Flávio mira endividados e propõe programa para comprar dívidas e refinanciá-las pela Caixa

Candidato do PL promete descontos de até 90% e carência de seis meses, enquanto governo Lula prepara nova medida para dívidas antigas; proposta de Flávio ainda não tem desenho detalhado.
O endividamento das famílias entrou na disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha presidencial. Enquanto o governo trabalha em uma nova medida para reduzir dívidas antigas, Flávio apresentou o chamado “SOS Brasil”, programa que prevê comprar débitos dos bancos e refinanciá-los pela Caixa Econômica Federal.
Segundo dados citados por O Globo, 82% das famílias brasileiras estão endividadas. Quase uma em cada cinco compromete mais da metade da renda com o pagamento de dívidas, enquanto o cartão de crédito concentra a maior parcela dos débitos.
Flávio afirmou nesta semana que pretende criar um fundo com recursos provenientes de novas receitas relacionadas ao petróleo, imóveis da União e securitização de créditos que o governo tem a receber. O candidato estima que o fundo poderia alcançar cerca de R$ 3 trilhões.
Parte dos recursos seria destinada, segundo a proposta, à redução da dívida pública e a investimentos em infraestrutura. Outra parcela seria usada para auxiliar pessoas físicas endividadas.
Na frente destinada às famílias, Flávio propõe que o governo compre dívidas mantidas pelos bancos e depois ofereça o refinanciamento pela Caixa Econômica Federal, com juros menores. O candidato mencionou descontos que poderiam chegar a 90% do valor devido e carência de seis meses para o início dos pagamentos.
O projeto, contudo, ainda não apresenta detalhes como os tipos de dívida que poderiam ser incluídos, os critérios de acesso, limites por beneficiário, cálculo dos descontos e impacto da operação sobre as contas públicas.
A proposta surge em meio à estratégia do candidato do PL de explorar temas relacionados ao custo de vida e ao orçamento das famílias. Flávio tem divulgado vídeos em supermercados nos quais compara preços atuais com os registrados durante o governo de Jair Bolsonaro.
O tema também passou a receber maior atenção da campanha de Lula. Segundo O Globo, o PT orientou militantes a produzir vídeos em supermercados e comparar preços de produtos, buscando responder às críticas do adversário.
No campo do endividamento, o governo Lula já adotou o Desenrola Brasil como uma de suas políticas. A primeira versão, lançada em 2023, renegociou R$ 53,07 bilhões em dívidas de cerca de 15 milhões de pessoas, segundo os dados citados pela reportagem.
Uma nova edição foi lançada em 2026. Entre maio e agosto, foram negociados R$ 28,37 bilhões em dívidas, de acordo com o Ministério da Fazenda.
Os números também mostram dificuldades após as renegociações. Dados do Fundo Garantidor de Operações obtidos pelo jornal indicam que 30,34% das operações renegociadas pelo Novo Desenrola estavam inadimplentes em setembro.
O governo prepara ainda uma nova frente para dívidas antigas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a discussão envolve débitos que bancos e empresas já consideram de baixa possibilidade de recuperação.
A proposta em estudo prevê que o governo realize um leilão e viabilize a compra desses débitos mediante descontos elevados, em uma dinâmica diferente das versões anteriores do Desenrola.
Com as duas campanhas apresentando alternativas para o problema, o endividamento das famílias passa a ocupar espaço maior no debate econômico na reta final da eleição presidencial.
Fonte: O Globo
Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
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Magno Martins*















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