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Conversas revelam Sergio Moro direcionando Deltan Dallagnol na Lava Jato

Por Nill Júnior

Conversas obtidas pelo portal The Intercept mostraram que havia trocas de mensagens secretas entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sergio Moro, e o procurador da República Deltan Dallagnol. Nas comunicações, Moro aparece dando orientações sobre procedimentos da Operação Lava Jato, da qual era juiz e Dallagnol é coordenador. Esse tipo de comunicação é considerada ilegal pela Constituição Brasileira.

O artigo 129 da Constituição determina que o Ministério Público é único a ter a prerrogativa de conduzir uma ação penal pública.

Há também o artigo 95 da Carta Magna que proíbe juízes de terem “atividade político-partidária”. Já o Código de Processo Penal, em seu artigo 254, determina que “o juiz dar-se-á por suspeito” em algumas situações que se assemelham ao que está no conteúdo das conversas de Moro com Dallagnol –pois o procurador era uma das partes (a que fazia a acusação) no processo da Lava Jato.

De acordo com a publicação, o então juiz antecipou decisões, deu conselhos –como a inversão da ordem de fases da Lava Jato – e até cobrou celeridade da força-tarefa: “Não é muito tempo sem operação?”, questionou após 1 mês sem deflagração de novas fases.

Moro negou que coordenava ações com MPF (Ministério Público Federal): “Eu não tenho estratégia de investigação nenhuma. Quem investiga ou quem decide o que vai fazer e tal é o Ministério Público e a Polícia (Federal). O juiz é reativo”, o disse o então juiz em palestra realizada em março de 2016.

A divulgação das mensagens acontece após o Ministério da Justiça denunciar uma invasão ao celular de Moro. O portal, no entanto, diz que teve acesso às conversas“bem antes da notícia da invasão”.

Confira mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol expostas na matéria doIntercept:

16.out.2015
Em 1 grupo, procuradores da Lava Jato reagem à notícia da soltura do diretor da Odebrecht Alexandrino Alencar, que acompanhava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens. Dallagnol abre uma conversa privada com Moro e questiona: “Caro, STF soltou Alexandrino. Estamos com outra denúncia a ponto de sair, e pediremos prisão com base em fundamentos adicionais na cota. […] Seria possível apreciar hoje?”. Moro responde: “Não creio que conseguiria ver hj. Mas pensem bem se é uma boa ideia”. O juiz  acrescenta: “Teriam que ser fatos graves”. Então, no grupo, o Dallagnol diz que falou “com o russo [que seria o apelido de Moro]” e os procuradores passam a debater estratégias para reverter a soltura –o que nunca aconteceu.

Nov.2015
Moro envia uma questão a Dallagnol: “Olha está um pouco difícil de entender umas coisas. Por que o mpf recorreu das condenacoes dos colaboradores augusto, barusco e mario goes na acao penal 5012331-04? O efeito pratico é impedir a execução da pena”. Pouco depois, às 14h01, o juiz publica 1 despacho em que chama o recurso do MPF de “obscuro”. Às 14h08, o procurador responde em mensagem privada e é rebatido pelo então juiz: “Na minha opiniao estao provocando confusão. E o efeito pratico sera jogar para as calendasa existência [da] execução das penas dos colaboradores”

7.dez.2015
Moro envia a Dallagnol 1 possível pista sobre 1 dos casos de Lula: “Entao. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sidoa ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex Presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou entao repassando. A fonte é seria”.

21.fev. 2016
Moro envia uma mensagem que parece ser sobre o planejamento do Ministério Público. “Olá Diante dos últimos . desdobramentos talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas.” Dallagnol responde, citando problemas  para acatar a sugestão. No dia seguinte, em 22.fev.2016., começa a 23ª fase da Lava Jato, a Operação Acarajé.

27.fev.2016
Em mensagem, Moro pergunta: “O que acha dessas notas malucas do diretorio nacional do PT? Deveriamos rebater oficialmente? Ou pela ajufe?”

31.ago.2016
“Não é muito tempo sem operação?”, perguntou o então juiz ao procurador, às 18h44. A última fase da Lava Jato havia sido realizada 29 dias antes. Deltan respondeu “É sim“, mais tarde.

Mar.2016
Moro demonstra irritação com o que considerou 1 erro da Polícia Federal. Não fica claro qual é o erro: “Tremenda bola nas costas da Pf”. Não satisfeito com as justificativas de Dallagnol, diz: “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora”

13.mar.2016
Na época, as manifestações contra o governo Dilma tomaram as ruas. 

Dallagnol envia mensagem comemorando: “E parabéns pelo imenso apoio público hoje. […] Seus sinais conduzirão multidões, inclusive para reformas de que o Brasil precisa, nos sistemas político e de justiça criminal. […]”

Moro responde: “Fiz uma manifestação oficial. Parabens a todos nós.“

Depois, complementa: “Ainda desconfio muito de nossa capacidade institucional de limpar o congresso. O melhor seria o congresso se autolimpar mas isso nao está no horizonte. E nao sei se o stf tem força suficiente para processar e condenar tantos e tao poderosos.”

16.mar.2016
No dia em que a ex-presidente Dilma Rousseff tentou nomear Lula para a Casa Civil, Moro e Dallagnol conversaram sobre a divulgação de 1 áudio entre os dois ex-chefes de Estado. Dallagnol questiona: “A decisão de abrir está mantida mesmo com a nomeacao, confirma?”. Moro rebate com outra pergunta: “Qual é a posicao do mpf?”. O procurador retorna apenas com “abrir”

No áudio, captado após o período de autorização para interceptação, Dilma diz:
“Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!”

Após a divulgação do áudio, a nomeação de Lula  foi suspensa por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF. Gilmar alegou que a nomeação do petista poderia representar uma “fraude à Constituição.”

19.mar.2016
Seis dias após a divulgação dos áudios, Dallagnol pergunta a Moro: “A liberação dos grampos foi um ato de defesa. Analisar coisas com hindsight privilege é fácil, mas ainda assim não entendo que tivéssemos outra opção, sob pena de abrir margem para ataques que estavam sendo tentados de todo jeito…”. Moro responde: “nao me arrependo do levantamento do sigilo. Era melhor decisão. Mas a reação está ruim”.

21.jun.2016
Dallagnol mostra a Moro uma prévia dos indícios de corrupção revelados por delações de 77 executivos da Odebrecht, que implicavam 150 políticos, como Lula, Dilma, Temer, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Geraldo Alckmin e Sérgio Cabral. Moro diz: “Reservadamente. Acredito que a revelação dos fatos e abertura dos processos deveria ser paulatina para evitar um abrupto pereat mundus[expressão em latim usada no meio jurídico, que quer dizer ‘acaba-se o mundo, mas faça-se justiça’]”. O então juiz ainda acrescenta: “Abertura paulatina segundo gravidade e qualidade da prova. Espero que LJ sobreviva ou pelo menos nós”.

15.dez.2016
Dallagnol atualiza Moro sobre o andamento das negociações de delações de executivos da Odebrecht: “Caro, favor não passar pra frente: (favor manter aqui): 9 presidentes (1 em exercício), 29 ministros (8 em exercício), 3 secretários federais, 34 senadores (21 em exercício), 82 deputados (41 em exercício), 63 governadores (11 em exercício), 17 deputados estaduais, 88 prefeitos e 15 vereadores […]”. O então juiz responde: “Opinião: melhor ficar com os 30 por cento iniciais. Muitos inimigos e que transcendem a capacidade institucional do mp e judiciário”.

Mar.2017
Moro sugere a Dallagnol o que seria 1 caminho para a investigação da Lava Jato:“Prezado, a Deputada Mara Gabrili mandou o texto abaixo para mim, podem dar uma checada nisso. Favor manter reservado”. A mensagem da congressista sugere que Marcos Valério, preso à época do Mensalão, fosse ouvido em investigação sobre a morte do ex-prefeito Celso Daniel. Dallagnol responde: “Falei com Diogo [Castor de Mattos, procurador], que checará”.

Mar.2017
Irritado com uma das procuradoras da força-tarefa, Moro faz 1 pedido a Dallagnol: “Prezado, a colega Laura Tessler de vcs é excelente profissional, mas para inquirição em audiência, ela não vai muito bem. Desculpe dizer isso, mas com discrição, tente dar uns conselhos a ela, para o próprio bem dela. Um treinamento faria bem. Favor manter reservada essa mensagem”. Em resposta, recebe: “Ok, manterei sim, obrigado!”

8.mai.2017
Dois dias antes de Lula ser ouvido pela 1ª vez por Moro, em Curitiba, o então juiz questiona o procurador sobre 1 possível adiamento do depoimento: “Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando. Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem”. Dallagnol só responde no dia seguinte:“Passei o dia fora ontem. Defenderemos manter. Falaremos com Nivaldo[Brunoni, juiz de primeira instância que cobria as férias do relator da Lava Jato no TRF-4, João Pedro Gebran Neto, e negou o pedido da defesa de adiar o depoimento]”.

10.mai.2017
Dallagnol sugere: “Caro, foram pedidas oitivas na fase do 402, mas fique à vontade, desnecessário dizer, para indeferir. De nossa parte, foi um pedido mais por estratégia”. Moro responde: “Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão mas a tendência é indeferir mesmo”.

26.jun.2017
Moro sugere que o MPF mantenha na prisão o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que seria absolvido pelo TRF4 no dia seguinte por falta de provas: “Diante das absolvição do Vaccari seria talvez conveniente agilizar julgamento do caso do Skornicki no qual ele tb está preso e condenado. Parece que está para parecer na segunda instância”. Dallagnol responde: “Providenciamos tb nota de que a PRR vai recorrer. Tem outras tb no TRF. Alguma razão especial para apontar esta?”. Moro diz: “Porque Vaccari tb foi condenado nesta?!”.

Moro nega anormalidade

Em nota, Sergio Moro negou a existência de “qualquer anormalidade ou direcionamento” nas mensagens reveladas pela reportagem. O ministro também disse que houve “sensacionalismo” na matéria e criticou o fato de não ter sido procurado antes da publicação.

Eis a íntegra da nota:

“Sobre supostas mensagens que me envolveriam publicadas pelo site Intercept neste domingo, 9 de junho, lamenta-se a falta de indicação de fonte de pessoa responsável pela invasão criminosa de celulares de procuradores. Assim como a postura do site que não entrou em contato antes da publicação, contrariando regra básica do jornalismo.

Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.”

MP fala em ação de Hacker

O MPF (Ministério Público Federal) publicou, às 20h08 deste domingo (9.jun), uma nota sobre a reportagem. Confira a íntegra:

“A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal do Paraná (MPF/PR) vem a público informar que seus membros foram vítimas de ação criminosa de um hacker que praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público, à vida privada e à segurança de seus integrantes.

A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho.

Dentre as informações ilegalmente copiadas, possivelmente estão documentos e dados sobre estratégias e investigações em andamento e sobre rotinas pessoais e de segurança dos integrantes da força-tarefa e de suas famílias.

Há a tranquilidade de que os dados eventualmente obtidos refletem uma atividade desenvolvida com pleno respeito à legalidade e de forma técnica e imparcial, em mais de cinco anos de Operação.

Contudo, há três preocupações. Primeiro, os avanços contra a corrupção promovidos pela Lava Jato foram seguidos, em diversas oportunidades, por fortes reações de pessoas que defendiam os interesses de corruptos, não raro de modo oculto e dissimulado.

A violação criminosa das comunicações de autoridades constituídas é uma grave e ilícita afronta ao Estado e se coaduna com o objetivo de obstar a continuidade da Operação, expondo a vida dos seus membros e famílias a riscos pessoais. Ninguém deve ter sua intimidade – seja física, seja moral – devassada ou divulgada contra a sua vontade. Além disso, na medida em que expõe rotinas e detalhes da vida pessoal, a ação ilegal cria enormes riscos à intimidade e à segurança dos integrantes da força-tarefa, de seus familiares e amigos.

Em segundo lugar, uma vez ultrapassados todos os limites de respeito às instituições e às autoridades constituídas na República, é de se esperar que a atividade criminosa continue e avance para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto, falsificar integral ou parcialmente informações e disseminar ‘fake news’.

Entretanto, os procuradores da Lava Jato não vão se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais. A atuação sórdida daqueles que vierem a se aproveitar da ação do ‘hacker’ para deturpar fatos, apresentar fatos retirados de contexto e falsificar integral ou parcialmente informações atende interesses inconfessáveis de criminosos atingidos pela Lava Jato.

Por fim, os procuradores da Lava Jato em Curitiba mantiveram, ao longo dos últimos cinco anos, discussões em grupos de mensagens, sobre diversos temas, alguns complexos, em paralelo a reuniões pessoais que lhes dão contexto. Vários dos integrantes da força-tarefa de procuradores são amigos próximos e, nesse ambiente, são comuns desabafos e brincadeiras. Muitas conversas, sem o devido contexto, podem dar margem para interpretações equivocadas. A força-tarefa lamenta profundamente pelo desconforto daqueles que eventualmente tenham se sentido atingidos.

Diante disso, em paralelo à necessária continuidade de seu trabalho em favor da sociedade, a força-tarefa da Lava Jato estará à disposição para prestar esclarecimentos sobre fatos e procedimentos de sua responsabilidade, com o objetivo de manter a confiança pública na plena licitude e legitimidade de sua atuação, assim como de prestar contas de seu trabalho à sociedade.

Contudo, nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações, o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas. Esclarecimentos posteriores, evidentemente, podem não ser vistos pelo mesmo público que leu as matérias originais, o que também fere um critério de justiça. Além disso, é digno de nota o viés tendencioso do conteúdo até o momento divulgado, o que é um indicativo que pode confirmar o objetivo original do hacker de, efetivamente, atacar a operação Lava Jato.

De todo modo, eventuais críticas feitas pela opinião pública sobre as mensagens trocadas por seus integrantes serão recebidas como uma oportunidade para a reflexão e o aperfeiçoamento dos trabalhos da força-tarefa.

Em paralelo à necessária reflexão e prestação de contas à sociedade, é importante dar continuidade ao trabalho. Apenas neste ano, dezenas de pessoas foram acusadas por corrupção e mais de 750 milhões de reais foram recuperados para os cofres públicos. Apenas dois dos acordos em negociação poderão resultar para a sociedade brasileira na recuperação de mais de R$ 1 bilhão em meados deste ano. No total, em Curitiba, mais de 400 pessoas já foram acusadas e 13 bilhões de reais vêm sendo recuperados, representando um avanço contra a criminalidade sem precedentes. Além disso, a força-tarefa garantiu que ficassem no Brasil cerca de 2,5 bilhões de reais que seriam destinados aos Estados Unidos.

Em face da agressão cibernética, foram adotadas medidas para aprimorar a segurança das comunicações dos integrantes do Ministério Público Federal, assim como para responsabilizar os envolvidos no ataque hacker, que não se confunde com a atuação da imprensa. Desde o primeiro momento em que percebidas as tentativas de ataques, a força-tarefa comunicou a Procuradoria-Geral da República para que medidas de segurança pudessem ser adotadas em relação a todos os membros do MPF. Na mesma direção, um grupo de trabalho envolvendo diversos procuradores da República foi constituído para, em auxílio à Secretaria de Tecnologia da Informação e Comunicação da PGR, aprofundar as investigações e buscar as melhores medidas de prevenção a novas investidas criminosas.

Em conclusão, os membros do Ministério Público Federal que integram a força-tarefa da operação Lava Jato renovam publicamente o compromisso de avançar o trabalho técnico, imparcial e apartidário e informam que estão sendo adotadas medidas para esclarecer a sociedade sobre eventuais dúvidas sobre as mensagens trocadas, para a apuração rigorosa dos crimes sob o necessário sigilo e para minorar os riscos à segurança dos procuradores atacados e de suas famílias.”

Outras Notícias

Zeca Cavalcanti vistoria obras da base do Samu e apresenta duas ambulâncias em Arcoverde

A Prefeitura de Arcoverde apresentou duas ambulâncias destinadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e informou que as obras de construção da base do serviço estão em estágio avançado. O prefeito Zeca Cavalcanti visitou o local para acompanhar os trabalhos, mas ainda não foi divulgada uma data para o início dos atendimentos. Os […]

A Prefeitura de Arcoverde apresentou duas ambulâncias destinadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e informou que as obras de construção da base do serviço estão em estágio avançado. O prefeito Zeca Cavalcanti visitou o local para acompanhar os trabalhos, mas ainda não foi divulgada uma data para o início dos atendimentos.

Os veículos apresentados são uma Unidade de Suporte Avançado (USA), equipada como UTI móvel, e uma Unidade de Suporte Básico (USB). As ambulâncias deverão integrar a estrutura de atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência no município.

Segundo a gestão municipal, a implantação do Samu é aguardada há mais de 12 anos em Arcoverde. A prefeitura informou que pretende concluir a construção da base e organizar as equipes necessárias para colocar o serviço em funcionamento.

Durante a vistoria, Zeca Cavalcanti comentou o andamento da implantação e a chegada dos veículos. O prefeito afirmou que a estrutura está sendo preparada para atender às ocorrências de urgência e emergência, mas não estabeleceu um prazo específico para o início das operações.

Outra etapa da implantação envolve a contratação dos profissionais. De acordo com a prefeitura, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de lei encaminhado pelo Executivo que autoriza a realização de seleção pública para a formação das equipes do Samu.

A previsão apresentada pela administração municipal é de que a seleção contemple médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores socorristas. A realização do processo seletivo e a organização das equipes ainda são necessárias para o funcionamento das unidades.

O Samu presta atendimento pré-hospitalar em situações de urgência e emergência, incluindo ocorrências clínicas, traumáticas, cirúrgicas e psiquiátricas. O serviço funciona 24 horas por dia, com acionamento gratuito pelo número 192 e atendimento regulado por uma central responsável por avaliar as ocorrências e definir o envio das equipes.

Em Arcoverde, o início dos atendimentos dependerá da conclusão das obras, da composição das equipes e da organização operacional do serviço. A prefeitura não informou uma data definitiva para a entrega da base.

Imagem: Frame/Reprodução

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Lula se reúne com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para discutir quarto mandato presidencial

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na segunda-feira (26), os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro abordou o planejamento do quarto mandato presidencial, que terá início em janeiro de 2027, e a relação […]

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na segunda-feira (26), os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro abordou o planejamento do quarto mandato presidencial, que terá início em janeiro de 2027, e a relação entre o governo federal e o Congresso Nacional.

A reunião ocorreu um dia após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, quando derrotou Flávio Bolsonaro (PL). Foi o primeiro encontro do presidente com os dirigentes das duas Casas legislativas desde a confirmação do resultado eleitoral.

Motta e Alcolumbre deixaram o Alvorada às 18h27, sem conversar com a imprensa. Na parte final da reunião, também participaram os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti, que permaneceram na residência oficial após a saída dos parlamentares.

Em manifestação divulgada posteriormente, Hugo Motta defendeu a manutenção do diálogo entre o Executivo e o Legislativo e afirmou que o Congresso deve continuar trabalhando em conjunto com o governo, respeitando as atribuições de cada Poder.

Davi Alcolumbre também destacou a importância da relação institucional. Em comunicado, afirmou que o Senado e a Câmara continuarão atuando com independência e responsabilidade, mantendo a disposição para construir entendimentos com o governo federal.

A aproximação ocorre em um momento de reorganização política após as eleições. Lula terá de negociar com um Congresso de composição majoritariamente conservadora para avançar com as propostas de seu próximo mandato.

Entre os temas que deverão integrar as discussões entre o Executivo e o Legislativo está a agenda de segurança pública, incluindo a proposta de emenda constitucional sobre o setor. A articulação com os parlamentares também será importante para a definição das prioridades orçamentárias e das medidas econômicas previstas para 2027.

Fonte: Estadão Conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert/PR

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Nikolas Ferreira desaconselha protestos após derrota de Flávio Bolsonaro: “Chance de anular eleição é praticamente nula”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) evitem manifestações contra o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo publicado nas redes sociais nessa segunda-feira (26), o parlamentar afirmou que considera praticamente impossível reverter a vitória do presidente na Justiça Eleitoral. A manifestação […]

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu que apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) evitem manifestações contra o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em vídeo publicado nas redes sociais nessa segunda-feira (26), o parlamentar afirmou que considera praticamente impossível reverter a vitória do presidente na Justiça Eleitoral.

A manifestação ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro anunciar que não reconheceria o resultado do segundo turno e que pretendia solicitar a anulação da eleição. Apesar de levantar questionamentos sobre o processo eleitoral, Nikolas recomendou cautela aos eleitores insatisfeitos com a derrota.

“Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula”, declarou o deputado.

Durante o pronunciamento, Nikolas afirmou que existem questionamentos sobre a votação que, em sua avaliação, ainda precisam ser esclarecidos. Entre os pontos mencionados estão a virada de Lula no segundo turno, os resultados em Minas Gerais e a decisão judicial que permitiu a prorrogação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.

O parlamentar, entretanto, não apresentou provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Ao orientar seus seguidores, Nikolas alertou para os riscos de manifestações realizadas em momentos de indignação. Ele mencionou as consequências enfrentadas por pessoas que participaram de protestos anteriores e pediu que os apoiadores não tomem decisões precipitadas.

A preocupação também existe entre integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo informações publicadas pelo Correio Braziliense e reproduzidas pelo Diário de Pernambuco, aliados temem que manifestações contra o resultado possam terminar em episódios de violência semelhantes aos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.

No vídeo, Nikolas também fez referências religiosas e procurou transmitir uma mensagem de continuidade política aos apoiadores. Ao comentar a derrota eleitoral, afirmou que o resultado representa apenas um momento da trajetória do grupo.

A declaração contrasta com uma publicação feita pelo próprio deputado no domingo (25), quando escreveu na rede social X: “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”.

Mudança de estratégia de Flávio Bolsonaro

A manifestação de Nikolas ocorreu em meio à revisão da estratégia jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. Depois de anunciar que pediria a anulação da eleição, o senador desistiu da iniciativa e passou a concentrar seus questionamentos em ações que apontam supostos abusos de poder político e econômico durante a campanha de Lula.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Reprodução

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CNBB e líderes internacionais parabenizam Lula pela reeleição; bispos pedem atenção aos mais pobres

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua repercutindo entre autoridades brasileiras e lideranças internacionais. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem de congratulações ao presidente e ao vice, Geraldo Alckmin (PSB), acompanhada de um apelo por políticas públicas voltadas à população mais pobre. Chefes de Estado e […]

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua repercutindo entre autoridades brasileiras e lideranças internacionais. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma mensagem de congratulações ao presidente e ao vice, Geraldo Alckmin (PSB), acompanhada de um apelo por políticas públicas voltadas à população mais pobre. Chefes de Estado e de governo de diferentes países também reconheceram a vitória do petista no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).

Em nota divulgada nessa segunda-feira (26), a CNBB destacou que as decisões políticas e econômicas devem considerar a dignidade humana, a solidariedade, o bem comum e a redução das desigualdades sociais.

A entidade católica defendeu atenção prioritária às pessoas em situação de vulnerabilidade, com políticas de combate à fome e à miséria, valorização do trabalho digno e garantia de acesso à saúde, à educação e à moradia.

A mensagem também mencionou a proteção das crianças, dos idosos e das famílias, os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e a preservação ambiental.

Para os bispos, o desenvolvimento do país não deve ser medido exclusivamente por indicadores econômicos, mas também pelas condições de vida da população e pelo acesso aos direitos fundamentais.

A CNBB abordou ainda o ambiente de polarização política registrado durante a campanha presidencial. A entidade defendeu a pacificação do país, o respeito às diferenças, o fortalecimento das instituições democráticas e a observância da Constituição Federal.

O documento também reafirmou a necessidade de combater a corrupção e todas as formas de violência.

Repercussão internacional

Fora do Brasil, a vitória de Lula recebeu manifestações de dirigentes europeus, asiáticos e americanos, que destacaram a importância das relações diplomáticas e comerciais com o país.

O presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou Lula e defendeu o aprofundamento da parceria estratégica entre os dois governos. O francês destacou a cooperação diante dos desafios internacionais e a manutenção das relações bilaterais.

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez comemorou o resultado e interpretou a vitória do presidente brasileiro como um sinal de fortalecimento das forças políticas progressistas.

O presidente do Equador, Daniel Noboa, também enviou uma mensagem de congratulações. Apesar de integrar um campo político diferente do de Lula, Noboa destacou que os países latino-americanos compartilham desafios e podem obter resultados por meio da cooperação.

Na América do Norte, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendeu a ampliação das relações comerciais com o Brasil e a cooperação em questões ambientais.

A primeira-ministra do Japão também cumprimentou o presidente reeleito e manifestou interesse em aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, incluindo discussões comerciais envolvendo o Japão e o Mercosul.

O governo da China divulgou uma manifestação por meio do Ministério dos Negócios Estrangeiros, reafirmando a disposição de continuar ampliando a cooperação com o Brasil.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também parabenizou Lula e destacou aspectos relacionados à soberania brasileira e às políticas de desenvolvimento econômico e social.

Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou o resultado eleitoral e ressaltou a defesa da democracia e do multilateralismo.

Na América Latina, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, também estiveram entre as autoridades que reconheceram a reeleição.

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, mencionou a repercussão da vitória entre moradores da cidade americana e publicou uma mensagem de congratulações ao presidente brasileiro.

As manifestações ocorreram após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). O presidente conquistou seu quarto mandato pelo voto direto e permanecerá à frente do Palácio do Planalto até 2030.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Paulo Pinto

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Trump questiona eleição brasileira após vitória de Lula, e Alckmin rebate: “Totalmente equivocada”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nessa segunda-feira (26) a condução do segundo turno da eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O republicano levantou suspeitas sobre a prorrogação do horário de votação, sem apresentar provas de fraude. O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), rebateu as declarações e defendeu […]

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nessa segunda-feira (26) a condução do segundo turno da eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O republicano levantou suspeitas sobre a prorrogação do horário de votação, sem apresentar provas de fraude. O vice-presidente reeleito, Geraldo Alckmin (PSB), rebateu as declarações e defendeu a soberania brasileira.

Em conversa com jornalistas, Trump classificou como estranha a decisão que permitiu a ampliação do horário de votação em determinadas seções eleitorais no domingo (25). O presidente americano afirmou que a eleição “pareceu fraudada”, mas não apresentou elementos que sustentassem a suspeita.

O questionamento acompanha críticas feitas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno. O senador também contestou a decisão judicial que autorizou a extensão da votação.

A medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após registros de restrições na circulação do transporte coletivo em diferentes cidades brasileiras. A decisão permitiu a ampliação do horário até as 19h, diante das dificuldades relatadas por eleitores para chegar às urnas.

Apesar das críticas ao processo eleitoral, Trump evitou um confronto direto com Lula. Questionado se pretendia tomar alguma providência em relação à eleição brasileira, afirmou que não governa o Brasil e destacou manter uma boa relação com o presidente reeleito.

Alckmin reage às declarações

Em entrevista à TV Vanguarda, no interior de São Paulo, Geraldo Alckmin classificou a manifestação do presidente americano como “totalmente equivocada”.

O vice-presidente afirmou que não cabe a governos estrangeiros interferir nos processos políticos de outros países e ressaltou a segurança do sistema eleitoral brasileiro.

“Não se interfere na política de outro país”, declarou Alckmin, ao defender a soberania nacional e o respeito à escolha dos eleitores.

O vice também destacou a confiabilidade das urnas eletrônicas e afirmou que o resultado das eleições deve ser respeitado, independentemente de quem seja o vencedor.

Relações comerciais

Apesar das divergências políticas, Alckmin afirmou que o governo brasileiro pretende continuar negociando com os Estados Unidos para buscar um acordo comercial.

O vice-presidente citou os esforços do Brasil para ampliar suas relações econômicas com outros mercados diante das tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros.

Entre os exemplos mencionados estão os acordos comerciais envolvendo o Mercosul e parceiros como Singapura e União Europeia, além das negociações com o Canadá.

Durante a entrevista, Alckmin ressaltou que o encerramento da disputa eleitoral permite ao governo brasileiro retomar a atenção às negociações econômicas internacionais.

Questionamentos anteriores

As declarações de Trump ocorrem depois de parlamentares americanos manifestarem preocupação com uma possível interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira.

Em setembro, 31 congressistas do Partido Democrata enviaram uma carta à Casa Branca acusando o governo americano de adotar medidas que poderiam favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Entre os pontos questionados estavam as tarifas comerciais aplicadas ao Brasil e as sanções impostas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Trump, por sua vez, afirmou que não escolheu um lado na disputa presidencial brasileira e que apenas acompanhou o processo eleitoral.

Lula foi reeleito no domingo (25), com mais de 64 milhões de votos, contra aproximadamente 59,8 milhões recebidos por Flávio Bolsonaro.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Reprodução

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