Reta final da eleição tem corrida por voto útil e cenário inédito sem confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro

A reta final da eleição presidencial é marcada pela disputa por voto útil e pela ausência de um confronto direto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os dois chegarão ao primeiro turno sem terem participado juntos de um debate.
Nos últimos dias, Flávio intensificou o apelo aos eleitores que ainda apoiam candidaturas menores, enquanto a campanha de Lula concentra esforços também na redução da abstenção entre segmentos nos quais o presidente apresenta melhor desempenho.
Na pesquisa Quaest divulgada nesta semana, Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) somavam 12% das intenções de voto. Parte desse eleitorado passou a ser alvo da estratégia de Flávio para concentrar votos no campo antipetista.
O candidato do PL tem pedido publicamente que eleitores que consideram apoiá-lo apenas em um eventual segundo turno antecipem a escolha para domingo (4).
Para Lula, o espaço para atrair votos das demais candidaturas é considerado mais limitado. Análise publicada por O Globo destaca que os candidatos que aparecem abaixo dos dois primeiros colocados possuem maior distância política do petista.
A campanha de Lula também acompanha com atenção a possibilidade de abstenção. Eleitores de menor renda e pessoas mais velhas estão entre os grupos nos quais o presidente registra melhor desempenho e que historicamente apresentam índices relevantes de ausência nas urnas.
O comportamento do eleitorado em 2022 é uma das referências utilizadas nessa análise. Três dias antes do primeiro turno daquele ano, o Datafolha mostrava Lula com 50% dos votos válidos e Jair Bolsonaro com 36%.
Nas urnas, Lula terminou com 48,4%, enquanto Bolsonaro chegou a 43,2%. Os demais candidatos, que somavam 14% no levantamento, ficaram abaixo de 10% no resultado final.
A concentração de votos na reta final beneficiou principalmente Bolsonaro e levou a disputa para o segundo turno. O Globo aponta que movimentos de voto útil registrados em eleições presidenciais anteriores representaram, em diferentes momentos, dificuldades maiores para candidaturas petistas.
Outro componente desta eleição é a rejeição aos dois principais candidatos. Na Quaest divulgada na segunda-feira (28), 56% dos entrevistados disseram que não votariam em Flávio Bolsonaro, enquanto 54% afirmaram o mesmo sobre Lula.
A reta final terá ainda uma particularidade. Lula confirmou que não participará do debate da TV Globo nesta quinta-feira (1º), último encontro promovido pela emissora antes do primeiro turno. No mesmo horário, o presidente terá participação no Flow Podcast.
Flávio Bolsonaro estará no debate ao lado de Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. Os dois líderes das pesquisas também não participaram juntos dos debates anteriores realizados durante a campanha.
Segundo levantamento da reportagem, é inédita, em uma disputa presidencial tão equilibrada, a chegada ao primeiro turno sem que os dois primeiros colocados tenham se enfrentado diretamente em um debate.
Assim, os últimos dias antes da votação de domingo serão marcados pela tentativa de atrair eleitores das candidaturas menores, reduzir a abstenção e aproveitar os espaços finais de exposição da campanha.
Fonte: O Globo
Foto: Reprodução
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