Centrão tenta reduzir espaço do PT na articulação política de Lula e emplacar aliados em ministério e lideranças

Partidos do Centrão articulam a ampliação de sua participação no quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tentam reduzir a influência do PT na condução das negociações políticas. Além de ministérios, as legendas buscam espaço em funções de liderança responsáveis pela relação entre o Executivo e o Congresso Nacional.
As movimentações ocorrem em meio às discussões sobre a composição do governo que terá início em janeiro de 2027. Um dos principais interesses do grupo é a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação do Palácio do Planalto com deputados e senadores.
Atualmente comandada pelo ministro José Guimarães (PT-CE), a secretaria participa diretamente das negociações de projetos legislativos e da interlocução sobre emendas parlamentares, o que torna seu comando estratégico para os partidos.
Entre as legendas interessadas na pasta está o Republicanos, partido do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Um dos nomes mencionados para assumir a função é o deputado federal pernambucano Silvio Costa Filho, que comandou o Ministério de Portos e Aeroportos durante o terceiro mandato de Lula.
A possibilidade, entretanto, enfrenta resistência entre integrantes do Palácio do Planalto. Auxiliares do presidente avaliam que transferir a Secretaria de Relações Institucionais ao Centrão ampliaria o controle dessas legendas sobre uma área considerada estratégica para o funcionamento do governo.
Durante o terceiro mandato, a articulação política permaneceu sob responsabilidade de integrantes do PT. Antes de José Guimarães, a pasta foi comandada por Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann.
Além da disputa pela secretaria, representantes de partidos de centro procuram ampliar sua participação na Esplanada dos Ministérios e nas funções de liderança política. A movimentação ocorre diante da necessidade de Lula construir uma base parlamentar para enfrentar uma oposição numericamente fortalecida após as eleições.
As negociações também envolvem o MDB, o PSD e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Parte dessas legendas ocupou ministérios no atual governo, embora tenha adotado posições divergentes em votações do Congresso e durante a disputa presidencial.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi escolhido para iniciar as conversas com as direções partidárias a partir desta terça-feira (3). A orientação do Planalto é ouvir as propostas das legendas antes de definir os espaços que poderão ocupar no próximo mandato.
Do lado governista, a intenção é condicionar a distribuição de cargos a compromissos mais claros de apoio às propostas do Executivo. Lula pretende exigir dos partidos uma estimativa dos votos que poderão assegurar nas principais votações da Câmara e do Senado.
O ministro José Guimarães já defendeu que a participação das legendas no governo seja acompanhada de maior fidelidade parlamentar. A avaliação é que a ocupação de ministérios não deve ocorrer sem compromisso com as pautas da administração federal.
As negociações ainda estão em fase inicial. Não existe decisão anunciada sobre a substituição de Guimarães, a transferência da articulação política para o Centrão ou a distribuição das funções de liderança no próximo governo.
Fonte: O Globo
Foto: Juan Barreto
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