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O Blog e a História: em 1964, o governo americano também quis (e conseguiu) intervir em nossa soberania

Por Nill Júnior

Da Agência Senado

O golpe militar de 1964 foi um ato de militares brasileiros, apoiado por parte da sociedade e do empresariado do país. Historiadores e testemunhas do golpe afirmam, no entanto, que um outro ator teve papel decisivo na ação dos militares. A divulgação, pela Casa Branca, de gravações de conversas entre o ex-presidente John Kennedy e o então embaixador dos Estados Unidos (EUA) no Brasil, Lincoln Gordon, comprovam a preocupação da maior potência do mundo com o caminho que vinha sendo trilhado pelos brasileiros em sua incipiente democracia.

Os norte-americanos também se esforçaram no emprego de recursos financeiros para a promoção e o incentivo de iniciativas que tivessem o intuito de combater o comunismo no Brasil. Os estudos agora dão como certo até mesmo o envio de uma frota naval dos Estados Unidos para apoiar o golpe, comprovando a estreita articulação entre militares brasileiros e o governo daquele país.

Professor da Universidade de Columbia, John Dingens confirma que os Estados Unidos participaram ativamente para minar o governo Jango. “O registro histórico é claro”, destaca. “Por causa de um medo exagerado de uma repetição da revolução cubana – um cenário que observadores objetivos consideraram ser extremamente improvável, beirando a paranoia geopolítica -, o embaixador e agentes da CIA [sigla em inglês para a Agência Central de Inteligência, do governo norte-americano], conspiraram e encorajaram militares brasileiros a depor o presidente eleito pelo povo brasileiro, João Goulart”, avalia Dingens, que foi jornalista correspondente na América Latina na década de 1970 e escreveu o livro Operação Condor: Como Pinochet e Seus Aliados Trouxeram o Terrorismo para Três Continentes.

“A derrubada teve influência catastrófica em toda a América Latina. Como era óbvio, no momento em que os Estados Unidos apoiaram a destruição da democracia no Brasil, se seguiu uma onda de hostilidade e desconfiança contra os Estados Unidos em toda a região. Isto sustentou a credibilidade dos grupos revolucionários mais radicais – aqueles que, de fato, queriam repetir a experiência cubana em seus próprios países. Isto foi um obstáculo para o desenvolvimento da ‘terceira via’, ou seja, de alternativas pacíficas e democráticas para resolver a extrema pobreza e a desigualdade”, diz.

Segundo o professor de história da Universidade de Brasília (UnB) Virgílio Arraes, o governo dos EUA, em plena Guerra Fria, tinha receio de que o maior país do Continente Sul-Americano seguisse o mesmo caminho de Cuba, onde forças lideradas por Fidel Castro destituíram o ditador Fulgencio Batista, em 1959, e instalaram um regime socialista que contou com o apoio da União Soviética.

O poderio militar da maior potência do mundo é considerado por ele, uma das principais razões para não ter havido reação do presidente João Goulart (Jango) ao golpe dado pelos militares brasileiros contra seu governo. “Jango, provavelmente, dispunha de mais informações, e elas fizeram com que ele não demonstrasse tanta disposição em resistir”, avalia Arraes.  Para o professor, o conhecimento de que os EUA estavam enviando uma frota naval para a costa brasileira, informação confirmada pelo próprio embaixador Gordon anos depois, já seria suficiente para desestimular qualquer reação do governo constituído.

Para Arraes, o deslocamento da frota deve ter sido a maior movimentação naval no Hemisfério Sul desde a época da 2ª Guerra Mundial. “Se o Exército que derrotou as forças nazistas e as forças imperiais japonesas estivesse se deslocando para qualquer país da América do Sul, que tipo de esperança, do ponto de vista de luta, se poderia ter?”

A insatisfação norte-americana em relação aos rumos do país sob a presidência de João Goulart vinha do início de seu mandato. Algumas posições de Jango, como colocar em prática uma série de reformas, entre elas a reforma agrária, e as de seus aliados, como o governador do Rio Grande do Sul à época, Leonel Brizola, que desapropriou duas companhias norte-americanas (ITT, do setor de telecomunicações, e Amforp, de energia elétrica), aumentou a crença nas informações, passadas por Gordon, de que o país caminhava para adotar o regime comunista.

Desde 1962, o embaixador vinha tentando convencer o Departamento de Estado dos EUA de que Jango estava formulando um perigoso movimento de esquerda, estimulando o nacionalismo.

Em uma das conversas captadas pelo serviço de gravação instalado por Kennedy na Casa Branca, o presidente perguntou a Gordon se achava ser aconselhável uma intervenção militar no Brasil. O episódio ocorreu em outubro de 1963, 46 dias antes do assassinato de Kennedy.

O embaixador incentivava o governo norte-americano a não poupar esforços para conter as transformações em curso. Na opinião de Gordon, era fundamental organizar as forças políticas e militares para reduzir o poder de Goulart e, em um caso extremo, afastá-lo, já considerando o golpe. Após o assassinato de Kennedy, o embaixador Gordon continuou discutindo o assunto com o presidente Lyndon Johnson.

Com o argumento de garantir a democracia no Brasil, muito dinheiro foi aplicado pelo governo norte-americano em ações que, na realidade, visavam a frear a “ameaça comunista”. Uma delas foi a Aliança para o Progresso, um amplo programa de cooperação para o desenvolvimento na América Latina. Outra, mais ostensiva, foi a criação do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) que produzia e difundia conteúdos anticomunistas para rádio, TV e jornais, além de mensagens em filmes e radionovelas, fazendo oposição ao governo João Goulart.

Em 1963, a ação do Ibad levou à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Isso porque, em 1962, nas eleições legislativas e para o governo de 11 estados, o instituto captou recursos para a campanha de mais de uma centena de parlamentares contrários às reformas e ao governo de Jango.

A CPI comprovou que muitos documentos do Ibad foram queimados quando suas atividades começaram a ser investigadas e que suas fontes financeiras eram, prioritariamente, empresas norte-americanas. Após a apuração da CPI, o presidente da República suspendeu as atividades do instituto por três meses, prorrogados por mais três. No fim de 1963, o Ibad foi dissolvido pela Justiça.

A atuação norte-americana, no entanto, prosseguiu nos meses seguintes, até o golpe de 31 de março de 1964.

Outras Notícias

Nova reitora do IFPE reforça compromisso com o diálogo e a democracia

Diálogo e democracia foram as palavras-chave do discurso proferido pela nova reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Anália Ribeiro, na cerimônia oficial de transmissão de cargo, realizada nesta sexta-feira (6), no Teatro Santa Isabel. A solenidade reuniu gestores da instituição, docentes, estudantes, servidores administrativos de todos os campi, além de […]

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Diálogo e democracia foram as palavras-chave do discurso proferido pela nova reitora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE), Anália Ribeiro, na cerimônia oficial de transmissão de cargo, realizada nesta sexta-feira (6), no Teatro Santa Isabel. A solenidade reuniu gestores da instituição, docentes, estudantes, servidores administrativos de todos os campi, além de representantes de instituições parcerias e do poder público local.

Eleita com 53,9% dos votos em dezembro do ano passado, Anália recebeu o cargo da professora Cláudia Sansil, que esteve à frente do Instituto no período 2011 a 2016. “Quero agradecer à professora Cláudia Sansil por, entre outras coisas, ter estruturado uma gestão que tem na probidade, na seriedade e no compromisso a sua marca”, disse Anália, estendendo o agradecimento ao professor Sérgio Gaudêncio, Diretor Regional do Senai e primeiro reitor do IFPE.

Empossada oficialmente pelo ministro da Educação, Aloízio Mercadante, no dia 15 de abril, Anália abriu sua fala destacando que o momento “simboliza” o processo democrático de escolha da comunidade acadêmica. “Por meio de eleições livres, a comunidade fez uma opção. E nunca é demais enfatizar a importância de eleição livre, seja em que instância for”, afirmou.

Após receber o capelo (chapéu branco) e a samarra (túnica branca), símbolos tradicionais do cargo, a nova reitora reforçou o seu compromisso em desenvolver uma gestão voltada para o diálogo e conectada com a dimensão humanística da educação. “Sem o diálogo, não há fazer educativo. E isso requer a construção de prática formativas, inclusive de gestão, que encaminhem as relações de modo democrático e dialógico. Temos que ressaltar que a democracia é um valor inestimável, porque, respeitando as diferenças, repudia-se a desigualdade e não se tolera injustiças”, completou.

Como instituição de Educação Profissional e Tecnológica, ela destacou que o IFPE tem como missão não apenas a preparação de pessoas para o mercado de trabalho, mas a promoção de uma formação cidadã. “A construção dos saberes e da ciência deve servir sempre ao desenvolvimento humano. O desenvolvimento de tecnologias tem uma carga política concreta e é imprescindível um trabalho permanente que dê condições de expressão da diversidade”, reforçou.

O mandato da nova reitora tem validade até o ano de 2020, podendo ser renovado por mais quatro anos, em caso de reeleição. Formada em Letras, Anália Ribeiro é mestre em Educação e doutora em Psicologia cognitiva pela Universidade Federal de Pernambuco.  Ela está vinculada ao IFPE desde 1994, já tendo desempenhado cargo de diretora de ensino e de assistência ao estudante, além de Pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação.

DESPEDIDA – A cerimônia também marcou o encerramento do ciclo de gestão da professora Cláudia Sansil na reitoria do IFPE.  Antes de transmitir oficialmente o cargo à nova reitora, ela inovou ao recitar seu discurso em formato de cordel, fazendo um balanço dos últimos cinco anos. Sansil também mencionou o processo de expansão e interiorização vivenciado pela instituição nos últimos 14 anos.

“Além dos nossos 15 campi, temos 19 polos de Educação a Distância que atendem quatro estados além de Pernambuco. Ao lado do governo federal, somos pais e mães de jovens e adultos que estavam sem esperança e apostaram na educação como forma de acesso à cidadania”, afirmou

Além das gestoras, integraram também a mesa de honra o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira; o superintendente da Sudene, João Paulo Lima e Silva; a reitora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Maria José Sena; a vice-reitora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Florisbela Câmara; o Assessor de Relações Internacionais da Universidade de Pernambuco (UPE), Frederico de Barros Falcão; a reitora do Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Leopoldina Veras; o reitor do Instituto Federal do Ceará, Virgílio Araripe; a Secretária Estadual da Mulher, Sílvia Cordeiro; o Diretor Regional do Senai e primeiro reitor do IFPE, Sérgio Gaudêncio, e o representante do Conselho Superior do IFPE, André Menezes.

 A cerimônia foi encerrada ao som de frevo com a apresentação de passistas e  da Orquestra do Campus Belo Jardim.

Diógenes Patriota tem 74% de aprovação em Tuparetama, diz Múltipla

Pesquisa do Instituto Múltipla aponta que a gestão Diógenes Patriota (PSD) larga com aprovação de 74% da população de Tuparetama. Quando a população de Tuparetama é chamada a aprovar ou desaprovar a gestão, 74% aprovam, contra 14% que desaprovam e 12% que não opinaram. Chamada a classificar a gestão Diógenes, 19% a consideram ótima, contra […]

Pesquisa do Instituto Múltipla aponta que a gestão Diógenes Patriota (PSD) larga com aprovação de 74% da população de Tuparetama.

Quando a população de Tuparetama é chamada a aprovar ou desaprovar a gestão, 74% aprovam, contra 14% que desaprovam e 12% que não opinaram.

Chamada a classificar a gestão Diógenes, 19% a consideram ótima, contra 48% que dizem ser boa, 20% que falam ser regular. Consideram a gestão péssima apenas 4%, contra 4% que dizem ser ruim. Não opinaram 5%.

A pesquisa também quis saber se Tuparetama estava no caminho certo ou no caminho errado. 74% dos entrevistados disseram que está no caminho certo, contra 8% que dizem estar no caminho errado. 18% não opinaram.

A pesquisa também buscou saber sobre o grau de confiança da população no prefeito Diógenes Patriota. 72% disseram confiar no gestor, contra 14% que disseram não confiar. 14% não opinaram.

A pesquisa foi realizada pelo Múltipla dias 16 e 17 de abril com 220 entrevistas e intervalo de confiança de 95%. A margem de erro para mais ou menos é de 6,5%. Fonte pública para realização da pesquisa: Censo 2010/2022 e TSE (março/2025).

Serra e Afogados receberam Caravana contra Impeachment

A Caravana em Defesa da Democracia em Pernambuco que começou na segunda-feira (4), em Petrolina chegou a Serra Talhada e Afogados da Ingazeira nestas sexta e  sábado (9). A iniciativa visa reforçar os movimentos sociais contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), contra o governo interino do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e […]

Foto: Alejandro Garcia-Farol de Notícias
Foto: Alejandro Garcia-Farol de Notícias

A Caravana em Defesa da Democracia em Pernambuco que começou na segunda-feira (4), em Petrolina chegou a Serra Talhada e Afogados da Ingazeira nestas sexta e  sábado (9).

A iniciativa visa reforçar os movimentos sociais contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), contra o governo interino do vice-presidente Michel Temer (PMDB) e em defesa dos direitos sociais e trabalhistas conquistados nos últimos anos que encontram-se ameaçados pelo Governo Temer.

Em Serra Talhada, governada pelo petista Luciano Duque, após ocuparem o plenário da Câmara Municipal, nessa sexta-feira (8), dezenas de pessoas saíram às ruas de Serra Talhada e protestaram contra o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB).

O ato público fez parte da agenda da Caravana Popular em Defesa da Democracia, idealizada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com o apoio dos movimentos sociais organizados, segundo reprodução do Farol de Notícias.

Sem título
Afogados da Ingazeira. Foto: Afogados On Line

Em Afogados da Ingazeira o movimento se concentrou na Praça de Alimentação durante a manhã deste sábado, com discursos, poesias e forró pé de serra, conforme relato do Afogados On Line.

A caravana partiu de Petrolina para cidades como Ouricuri, Salgueiro, Serra Talhada, Surubim, Garanhuns, Caruaru e Recife, quando será encerrada dia 13 com um grande ato na capital que contará com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes do Recife, Lula estará em Petrolina, dia 11, em outro grande ato batizado de ‘Semiárido contra o Golpe’, com o apoio da Articulação do Semiárido do Nordeste (ASA).

Afogados: Psol define debate sobre candidatura própria em 2016

O Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, em reunião na última sexta-feira (06), definiu com membros da comissão provisória, filiados e pré-candidatos agenda política que trata de diversas atividades para o ano 2016. Entre elas, segundo nota, um cronograma de debates permanentes com entidades organizadas como OAB, MP, Câmara, Compesa, CDL, Associações e lançamento de […]

fernandoO Partido Socialismo e Liberdade – PSOL, em reunião na última sexta-feira (06), definiu com membros da comissão provisória, filiados e pré-candidatos agenda política que trata de diversas atividades para o ano 2016.

Entre elas, segundo nota, um cronograma de debates permanentes com entidades organizadas como OAB, MP, Câmara, Compesa, CDL, Associações e lançamento de candidatura própria para Prefeito de Afogados da Ingazeira.

“O objetivo é criar vínculos interativos e permanentes através desses debates com a sociedade organizada. De modo que as discussões sobre principais prioridades e possíveis dificuldades da gestão pública, e da sociedade, sejam diagnosticadas proativamente e as soluções apontadas”, diz a nota.

“Além disso, o Partido tem como foco estabelecer status de independência da velha política praticada no município, que é destoante do ponto de vista ético”, disse Fernando Moraes, presidente da legenda.

Projeto Árvore Solidária do DETRAN-PE comemora 10 anos

Como já é tradição no mês de dezembro e completando 10 anos, o Projeto Árvore Solidária, desenvolvida pelos servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE, une todos em uma corrente do bem para, mais uma vez, tornar especial o natal das crianças de creches e orfanatos do Recife e Região Metropolitana. A […]

Como já é tradição no mês de dezembro e completando 10 anos, o Projeto Árvore Solidária, desenvolvida pelos servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – DETRAN-PE, une todos em uma corrente do bem para, mais uma vez, tornar especial o natal das crianças de creches e orfanatos do Recife e Região Metropolitana. A iniciativa vai beneficiar cerca de 900 crianças com uma roupa e brinquedo.

Na ocasião, o Diretor Presidente do DETRAN-PE, Charles Ribeiro, fará a abertura do evento, que contará com as apresentações de Luciano Magno, Nena Queiroga, Renata Lima e Thiago Kehrle, além da Turma do Fom Fom, que estará presente para animar a garotada com jogos, brincadeiras, músicas e danças voltadas para a educação dos condutores do amanhã. O evento também contará com apresentação de balé e de corais natalinos formados por crianças das creches. Ao final, o Papai Noel e a Mamãe Noel irão distribuir os presentes.

Estarão presentes as creches Lua Luar, Paulo de Tarso, Grupo Espírita, Waldir Savluchinske, Lar Esperança, Idalina Bezerra, Lutando é que se Conquista, Helena Andrade,Tancredo Neves, Menino Jesus, Casinha Azul, Sementinha do Sky Lab e Santana.

Serviço

10 anos do Projeto Árvore Solidária do DETRAN-PE com os shows de Luciano Magno, Nena Queiroga, Renata Lima e Thiago Kehrle

Local: Sede do DETRAN-PE, Estrada do Barbalho, 889 – Iputinga – Recife – PE

Data: 15/12/2017

Horário: 8h30