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Inclusão da misoginia como crime de preconceito é aprovada e vai à Câmara

Por André Luis

O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (24), a inclusão da misoginia entre os crimes de preconceito ou discriminação (PL 896/2023). A pena para esse tipo de crime é de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

O projeto foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, na forma de um substitutivo apresentado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ao projeto da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA). A matéria segue para a Câmara dos Deputados.

O texto aprovado define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”. O projeto também inclui a expressão “condição de mulher” entre os critérios de interpretação da Lei do Racismo (Lei 7.716, de 1989), ao lado de cor, etnia, religião e procedência.

A legislação atual equipara a misoginia à injúria e à difamação – com pena que pode ir de dois meses a um ano de reclusão, de acordo com o Código Penal (arts. 139 a 141). Para evitar possíveis conflitos de interpretação, Soraya apresentou uma emenda para que o Código Penal passe a reger tão somente a injúria no contexto de violência doméstica e familiar, e não a injúria misógina – “substancialmente mais grave que a primeira”, segundo a senadora.

A relatora apontou que países como França, Argentina e Reino Unido já têm leis de combate à misoginia. Soraya lembrou que, só no ano de 2025, houve quase 7 mil vítimas de tentativas de feminicídio no Brasil. Ela alertou para a ameaça representada pelos chamados red pills, que incentivam o ódio contra as mulheres, frequentemente por meio da internet.

— O projeto é para proteger a família e a dignidade e a liberdade das mulheres. A aprovação do projeto responde a uma realidade urgente. O ódio às mulheres não é abstrato: é estruturado, é crescente e ceifa vidas todos os dias — afirmou Soraya.

Conceitos

A relatora disse lamentar o fato de o país, segundo ela, odiar mais a palavra “feminismo” do que “feminicídio”. Segundo Soraya, para deliberar sobre o projeto seria importante o entendimento de quatro conceitos: machismo, femismo, feminismo e misoginia.

— O termo contrário ao machismo não é feminismo, é “femismo”. E o que femismo significa? Ideologia que defende a superioridade da mulher sobre o homem. O feminismo é um movimento que luta pela igualdade de direitos, oportunidades e tratamento entre homens e mulheres; não visa à superioridade. Por sua vez, o que vem a ser a misoginia? A misoginia se traduz no ódio, na aversão, no desprezo extremo às mulheres, muitas vezes manifestado por meio de violência física, psicológica e difamação.

Divergências

Até a aprovação no Plenário, houve divergências em relação ao projeto. Enquanto alguns senadores apontavam o projeto como uma defesa da família e das mulheres, outros temiam riscos à liberdade de expressão e banalização da Lei de Racismo.

A matéria já havia sido aprovada, em dezembro de 2025, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de forma terminativa, o que significa que o texto iria direto para a Câmara dos Deputados. No entanto, houve um recurso para que fosse ao Plenário. A votação, inicialmente prevista para a semana passada, chegou a ser adiada, na tentativa de um acordo.

Família

Ana Paula defendeu seu projeto e afirmou que, a cada semana de atraso na aprovação da matéria, cresce a violência contra as mulheres. A senadora disse que o projeto só pede que as mulheres sejam respeitadas e tenham a liberdade de viver suas vidas.

— Não odiamos os homens nem somos contra a família. Somos a favor das mulheres, que estão pedindo socorro — declarou a autora.

Logo após a votação, Ana Paula Lobato pediu a palavra para ler uma série de ofensas e ameaças, inclusive de morte, que recebeu pela internet, por conta da autoria do projeto. Acrescentou que a aprovação tem peso político, jurídico e moral. Segundo ela, o Brasil está cansado de enterrar mulheres e testemunhar humilhações públicas. Por isso, ressaltou, a misoginia não pode ser tratada como um detalhe, pois é uma “cultura que desumaniza antes do crime”.

— Agora, existe uma resposta clara do Estado brasileiro. É o Senado dizendo que a misoginia tem consequências — celebrou a senadora.

A senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que o projeto reconhece a realidade da violência enfrentada pelas mulheres. Ela definiu a misoginia como “uma doença que se instalou dentro da sociedade” e pediu coragem ao Senado para apresentar uma resposta ao país.

Na visão de Zenaide Maia (PSD-RN), tipificar a misoginia é uma forma de prevenção da violência. Ela disse que o Congresso Nacional não pode ficar de braços cruzados vendo mulheres sendo assassinadas.

Segundo a senadora Teresa Leitão (PT-PE), o ódio contra as mulheres se manifesta de forma organizada, seja na internet ou nos feminicídios. Por isso, ressaltou, o projeto é necessário.

— Quando ocorre um feminicídio, uma família é destruída — argumentou Teresa.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) disse que a misoginia é um problema crescente e mundial. Ele apontou que a internet tem sido um campo fértil para a ação dos misóginos. Para o senador, o projeto é importante, acertado e contemporâneo.

Fabiano Contarato (PT-ES) lamentou os recentes casos de feminicídio em seu estado e no país. Segundo o senador, em 2025, foram quatro mulheres vítimas de feminicídio por dia no Brasil.

Os senadores Styvenson Valentim (PSDB-RN), Efraim Filho (União-PB), Eduardo Braga (MDB-AM) e Margareth Buzetti (PP-MT) também manifestaram apoio ao projeto. Para o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), o projeto é importante e urgente, pois o Brasil vive uma epidemia de violência contra as mulheres.

— Este projeto é a favor da família. Não existe família sem a mãe de família — apontou Randolfe.

Destaque

Para o senador Eduardo Girão (Novo-CE), o projeto deveria ter uma ressalva, como previsto em uma de suas emendas, para vedar “a punição de manifestações de natureza artística, científica, jornalística, acadêmica ou religiosa, quando ausente a intenção discriminatória”. Um destaque apresentado para votar essa emenda de forma separada foi rejeitado.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) se disse preocupada com uma possível banalização da Lei do Racismo. Para a senadora, o ideal seria incluir a misoginia na legislação penal.

— Estamos lutando pelo sonho da tipificação da misoginia. Mas este é o instrumento certo? — questionou a senadora, prevendo que a matéria será modificada na Câmara dos Deputados e enviada de volta ao Senado.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) reconheceu que há condutas que agridem e ofendem as mulheres. Ele pediu o envolvimento dos homens na defesa dos direitos femininos. Portinho, no entanto, disse temer o que chamou de ativismo judicial. O senador sugeriu a inclusão da frase “observadas as garantias e liberdades individuais previstas na Constituição”.

A relatora ponderou que a Constituição já garante a liberdade de expressão e está acima de todas as leis. Assim, registrou Soraya, não haveria a necessidade de registro da ressalva no texto do projeto.

Emendas

Soraya acatou uma das quatro emendas apresentadas em Plenário pelo senador Eduardo Girão. A sugestão de Girão altera a ementa da Lei do Racismo, ao incluir a referência aos crimes resultantes de discriminação: preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional ou praticados em razão de misoginia. Hoje, a ementa da lei faz referência apenas aos “crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor”.

Por tratarem de tema correlato, o projeto aprovado e o PL 985/2023, do ex-senador Mecias de Jesus, tramitaram de forma conjunta. Com a aprovação da proposta da senadora Ana Paula, o texto de Mecias foi considerado prejudicado e enviado ao arquivo. As informações são da Agência Senado.

Outras Notícias

Prefeito Fredson Brito anuncia Rey Vaqueiro como atração da Festa de Reis 2027 em São José do Egito

O cantor Rey Vaqueiro foi anunciado nesta quarta-feira (4) como mais uma atração da Festa de Reis 2027, em São José do Egito, no Sertão do Pajeú. A confirmação foi feita pelo prefeito Fredson Brito, que informou que o artista se apresentará no dia 4 de janeiro, na abertura da 160ª edição do evento. A […]

O cantor Rey Vaqueiro foi anunciado nesta quarta-feira (4) como mais uma atração da Festa de Reis 2027, em São José do Egito, no Sertão do Pajeú.

A confirmação foi feita pelo prefeito Fredson Brito, que informou que o artista se apresentará no dia 4 de janeiro, na abertura da 160ª edição do evento.

A festa será realizada entre os dias 4 e 6 de janeiro, no Pátio de Eventos Miguel Arraes. Rey Vaqueiro, conhecido pelo repertório de forró de vaquejada e piseiro, passa a integrar a programação musical já anunciada pela administração municipal.

Entre as atrações confirmadas anteriormente estão Zé Vaqueiro e Tarcísio do Acordeon.

A programação também contará com uma noite dedicada às apresentações religiosas, no dia 6 de janeiro, a noite católica terá apresentação do Padre Fabrício, além das participações de Toinho Nascimento e do Ministério de Música Renascer.

Promovida pela Prefeitura de São José do Egito, a Festa de Reis chega à sua 160ª edição em 2027.

A celebração integra o calendário cultural e religioso do município, reunindo apresentações musicais e atividades relacionadas à tradição local.

Imagem: Divulgação

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Derrota de Trump é sopro de esperança para o mundo e recado para a direita extremada

No meu comentário das 12h desta quarta-feira (4), faço uma analise do resultado das eleições nos Estados Unidos e classifico a derrota dos aliados de Donald Trump e dos republicanos como um recado direto para a extrema-direita mundial. Vale destacar a onda democrata que venceu eleições até em estados de tradicional maioria republicana, como exemplo […]

No meu comentário das 12h desta quarta-feira (4), faço uma analise do resultado das eleições nos Estados Unidos e classifico a derrota dos aliados de Donald Trump e dos republicanos como um recado direto para a extrema-direita mundial.

Vale destacar a onda democrata que venceu eleições até em estados de tradicional maioria republicana, como exemplo temos o Texas com James Talarico. Além disso, a diversidade entre os eleitos (mussulmanos, indígenas e latinos) como uma resposta clara da sociedade.

O desgaste causado pelo extremismo atinge inclusive a direita tradicional e moderada, marcando um sopro de esperança e humanidade para que os governos priorizem a união, a diversidade e o combate à desigualdade.

Acompanhe o comentário completo no clicando no link que está logo abaixo.

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Lisbeth Rosa renuncia à Secretaria de Saúde de Serra Talhada após quase seis anos no cargo

A secretária municipal de Saúde de Serra Talhada, Lisbeth Rosa Lima, anunciou nesta quarta-feira (4) sua renúncia ao cargo, após quase seis anos à frente da pasta. Em carta aberta à população, ela justificou a decisão pela necessidade de dedicar mais atenção à própria saúde e respeitar seus limites pessoais. “Minha saída, neste momento, é […]

A secretária municipal de Saúde de Serra Talhada, Lisbeth Rosa Lima, anunciou nesta quarta-feira (4) sua renúncia ao cargo, após quase seis anos à frente da pasta. Em carta aberta à população, ela justificou a decisão pela necessidade de dedicar mais atenção à própria saúde e respeitar seus limites pessoais.

“Minha saída, neste momento, é motivada pela necessidade de olhar com mais atenção para mim, cuidar da minha saúde e respeitar os limites que a vida nos apresenta”, escreveu Lisbeth no comunicado.

A secretária assumiu a pasta durante o período da pandemia de Covid-19 e utilizou a carta para apresentar um balanço de sua passagem pela administração municipal.

Entre as ações mencionadas estão a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a entrega do Centro de Parto Normal e a criação da Policlínica Municipal, com serviços especializados em saúde mental infantojuvenil e atendimento multidisciplinar a pessoas com diabetes.

Lisbeth também destacou a ampliação da oferta de exames laboratoriais nas unidades de saúde da família e na zona rural, a chegada do Instituto de Terapia Renal e a expansão dos serviços da Fundação Altino Ventura, incluindo a implantação de um bloco cirúrgico.

No balanço apresentado, a secretária afirmou que a administração conseguiu zerar filas de determinados procedimentos cirúrgicos, como operações de vesícula, hérnia, mioma, útero e ovário. Ela também citou a entrega de mais de 16 ambulâncias, três viaturas do Samu, dois micro-ônibus, duas caminhonetes e uma van adaptada.

Outro serviço mencionado foi o Tratamento Fora do Domicílio (TFD), que, segundo Lisbeth, transporta mais de 1.500 pessoas mensalmente para o Recife. A ex-secretária também destacou a estruturação de uma nova Casa de Apoio na capital pernambucana.

Screenshot

Na despedida, Lisbeth agradeceu aos profissionais da saúde, às equipes da secretaria, aos parceiros institucionais e à prefeita Márcia Conrado pela confiança durante o período em que esteve no comando da pasta.

A saída ocorre em um momento de questionamentos sobre a administração da Saúde municipal. Nos últimos meses, vereadores apresentaram requerimentos solicitando esclarecimentos sobre contratos, despesas e a execução de serviços da secretaria.

Com a renúncia, caberá à prefeita Márcia Conrado definir quem assumirá o comando da Secretaria Municipal de Saúde.

Foto: Reprodução

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Saúde de Santa Cruz da Baixa Verde registra quase 12 mil atendimentos em outubro

A rede municipal de saúde de Santa Cruz da Baixa Verde registrou 11.617 atendimentos durante o mês de outubro de 2026. Os dados foram divulgados pela Prefeitura e incluem os serviços realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), na Unidade Mista e no Centro de Reabilitação. As Unidades Básicas de Saúde concentraram a maior parte […]

A rede municipal de saúde de Santa Cruz da Baixa Verde registrou 11.617 atendimentos durante o mês de outubro de 2026. Os dados foram divulgados pela Prefeitura e incluem os serviços realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), na Unidade Mista e no Centro de Reabilitação.

As Unidades Básicas de Saúde concentraram a maior parte dos registros, com 6.420 atendimentos no período. Os números correspondem aos serviços prestados pela rede de atenção primária do município.

O Centro de Reabilitação contabilizou 2.937 atendimentos, enquanto a Unidade Mista registrou outros 2.260. Além desses serviços, a rede municipal realizou 337 exames de raio-X durante o mês.

Segundo a administração municipal, os dados fazem parte do acompanhamento dos serviços oferecidos à população e são utilizados para avaliar a demanda nas unidades de saúde.

O levantamento divulgado apresenta o volume de atendimentos realizados, mas não detalha a quantidade de pacientes atendidos individualmente nem a distribuição dos procedimentos por especialidade.

Foto: Divulgação

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Após cancelamento de shows no Nordeste, Jorge nega declarações ofensivas à região

O cantor Jorge, da dupla sertaneja Jorge & Mateus, se pronunciou nesta quarta-feira (4) após o cancelamento de duas apresentações previstas para o Réveillon de Recife e Fortaleza. Em nota divulgada nas redes sociais, o artista negou ter feito declarações ofensivas ao Nordeste e afirmou que informações atribuídas a ele não correspondem à verdade. A […]

O cantor Jorge, da dupla sertaneja Jorge & Mateus, se pronunciou nesta quarta-feira (4) após o cancelamento de duas apresentações previstas para o Réveillon de Recife e Fortaleza. Em nota divulgada nas redes sociais, o artista negou ter feito declarações ofensivas ao Nordeste e afirmou que informações atribuídas a ele não correspondem à verdade.

A manifestação ocorre após a repercussão de seu apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026. Durante um encontro de artistas sertanejos, realizado em outubro, Jorge participou de uma mobilização política e declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.

A declaração provocou críticas nas redes sociais e pedidos de cancelamento das apresentações da dupla nas capitais nordestinas. Também passaram a circular mensagens atribuindo ao cantor comentários depreciativos sobre a população da região.

Na nota, Jorge negou ter feito essas declarações e afirmou que não se manifestaria dessa maneira sobre o Nordeste, região pela qual disse ter carinho, admiração e respeito.

O sertanejo também esclareceu que seu posicionamento é individual e não envolve Mateus ou a trajetória artística da dupla. Ele destacou que já se apresentou em todos os estados nordestinos e que reconhece a importância da região para sua carreira.

“Tenho uma gratidão imensa pelo povo nordestino, por sua cultura, sua história e por tudo que essa região representa para a música brasileira e para a minha própria caminhada”, afirmou.

Jorge também defendeu o respeito às diferenças de opinião e disse acreditar que o diálogo e a empatia devem prevalecer, independentemente das divergências políticas.

Os cancelamentos foram anunciados nessa terça-feira (3) pelos prefeitos Victor Marques (PCdoB), do Recife, e Evandro Leitão (PT), de Fortaleza.

Na capital pernambucana, a apresentação estava marcada para 27 de dezembro, na Praia do Pina. Victor Marques justificou a decisão afirmando que a repercussão havia comprometido o ambiente para a realização do show.

Em Fortaleza, Evandro Leitão informou que o cancelamento foi negociado com os responsáveis pela apresentação e ocorreu dentro da legalidade. O prefeito também ressaltou que a contratação havia sido acertada antes da controvérsia política.

Não há confirmação de que Jorge tenha feito declarações xenofóbicas contra o Nordeste. A manifestação política documentada que deu origem às críticas foi direcionada ao PT, e não à população nordestina.

Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Divulgação

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