Comércio, serviços e turismo fazem campanha para adiar votação do fim da escala 6×1
Entidades pedem que a proposta não seja analisada pelo Senado antes das eleições de outubro.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao lado de 34 entidades filiadas, lançou uma campanha para tentar adiar a votação da Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
Com o lema “A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não”, a mobilização pede aos senadores que deixem a análise da PEC para depois das eleições de outubro.
A proposta está prevista para ser analisada na próxima quarta-feira (2), pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.
A PEC estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, e reduz gradualmente a jornada máxima de trabalho, sem diminuição salarial. Dois meses após uma eventual promulgação, o limite cairia das atuais 44 para 42 horas semanais. Um ano depois, passaria para 40 horas.
Na campanha, a CNC argumenta que mais de 90% dos trabalhadores dos setores representados pela entidade atuam atualmente no regime 6×1. A confederação avalia que a mudança poderia aumentar os custos das empresas, provocar repasses aos preços, reduzir vagas formais e ampliar a informalidade.
Essas possíveis consequências são projeções apresentadas pelas entidades empresariais na campanha, e não efeitos já constatados da proposta.
“O setor terciário não se opõe ao debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade”, declarou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
A confederação defende que mudanças na jornada sejam negociadas por meio de convenções e acordos coletivos, considerando as características de cada setor e região.
O presidente da Fecomércio-RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, afirmou que uma alteração nacional sem considerar as diferenças entre as atividades econômicas poderia produzir efeito contrário ao pretendido, com eventual redução dos postos de trabalho.
A campanha também critica a medida provisória que isenta do Imposto de Importação as compras internacionais de até US$ 50, conhecida como fim da “taxa das blusinhas”. Para a CNC, a medida amplia a concorrência enfrentada pelo varejo nacional.
Caso seja aprovada na CCJ, a PEC do fim da escala 6×1 ainda precisará passar por dois turnos de votação no plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um. Até o momento, não há confirmação de quando essa etapa ocorrerá.
Fonte: Agência O Globo
Foto: Reprodução/CNC
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