e exclusivamente de falhas em tais instrumentos, embora elas existam. Por conseguinte, vamos às causas da deterioração apontada.

Poder, “ofertas” milionárias, buscas por opulência e a ideia (falsa) de que o merecimento profissional deve se traduzir em ganhos estratosféricos — tudo isso incentiva a corrida pela vantagem ilícita, especialmente no contexto vigente em que se considera que o bem-estar humano pode ser melhor promovido liberando as capacidades empreendedoras individuais (Harvey, 2014). Essa lógica repercute em quase todos os aspectos da nossa vida e se espalha pelo âmbito cultural, introduzindo novos valores, sensibilidades e relacionamentos, e pelo âmbito político, com a adoção de novas formas de governar, com novas subjetividades (Ball, 2022).

Os agentes públicos, como regra inafastável no exercício de seus cargos/funções, ou fora deles, devem orientar suas ações pela probidade, retidão, justiça, integridade, optando pelos caminhos que melhor alcancem o bem comum. Contudo, essa postura, que deve ser inerente ao serviço público, tem sido atropelada pelo ultra-individualismo, pelo consumismo e pelo narcisismo “meritocrático”.

Surgem, então, os “empreendedores forenses” — que substituíram o culto à riqueza do saber pela ostentação ilícita de abundância material — estimulados pela impunidade de escandalosos delitos, alcançados, no máximo, pelo prêmio da “aposentadoria compulsória”. Aliás, tal “sanção” foi expressamente extinta, em termos constitucionais, quando da votação da Emenda Constitucional nº 103/2019, constituindo legítima escolha política do Congresso Nacional.

Quando o exercício da jurisdição, um parecer ou um indiciamento, por exemplo, passam a ter valor econômico e é possível utilizar o capital para obter posicionamento num sentido ou em outro, a corrupção elimina o interesse público.

É nessa conjuntura que se mostra necessário e urgente se perguntar “Como punir a corrupção na Justiça?” Contudo, mais que se perguntar, é igualmente necessário e urgente buscar saídas que carreguem soluções eficazes, especialmente porque os atuais mecanismos de controle ético e moral dos membros de instituições e profissões ligadas a tal sistema, apesar de importantes, têm se mostrado insuficientes.

É nesse contexto de insuficiência que o Direito Penal se torna uma saída proporcional, especialmente quando as condutas deixam de atingir exclusivamente interesses pessoais ou inter partes e passam a macular a própria atividade da Justiça. Medidas superficiais ou simbólicas não são congruentes com a gravidade do desafio.

Desta feita, entendo ser imperiosa a revisão do capítulo do Código Penal sobre os crimes contra a Administração da Justiça, com a criação de tipos penais mais rigorosos e específicos para corrupção, peculato e prevaricação envolvendo juízes, procuradores, advogados (públicos e privados), defensores, promotores, assessores, servidores do sistema de Justiça em geral. A confiabilidade é um atributo fundamental para a legitimação democrática de todos os profissionais do Direito, o que justifica um tratamento legal específico.

Não se trata de ilusão punitivista, e sim de usar os instrumentos proporcionais à gravidade da situação, à relevância do bem jurídico e às condições próprias dos profissionais do Direito, na medida em que é evidentemente reprovável que um conhecedor e guardião da legalidade traia a sua toga ou beca.

À vista do atual ordenamento jurídico, considero pertinentes as seguintes alterações no que tange à repressão penal contra condutas que interferem no alcance dos fins do Sistema de Justiça:

1. Penas mais altas para casos de peculato, concussão, corrupção passiva, prevaricação, tráfico de influência e corrupção ativa quando cometidos no âmbito do Sistema de Justiça. Deve haver uma espécie de espelhamento de certos delitos previstos no Título XI da Parte Especial do Código Penal, com atenção às especificidades dos profissionais do Direito. As penas ampliadas, constantes de tipos penais próprios, se justificam — do ponto de vista científico — pela singularidade do bens jurídicos tutelados, quais sejam: a moralidade e o prestígio do sistema de Justiça. Sob o aspecto da política criminal, a imposição de sanções mais severas tem tanto finalidade preventiva quanto repressiva do “justicídio”, isto é, dos recorrentes casos de violação à lisura do sistema que, por meio de suas diversas instituições, é encarregado de aplicar a lei em última análise, o que torna as condutas ainda mais reprováveis;

2. Necessidade de regras próprias e rápidas para afastamento e perda do cargo. No caso de cometimento de crime contra a Administração da Justiça, o recebimento da denúncia deve impor o afastamento imediato do cargo do magistrado e dos membros do Ministério Público, da Advocacia Pública, da Defensoria Pública e das assessorias. A condenação transitada em julgado, independentemente do tempo de pena privativa de liberdade imposto pelo julgador, deve gerar a perda automática do cargo. Do mesmo modo, considerando que a advocacia é essencial à administração da justiça e que não há venda de decisões judiciais se não houver comprador, o recebimento de denúncia contra advogado por cometimento de crime contra o sistema de Justiça deve ensejar a suspensão imediata da inscrição na Ordem do Advogados do Brasil e a condenação transitada em julgado deve implicar cancelamento definitivo da referida inscrição;

3. Necessidade de responsabilização criminal quando da prática de ações que visam impedir, embaraçar ou retaliar o regular andamento de processos ou investigação de crimes, obstruindo o bom funcionamento da Justiça, independentemente de se tratar de apuração contra o crime organizado. A gravidade da obstrução à Justiça justifica essa tipificação mais ampla.

Rememoro que Norberto Bobbio, em sua obra “Teoria da Norma Jurídica” (2003), dispôs que o principal efeito da institucionalização da sanção é a maior eficácia das normas a ela relativas. Como profissional do Direito, nisso acredito, sem desprezar os mecanismos de soft power, que são importantes.

A criação de tipos penais para a repressão mais veloz e eficaz da corrupção no âmbito do Sistema de Justiça se justifica em virtude da necessidade de utilizar o poder punitivo estatal, no seu mais alto grau de repressão, no máximo de eficácia, a fim de que o prestígio e a lisura do Sistema de Justiça sejam efetivamente protegidos, dando-se resposta efetiva e proporcional à gravidade das transgressões, inclusive com afastamentos e perdas dos cargos.

A sublinhar tudo o que foi exposto, lembro o ensinamento bíblico sobre a justiça: “A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia. Mas o caminho dos ímpios é como densas trevas; nem sequer sabem em que tropeçam” (Provérbio 4: 18-19).

Outras Notícias

Direita já escolheu Tarcísio de Freitas para substituir Flávio Bolsonaro

No meu comentário das 12h desta quinta-feira (29),  faço uma analise sobre o impacto da carta de Flávio Bolsonaro e como a direita brasileira tem se movimentado para escolher um novo líder. Destaco que a publicação da carta especulada até como tendo sido feita com ajuda de inteligência artificial tornou-se uma “aberração política” sem respaldo […]

No meu comentário das 12h desta quinta-feira (29),  faço uma analise sobre o impacto da carta de Flávio Bolsonaro e como a direita brasileira tem se movimentado para escolher um novo líder.

Destaco que a publicação da carta especulada até como tendo sido feita com ajuda de inteligência artificial tornou-se uma “aberração política” sem respaldo no próprio campo conservador. Ao se autoproclamar presidente dos “Estados Unidos do Brasil”, Flávio criou uma situação sem base na realidade, além de gerar problemas para a imagem de Donald Trump nos EUA.

A movimentação atual sinaliza que o cenário político da direita não gira mais exclusivamente em torno da família Bolsonaro, marcando o início de um novo ciclo de liderança.

Acompanhe o comentário completo clicando no link abaixo:

 

Médico sertanejo critica intolerância política. “A fome não tem partido”

O médico ginecologista e obstetra Lourival Rodrigues, de Floresta, no Sertão de Pernambuco, publicou uma reflexão sobre manifestações de intolerância após as eleições. No texto, ele critica a ideia de retirar benefícios sociais de pessoas pobres por suas escolhas políticas. Em artigo intitulado “A fome não tem partido”, Lourival Rodrigues questiona a postura de pessoas […]

O médico ginecologista e obstetra Lourival Rodrigues, de Floresta, no Sertão de Pernambuco, publicou uma reflexão sobre manifestações de intolerância após as eleições. No texto, ele critica a ideia de retirar benefícios sociais de pessoas pobres por suas escolhas políticas.

Em artigo intitulado “A fome não tem partido”, Lourival Rodrigues questiona a postura de pessoas que defendem a suspensão da assistência social a eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT). O médico argumenta que divergências políticas não podem servir de justificativa para negar direitos básicos e defende que o debate público seja conduzido com respeito à dignidade humana.

O autor também ressalta a importância da educação, do trabalho e da autonomia financeira como caminhos para reduzir a dependência de programas assistenciais, sem abandonar quem ainda necessita do apoio do Estado.

Confira o artigo na íntegra:

A fome não tem partido

Nos últimos dias, após as eleições, tenho observado manifestações que me causam mais tristeza do que qualquer resultado eleitoral. Algumas pessoas chegam a defender que os mais pobres deveriam perder a assistência social simplesmente porque votaram no Partido dos Trabalhadores.

Não sou de direita nem de esquerda. Tenho minhas convicções, discordo de muitas ideias do partido vencedor e me identifico com algumas propostas de seus adversários. Mas não acredito que seja necessário abraçar uma ideologia por inteiro, muito menos transformar divergências políticas em intolerância.

O que me incomoda profundamente é perceber a facilidade com que alguns, vivendo uma realidade financeira confortável, julgam as escolhas de quem enfrenta diariamente a pobreza.

É fácil discutir política diante de uma mesa farta. É fácil condenar o voto de alguém quando não sabemos o que significa abrir a geladeira e não encontrar alimento para os filhos. Para quem vive na necessidade, um benefício social não é uma discussão ideológica. Muitas vezes, é a diferença entre comer e passar fome.

Isso não significa defender a dependência permanente do Estado. Pelo contrário, acredito que o verdadeiro progresso acontece quando as pessoas conquistam educação, trabalho, autonomia e condições de viver com dignidade, sem depender de auxílio para sobreviver.

Mas enquanto essa realidade não chega, negar assistência a alguém por sua escolha eleitoral não é defender princípios. É abandonar a humanidade.

Podemos criticar governos, combater a corrupção, discordar de políticas públicas e exigir responsabilidade com o dinheiro público. O que não podemos é transformar o sofrimento dos mais vulneráveis em uma espécie de punição por terem pensado diferente de nós.

A democracia nos dá o direito de escolher nossos governantes. Não nos dá o direito de decidir quem merece comer.

Talvez esteja faltando ao nosso país algo que nenhuma eleição, por si só, será capaz de oferecer: a capacidade de discordar sem odiar, de defender nossas ideias sem desprezar o próximo e de reconhecer que a dignidade humana está acima de qualquer bandeira partidária.

Porque a fome não tem partido, a dignidade não tem ideologia e a compaixão não deveria ter lado.

E, antes de sermos de direita ou de esquerda, seria bom lembrarmos que somos, acima de tudo, seres humanos.

Lourival Rodrigues – Médico

Foto: Divulgação

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STF vai decidir se haverá segundo turno para governador do Rio após vitória de Douglas Ruas

O PSD, partido de Eduardo Paes, tenta reverter no Supremo a decisão que garantiu a eleição de Douglas Ruas no primeiro turno. A disputa envolve a anulação de mais de 274 mil votos recebidos por Anthony Garotinho. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator da ação apresentada pelo PSD para […]

O PSD, partido de Eduardo Paes, tenta reverter no Supremo a decisão que garantiu a eleição de Douglas Ruas no primeiro turno. A disputa envolve a anulação de mais de 274 mil votos recebidos por Anthony Garotinho.

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator da ação apresentada pelo PSD para questionar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que declarou Douglas Ruas (PL) eleito governador do Rio de Janeiro. O processo ainda aguarda uma definição sobre a possibilidade de realização de uma nova votação entre Ruas e Eduardo Paes (PSD).

A controvérsia começou após o TSE confirmar, em 8 de outubro, o indeferimento do registro de candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que recebeu 274.411 votos no primeiro turno das eleições, realizado no dia 4.

Por cinco votos a dois, o tribunal determinou a anulação dos votos atribuídos a Garotinho e uma nova totalização do resultado. Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para garantir sua eleição sem a necessidade de segundo turno.

O PSD contesta esse entendimento na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.362. O partido argumenta que os votos recebidos por Garotinho, embora posteriormente anulados pela Justiça, deveriam permanecer na base de cálculo utilizada para definir a necessidade de uma segunda votação.

Segundo a legenda, retirar esses votos depois da eleição altera a proporção necessária para que um candidato alcance a maioria absoluta. O partido sustenta que a decisão compromete princípios como a soberania popular, a segurança jurídica e o direito ao voto.

Zanin solicitou manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do próprio TSE antes de analisar o pedido. O tribunal eleitoral encaminhou informações ao Supremo na terça-feira (27).

Na manifestação enviada ao STF, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, apontou dificuldades técnicas que impediam a realização do segundo turno para governador do Rio na data originalmente prevista, 25 de outubro, devido aos procedimentos de preparação, configuração e lacração das urnas eletrônicas.

Com a votação daquela data já encerrada, o PSD busca uma solução judicial que permita realizar uma nova disputa antes da diplomação ou da posse do próximo governador. A possibilidade de votação em dezembro está entre as alternativas mencionadas na ação.

Em uma tentativa anterior, Zanin havia rejeitado um pedido da campanha de Eduardo Paes para suspender os efeitos da decisão do TSE. Na ocasião, o ministro apontou questões processuais, sem decidir definitivamente o mérito da controvérsia.

Até o momento, permanece válida a decisão da Justiça Eleitoral que declarou Douglas Ruas eleito no primeiro turno. Uma eventual mudança dependerá de novo pronunciamento do Supremo.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução

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Pix MEI de até R$ 5 mil deve ser disponibilizado por aplicativo a partir de 2027, anuncia ministro

Programa do governo federal prevê repasse de até R$ 5 mil para investimentos de microempreendedores individuais, com prioridade para mulheres. As regras ainda estão sendo definidas e não há inscrições abertas. O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, informou nesta quinta-feira (29) que o Pix MEI deverá ser […]

Programa do governo federal prevê repasse de até R$ 5 mil para investimentos de microempreendedores individuais, com prioridade para mulheres. As regras ainda estão sendo definidas e não há inscrições abertas.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Pereira, informou nesta quinta-feira (29) que o Pix MEI deverá ser disponibilizado por meio de um aplicativo, com o objetivo de facilitar o acesso de microempreendedores individuais aos recursos previstos pelo governo federal.

Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Pereira explicou que a proposta é simplificar a solicitação do benefício e permitir que os empreendedores comprovem a utilização do dinheiro por meio de notas fiscais.

O programa prevê a transferência de até R$ 5 mil para investimentos em pequenos negócios, sem necessidade de devolução dos recursos.

O dinheiro deverá ser destinado à melhoria das atividades profissionais, incluindo a compra de máquinas, equipamentos, ferramentas e outras estruturas que contribuam para aumentar a capacidade produtiva dos empreendimentos.

Segundo o ministro, a intenção é criar um mecanismo de acesso direto aos microempreendedores, reduzindo procedimentos burocráticos. O formato por aplicativo, entretanto, ainda está em estudo e não foi oficialmente definido.

A iniciativa deverá priorizar mulheres empreendedoras e MEIs com faturamento anual de até R$ 40.500. A previsão do governo é atender aproximadamente 1 milhão de beneficiários entre 2027 e 2030, mediante critérios de seleção que ainda serão divulgados.

O ministro também fez um alerta sobre tentativas de golpes envolvendo o benefício. Apesar de já ter sido anunciado, o Pix MEI não terá pagamentos em 2026 e ainda não possui sistema de cadastramento ativo.

Pereira orientou que os microempreendedores desconsiderem mensagens oferecendo inscrições antecipadas ou solicitando informações pessoais e bancárias para liberar o dinheiro.

As regras definitivas, os procedimentos de inscrição e o calendário de pagamentos ainda serão estabelecidos pelo Ministério do Empreendedorismo. Até lá, nenhuma transferência está autorizada pelo programa.

Fonte: Metrópoles
Foto: Reprodução

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Aliados do Centrão classificam carta de Flávio Bolsonaro como “delirante” e apontam isolamento político

Parlamentares avaliam que a tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar o resultado das eleições não terá apoio institucional, nem mesmo dentro do PL. A manifestação também provocou preocupação entre aliados. A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) nessa quarta-feira (28), na qual se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, provocou críticas […]

Parlamentares avaliam que a tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar o resultado das eleições não terá apoio institucional, nem mesmo dentro do PL. A manifestação também provocou preocupação entre aliados.

A carta divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) nessa quarta-feira (28), na qual se apresentou inicialmente como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, provocou críticas entre integrantes do Centrão e aliados do próprio partido. Segundo reportagem do Estadão Conteúdo, parlamentares ouvidos reservadamente classificaram a iniciativa como “delirante” e demonstraram preocupação com seus possíveis desdobramentos políticos.

Os interlocutores avaliam que o senador poderá ficar isolado ao insistir na narrativa de fraude eleitoral, apresentada sem provas. Na avaliação desses parlamentares, nem mesmo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deverá apoiar a tentativa de contestação do resultado.

Um dos integrantes do grupo afirmou que Flávio “ficará falando para as paredes”, em referência à falta de apoio institucional à sua posição. Procurado pela reportagem, o PL preferiu não comentar o documento.

Entre os políticos ouvidos, existe preocupação com a possibilidade de o senador mobilizar manifestações de rua para questionar a eleição, o que poderia ampliar as tensões políticas no país.

Parlamentares também criticaram as comparações históricas feitas por Flávio na carta, incluindo referências ao jurista Ruy Barbosa. Para alguns deles, a postura poderá produzir um efeito contrário ao pretendido, fortalecendo politicamente o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não quis comentar o documento. Ele e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a proclamação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre os aliados que se distanciaram da contestação está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em entrevista ao Estadão, ele afirmou compreender a insatisfação de Flávio, mas defendeu o respeito à decisão das urnas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente”, declarou o governador, acrescentando que o caminho é reconhecer o resultado eleitoral.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também evitou apoiar a declaração de Flávio. Questionado sobre o assunto, respondeu: “Não comentarei sobre o assunto. Não vou me envolver”.

As reações ocorrem após o senador alterar o documento original, substituindo a expressão “verdadeiro presidente eleito do Brasil” por “líder do Brasil”, mantendo os questionamentos à legitimidade da votação.

Fonte: Diario de Pernambuco/Estadão Conteúdo
Foto: Charles Vieira

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