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Para Humberto, 1º de Maio em Curitiba será histórico

Por Nill Júnior

Líder da Oposição, o senador Humberto Costa (PT), aproveitou a celebração do 1º de Maio para fazer um balanço do que chamou de “retrocessos sofrido pelos trabalhadores durante o governo de Michel Temer (MDB)”. Hoje, segundo dados do IBGE, 13,7 milhões de pessoas estão desempregadas no País.

Para Humberto, o aumento no número de pessoas sem ocupação se deu pela ineficiência da política econômica do governo Temer e pelo efeito nocivo da Reforma Trabalhista para os brasileiros que possuíam carteira assinada. “Quando Temer tomou de assalto a Presidência prometeu “colocar o País nos trilhos”.

“Mas, a verdade é que nunca vivemos uma época em que a economia estivesse tão sem rumo como agora. Depois, falou que a Reforma Trabalhista ampliaria o emprego no Brasil. E ele mentiu mais uma vez porque a massa de desempregados só faz aumentar”, afirmou o senador.

Durante os quase dois anos de gestão de Michel Temer, o Brasil perdeu, aproximadamente, 1,5 milhão de postos de trabalho formais e viu crescer em quase 2 milhões o número de pessoas desocupadas.

“Por isso, mais do que nunca precisamos seguir lutando. E este 1º de Maio será histórico. Em todo o país, serão realizados atos e em Curitiba teremos uma ação histórica com pessoas de diversos lugares do país e todas as centrais sindicais unidas contra o retrocesso e em defesa da liberdade do presidente Lula”, assinalou Humberto.

O ato de Curitiba reunirá a CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central, CST, UGT, CSB e Intersindical e terá como tema “Em Defesa dos Direitos e por Lula Livre”. O evento também contará com a presença de vários nomes da música brasileiras como as cantoras Ana Cañas, Beth Carvalho e Maria Gadu, além do rapper Renegado.

“Em todo o país, a esquerda segue se unificando, mostrando que um momento como este não deve ser de divisão, mas de unir forças em prol da Democracia, em defesa do trabalhador e contra a perseguição a Lula. É a unidade  que nos fortalece”, disse Humberto.

Outras Notícias

Waldemar Borges comemora receptividade em evento com Câmara e Prefeito de Sairé

O deputado estadual Waldemar Borges, apoiado pelo prefeito de Sairé, Fernando Pergentino, participou, ao lado dos candidatos da Frente Popular de Pernambuco, Paulo Câmara (governador) e Fernando Bezerra Coelho (senador), de um dos maiores atos políticos que a cidade já viu, segundo nota ao blog. Quem também participou do evento foi Pedro Campos, filho de […]

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O deputado estadual Waldemar Borges, apoiado pelo prefeito de Sairé, Fernando Pergentino, participou, ao lado dos candidatos da Frente Popular de Pernambuco, Paulo Câmara (governador) e Fernando Bezerra Coelho (senador), de um dos maiores atos políticos que a cidade já viu, segundo nota ao blog.

Quem também participou do evento foi Pedro Campos, filho de Eduardo, que fez um discurso emocionado. “O nosso líder se foi, mas deixou um caminho traçado. Eduardo deixou Paulo Câmara para cuidar dos pernambucanos. Meu pai não deixou uma herança, deixou um legado”, disse.

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O prefeito de Sairé reforçou que o seu candidato a deputado estadual é Waldemar Borges. “Ele é uma pessoa simples e que vem dando todo apoio ao nosso município”, disse Fernando Pergentino. Paulo Câmara lembrou que conhece Waldemar há muito tempo e solicitou que o candidato o ajudasse no Governo. “Peço que você me ajude a governar Pernambuco, assim como você ajudou Eduardo. Vamos votar em Wal e dar uma bonita vitória a ele”, pediu à população.

Pra jogar, Romero do Carro de Som falou demais

Pelo desenrolar dos acontecimentos,  o vereador Romero do Carro de Som quis jogar com sua insatisfação com a prefeita Márcia Conrado e colocou Ronaldo de Dja e Rosimério de Cuca no balaio. Isso porque foi dele a informação da aproximação de vereadores da base com o Deputado Federal Sebastião Oliveira.  O encontro aconteceu,  mas não […]

Pelo desenrolar dos acontecimentos,  o vereador Romero do Carro de Som quis jogar com sua insatisfação com a prefeita Márcia Conrado e colocou Ronaldo de Dja e Rosimério de Cuca no balaio.

Isso porque foi dele a informação da aproximação de vereadores da base com o Deputado Federal Sebastião Oliveira.  O encontro aconteceu,  mas não avançou ao ponto de tratar de apoio em 2022.

A mais de uma pessoa, inclusive do meio jornalístico, reclamou que Márcia ainda não havia conversado com eles, que não havia marcado nada. Quando confrontado com a informação de que Sebastião Oliveira só tinha apoio de três vereadores, saiu-se com essa. “Não, mas ele vai ter mais vereadores apoiando. Olha aqui”, mostrando a foto com Ronaldo, ele e Sebá. “E tá vindo mais. Rosimério tá pra vir. Não tem queixa. Eles vão conversar. Mas a gente ainda tá vendo e não anunciou”.

A movimentação deles incomodou governistas. Um deles garantiu que houve uma reunião e Márcia Conrado apresentou Fernando Monteiro.

Prova de que, no típico tom de vereador em busca de alguma contrapartida, Ronaldo de Dja deixou claro ainda não ter definido seu Federal e aguarda Márcia. Toda notícia tem seu nível de responsabilidade e até margem de erro. Neste caso, fica claro que Romero quis fazer pressão sinalizando a ida para o palanque governista.

Alepe inicia série de cursos sobre eleições municipais 2020 em Petrolina

Extinção de coligações, prestação de contas e financiamento foram alguns dos temas abordados na primeira edição do curso Eleições Municipais 2020: Novas Regras, promovido pela Assembleia Legislativa nesta quinta (27), na Câmara de Vereadores de Petrolina (Sertão do São Francisco). O evento é realizado pela Escola do Legislativo (Elepe), em parceria com a União dos […]

Foto: Roberto Soares

Extinção de coligações, prestação de contas e financiamento foram alguns dos temas abordados na primeira edição do curso Eleições Municipais 2020: Novas Regras, promovido pela Assembleia Legislativa nesta quinta (27), na Câmara de Vereadores de Petrolina (Sertão do São Francisco). O evento é realizado pela Escola do Legislativo (Elepe), em parceria com a União dos Vereadores de Pernambuco (UVP) e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE).

Participaram do encontro profissionais do direito, assessores parlamentares e políticos da região, entre os quais os deputados Antonio Coelho (DEM) e Lucas Ramos (PSB). De acordo com o superintendente da Elepe, José Humberto Cavalcanti, o propósito do curso é explicar aos políticos locais as mudanças no sistema eleitoral. “Queremos conscientizar os candidatos a vereador sobre a legislação, que está cada vez mais exigente, a exemplo das normas sobre propaganda eleitoral”, afirmou o gestor.

Para o desembargador eleitoral Delmiro Campos, o fim das coligações é a alteração mais importante para o pleito de 2020. De acordo com o magistrado, a medida pode tornar a eleição mais competitiva. “Acho que vai criar um entusiasmo maior para que os candidatos façam uma campanha mais propositiva, porque não haverá mais aquele efeito das ‘caudas das coligações’, dos candidatos que puxam muitos votos”, analisou.

O chefe da seção de Auditoria de Contas Eleitorais do TRE-PE, Marcos Andrade, recordou as modificações mais recentes nas normas dos pleitos, como o fim do financiamento empresarial e a permissão das “vaquinhas eleitorais”. Ele destacou que novas alterações podem ocorrer até o próximo ano, a exemplo da possibilidade de instituição de um período de pré-campanha e da ampliação dos recursos públicos para o financiamento de candidaturas.

“Há um movimento também de alteração significativa na prestação de contas. Talvez, a instituição de uma pré-campanha desde já. Então começariam a arrecadação e a aplicação de recursos no primeiro semestre do ano da eleição”, comentou Andrade. “É uma mudança muito significativa, além de representar um incremento dos recursos públicos para o financiamento das campanhas.”

De acordo com o superintendente da Escola do Legislativo, o curso sobre as novas regras para as eleições de 2020 vai percorrer as 12 regiões do Estado. “A próxima edição será em Caruaru, no Agreste Central, no segundo semestre deste ano”, informou José Humberto Cavalcanti.

Coluna do Domingão

Com Engenharia, Pajeú ganha status de Pólo Educacional pra valer O anúncio e lançamento do primeiro Vestibular do IFPE para o Curso de Engenharia Civil com 40 vagas no Campus Afogados da Ingazeira fecha uma espécie de cinturão acadêmico que dá ao Pajeú o rótulo de importante pólo educacional no Estado. Claro que ainda há […]

Alunos da primeira turma de Medicina de Serra Talhada comemoram

Com Engenharia, Pajeú ganha status de Pólo Educacional pra valer

O anúncio e lançamento do primeiro Vestibular do IFPE para o Curso de Engenharia Civil com 40 vagas no Campus Afogados da Ingazeira fecha uma espécie de cinturão acadêmico que dá ao Pajeú o rótulo de importante pólo educacional no Estado. Claro que ainda há o que se avançar, mas a notícia alegra pelo fato de que agora a região tem acesso aos cursos mais desejados quando se quer ingressar no ensino superior, a maioria deles na rede pública de ensino.

Esse ano marcou inicialmente  a formatura da primeira turma do curso de graduação em Medicina que a Universidade de Pernambuco (UPE) oferece no campus de Serra Talhada.  As falas emocionadas de muitos alunos de origem humilde que chegaram à conquista mostrou a importância do passo dado quatro anos antes, no primeiro vestibular.

Ensino superior em instituições públicas dando oportunidade a muitos. Há 30, 20 anos era uma realidade impensável para sertanejos pobres, muitos sem condições de romper a barreira social para cursar e abrir uma porta para o futuro em Caruaru e Recife.

O curso de Direito também é uma realidade, mesmo que ainda oferecido na rede privada de ensino, com instituições como FIS e FASP em Serra Talhada e Afogados da Ingazeira. As turmas cheias mostram que havia uma grande demanda reprimida.

Petistas vão dizer que essa realidade só foi possível pela política de ampliação de universidades públicas e programas como  o PROUNI. Que devemos isso a Lula e Dilma. Mas tem Bolsonarista alegando que, por exemplo, o curso de Engenharia do IFPE saiu dentro do ciclo do governo Bolsonaro. Bom, já sabemos que não há acordo. Até nas nossas cidades aparecem padrinhos dessas ações. O mais importante é o legado para as nossas gerações. O Pajeú ganha com a maior oferta de cursos superiores desse nível, principalmente gratuitos. Se a região já é conhecida por seu grau de instrução social e política, imagine com esse conteúdo superior agregado? Vai ser show!

Quem é o papai?

Nas redes sociais, internautas casaram o anúncio do curso de Engenharia do IFPE com a fala de Totonho Valadares de que levaria a demanda ao líder do Governo Fernando Bezerra Coelho. Em nota, José Patriota lembrou que o tema é tratado oficialmente a oito meses. Registrou o agradecimento de Ezenildo de Lima, Diretor do Campus e Andrea Dacal,  chefe do Departamento de Pesquisa e Extensão a ele e ao promotor Lúcio Almeida. O fato é que o processo teve um trâmite formal muito bem amarrado, o que valoriza o trabalho do próprio instituto. Será que alguém vai pedir DNA?

Trator achou ruim

Humberto Costa não gostou e tentou desdenhar o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, que o chamou de trator por atropelar a candidatura de Marília Arraes a governadora e ameaçar sua vontade de ser candidata à prefeitura de Recife. “Não é mais do partido. Eu não vou discutir a situação do PT com alguém que não é do PT e que como tal eu creio que deveria se abster de estar opinando sobre o PT”. Vixe.

Sete anos  

O blogueiro Júnior Finfa reúne nesta sexta (18) a nata da política pernambucana no lançamento do livro “Blog do Finfa – Momentos”, na AABB. Também comemora sete anos de blog. Com a confirmação de todas as presenças promete ser o maior encontro de políticos por metro quadrado na região. E pensar que Finfa criou o blog de um acidente de percurso, quando uma pesquisa em agosto de 2012 que apontava empate entre Giza e Patriota não foi divulgada pelo Blog do Sertão. Finfa se arretou, saiu, fez o dele e comemora até hoje…

Pobre, SQN…

Quem ganha ação contra o ex-prefeito Dinca Brandino tem uma dificuldade enorme de levar o que o juiz mandou pagar. Isso porque o ex-prefeito não tem praticamente nenhum bem em seu nome. Terrenos, imóveis, empresa, não adianta nem tentar ligar algo a ele pra não ser você a sofrer o processo. Chega a ser cômico. É praticamente um pobre na forma da lei. Pode aguardar a declaração de bens dele, quando candidato em 2020 pra ver. Vai estar escrito lá: “liso tal qual o que arrasta uma cachorra”. Pode esperar…

Apoio ou…

O prefeito de Salgueiro, Clebel Cordeiro diz que não será candidato, que não adianta insistir que não será candidato, mas que ao contrário do que pensa a oposição, ele terá sim candidato. Ao contrário do que conseguiu com o Salgueiro FC, na cidade de longe tem uma gestão perna de pau, capenga, bastante criticada. A ponto de muitos perguntarem se seu apoio pode ajudar ou afundar o nome que terá sua mão nos ombros. Para uns, é apoio, para outros, é encosto…

Festa pra Pajeú

Está confirmada a segunda data da festa de 60 anos da Rádio Pajeú, que percorre esse mês de outubro: dia 26, às 21h, na Praça Padre Carlos Cottart. Mantendo a tradição de trazer um nome da Era de Ouro do Rádio, a primeira atração será o cantor Odair José. A segunda, om forrozeiro autêntico Valdinho Paes. O evento tem apoio da Fundarpe, Prefeitura de Afogados da Ingazeira e WN Empreendimentos.  E dia 31, tem a udo espaço Maria Dapaz no Museu do Rádio, fechando a programação.

Pesar por Horácio Pires

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Afogados da Ingazeira, em nome de todo comércio local, manifestou “o mais profundo pesar” pelo falecimento do comerciante Horácio Pires, que ocorreu na madrugada deste sábado (12). “Horácio Pires desenvolveu seu empreendimento voltado a confecções de roupas, a “Casa Horácio Pires”, um dos mais antigos e populares comércios de Afogados da Ingazeira, colaborando com o desenvolvimento do município. Neste momento, a CDL se solidariza com os familiares e amigos, e expressa as mais sinceras condolências pela perda”, diz a nota.

Frase da semana: “A direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo”.

Do arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, pouco antes de entregar a hóstia a Jair Bolsonaro, que acompanhou a celebração. O Arcebispo disse ainda questionou o que chamou de “Dragão do tradicionalismo”.

Vive, Patriota!!

Em abril de 1993, há 31 anos, eu saí da Rádio Pajeú doido pra não sair,  mas sem outra opção por ainda não ter um arrimo que me garantisse salário e sustentabilidade mínima. Tinha que ajudar em casa, sem papai há pouco mais de três anos e com uma porta que se abria na recém […]

Em abril de 1993, há 31 anos, eu saí da Rádio Pajeú doido pra não sair,  mas sem outra opção por ainda não ter um arrimo que me garantisse salário e sustentabilidade mínima.

Tinha que ajudar em casa, sem papai há pouco mais de três anos e com uma porta que se abria na recém inaugurada Transertaneja FM. Pouco tempo depois, era enorme a vontade de voltar. E qual era a solução?

No meio dessa história,  já tinha a relação de amizade com o padre João Acioly, apresentado a mim por padre Luizinho, dois daqueles personagens que apareceram em minha vida como anjos,  me dando a possibilidade de ser gente, de ter identidade, um caminho a trilhar.

Pois João e Patriota,  contemporâneos que cresceram meninos pobres e ganharam uma chance na cidade, bolaram o plano que me devolveria à Pajeú, conseguindo um emprego entre o final de 93 e início de 94 no Sindicato dos trabalhadores Rurais de Afogados da Ingazeira.

Trabalhei como funcionário do Sindicato e servindo a Patriota,  que era assessor regional da FETAPE,  cortando essa região e estado pregando a educação e formação sindical.  Patriota com 33 anos e eu com 19 pra 20. Dada a consciência e formação política dele, parecia ter muito mais. Impressionante como algumas pessoas chave chegaram na hora certa na minha vida, me ajudando na formação e construção de quem eu sou: padre Luizinho,  Anchieta Santos,  Monsenhor João Acioly,  Dom Francisco,  Patriota.

Lembro das reuniões com lideranças comunitárias,  em Afogados,  Triunfo,  São José do Egito,  tantas outras cidades, o Congresso da FETAPE no Centro de Convenções.  Das viagens no Gol quadrado branco comendo poeira por essas comunidades e de Patriota falando em organização sindical,  política,  comunitária.  E dele lendo os relatórios desses encontros que eu preparava numa máquina de datilografar lá pela terceira sala adentro do STR. E da minha preocupação com a impressão dele daqueles documentos.  Como não lembro de ter levado bronca àquela época de alguém tão preparado e exigente,  acho que ele gostou.

Cheguei a, com ele, fazer até dobradinha no programa do Sindicato. Ele tinha uma caligrafia muito bonita e, de punho, fazia a produção do programa.

Lá também conheci Madalena Leite Patriota,  a esposa, que atuava no Sindicato e era alguém a quem eu também respondia. Confesso,  tinha mais medo dela que dele, mas não por qualquer outra coisa: ela ficava mais tempo comigo e, com razão,  me corrigia mais firmemente nas minhas saídas de trilho, normais para um rapaz de 20 anos àquela época. Isso me fez também nutrir muito amor e respeito por ela, até hoje. E admirar a mesma firmeza que apresenta agora, na maior provação que alguém pode ter em relação a um companheiro de vida: deixá-lo partir para poupar a dor.

Voltando ao plano, pra dar certo,  eu tinha que voltar à Pajeú,  e voltei, para completar o que havia sido bem arquitetado entre João,  Patriota e Anchieta Santos,  cúmplice do crime perfeito,  a ponto de gravar uma chamada de minha volta em uma cobertura dos Jogos Escolares,  fechando o texto com as informações daquela jornada e o parágrafo final: “…e a volta de Nill Júnior,  o Repórter Revelação da Seleção do Povo!” – com o trecho de “O Portão”, de Roberto Carlos: “eu voltei,  agora pra ficar/porque aqui,  aqui é o meu lugar…”

Só que estava muito longe de aquela ser a última missão de Patriota na minha vida.  Pelo contrário, quantas vezes o ouvi sobre os passos que eu tinha que dar, e quantas vezes também opinei e, quando chamado, o auxiliava pessoal e profissionalmente.

Sempre digo que a melhor forma de pagar a confiança que alguém deposita é honrá-la. No caso de Patriota,  tenho certeza e provas concretas do orgulho e respeito que ele sentia. Aprendi tanto com ele a enfrentar qualquer um na defesa das minhas convicções,  que algumas poucas vezes até nós dois nos estranhamos,  como no vídeo que virou meme quando o meme nem existia.  Nunca guardamos um arranhão. A amizade e pontos comuns que nos uniam eram muito maiores que isso.

Uma das maiores provas é que Patriota sempre me defendeu e eu a ele. Quando fui escolhido para a ASSERPE,  Patriota foi perguntado por um magnata da TV do estado se ele me conhecia, dada a missão que eu enfrentaria,  rara para alguém de um veículo de Afogados da Ingazeira.  “Pode apostar nele sem medo. Está preparado para o serviço”, disse,  sem imaginar que a conversa tempos depois chegaria a mim.

Quando recebi a Medalha Dom Francisco,  em julho do ano passado,  Patriota brincou ao ouvir minha biografia.  “Parece que o segredo pra vencer e se destacar é ter vendido picolé quando menino”, para comparar a vida dele com a minha. E disse no discurso: “tudo o que ele faz, faz bem feito!”

Quando a gente precisava falar de futuro,  a conversa era geralmente em um café reservado na casa dele. Tenho algumas memórias desses encontros.  Em um deles, me lasquei.  Patriota prestes a assumir o primeiro governo me convidou pra sondar sobre nomes cotados para sua primeira equipe.  Como sugeri e ouvi vários outros nomes, pra não quebrar a confiança,  não podia especular quem faria o seu time na Rádio Pajeú. Vi todo mundo antecipando na imprensa e, por ética,  esperei calado o anúncio oficial.

Outra vez, Patriota me cercou pra me fazer ser “prefeiturável” na sua sucessão, assim como ocorrera com outros grupos políticos no passado,  mas agora, com um argumentador difícil de vencer.  A ideia dele era ter mais de uma opção, mais de um quadro à mesa do debate. Eu disse a ele que minha missão na gestão da Rádio Pajeú não estava concluída. Ele me cercou de todo lado e perguntou: “posso ao menos botar seu nome numa pesquisa?” Eu para não desagradar depois de tanta insistência disse que sobre isso, em que pese o que já estava decretado,  não veria problema. Ele entendeu que meu sim era pra aceitar ser um dos nomes no balaio.  Nem saí da casa dele direito,  alguém me avisava: “Patriota tá aqui pulando, dizendo que você aceitou incluir o nome no processo”. Na calçada da casa dele, saindo desconcertado com a informação,  encontrei Sandrinho Palmeira.  Pedi pra ele apagar o fogo de Patriota,  que tinha entendido tudo errado.  Sandrinho,  aos risos,  se encarregou de fazer Patriota pular só por ele, o nome natural,  óbvio,  e não também por mim. Depois soube, já havia se armado até pra pedir autorização ao Bispo da época pra me liberar da missão na emissora.

No primeiro semestre desse ano, antes da piora acentuada,  ainda ensaiamos um novo café pra falar de futuro.  Infelizmente,  não deu…

Dos amigos próximos,  lembro da angústia e preocupação de Anchieta Santos quando Patriota foi diagnosticado com a doença que agora tirou sua vida. Quis o destino que o irmão fosse primeiro esperar Patriota, que chegou agora.  De João Acioly, a lembrança mais forte foi a de quando Patriota assumiu a prefeitura em 2013. João foi representando a Diocese,  mas não fez um discurso institucional.  Foi excessivamente pessoal,  passional,  emocionado: “pela primeira vez,  um menino pobre, que vendia galinha pra sobreviver, enquanto eu vendia sandália e pão em Severino Lolô, vai subir as escadas daquela prefeitura como prefeito!” – dizia, para Patriota marejar os olhos. Aliás,  o vi fazer isso algumas vezes. Fui alertá-lo de que deveria ter feito uma fala menos apaixonada,  já que falava pela Diocese. “Eu não consigo”, resumiu-se a dizer, como quem decreta: “o que sai do coração e da alma a gente não cala”.

Sua última comemoração de aniversário foi um dia depois da data pra valer: 10 de outubro de 2023. Cedo, Patriota me ligou dizendo que reuniria um pequeno grupo de amigos para almoçar com ele.  Era seleto mesmo: Madalena, os filhos, a neta, Sandrinho Palmeira,  Padre Luizinho,  Alexandre Moraes e Veratânia, Frankilin Nazário e eu. Hoje, entendo que aquele telefonema tinha ainda mais significado.

Pra concluir, vou fazer igual padre João.  Não vou me policiar pra falar de José Patriota.

Na Rádio Pajeú, ouvi muitas pessoas,  muitas anônimas, simples, compartilhando uma foto,  uma memória,  uma ação de Patriota,  da consciência crítica à água na comunidade,  à ação no bairro, ao direito de contestar,  à organização comunitária, à defesa da gente que confiava nele pelas funções que ocupou.

Patriota está sendo homenageado por muita gente importante de todo o Brasil.  Mas são essas pessoas simples, que só são tocadas no coração e na alma por quem é de verdade, que me deram a certeza de que Patriota perenizou,  se espalhou por onde sua voz alcançou, sua mensagem chegou, em lugares que a nossa razão certamente não alcança. Patriota está vivo e só não crê quem não tem fé na força transformadora do que ele defendia.

E se ele está vivo em tanta gente, não vai continuar faltando quem tente o calar nessas vozes, matá-lo nessas vidas, oprimi-lo nessa luta permanente.

Vão continuar tentando taxá-lo de comunista por defender água, alimento digno e condições de produzir nas comunidades,  o bico de luz para quem vivia no escuro,  a consciência e organização comunitária para não temer o poder. Vão enfrentá-lo por dizer que a máquina não pode moer mais pra quem já tem, vão discordar ao ouvi-lo na voz desse povo dizendo que os verdadeiros inimigos são a fome, a desigualdade,  a negação aos direitos humanos.

E aí mora o segredo.  Quem lutou com ele,  não pode deixá-lo calar ou morrer.

Vive, Patriota!!!