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Programa nuclear brasileiro: “pau que nasce torto, morre torto”!

Por André Luis

Por Heitor Scalambrini Costa* e Zoraide Vilasboas**

Diante do momento atual – em que se discute a retomada da construção de Angra 3 (paralisada há quase 40 anos), abrindo a porteira para um amplo programa de instalação de mais usinas, constante do Plano Nacional de Energia- PNE 2050 – é muito importante conhecer o histórico da política nacional de energia nuclear desde o nascimento, e até sua repercussão nos dias atuais. O ditado popular “pau que nasce torto, morre torto” tem tudo a ver com este percurso.

Os primeiros registros de atividades envolvendo fissão nuclear em território nacional, promovidas pelos militares, datam da década de 1930. Em consequência, na década de 1950 criou-se o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), com especial interesse, nas pesquisas sobre o átomo, tanto para a produção de energia elétrica como para fabricar bombas, preocupação geopolítica vigente no início da Guerra Fria. 

ACORDOS INCONVENIENTES

Vários estudos e publicações disponíveis apontam problemas associados à questão atômica desde a criação do CNPq, em 1951 (lei sancionada pelo presidente Eurico Gaspar Dutra). Na época, disputas acabaram resultando na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias sobre acordos internacionais de exportação de materiais estratégicos para os Estados Unidos da América. Na CPI, foi discutida a ingerência norte-americana na política brasileira com a anuência de autoridades nacionais, envolvidas nas transações, nada transparentes, da atividade nuclear.

Diante destes fatos, o presidente da República, Juscelino Kubitschek (JK) constituiu uma Comissão Especial para elaborar as Diretrizes Governamentais para a Política Nacional de Energia Nuclear, cuja principal recomendação foi a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Nascida por decreto do executivo em 1956, dentro da estrutura do CNPq, sua regulamentação definitiva pelo Congresso Nacional só ocorreu 6 anos depois, quando foi convertida em autarquia federal pela lei 4.118 de 27/08/1962. Incompreensível – dada a importância do assunto – que essa regulamentação da CNEN demorasse tanto tempo.

As divergências, os conflitos, a disputa interna no CNPq entre autonomistas (nacionalistas) e não nacionalistas (pró norte-americanos) definiram os próximos passos da política nuclear brasileira. Com a promessa desenvolvimentista –  sintetizada no slogan “50 anos em 5” – em seu Programa de Metas, JK apontou a necessidade de realização de estudos sobre o projeto nuclear brasileiro, e mesmo a instalação de uma usina nuclear de 10 MW. No plano externo, alinhou-se à política norte-americana no contexto da Guerra Fria.

Estudos recentes abordados no artigo científico “Who’s to blame for the brazilian nuclear program never coming of age?” (“De quem é a culpa pelo programa nuclear brasileiro nunca ter atingido a maioridade?”), publicado em 15 fevereiro de 2025 pela revista científica Science and Public Policy, vinculada à Universidade Oxford, (Reino Unido), o professor da UFMG Dawisson Belém Lopes e o doutor em Ciência Política João Paulo Nicolini Gabriel, revelaram corrupção, interesses escusos, o papel negativo e os equívocos estratégicos adotadas pelo regime militar (1964-1985) na implantação da indústria nuclear no Brasil.

As revelações dos autores, reforçada por ampla análise documental e entrevistas, são contundentes em demonstrar a visão dos militares e de sua nucleocracia (grupo de burocratas escolhidos pela ditadura para comandar o programa brasileiro) na escolha das estratégias que possibilitaram dominar o ciclo do combustível nuclear, em particular do enriquecimento do urânio.

DECISÕES ERRÁTICAS

Para estabelecer uma indústria nuclear nacional durante a ditadura, a estratégia adotada seria reduzir a dependência da tutela tecnológica norte-americana, além de pular etapas em relação à absorção da tecnologia. Assim,  há 50 anos, durante a gestão do general Ernesto Geisel, celebrou-se o acordo Brasil-Alemanha (1975),  que reforçou a dependência à outra nação estrangeira, a Alemanha Ocidental.

O acordo previa a instalação de 8 usinas nucleares no país e a transferência de tecnologia relativa ao ciclo do combustível. Deste acordo, só Angra 2 foi construída. A obra começou em 1981, e a usina começou a operar em 2001.

Angra 1, que antecedeu Angra 2, foi comprada em 1972 da empresa norte-americana Westinghouse, num modelo conhecido como “turn key” (chave na mão), sem transferência de tecnologia, nem troca de conhecimento. Inaugurada em 1985, desde então, Angra 1 –  logo apelidada de “vagalume”, pelas frequentes interrupções –  tem apresentado vários problemas operacionais. 

Um dos principais motivos apontados para o fracasso do acordo nuclear com a Alemanha é o fato da elite tecnocrática, no período da ditadura, priorizar o desenvolvimento rápido, em detrimento do fomento à pesquisa nacional, marginalizando, negligenciando a academia, seus pesquisadores e a indústria nacional. A colaboração insuficiente entre o governo ditatorial e parcelas importantes da sociedade brasileira, que poderiam contribuir com o projeto nacional, dificultou e inviabilizou o florescimento de um setor nuclear autossuficiente.

Acidentes em usinas nucleares em Chernobyl/Ucrânia (1986) e em Fukushima/Japão (2011) revelaram ao mundo que estas fábricas de produção de energia elétrica não são tão seguras, como querem nos fazer crer os nucleopatas.Tais acidentes desencorajaram a instalação de novas usinas no mundo, e muitos países chegaram a interromper projetos e mesmo banir esta tecnologia.

INSEGURANÇA NUCLEAR

Atualmente, os negócios nucleares tentam mostrar, equivocadamente, a necessidade de novas instalações, como solução para o aquecimento global e para atender a demanda crescente por energia elétrica. Verifica-se que financiadores de “think tanks” (instituições que se dedicam a produzir conhecimento, e – cuja principal função é influenciar a tomada de decisão nas esferas pública e privada -) e lobistas estão muito ativos e atuantes, abusando da desinformação. A falta de transparência é a arma potente dos negócios nucleares.

O setor nuclear brasileiro tem em sua trajetória um passado nebuloso, repleto de episódios controversos. Entre eles, destacamos: o secretismo do Programa Nuclear Paralelo/Clandestino; a corrupção no Acordo Nuclear Brasil Alemanha, que originou uma CPI; o contrabando e exportação de areias monazíticas do litoral capixaba/baiano/fluminense; a cabulosa venda de urânio para o Iraque; a irresponsabilidade e o déficit de competência técnico-gerencial; o recebimento de propinas milionárias por gestores do setor e a falta de controle social; o legado de morte e contaminação, deixado pela Nuclemon (antiga estatal) na extração de minerais radioativos e de terras raras; a tragédia do Césio-137, em Goiânia; o enorme passivo ambiental da mineração de urânio, no Planalto de Poços de Caldas/MG e em Caetité/BA; a insegurança em radioproteção, acarretando roubos e sumiços de radiofármacos e de fontes radioativas, com a omissão de informações cruciais para a população sobre graves ocorrências, como vazamentos de água radioativa das usinas nucleares, em Angra dos Reis/RJ. 

Esses e outros episódios aprofundaram perante a opinião pública o crescente descrédito sobre o desempenho da indústria nuclear, e de seus gestores, privilegiados com supersalários. Mais recentemente, o desgaste da Eletronuclear (responsável pelas usinas) ficou bem evidenciado, diante de uma crise financeira com uma política de demissões em massa, que acabou levando a uma greve, por tempo indeterminado, dos trabalhadores das usinas e da parte administrativa.

Planejamento errático, estratégias equivocadas, incompetência técnico-operacional, falta de transparência e de controle social, completa ausência de interlocução com a comunidade acadêmica, com o empresariado e com a sociedade foram os maiores problemas que levaram ao fiasco do Programa Nuclear Brasileiro. As lições nos mostraram que, neste caso “pau que nasce torto, morre torto”.

Erros do passado seguem sem aparecer uma luz no fim do túnel, como a herança maldita de mais de 20 bilhões de reais já consumidos em Angra 3, obra iniciada em 1986, que necessita praticamente do mesmo valor para ser concluída. Usina repudiada pela população brasileira é contra indicada por especialistas e técnicos do próprio governo Lula, num embate infindável com os lobistas nucleares acomodados em ministérios estratégicos e no Congresso Nacional.   

Não há hoje a mínima adesão da sociedade brasileira para que o Brasil promova a nuclearização de seu território com mais usinas nucleares, desnecessárias para garantir a segurança energética. Mesmo o “pequeno reator” atômico apresentado como alternativa às grandes usinas, deve ser repelido pelos riscos que representa para a vida humana e da natureza. A energia nuclear não é um bom negócio, nem econômico, nem ambiental e nem social. E as mudanças climáticas em curso, só aumentarão os riscos de graves acidentes, como alertam especialistas nucleares.

Acreditar em um mundo/Brasil desnuclearizado, sem armas de destruição em massa, sem usinas nucleares é acreditar em um amanhã melhor, de paz, e de progresso da civilização humana!

* Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix, associado ao Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

 **Ativista socioambiental do Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania e integrante da Articulação Antinuclear Brasileira.

Outras Notícias

O Blog e a História: os 100 dias do primeiro governo Lula

Nos seus 100 dias do primeiro mandato, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administrou uma alta na taxa básica de juros logo na terceira semana do governo. O Banco Central, presidido então por Henrique Meirelles, aumentou a Selic de 25% para 25,5% ao ano, no dia 22 de janeiro. Na véspera, a […]

Nos seus 100 dias do primeiro mandato, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administrou uma alta na taxa básica de juros logo na terceira semana do governo.

O Banco Central, presidido então por Henrique Meirelles, aumentou a Selic de 25% para 25,5% ao ano, no dia 22 de janeiro. Na véspera, a meta de inflação havia sido revista e o teto da variação de preços fora fixado em 8,5%.

Assim como agora, o cenário em 2003 era de baixo crescimento econômico e a inflação preocupava. Quem deu o tom do início do governo foi o Ministério da Fazenda, tocado então por Antônio Palocci.

Uma grande diferença estava na retórica do presidente. Em um ambiente de tranquilidade institucional , Lula tomou posse pedindo o controle “das muitas e legítimas ansiedades sociais”, que seriam atendidas, em suas palavras, “no momento justo”.

O momento demoraria. No segundo mês do governo, o BC promoveu novo aumento da Selic, de 25,5% para 26,5% e apertou o crédito, elevando a alíquota do depósito compulsório de 45% para 60%. O ajuste era a palavra de ordem do começo de 2003, como ficou claro na reunião de Lula com os 27 governadores em 22 de fevereiro, quando se comprometeu a enviar a reforma da Previdência e a tributária ainda no primeiro semestre.

No primeiro mês do governo, o superávit primário do setor público alcançou 7,01% do PIB, melhor resultado em 12 anos. Estes primeiros movimentos tiveram resposta no mercado financeiro, com queda no risco-país. Em 4 de março, o FMI liberaria a segunda parcela do desembolso previsto para o Brasil, de US$ 4,6 bilhões (valores da época). A inflação também cedeu: o IGP-M em março foi de 1,53%, menor variação desde maio de 2002.

O aperto do governo federal também se refletia na relação com os Estados. Em 10 de março, Minas Gerais sofreu um bloqueio de contas pelo não cumprimento do acordo de reestruturação da dívida da União, celebrado em 2001.

Próximo à marca de 100 dias, Lula começou a soltar as amarras. No dia 31 de março anunciou o aumento do salário mínimo de R$ 200 para R$ 240, o que em termos reais significava um aumento de 1,85% em relação a abril de 2002.

Gordura para queimar não era problema para Lula: pesquisa do Ibope divulgada em 2 de abril mostrava o presidente com 51% de bom e ótimo e apenas 7% de ruim e péssimo, realidade muito diferente da atual. Mas a relação de Lula com suas bases começava a estressar. Um protesto de servidores federais reuniu milhares de pessoas em 8 de abril, contra a política de austeridade do governo.

Coluna do Domingão: direita já descartou Flávio

O vídeo gravado por Flávio Bolsonaro com teor golpista foi ignorado pelos grandes portais como UOL e G1. A exceção foi o Metrópoles, nenhuma surpresa considerando seu nível editorial. A leitura dos demais é de que não há porque dar espaço para declarações que afrontem o processo eleitoral no Brasil, que foi limpo e declarou […]

O vídeo gravado por Flávio Bolsonaro com teor golpista foi ignorado pelos grandes portais como UOL e G1.

A exceção foi o Metrópoles, nenhuma surpresa considerando seu nível editorial. A leitura dos demais é de que não há porque dar espaço para declarações que afrontem o processo eleitoral no Brasil, que foi limpo e declarou vencedor quem teve mais votos.

Antes, a carta já era chamada de “com teor golpista” e Flávio,  de “fugitivo”.

O Estadão publicou um editorial com o título “um golpista em Miami, um democrata em SP”. Outra frase explorada pelo The Guardian ridicularizou: “A carta de Flávio não vale a tinta deste jornal, mas não há como ignorar o constrangimento”.

Não existe almoço grátis. Como parte da imprensa hegemônica tem interesses muito evidentes e servem a setores como o mercado,  as grandes empresas,  os grandes empresários e suas apostas,  a ideia é ignorar Flávio para projetar um novo líder,  com o favorito Tarcísio de Freitas. Já entenderam que com os Bolsonaros, não dá mais.  À exceção de 2018, com Lula preso, não tem mais chances.

Outra leitura é do último ciclo Lula. A esquerda ainda não tem um nome competitivo. Assim, a equação é ignorar Flávio Bolsonaro,  projetar Tarcísio de Freitas e apostar no enfraquecimento do lulismo em 2030. É uma espécie de “passa rápido,  podemos aguentar”.

Certeza é de que para essa turma,  Flávio já foi descartado.

Tristeza

Muito triste a morte do jovem João Caio Pereira Rodrigues Melo, de 26 anos, filho do ex-prefeito de Triunfo, João Batista Rodrigues, e da ex-secretária de Saúde Tarciane Pereira Melo, que faleceu na madrugada deste sábado, 31 de outubro de 2026, tendo sido sepultado esta noite. Prova do carinho de Pernambuco pelo casal foi o volume de manifestações nessa hora tão difícil.

Modus operandi

Como em todos os episódios similares, o vídeo publicado por Gil Amaral,  a Gil da Padaria,  de Custódia,  recomendando não contratar petistas, a primeira reação foi tentar retirar o vídeo. Depois,  bem depois, fazer uma nota afirmando que “não foi bem assim” e pedindo desculpas.

Críticas à concessão 

O Deputado Federal Pedro Campos,  do PSB,  criticou a prorrogação da concessão dos serviços de água e esgoto pelo governo Raquel Lyra às empresas vencedoras. “O preço da privatização da COMPESA chegou! As empresas ainda não estão prontas para assumir os serviços e, como sempre, quem corre o risco de pagar essa conta duas vezes é o povo pernambucano!” – diz. Ele diz que a tarifa de água será aumentada em mais de 10% e a tabela de serviços, em mais de 600%.

Público x privado 

Pedro diz ainda que as empresas Aqua Pernambuco e Vita Sertão estariam exigindo que os trabalhadores do Estado sirvam à estrutura privada que já vai começar a cobrar as novas tarifas. A proposta,  diz,  foi apresentada no Conselho de Administração da Compesa. Outra denúncia é a de que a parte que ficou pública terá prejuízo de R$ 3 bi.

Uma coisa é uma coisa

A primeira dama de Tuparetama,  Roseane Gomes,  tem todo o direito de ser bolsonarista. O complicado é,  na defesa de sua posição,  usar uma fake news para descredibilizar o processo eleitoral. Importante lembrar, não há registros de questionamentos ao sistema quando seu marido,  o prefeito Diógenes Patriota,  foi eleito a dois anos.

O meme veio pronto

O vereador Luiz Abel, de Sertânia,  tinha certeza da vitória de Flávio Bolsonaro. No domingo da votação,  foi de verde e amarelo e com a bandeira do Brasil em punho. Não deu. Em Sertânia,  a maior obra de desenvolvimento em décadas é o campus da UFPE,  bancada pelo governo Lula. O bolsonarismo é crítico das universidades. Curiosa era a crítica de que o tempo de Lula já passou. Luiz Abel tem quase 70 anos.

Criador e criatura

Em Belo Jardim,  a derrota foi dobrada. Mendonça Filho alcançou mais um insucesso eleitoral. Perdeu pro Senado,  coordenou a eleição de Flávio em Pernambuco e perdeu. E o prefeito Gilvandro Estrela achou que na zoada faria Flávio majoritário em Belo Jardim. Lula teve  70,50% dos votos válidos, pouco mais que a média estadual, contra 29,50% de Flávio.

Racha a vista?

Em Venturosa,  ao que tudo indica,  pode haver racha entre o prefeito Kelvin Cavalcanti e o ex-prefeito Eudes Tenório,  o Doutor Eudes. Isso porque com aprovação acima dos 80%, Kelvin sinaliza que disputará a reeleição. E Dr Eudes quer voltar. O problema é que só pode um.

Reunião

A ASSERPE,  Associação de Rádio e TV de Pernambuco, realiza nesta quinta-feira pela manhã importante reunião setorial em Serra Talhada. Será no Auditório do SENAC. Uma das pautas vai tratar do rádio do futuro,  com Maria Claudia Santos, Diretora de jornalismo da Rádio Itatiaia, mais participações de Cristiano Stuanni, consultor e palestrante sobre Rádio e suas estratégias digitais,  CBN Recife e Sistema Jornal do Commercio.

Frase da semana:

“Eu devo essa eleição ao povo brasileiro”.

Do presidente reeleito,  Luiz Inácio Lula da Silva,  acrescentando que essa eleição “foi o povo que ganhou, foi a juventude que ganhou, foram as mulheres que ganharam, foram as pessoas idosas que foram votar”.

Fachin vê pressão sobre Tribunal Constitucional da Polônia como alerta para o Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a crise envolvendo o Tribunal Constitucional da Polônia representa um alerta para o Brasil e outras democracias. A declaração foi feita à jornalista Miriam Leitão, em mensagem publicada neste sábado (31), em sua coluna no jornal O Globo. A preocupação do ministro está relacionada […]

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a crise envolvendo o Tribunal Constitucional da Polônia representa um alerta para o Brasil e outras democracias. A declaração foi feita à jornalista Miriam Leitão, em mensagem publicada neste sábado (31), em sua coluna no jornal O Globo.

A preocupação do ministro está relacionada às disputas pelo comando da Corte polonesa, em meio a questionamentos sobre a nomeação e a permanência de magistrados. O conflito envolve o governo do primeiro-ministro Donald Tusk, o presidente Karol Nawrocki e integrantes do partido de oposição Lei e Justiça (PiS).

“É um alerta polonês para o Brasil e o mundo”, declarou Fachin à jornalista.

Na avaliação do presidente do STF, interferências indevidas no funcionamento dos tribunais podem comprometer a separação dos Poderes, enfraquecer os mecanismos de controle e colocar em risco direitos e liberdades individuais.

Segundo a reportagem de Miriam Leitão, a crise se intensificou após a juíza Anna Korwin-Piotrowska anunciar que assumiria interinamente a presidência do Tribunal Constitucional, depois da suspensão do presidente da Corte, Bogdan Swieczkowski.

A medida é contestada por integrantes do tribunal e pela oposição. O governo de Donald Tusk sustenta que suas ações buscam restabelecer o Estado de Direito, enquanto o presidente Karol Nawrocki e representantes do PiS acusam o Executivo de interferência política no Judiciário.

A disputa provocou manifestações diante da sede do tribunal, em Varsóvia, e levou Nawrocki a interromper uma viagem ao Senegal para retornar à Polônia. O presidente também convocou reuniões de emergência com representantes dos partidos políticos.

O conflito tem origem em divergências sobre a composição da Corte. Durante o governo do PiS, entre 2015 e 2023, a União Europeia questionou a independência de instituições judiciais polonesas e apontou problemas na relação entre o Judiciário e o poder político.

Desde que assumiu o governo, Tusk tenta promover mudanças na estrutura judicial, mas enfrenta resistência de magistrados ligados à administração anterior e do presidente da República.

Em sua manifestação à jornalista Miriam Leitão, Fachin destacou que ameaças à independência judicial exigem vigilância e responsabilidade institucional. Para ele, a preservação da democracia depende da capacidade das instituições de reagir a pressões que comprometam suas garantias fundamentais.

O ministro também divulgou uma nota informando que acompanha a crise por meio de contatos com a Embaixada do Brasil em Varsóvia. Fachin defendeu cautela na avaliação dos acontecimentos, sem antecipar conclusões sobre questões que poderão ser examinadas por tribunais europeus.

A mensagem enviada à jornalista não aponta um episódio específico do cenário político brasileiro, mas apresenta a situação polonesa como advertência sobre os riscos decorrentes de interferências na atuação dos tribunais constitucionais.

Fonte: O Globo, coluna de Miriam Leitão
Foto: Reprodução

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Inspirado no “Exército do Lula”, canal francês triplica seguidores em três dias

Uma estratégia de mobilização digital utilizada por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras de 2026 começou a ganhar espaço em outros países. Na França, um canal de WhatsApp criado para apoiar Jean-Luc Mélenchon nas eleições presidenciais de 2027 mais que triplicou seu número de seguidores em três dias. Criado […]

Uma estratégia de mobilização digital utilizada por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras de 2026 começou a ganhar espaço em outros países. Na França, um canal de WhatsApp criado para apoiar Jean-Luc Mélenchon nas eleições presidenciais de 2027 mais que triplicou seu número de seguidores em três dias.

Criado em 26 de outubro, o canal “L’équipe de Mélenchon officielle” passou de aproximadamente 46 mil inscritos na terça-feira (27) para 157 mil na sexta-feira (30). A iniciativa foi inspirada no “Exército do Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) durante o segundo turno da eleição presidencial brasileira.

O canal brasileiro alcançou cerca de 10 milhões de seguidores e foi utilizado para organizar publicações, divulgar conteúdos e coordenar a atuação de apoiadores nas redes sociais durante a campanha.

Na França, a mobilização foi anunciada pelo deputado Antoine Leaument, que fez referência à experiência brasileira em um vídeo publicado nas redes sociais.

A estratégia francesa reproduz características do canal brasileiro, como mensagens de mobilização e orientações para ampliar o alcance das publicações. Entre as atividades sugeridas aos participantes estão a divulgação de links e a publicação de conteúdos simultâneos.

Mélenchon, ligado ao partido França Insubmissa, é uma das principais lideranças da esquerda francesa. Segundo dados eleitorais citados pela Folha de S.Paulo, Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional, aparecia com cerca de 35% das intenções de voto, enquanto Mélenchon registrava aproximadamente 16%.

O modelo brasileiro também passou a ser utilizado por movimentos políticos na Argentina e na Espanha.

Na Argentina, o canal “Exército do Peronismo”, criado por opositores do presidente Javier Milei, alcançou 64 mil seguidores na sexta-feira (30). Na terça-feira (27), reunia pouco mais de 40 mil inscritos.

Na Espanha, o canal “La Fuerza de La Gente”, ligado a apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, passou de 7 mil para 42 mil seguidores no mesmo intervalo. O movimento surgiu em meio à preparação para as eleições gerais espanholas, previstas para 29 de novembro.

Além da criação dos canais, orientações divulgadas por Janones durante a campanha brasileira começaram a circular em outros idiomas. Entre elas estão a concentração de publicações em horários determinados e a recomendação de evitar interações diretas com adversários nas redes sociais.

O crescimento dessas iniciativas mostra a circulação internacional de uma estratégia de comunicação política baseada na organização de apoiadores por aplicativos de mensagens.

Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Reprodução

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Lula confirma participação na COP31, que será realizada em novembro na Turquia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou participação na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que será realizada entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia. A presença do brasileiro na cúpula de chefes de Estado, marcada para os dias 11 e 12, foi confirmada pelo governo federal. […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou participação na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que será realizada entre 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia. A presença do brasileiro na cúpula de chefes de Estado, marcada para os dias 11 e 12, foi confirmada pelo governo federal.

Lula deverá chegar à Turquia no dia 10 de novembro. Durante o encontro, o Brasil fará a transferência da presidência da conferência para o país anfitrião, após ter sediado a COP30, realizada em Belém, no Pará, em 2025.

Nesta edição, a Turquia ficará responsável pela presidência da COP31, enquanto a Austrália coordenará as negociações diplomáticas entre os países participantes.

Um dos principais desafios da conferência será avançar nas discussões sobre a redução da dependência dos combustíveis fósseis. Na COP30, realizada no Brasil, os países não chegaram a um acordo sobre metas e prazos obrigatórios para a eliminação gradual do uso de carvão, petróleo e gás.

Entre as prioridades apresentadas pela presidência turca está a proposta de ampliar para 35% a participação da eletricidade no consumo energético mundial até 2035. Atualmente, esse percentual está em aproximadamente 23%, segundo os dados apresentados pela organização do evento.

De acordo com informações divulgadas pela Presidência da República, 77 chefes de Estado e de governo já confirmaram presença na conferência, incluindo representantes da China, do Reino Unido e da União Europeia.

Após participar da cúpula climática, Lula deverá seguir para as Filipinas no dia 13 de novembro, onde participará de um encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), além de cumprir uma agenda bilateral.

A possibilidade de um novo encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump durante a reunião da Asean dependerá da coincidência das agendas dos dois líderes. Não há reunião bilateral confirmada.

Fonte: Diario de Pernambuco
Foto: Ricardo Stuckert/PR

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