Escala 6×1: movimento da oposição pode atrasar votação na próxima semana e Lula usa tema para pressionar Flávio

A tramitação da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 entrou na disputa política do segundo turno da eleição presidencial. Enquanto o governo tenta concluir a análise no Senado antes da votação de 25 de outubro, integrantes da oposição defendem o cumprimento dos prazos regimentais e trabalham para que a decisão fique para depois da eleição.
O Senado concluiu nesta quinta-feira (8) a terceira das cinco sessões de discussão exigidas antes da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 em primeiro turno. As duas etapas restantes devem ocorrer na próxima semana, quando o texto poderá ser submetido à primeira votação no plenário.
A PEC reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e estabelece dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. O texto prevê uma transição: a jornada cairia inicialmente para 42 horas e, posteriormente, chegaria às 40 horas semanais.
Depois de uma eventual aprovação em primeiro turno, o regimento prevê mais três sessões de discussão antes da votação definitiva. Para encurtar esse período, a liderança do governo articula um requerimento de calendário especial.
É justamente nessa etapa que governo e oposição passaram a divergir. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), defende que os prazos sejam cumpridos normalmente e critica a votação da proposta durante o segundo turno da eleição presidencial. Marinho também atua na campanha de Flávio Bolsonaro.
Flávio, candidato do PL à Presidência, afirmou nesta semana que a bancada de seu partido deve defender que a votação ocorra somente depois da eleição. Ele acusa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, de utilizar a proposta com objetivo eleitoral.
Lula, por sua vez, passou a explorar a posição do adversário durante a campanha. Em encontro com parlamentares, o presidente cobrou publicamente que Flávio vote a favor da PEC e que oriente os senadores do PL a fazerem o mesmo.
“Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favoravelmente. E desafio ele a pedir para o PL votar favoravelmente”, afirmou Lula.
A movimentação transforma o calendário legislativo em mais um ponto de confronto entre as duas campanhas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que seguirá o rito previsto e que uma eventual aceleração dependerá de requerimento submetido ao plenário.
A votação em primeiro turno é esperada para a próxima semana. Para ser aprovada, a PEC precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
Fonte: O Globo
Foto: Reprodução
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