Aliados de Lula repercutem renúncia de presidente do Paraguai e comparam crise do Ueno Bank ao caso Master

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), provocou reações de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas redes sociais. Parlamentares brasileiros associaram a crise política no país vizinho ao colapso do Ueno Bank, fizeram críticas a governos de direita na América Latina e estabeleceram comparações com o escândalo do Banco Master, no Brasil.
Peña anunciou sua saída após perder apoio político em meio às denúncias de irregularidades envolvendo o banco paraguaio. A instituição, que atendia aproximadamente três milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central depois que foram identificados problemas em sua situação financeira.
O caso ganhou dimensão política porque Peña havia sido acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A instituição também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo depósitos relacionados à Previdência Social.
Entre os políticos brasileiros que repercutiram a renúncia está o deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ). Ele classificou a saída de Peña como mais uma derrota de aliados do presidente norte-americano Donald Trump na América Latina e criticou a relação entre interesses financeiros privados e governos.
A ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco também se manifestou. Ela prestou solidariedade aos paraguaios afetados pela crise bancária e questionou modelos econômicos que, em sua avaliação, favorecem grupos financeiros em prejuízo dos trabalhadores.
O deputado Alencar Santana (PT-SP) relacionou o episódio à atuação de governos de direita e mencionou os brasileiros que se mudaram para o Paraguai atraídos pelas condições econômicas do país.
Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) destacou a proximidade política de Santiago Peña com Donald Trump e com integrantes da família Bolsonaro. Para ela, a renúncia representa um revés para esse campo político na América do Sul.
A comparação com o Banco Master também entrou nas discussões. No Brasil, a instituição financeira de Daniel Vorcaro teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após problemas financeiros e irregularidades identificadas pelo órgão regulador.
Embora os dois episódios envolvam instituições financeiras submetidas à intervenção das autoridades e suspeitas de irregularidades, os processos têm características e desdobramentos distintos. No Paraguai, a crise atingiu diretamente a Presidência em razão dos vínculos empresariais anteriores de Peña com o grupo controlador do banco.
A renúncia do presidente paraguaio ainda depende de apreciação pelo Congresso. Após o anúncio, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura de um processo de impeachment. A definição sobre a saída definitiva e seus efeitos institucionais caberá ao Legislativo do país.
Peña não assumiu responsabilidade pelas irregularidades investigadas e afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade política e institucional do Paraguai.
Fonte: O Globo/CBN
Foto: Brenno Carvalho
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