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“Álvaro está para Raquel como Cunha esteve para Dilma”: um embate com cheiro de repetição e tom machista

Por André Luis

Por André Luis – Jornalista do blog

Os constantes choques públicos entre o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (PSDB), e a governadora Raquel Lyra (PSD) ultrapassa o conflito institucional rotineiro e guarda contornos que pedem leitura política mais atenta, inclusive por recados históricos. Ao segurar pautas, criticar publicamente a chefe do Executivo e trocar ataques ásperos com aliados da governadora, Porto encena, nas palavras e nas ações, um papel que remete ao protagonismo de Eduardo Cunha na articulação política que desembocou no golpe contra Dilma Rousseff em 2016. A comparação é voluntariosa, mas não gratuita: há semelhanças táticas, simbólicas e até partidárias que merecem denúncia e contextualização. 

Álvaro Porto protagonizou episódios públicos de confronto com o governo estadual: críticas diretas à gestão, posicionamentos que frearam votações (como a análise de operações de crédito) e até um áudio vazado em que o presidente da Alepe, aparentemente desprevenido, faz citações ásperas à governadora. Esses episódios foram noticiados pela imprensa local e nacionalizada, e reforçam um quadro de tensão política cada vez mais explícito. 

A escalada não se limitou a debates acalorados: Álvaro chegou a afirmar que o governo estadual ainda não cumpriu repasses de emendas — postura que culminou em ameaça de levar a questão à Justiça e em resistência à aprovação de projetos considerados prioritários pelo Executivo. Tais ações têm efeito prático: atrasam políticas, constrangem a governabilidade e colocam em xeque a cooperação institucional. 

Ao se recordar do papel de Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, na abertura e condução do processo de impeachment contra Dilma, é impossível não notar paralelos táticos. Cunha, parlamentar de uma base conservadora e articulador central, usou a presidência da Casa para aceitar pedidos de impeachment, controlar pautas e articular redes políticas que fragilizaram o governo federal. Esse protagonismo institucional não foi neutro: acabou sendo motor de um processo que muitos analistas e instituições acadêmicas diagnosticaram como operação política com contornos de golpe. 

No caso pernambucano, a comparação não pretende dizer que exista hoje um roteiro idêntico, as escalas, os atores e o contexto nacional são outros, mas chama atenção para um padrão: quando quem preside uma Casa legislativa transforma o controle de pauta e o uso midiático de crises em instrumento de pressão política, a governabilidade e a própria democracia ficam em risco. 

Álvaro Porto, do PSDB, partido historicamente presente entre as forças que pressionaram pelo afastamento de Dilma e que ocupou papel relevante no tabuleiro de 2016, faz essa conjunção de poder local e estratégia de desgaste pública. É legítimo e necessário lembrar o passado partidário para entender a potência simbólica desse embate. 

Há outro eixo que atravessa o confronto: o machismo institucional e simbólico que ainda marca a política brasileira. O impeachment de Dilma não foi apenas um processo jurídico: análises de mídia e gênero demonstraram que o tratamento dispensado à primeira mulher presidente teve matizes sexistas, do tom das reportagens ao destaque dado a sua imagem corporal, passando por discursos que exploraram estereótipos de gênero. Essa herança não desaparece automaticamente. 

No embate atual, as agressões verbais, as tentativas de constranger Raquel Lyra e a exposição midiática de suas falhas, reais ou potencializadas, não podem ser lidas de forma neutra. Governadoras e mulheres em cargos executivos enfrentam um padrão duplo de exigência: são cobradas pela eficácia administrativa e, ao mesmo tempo, penalizadas por modos de atuar que a homens em posição equivalente costumam ser concedidos sem prejuízo político. 

Quando um presidente de Assembleia, e membro de um partido que participou ativamente de disputas que levaram ao afastamento de uma presidente mulher, adota um tom agressivo e instrumentaliza o legislativo contra uma governadora, o recorte de gênero compõe, sim, a cena política. 

Não se trata apenas de adjetivar o PSDB como “o partido do golpe” de forma gratuita: trata-se de lembrar que a formação partidária nacional não é desprovida de memórias e responsabilidades. O PSDB foi um dos núcleos da oposição que se articulou no processo de 2015–2016, e muitos estudos e reportagens já mapearam o papel de atores conservadores no desencadeamento daquele processo que terminou com o afastamento de Dilma. Evocar essa trajetória ao analisar comportamentos atuais não é calúnia: é contextualização histórica, e, neste caso, advertência. 

O efeito prático de um embate assim é previsível e danoso: com a Assembleia emparedando pautas do Executivo, projetos essenciais, como operações de crédito, transferências e emendas, ficam travados, e a população paga a conta (seja com atraso de obras, seja com precarização de serviços). Quando a disputa se mascara de “fiscalização” e faz o jogo do desgaste político, corre-se o risco de transformar uma Casa legislativa num palco de retaliação partidária, não de deliberação pública. 

Num regime democrático maduro, o presidente de uma assembleia tem um papel central: garantir funcionamento, independência entre poderes e mediação, não monopólio de pautas para fins de desgaste. Se Álvaro Porto quer ser, de fato, guardião das instituições, que aja como tal: que apresente provas concretas de irregularidades (se existirem), que encaminhe denúncias formais quando necessário e que preserve o direito do Executivo de governar, dentro dos limites legais, sem utilizar a presidência da Casa como instrumento de campanha midiática perpétua.

Se, ao contrário, o objetivo é desgastar para construir narrativa política, a comparação com os jogos de poder que levaram ao impeachment de 2016, e que apontaram para episódios de machismo simbólico contra uma mulher presidente, é mais do que pertinente. É um alerta: a democracia não aceita instrumentos de atomização institucional; a sociedade precisa ficar atenta. 

Álvaro Porto tem o direito e o dever de fiscalizar e liderar o Legislativo. Mas esse papel não dá carta branca para práticas de intimidação, paralisação deliberada de pautas ou ataques que se aproveitem de vieses de gênero para amplificar prejuízos políticos. 

Quando o presidente de uma Assembleia começa a agir como articulador do desgaste institucional, sobretudo sendo filiado a um partido que teve papel central nas forças que promoveram o afastamento de uma presidente mulher, a comparação com Cunha e 2016 deixa de ser mera metáfora retórica e vira sinal de alerta.

A democracia exige debate, inclusive duro, mas não tolera que o legislativo seja instrumentalizado como arma de desestabilização. Se o embate é legítimo, que se dê com transparência, provas e responsabilidade; se é retaliação, que se saiba que a história e a memória política têm boa memória.

Outras Notícias

 Prefeitura de Afogados reajusta base de cálculo para funcionalismo público municipal: R$ 1.412,00

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira reajustou a base de cálculo para o pagamento do funcionalismo público municipal de R$ 1.320,00 para R$ 1.412,00, o valor do novo salário mínimo. A medida representa um reajuste salarial de 7,7%. A medida já começou a valer para o pagamento da folha salarial de janeiro. A decisão foi […]

A Prefeitura de Afogados da Ingazeira reajustou a base de cálculo para o pagamento do funcionalismo público municipal de R$ 1.320,00 para R$ 1.412,00, o valor do novo salário mínimo. A medida representa um reajuste salarial de 7,7%.

A medida já começou a valer para o pagamento da folha salarial de janeiro. A decisão foi autorizada pelo Prefeito Alessandro Palmeira e implementada pela secretaria municipal de Finanças. 

“A folha salarial dos nossos servidores, aposentados e pensionistas de janeiro já foi paga com base no novo salário mínimo. Essa é uma medida que conseguimos tomar graças a um planejamento eficiente, como economia de despesas e organização da máquina pública, de modo a garantir os direitos dos nossos servidores,” destacou o Prefeito de Afogados, Alessandro Palmeira.

A secretaria de finanças informa também que está iniciando hoje o pagamento dos prestadores, para que todos possam brincar o carnaval tendo recebido seus vencimentos.

Blog denuncia máquinas doadas pela Codevasf paradas em Afogados e associação apresenta versão

Segundo o portal Corujão do Pepeu, três veículos — um trator e duas caçambas identificados como doações da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba — estariam parados há mais de um mês em um terreno próximo ao centro esportivo, na Rua Antônio Vidal, em Afogados da Ingazeira. De acordo com […]

Segundo o portal Corujão do Pepeu, três veículos — um trator e duas caçambas identificados como doações da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba — estariam parados há mais de um mês em um terreno próximo ao centro esportivo, na Rua Antônio Vidal, em Afogados da Ingazeira.

De acordo com o Corujão do Pepeu, a situação chama atenção porque os equipamentos estariam inutilizados enquanto estradas da zona rural e vias urbanas precisam de recuperação. Ainda segundo o Corujão, houve contato com a Codevasf em busca de uma resposta clara sobre o motivo de as máquinas não estarem em operação.

Resposta

Após os questionamentos, o presidente da Associação Rural da Cachoeira da Onça, Neto Tenório, procurou o portal para prestar esclarecimentos.

Segundo Neto Tenório, os equipamentos foram solicitados em 2021 pelo vereador Zé Negão, por meio do então presidente da associação, Zé Severino. De acordo com ele, as máquinas pertencem oficialmente à associação e estão à disposição da comunidade.

Ainda segundo Neto, os equipamentos estão estacionados em frente à sua residência por segurança. Ele afirmou que os associados têm acesso com preço acessível, que a população em geral também pode utilizar os equipamentos e que a prioridade é para os membros da entidade. Como a comunidade não possui galpão para armazenamento, a guarda no local conta com monitoramento por câmeras.

Neto Tenório assumiu a presidência em março de 2025 e destacou, de acordo com o Corujão do Pepeu, o compromisso de dar continuidade ao trabalho das gestões anteriores e fortalecer o desenvolvimento da comunidade rural.

Assim, segundo o Corujão do Pepeu, a diretoria da associação apresentou sua versão para esclarecer as dúvidas sobre a destinação e o uso das máquinas.

Eduardo da Fonte acompanha governadora e diz não ver obstáculo para candidatura ao Senado

Por Anthony Santana – Blog da Folha O presidente da Federação União Progressista (UP) de Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), participou pela primeira vez de agenda com a governadora Raquel Lyra (PSD), após a gestora definir que terá o presidente do União Brasil (UB) e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o deputado […]

Por Anthony Santana – Blog da Folha

O presidente da Federação União Progressista (UP) de Pernambuco, deputado federal Eduardo da Fonte (PP), participou pela primeira vez de agenda com a governadora Raquel Lyra (PSD), após a gestora definir que terá o presidente do União Brasil (UB) e ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, e o deputado federal Túlio Gadêlha (PSD) como candidatos ao Senado na chapa.

Na missa de encerramento da 330ª Festa de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife, realizada nesta quinta-feira (16), o parlamentar afirmou que não foi informado sobre a escolha da gestora. Ele reforçou que o grupo político indicou o nome dele como pré-candidato e que não vê empecilho para ser candidato ao senado na chapa de Raquel Lyra.

“O que nós temos é uma reunião da executiva que já deliberou que a candidatura do deputado Eduardo da Fonte é a oficial da Federação União Progressista. A gente tem buscado percorrer o estado de Pernambuco e mostrar as entregas com um grande time político que se soma à governadora para defender mais entregas, mostrar o que já entregamos e o que ainda vamos entregar”, disse Da Fonte.

Questionado se existe a chance de ser lançada uma candidatura avulsa, caso não tenha espaço na chapa da governadora, o líder progressista afirmou que não trabalha com o cenário de não participar da chapa e lembrou o apoio que o grupo político deu á governadora durante o mandato.

“Eu não acredito em nenhum obstáculo. A gente vê com muita tranquilidade, olhando o tamanho da nossa federação, que sempre esteve ao lado da governadora, nossos deputados na Assembleia Legislativa há três anos e meio que defendem o governo Raquel Lyra, que participam, junto com todos nós que fazemos parte desse governo e vamos continuar fazendo ao longo dos próximos anos, mostrando as transformações que Pernambuco tem realizado”, enfatizou.

Eduardo da Fonte ainda negou que tenha mantido negociação com o pré-candidato da oposição ao governo estadual, o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), sobre composição de chapa para o Senado e classificou como uma “invenção”.

“Totalmente descartada. Isso foi uma invenção da política para tumultuar o processo. Conseguimos passar a janela partidária com a maior federação do Brasil e de Pernambuco, com a maior bancada na Assembleia, com a maior bancada na Câmara Federal e vamos sair das urnas com o maior time de deputados estaduais e deputados federais eleitos e com um senador da República para defender os direitos do povo pernambucano”, cravou.

Obra da Barragem de Ingazeira parou outra vez

Com 70% de sua construção atingida, a importante obra da barragem de Ingazeira de responsabilidade do DNOCS está paralisada. Informações que chegaram as produções dos programas Rádio Vivo e Cidade Alerta, dão conta de que faltou dinheiro. A suspensão dos trabalhos já era prevista pelo próprio governo federal, como também faz parte da previsão a […]

IMG-20151221-WA0003-588x400Com 70% de sua construção atingida, a importante obra da barragem de Ingazeira de responsabilidade do DNOCS está paralisada.

Informações que chegaram as produções dos programas Rádio Vivo e Cidade Alerta, dão conta de que faltou dinheiro.

A suspensão dos trabalhos já era prevista pelo próprio governo federal, como também faz parte da previsão a retomada de imediato para que a conclusão ocorra até dezembro de 2016.

Uma coincidência: pela 2ª vez a obra da barragem de Ingazeira sofre paralisação na mesma semana em que é visitada pelo deputado federal Ricardo Teobaldo. A informação é de Anchieta Santos ao blog.

José Patriota se reúne com oposição de Tuparetama 

Por André Luis O deputado estadual José Patriota (PSB) se reuniu no último sábado (14) com membros da oposição do município de Tuparetama. A conversa contou com a presença do pré-candidato a prefeito pelo PT, Ivai Cavalcante, do presidente do PT de Tuparetama, Josivan, da vice-presidente municipal do PT, Lidineide Martins, e do secretário de […]

Por André Luis

O deputado estadual José Patriota (PSB) se reuniu no último sábado (14) com membros da oposição do município de Tuparetama. A conversa contou com a presença do pré-candidato a prefeito pelo PT, Ivai Cavalcante, do presidente do PT de Tuparetama, Josivan, da vice-presidente municipal do PT, Lidineide Martins, e do secretário de Organização, Jonas de Melo.

Segundo o deputado, o objetivo do encontro foi discutir pautas importantes para a cidade, como a pautação na câmara do projeto de lei em benefício a pessoas com fibromialgia, a agilização junto à Compesa do abastecimento de água das comunidades Nova Cacimbinha e Carnaúba, e a eleição municipal de 2024.

“Foi uma reunião muito produtiva, na qual pudemos debater assuntos importantes para a população de Tuparetama. Estamos trabalhando para construirmos parcerias que possam melhorar a vida das pessoas”, afirmou Patriota.