Band tinha obrigação de avaliar riscos para tentar salvar nível do debate

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Parte do baixo nível do Debate deste domingo é de responsabilidade da Band, que organizou o confronto.
No passado, convidados de partidos e coligações eram tradicionalmente chamadas como testemunhas, observadores, atestadores da lisura e condução. Há episódios de manifestação documentados, mas nada parecido com ontem. A Band sabia do risco, mas pagou por ele. Apostou na civilidade e teve que administrar o caos.
Muitos não estavam como convidados para acompanhar, mas para interferir no debate. Flávio Bolsonaro colocou Sérgio Moro e Deltan Dallagnol na primeira fileira e usou isso para provocar Lula. Em outros momentos, a fala de efeito de Lula, como na resposta do voto do “presidiário” Bolsonaro foi ovacionada pela claque puxada por André Janones, também especialista em lacração digital.
Pavanatto, Marçal, Nikolas, da mesma forma, foram tumultuar, não acompanhar o embate. Agiram como moleques. Parte da estratégia de Flávio, de ficar aparecendo atrás de Lula e em alguns momentos o desconcertando, foi orientada por Marçal. Por duas vezes Adriana Araújo o advertiu.
Lula caiu na provocação e perdeu um minuto de direito de resposta ao acusá-lo de miliciano. Não foi treinado plenamente para o ambiente que encontraria.
Sobre a administração das confusões, Eduardo Oinegue, daquele tamanho, se apequenou, escondido atrás do púlpito. Adriana Araújo, ao contrário, foi valente para tomar a iniciativa do controle. Não fosse por ela, teria sido ainda pior.
Eventos assim precisam de rigorisa avaliação de contexto e cenários. Ter evitado plateia, mantendo apenas dois assessores de cada lado reduziria o cenário inflamado, contaminando menos os candidatos e evitando os tumultos. Não se pode dizer se melhoraria tanto o nível. Aí talvez fosse querer demais…
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