STF vai decidir se haverá segundo turno para governador do Rio após vitória de Douglas Ruas

O PSD, partido de Eduardo Paes, tenta reverter no Supremo a decisão que garantiu a eleição de Douglas Ruas no primeiro turno. A disputa envolve a anulação de mais de 274 mil votos recebidos por Anthony Garotinho.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), é o relator da ação apresentada pelo PSD para questionar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que declarou Douglas Ruas (PL) eleito governador do Rio de Janeiro. O processo ainda aguarda uma definição sobre a possibilidade de realização de uma nova votação entre Ruas e Eduardo Paes (PSD).
A controvérsia começou após o TSE confirmar, em 8 de outubro, o indeferimento do registro de candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), que recebeu 274.411 votos no primeiro turno das eleições, realizado no dia 4.
Por cinco votos a dois, o tribunal determinou a anulação dos votos atribuídos a Garotinho e uma nova totalização do resultado. Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para garantir sua eleição sem a necessidade de segundo turno.
O PSD contesta esse entendimento na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.362. O partido argumenta que os votos recebidos por Garotinho, embora posteriormente anulados pela Justiça, deveriam permanecer na base de cálculo utilizada para definir a necessidade de uma segunda votação.
Segundo a legenda, retirar esses votos depois da eleição altera a proporção necessária para que um candidato alcance a maioria absoluta. O partido sustenta que a decisão compromete princípios como a soberania popular, a segurança jurídica e o direito ao voto.
Zanin solicitou manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR), da Advocacia-Geral da União (AGU) e do próprio TSE antes de analisar o pedido. O tribunal eleitoral encaminhou informações ao Supremo na terça-feira (27).
Na manifestação enviada ao STF, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, apontou dificuldades técnicas que impediam a realização do segundo turno para governador do Rio na data originalmente prevista, 25 de outubro, devido aos procedimentos de preparação, configuração e lacração das urnas eletrônicas.
Com a votação daquela data já encerrada, o PSD busca uma solução judicial que permita realizar uma nova disputa antes da diplomação ou da posse do próximo governador. A possibilidade de votação em dezembro está entre as alternativas mencionadas na ação.
Em uma tentativa anterior, Zanin havia rejeitado um pedido da campanha de Eduardo Paes para suspender os efeitos da decisão do TSE. Na ocasião, o ministro apontou questões processuais, sem decidir definitivamente o mérito da controvérsia.
Até o momento, permanece válida a decisão da Justiça Eleitoral que declarou Douglas Ruas eleito no primeiro turno. Uma eventual mudança dependerá de novo pronunciamento do Supremo.
Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução
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