Governo Lula já procurou PSD e relação pode se aprofundar, afirma Kassab

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já procurou o partido para discutir uma possível aproximação no quarto mandato do presidente. Segundo o dirigente, a relação poderá se aprofundar caso o Planalto adote medidas econômicas e amplie o diálogo com o centro político.
Em entrevista ao jornal O Globo, Kassab explicou que a posição do PSD dependerá das diretrizes adotadas pelo próximo governo, especialmente na condução da economia. Ele defendeu o equilíbrio fiscal e afirmou que Lula precisará ampliar sua base de apoio político.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, declarou o dirigente, ao admitir a possibilidade de uma relação mais próxima entre o PSD e o governo federal.
Durante o terceiro mandato de Lula, o PSD ocupou três ministérios, mas não integrou formalmente a base governista. Kassab lembrou que, em 2023, o partido decidiu permitir que seus filiados aceitassem convites para participar da administração federal, sem estabelecer um compromisso coletivo de apoio.
Na avaliação do presidente do PSD, Lula precisará conciliar os compromissos sociais assumidos durante a campanha com medidas capazes de transmitir segurança à economia. Ele citou os ex-ministros Antonio Palocci e Henrique Meirelles como referências de uma política econômica voltada à estabilidade e ao equilíbrio das contas públicas.
Questionado sobre a possibilidade de assumir um ministério no quarto mandato, Kassab afirmou que não trabalha com essa perspectiva, mas também não descartou um eventual convite.
“Não está no meu horizonte, já fui de duas pastas. Mas é claro que é muito honroso ser e não descarto voltar mais uma vez”, respondeu.
O dirigente também comentou o resultado das eleições presidenciais. Para Kassab, a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) foi influenciada por erros da própria campanha, enquanto o PT conseguiu explorar as fragilidades do adversário.
Segundo ele, a escolha de Flávio como candidato da direita dividiu a disputa pelo eleitorado de centro. Kassab avaliou ainda que as declarações do senador sobre possíveis mudanças na Constituição e sua atuação nos debates contribuíram para a rejeição à candidatura.
O presidente do PSD também afirmou que a polarização política permanece no país. Na avaliação dele, Ronaldo Caiado, candidato do partido à Presidência, não conseguiu atrair uma parcela significativa dos eleitores que rejeitavam tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro.
Kassab defendeu ainda maior atenção dos partidos ao combate à corrupção, afirmando que o tema continua mobilizando o eleitorado brasileiro.
Apesar da aproximação relatada pelo dirigente, não há anúncio de acordo formal entre o PSD e o governo Lula nem definição sobre uma eventual participação da legenda na composição ministerial do próximo mandato.
Fonte: Diario de Pernambuco
Foto: Reprodução
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