Caso Master: Vorcaro acusa PF de “vazamentos seletivos” e relata tortura durante prisões
Em depoimento prestado em agosto, ex-controlador do Banco Master afirmou ter sofrido intimidações, maus-tratos e retaliações ao longo das investigações.
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou que informações relacionadas às investigações sobre a instituição financeira vêm sendo divulgadas de forma seletiva e acusou integrantes da Polícia Federal de direcionar o caso e utilizar a imprensa para pressionar os envolvidos.
As declarações foram dadas em depoimento ao juiz João Azambuja, auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no último dia 27 de agosto, na Papudinha, em Brasília, onde Vorcaro está preso.
“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR, como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos”, declarou.
Vorcaro também contestou a versão de que teria resistido a colaborar com as investigações. Segundo ele, ocorreu justamente o contrário.
“Eu venho sofrendo retaliações para que eu não colabore com a Justiça desde o início. E a minha prisão é o primeiro fato efetivo que comprova isso”, afirmou.
O empresário alegou ainda que a divulgação de mensagens pessoais e conversas privadas teria sido utilizada para prejudicar sua imagem e desviar a atenção dos fatos que considera centrais para a investigação.
Perfil violento
Durante o depoimento, Vorcaro também negou ter comportamento violento e contestou referências a ameaças e a uma suposta estrutura de milícia ligada a ele.
“Nunca me envolvi no meio do crime. […] Eu nunca fiz nada contra ninguém”, disse.
Segundo Vorcaro, mensagens nas quais aparece irritado foram retiradas de um conjunto muito maior de conversas e utilizadas para construir, na avaliação dele, uma imagem que não corresponderia ao seu comportamento.
“É uma deturpação completa da verdade e, na minha opinião, desde lá de trás, o interesse de criar um personagem de violência […] para ficar preso e calado”, declarou.
Relatos de tortura e intimidação
Vorcaro também afirmou ter sofrido ameaças e maus-tratos durante transferências entre unidades prisionais após sua segunda prisão.
O banqueiro relatou ter permanecido durante horas em condições inadequadas durante um transporte e disse ter ouvido ameaças relacionadas às investigações.
“Antes daqui, eu fui torturado. Essa é a realidade. Eu fui torturado psicologicamente, fisicamente em outros casos”, afirmou.
Segundo ele, os episódios teriam ocorrido antes de sua transferência para a Papudinha. Vorcaro disse não ter enfrentado novos problemas desde que chegou à unidade prisional de Brasília.
As alegações de vazamentos, intimidações, maus-tratos e tortura foram apresentadas por Vorcaro durante o depoimento e integram sua versão sobre a condução das investigações do caso Master.
Fonte: Diario de Pernambuco
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