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Coluna do Domingão: podres poderes

Por Nill Júnior

Podres poderes

Essa semana foi marcada por mais revelações do envolvimento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), com negócios de Daniel Vorcaro,  do Banco Master.

O mais curioso, a relatoria do caso que investiga a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, motivado por graves crises de liquidez e indícios de fraudes bilionárias, caiu no colo de Toffoli,  no clássico “raposa tomando conta do galinheiro”.

Daí nenhuma surpresa com a decretação de sigilo sobre as investigações e decisões estranhas. Toffoli tomou pelo menos 10 decisões no caso Master que fogem da praxe e deslocaram, da PF para o STF, o eixo de informações da investigação.

A denúncia nem deveria subir para o STF, já que havia poucos indícios de envolvimento de pessoa com foro, um deputado federal. Esse envolvimento não se confirmou e o caso segue no STF.

Toffoli chegou a aumentar o nível de sigilo da operação a ponto de não ser possível ver sequer o andamento do caso. Tudo tinha que passar por ele. Por exemplo, escolheu os peritos da investigação, algo totalmente fora da praxe. O comum é que a PF escolha porque sabe qual agente e qual delegado é mais especializado para o caso.

À medida que cresciam as medidas não usuais, chegavam mais informações que colocavam Toffoli como uma espécie de braço de Vorcaro no Supremo,  para dar salvaguarda às suas traquinagens fiscais e desmantelo que geraram a quebra do Master.

Em 13 de fevereiro de 2026, o ministro Dias Toffoli deixou a relatoria do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) após relatórios da PF indicarem mensagens comprometedoras e relações financeiras entre seus familiares e Vorcaro. O ministro André Mendonça assumiu a relatoria e já iniciou novas etapas de apuração com a PF.

Desde o mês passado, Toffoli é criticado por permanecer na condição de relator do caso após matérias jornalísticas informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo comprou uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro.

Toffoli divulgou nota à imprensa, confirmando que é um dos sócios do resort e disse que “não recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro”.

Mas, e agora? E caso sejam comprovadas ligações que mostrem a atuação de Toffoli para blindar Vorcaro? Quando situações assim expõem políticos,  o caminho é o impeachment,  o afastamento,  o fim do exercício da função. Mas, e quando se trata de um Ministro do Supremo?

Tirar um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil é um processo complexo, predominantemente político e realizado pelo Senado Federal através de um impeachment, conforme a Constituição (art. 52, II) e a Lei 1.079/1950. O processo exige denúncia fundamentada, aceitação pelo Presidente do Senado e aprovação por 2/3 dos senadores (54 votos).

O ministro deve cometer crimes de responsabilidade, tais como atuar de modo incompatível com a honra/decoro, exercer atividade político-partidária ou ser desidioso (negligente) no cumprimento dos deveres. Qualquer cidadão pode protocolar o pedido.

Mas, quem acredita? Vimos esses dias ministro do STJ “punido” com aposentadoria compulsória por assédio,  no caso Marco Buzzi, e o desembargador Divoncir Schreiner Maran, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que autorizou a prisão domiciliar de um detento de alta periculosidade, ligado a facção criminosa,  condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, em 2020. O detento é caçado até hoje.

Todas essas questões precisam ser revistas. É achar um ponto de equilíbrio entre a autonomia dos magistrados e a punição para os que se aliam a ilicitudes.

Hoje, enquanto não há aperfeiçoamento nesse processo,  segue a máxima contada Brasil afora: “qualquer no Brasil juíz acha que é Deus.  Desembargadores e Ministros de cortes superiores, ao contrário,  tem certeza…”

Político tem que ter cara lisa

Até Miguel Coelho, cujo União Brasil está na contramão do governo Lula, com seu irmão Fernando Filho votando a favor de pautas rejeitadas pela opinião pública, colou ao lado do presidente Lula no Galo da Madrugada. Quer ser o segundo candidato ao Senado de João Campos e pode, quem diria, ir para o PCdoB.

Fala, Marília 

Ninguém questiona a fidelidade de Marília Arraes ao debate democrático e alinhado com o que pensa o presidente Lula. Foi mais fiel a ele até mesmo que João Campos,  que na eleição de 2020 demonizou o PT. Falta a ela responder como vê Paulinho da Força maquinando para anistiar ou amenizar penas de quem tentou dar um golpe de Estado no país.  Talvez tenha faltado quem pergunte.

Noves fora

Segundo Ronald Falabella,  diretor do Múltipla,  Raquel Lyra precisa anular a influência de Lula pró João Campos na eleição de Pernambuco. “É o maior cabo eleitoral do estado”, diz. Isso porque mesmo que ela tenha Lula no santinho,  não muda o voto do eleitor de direita,  que até engoliria o presidente,  e votaria contra a volta do PSB ao poder.

Sabido

João Campos postou num só card fotos com Miguel Coelho,  Silvio Costa Filho,  Humberto Costa e Marília Arraes. “Muito bom curtir o Galo da Madrugada, maior bloco do melhor Carnaval do mundo, ao lado de tantos companheiros e companheiras que caminham juntos por um Brasil, Pernambuco e Recife cada dia melhores!” – disse.

O que dizem por aí 

Na Frente Popular,  a possibilidade maior no momento é de Humberto Costa e Miguel Coelho candidatos a Senado na chapa de João Campos. E crescem os rumores de que,  embalada pelas pesquisas,  Marília Arraes pode ser candidata em uma rota independente. A conferir…

Pode voltar da porta?

Esses dias, aumentaram rumores de que,  insatisfeita com a perda de território prometido por João Campos para Breno Araújo,  inclusive em São José do Belmonte,  Márcia Conrado poderia voltar a trocá-lo por Raquel Lyra. Mas nem os aliados da governadora acreditam nessa possibilidade. Isso porque com campo minado e loteado, seria impossível garantir os mesmos espaços que a prefeita teria reclamado de João.

Cuidado,  Lula

A presença de Lula no carnaval de Recife e Salvador,  como fez ontem com muita disposição e vitalidade,  não teria consequências jurídicas,  dado o caráter institucional. Fosse assim, nem Raquel nem João poderiam estar no camarote do Galo. O nó é a possível presença no desfile da Escola Acadêmicos de Niterói,  que recebeu dinheiro federal e vai homenageá-lo.  Aí pode dar problema…

Crime e reviravolta 

O MP formalizou a denúncia contra cinco envolvidos na morte de Samyr Oliveira de Souza, ocorrida após um atentado no dia 13 de janeiro de 2026. O crime, que chocou a cidade, envolve figuras conhecidas da política local. Além de Cristiano da Van, o presidente da Câmara e Dedé de França teria dado apoio operacional, além dos assessores parlamentares Manoel Brasil Silva, Ítalo Vieira Soares e Edmilton Alencar Fernandes.

Deixem ele 

A nota que destaca as atuais ocupações de Weverton Siqueira,  o Siqueirinha,  vice-prefeito de Arcoverde,  repercutiu. Essa semana, leitores apontaram a sua missão como coach motivacional,  dando dicas de saúde e bem estar, alertando sobre alho na porta, o que fazer nas primeiras horas do dia e dicas de como criar cães.  A última foi de apresentador do Sábado de Zé Pereira. Uma de suas frases motivacionais: “Cuidar de si primeiro,  não é egoísmo,  é preparo”. Te cuida, Rejane…

Escola dos vices 

Aliás,  essa coisa do que faz ou não faz um vice merece uma reflexão aprofundada. Sem espaço na gestão Márcia Conrado,  indicado para a função por um hoje adversário, Sebastião Oliveira,  o vice-prefeito de Serra Talhada,  Faeca Melo, foi notícia por… tomar banho de chuva na Capital do Xaxado. Mais avulso, impossível…

Bugaram

Bolsonaristas sem opção,  obrigados a votar em Raquel Lyra contra a possibilidade de volta do PSB ao poder bugaram nas redes sociais. Em grupos de Afogados da Ingazeira,  muitos que criticaram o presidente no dia anterior e nos demais do ano, compartilharam fotos da governadora com Lula. Deu tilt…

Frase da semana:

“O pedido de declaração de suspeição apresentado pela PF trata de ilações”.

Do Ministro Dias Toffoli,  antes de admitir que vendeu uma participação em um resort no Paraná a fundos ligados ao banco Master.

Outras Notícias

Plano secreto: fuga de Flávio Bolsonaro foi planejada semanas antes da derrota para Lula

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos já vinha sendo planejada semanas antes de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A estratégia teria sido organizada por integrantes da família e aliados do parlamentar para ser executada caso ele não […]

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil com destino aos Estados Unidos já vinha sendo planejada semanas antes de sua derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A estratégia teria sido organizada por integrantes da família e aliados do parlamentar para ser executada caso ele não conseguisse vencer a disputa.

O planejamento começou ainda durante a campanha eleitoral, quando Flávio e pessoas próximas passaram a considerar a possibilidade de deixar o país em caso de derrota. A alternativa, entretanto, perdeu força depois do primeiro turno, quando o candidato do PL terminou à frente de Lula e seus aliados passaram a demonstrar confiança na vitória.

O principal responsável pela articulação teria sido Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado. Ele teria atuado em conjunto com Paulo Figueiredo, ex-apresentador da Jovem Pan, para estabelecer contatos com integrantes do governo de Donald Trump.

As conversas tinham como objetivo viabilizar a entrada e a permanência de Flávio em território americano caso o resultado das eleições fosse desfavorável ao candidato do PL.

A estratégia também envolvia a intenção de apresentar uma eventual derrota como resultado de uma suposta fraude eleitoral. Não foram apresentadas provas de irregularidades capazes de comprometer a validade da eleição.

Após a confirmação da vitória de Lula, Donald Trump passou a questionar publicamente o processo eleitoral brasileiro, também sem apresentar evidências de fraude.

Rota inicialmente planejada

Outra informação revelada sobre os preparativos envolve o trajeto que seria utilizado para deixar o Brasil. De acordo com relatos de aliados e familiares, a rota inicialmente considerada passaria pela Venezuela.

O percurso efetivamente divulgado, entretanto, foi diferente. Na noite de terça-feira (27), Flávio atravessou a fronteira com a Argentina acompanhado da esposa e das duas filhas.

A passagem da família pelo território argentino foi confirmada pelas autoridades migratórias do país. Depois, o grupo embarcou em uma aeronave particular com destino ao Equador, de onde seguiu viagem em direção a Miami, nos Estados Unidos.

Ao longo de terça-feira, aliados do senador divulgaram informações divergentes sobre seu paradeiro. Enquanto alguns negavam a saída do Brasil, outros afirmavam que ele já havia chegado aos Estados Unidos.

O Departamento de Estado americano confirmou a concessão de vistos para Flávio e seus familiares permanecerem no país.

Antes de deixar o Brasil, o senador havia afirmado publicamente que não pretendia viajar e que cumpriria a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

Os documentos não foram apresentados no prazo estabelecido e acabaram cancelados nos sistemas da corporação.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Charles Vieira/Divulgação

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Raquel Lyra assina acordo na Espanha para gestão de 17 espaços culturais de Pernambuco

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), assinou nesta quarta-feira (28), em Madri, na Espanha, um acordo de cooperação técnica com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A parceria prevê ações para aprimorar a administração de 17 equipamentos culturais sob responsabilidade do Governo do Estado, incluindo museus, teatros, cinemas e centros culturais. O documento, denominado […]

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), assinou nesta quarta-feira (28), em Madri, na Espanha, um acordo de cooperação técnica com a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). A parceria prevê ações para aprimorar a administração de 17 equipamentos culturais sob responsabilidade do Governo do Estado, incluindo museus, teatros, cinemas e centros culturais.

O documento, denominado Memorando de Entendimento, tem vigência inicial de três anos e estabelece a possibilidade de desenvolver novos modelos de gestão, capacitar profissionais e promover o intercâmbio de experiências com instituições culturais de outros países.

Entre os objetivos apresentados estão a adoção de indicadores de desempenho, a avaliação de modelos de gestão compartilhada e a busca por alternativas para a sustentabilidade financeira dos espaços culturais pernambucanos.

O acordo prevê a criação de um grupo de trabalho nos próximos 30 dias, responsável por elaborar os planos de atuação conjunta e definir as ações que poderão ser implementadas.

Uma das propostas em avaliação é a instalação de um laboratório da escola digital Co.liga no antigo Liceu de Artes e Ofícios, no Recife, em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

Também está prevista a possibilidade de concessão de bolsas de formação para gestores culturais pernambucanos em um programa vinculado à Universidade Complutense de Madri, além da participação em redes internacionais de cooperação cultural.

Durante a agenda, Raquel Lyra destacou a importância da preservação das manifestações culturais do estado.

“Somos um povo que carrega tradições, saberes, ritmos e manifestações artísticas que atravessam gerações e que fazem parte não apenas da nossa história, mas também daquilo que queremos construir para o futuro”, afirmou a governadora.

O Governo de Pernambuco também apresentou informações sobre investimentos realizados na recuperação de imóveis históricos e equipamentos culturais. Segundo a gestão estadual, mais de R$ 200 milhões foram aplicados desde 2023 em mais de 20 obras de restauração.

Entre os espaços contemplados estão o Cinema São Luiz, no Recife, o Museu de Arte Contemporânea, em Olinda, e o Cine Theatro Guarany, em Triunfo, no Sertão do Pajeú.

A agenda contou com a participação de integrantes do secretariado estadual e representantes da OEI. Durante a viagem internacional de Raquel Lyra, a vice-governadora Priscila Krause (PSD) permanece no exercício interino do Governo de Pernambuco.

Fonte: Dantas Barreto
Foto: Reprodução

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Classificados: Vende-se propriedade rural de 74 hectares no Sítio Umburaninha, em Afogados da Ingazeira

Está à venda uma propriedade rural com 74 hectares, localizada no Sítio Umburaninha, a 13 quilômetros de Afogados da Ingazeira, sendo 10 quilômetros de estrada asfaltada e 3 quilômetros de estrada de terra. O imóvel conta com casa ampla, cinco armazéns, curral, poço, cacimbão, açude e barreiros, além de boa disponibilidade de água, diversas árvores […]

Está à venda uma propriedade rural com 74 hectares, localizada no Sítio Umburaninha, a 13 quilômetros de Afogados da Ingazeira, sendo 10 quilômetros de estrada asfaltada e 3 quilômetros de estrada de terra.

O imóvel conta com casa ampla, cinco armazéns, curral, poço, cacimbão, açude e barreiros, além de boa disponibilidade de água, diversas árvores frutíferas, áreas de pastagem e energia elétrica.

A propriedade é totalmente cercada e dispõe de estrutura para atividades rurais.

Os interessados podem obter mais informações pelo telefone ou WhatsApp: (87) 99637-4569.

Até a fuga de Flávio Bolsonaro foi uma grande mentira, como toda a sua vida

Em meu comentário para a rádio Itapuama desta quarta-feira (28), analiso a ida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Na minha avaliação, até mesmo sua saída do Brasil foi marcada por mentiras e estratégias de desinformação. A chegada de Flávio a Miami aconteceu depois de seus aliados criarem uma cortina de fumaça, afirmando […]

Em meu comentário para a rádio Itapuama desta quarta-feira (28), analiso a ida do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos. Na minha avaliação, até mesmo sua saída do Brasil foi marcada por mentiras e estratégias de desinformação.

A chegada de Flávio a Miami aconteceu depois de seus aliados criarem uma cortina de fumaça, afirmando que ele já estaria nos Estados Unidos um dia antes. Estamos falando de um parlamentar que responde a graves acusações no Brasil, envolvendo lavagem de dinheiro, esquemas de rachadinha e ligações com o caso “Dark Horse”, e que deixou o país após perder o foro privilegiado e a validade de seu passaporte.

Flávio Bolsonaro havia afirmado que responderia à Justiça brasileira e que jamais deixaria o país. Mas acabou seguindo por Foz do Iguaçu, atravessando a fronteira com a Argentina e chegando aos Estados Unidos.

O que chama minha atenção é como essa trajetória contraria suas próprias declarações públicas. Desde a negação de vínculos com investigados, passando pelo esquema de rachadinha, até o compromisso de respeitar os resultados eleitorais e permanecer no Brasil, suas atitudes caminham em sentido contrário ao que afirmou.

Também considero que a direita brasileira precisa rever seus conceitos e se desvincular do bolsonarismo se quiser construir uma alternativa política legítima, sem ligação com práticas ilegais e esquemas de enriquecimento ilícito.

Clique no link e acompanhe meu comentário completo.

 

Avião usado por Flávio Bolsonaro para chegar aos EUA é ligado a empresário investigado por lavagem de dinheiro

O avião particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina em direção aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo do presidente argentino Javier […]

O avião particular utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para deixar a Argentina em direção aos Estados Unidos pertence à Baires Fly, empresa ligada ao empresário Sergio Daniel Mastropietro, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em um esquema de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (Andis), durante o governo do presidente argentino Javier Milei. A ligação foi destacada em reportagem da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, nesta quarta-feira (28).

Mastropietro é apontado pela investigação argentina como participante de operações financeiras destinadas a dar aparência legal a recursos supostamente desviados de contratos públicos para o fornecimento de medicamentos e equipamentos destinados a pessoas com deficiência.

O empresário mantém vínculos comerciais com a Baires Fly, companhia de aviação executiva comandada por Luis Grande. Segundo investigações publicadas pelo jornal argentino La Nación, a empresa aparece em movimentações financeiras consideradas suspeitas pela Justiça daquele país.

A apuração identificou transferências milionárias realizadas por fornecedores da Andis para contas da companhia aérea. Os repasses teriam sido justificados por notas fiscais referentes à contratação de serviços de aviação.

Documentos analisados pela Justiça argentina apontam um prejuízo estimado em mais de 7,8 bilhões de pesos aos cofres públicos, decorrente de suspeitas de superfaturamento na aquisição de medicamentos e insumos. O processo também envolve ex-integrantes da agência e alcançou pessoas próximas ao governo Milei.

Entre os nomes mencionados nas denúncias está Karina Milei, irmã do presidente argentino e secretária-geral da Presidência, citada em acusações relacionadas à cobrança de propinas de empresas farmacêuticas. As suspeitas permanecem submetidas à investigação judicial.

A Baires Fly também possui histórico de prestação de serviços a integrantes do governo argentino. Em novembro de 2023, uma aeronave da companhia foi utilizada por Javier Milei em sua primeira viagem internacional após a vitória nas eleições presidenciais.

O avião relacionado à viagem de Flávio Bolsonaro é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador atravessou a fronteira brasileira na noite de terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, e embarcou em um voo privado operado pela empresa.

A aeronave partiu de Puerto Iguazú, fez escala em Guayaquil, no Equador, e pousou na manhã desta quarta-feira (28), em Miami, nos Estados Unidos.

A saída do senador ocorreu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega de seus passaportes e a proibição de deixar o território brasileiro, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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