RAIO-X NO PAJEÚ: Estudo aponta recuo na participação de Lula e avanço da oposição na região em 2026

Um relatório detalhado de autoria de Gildazio Moura, um petista histórico na região, acendeu o sinal de alerta para as lideranças governistas no Sertão do Pajeú. O estudo realizou uma análise comparativa minuciosa entre os primeiros turnos das eleições presidenciais de 2022 e 2026 em 18 municípios da região, revelando que o presidente Lula registrou uma perda de força relativa e absoluta em territórios historicamente considerados redutos consolidados do petismo.
O Cenário Geral: crescimento do eleitorado x encolhimento de Lula
O dado mais emblemático do relatório mostra que o encolhimento de Lula não se deu por desidratação total de sua base, mas sim pela incapacidade de capturar os novos eleitores.
Votos válidos na região: deram um salto de 198.428 em 2022 para 209.559 em 2026 — um crescimento de 5,61%.
Votação de Lula: no caminho inverso, a votação nominal do presidente caiu de 162.036 para 159.709 votos (menos 2.327 votos absolutos).
Participação de Mercado (Share): A dominância agregada de Lula no Pajeú despencou de 81,66% para 76,21%, uma perda expressiva de 5,45 pontos percentuais.
O relatório introduz o conceito de “déficit ajustado”. Se Lula tivesse mantido a mesma proporção de votos de 2022, aproveitando o crescimento do eleitorado, ele deveria ter alcançado 171.126 votos em 2026. Como obteve 159.709, o “prejuízo” político real foi de 11.417 votos. Em contrapartida, a oposição liderada pelo campo de Jair/Flávio Bolsonaro cresceu na região, saltando de 31.242 para 40.303 votos válidos.
Os extremos do comportamento eleitoral
O estudo deixa claro que o comportamento eleitoral não foi homogêneo e destaca dinâmicas locais bastante específicas:
| Município | Votos Válidos (Variação) | Votos de Lula (Variação) | Participação de Lula | O que o dado revela |
| Tabira | +5,40% | -636 votos | Caiu de 82,47% para 74,43% (-8,04 p.p.) | Maior queda percentual de Lula entre todos os 18 municípios estudados. |
| Serra Talhada | +6,34% | -865 votos | Caiu de 76,61% para 70,29% (-6,32 p.p.) | O principal colégio eleitoral da região registrou o maior déficit absoluto de votos. |
| Santa Terezinha | +0,02% | -344 votos | Caiu de 82,18% para 76,50% (-5,68 p.p.) | O eleitorado ficou estagnado, provando que houve migração direta de votos para a oposição. |
| Calumbi | +14,40% | +401 votos | Caiu de 87,64% para 83,55% (-4,09 p.p.) | Teve o maior crescimento de eleitores. Lula cresceu em votos absolutos, mas perdeu força proporcional. |
| Betânia | +7,37% | +240 votos | Caiu de 87,33% para 84,52% (-2,81 p.p.) | Registrou a menor perda percentual do presidente, mantendo uma altíssima concentração lulista. |
Cidades de peso político acendem Alerta
Em Afogados da Ingazeira, principal centro urbano da região, os votos válidos subiram 7,46%. Lula conseguiu crescer nominalmente apenas 369 votos, mas sua participação despencou de 76,73% para 73,01%. A análise aponta para uma “maior diversificação do comportamento eleitoral” em solo afogadense, impulsionada pelo avanço objetivo da oposição.
Já em São José do Egito, Lula conseguiu segurar o seu núcleo duro de votação absoluta (perdeu apenas 98 votos), mas viu sua participação encolher 6,39 pontos percentuais (indo para 74,61%) porque o crescimento de 7,81% do bolo de eleitores válidos foi absorvido pelas candidaturas adversárias.
Fatores locais e o segundo turno
De acordo com o autor do estudo, os números funcionam como um mapa, mas não explicam sozinhos os motivos individuais da mudança. O relatório levanta hipóteses como o peso de alianças políticas municipais, a força de lideranças locais, dinâmicas socioeconômicas e o crescimento de discursos de segmentos religiosos na região.
“Os números apresentados neste estudo mostram que nenhuma eleição está definitivamente decidida antes que a sociedade volte a se manifestar nas urnas”, conclui Gildazio Moura, apontando o segundo turno como um momento propício para que as forças políticas recalculem a rota, ampliem a escuta da população e entendam os recados vindos do interior de Pernambuco.




Por André Luis – Portal Pajeú Radioweb

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