Campanha de Lula pede ao TSE apuração sobre fechamento de consulados dos EUA no Brasil

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil seja considerada em uma ação que apura uma suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A manifestação foi protocolada nessa sexta-feira (2) nos autos de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) já em andamento.
Na petição, a coligação Brasil Pronto pra Mais apresenta o episódio como “fato superveniente” e solicita a juntada de documentos ao processo. O pedido não cria uma nova investigação nem altera, segundo os próprios advogados, o objeto da ação. A intenção é que o fechamento temporário das representações seja analisado durante a instrução e no julgamento como possível reforço aos argumentos apresentados anteriormente.
Os Estados Unidos suspenderam o atendimento presencial na Embaixada em Brasília e nos consulados no país alegando preocupações com segurança. A medida foi anunciada na quinta-feira (1º) e passou a valer na sexta.
A campanha de Lula sustenta que a decisão, tomada na reta final do período eleitoral, pode ser relacionada à tese de interferência externa apresentada na ação. Os advogados associam o episódio a uma suposta articulação envolvendo Flávio Bolsonaro (PL), Eduardo Bolsonaro e autoridades do governo norte-americano. Essa relação é uma alegação da coligação e ainda depende da análise da Justiça Eleitoral.
O documento também menciona o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e cita uma carta enviada a ele pelos senadores norte-americanos Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch. Na correspondência, os parlamentares manifestaram preocupação com possíveis interferências do governo dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
A suspensão dos serviços diplomáticos ocorreu em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre possíveis ameaças contra instalações dos Estados Unidos no Brasil. A PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Águas Lindas, em Goiás, e apreendeu celulares e computadores para perícia.
Até o momento da divulgação das informações sobre a operação, a Polícia Federal informou não ter encontrado elementos que confirmassem os riscos inicialmente apontados nem vínculos dos investigados com organizações criminosas.
Na manifestação apresentada ao TSE, a campanha pede que os novos documentos sejam anexados ao processo e que os acontecimentos sejam considerados como desdobramentos dos fatos já discutidos na ação. Não há, nessa petição, decisão do tribunal reconhecendo interferência estrangeira no processo eleitoral.
Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Ricardo Stuckert
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