PSOL aciona MP-SP após ataque transfóbico de deputada mais votada da Alesp contra Erika Hilton

A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) acionou o Ministério Público de São Paulo contra Eduarda Campopiano (PL) por uma publicação dirigida a Erika Hilton (PSOL), apontando possíveis crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero. Campopiano classificou a postagem como uma “manifestação provocativa”, e o caso ainda será analisado pelo MP.
A representação foi apresentada ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público paulista. Favero pede que a conduta seja investigada e que o órgão avalie eventual responsabilização da deputada estadual eleita.
A medida foi motivada por uma publicação feita por Campopiano no X após as eleições de domingo (4). Ao comparar sua votação para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com a obtida por Erika Hilton para a Câmara dos Deputados, ela se referiu à parlamentar, que é uma mulher trans, como “homem biológico”.
“Oi Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”, escreveu Campopiano.
Na representação, Sofia Favero sustenta que a declaração ultrapassa os limites de uma crítica política e utiliza a identidade de gênero de Erika Hilton como forma de ataque. O documento cita dispositivos relacionados à discriminação e à violência política de gênero.
Eduarda Campopiano, de 23 anos, foi a candidata mais votada para a Alesp nas eleições de domingo, com 1.956.238 votos. Sofia Favero também foi eleita deputada estadual, com 407.773 votos.
Erika Hilton foi reeleita deputada federal por São Paulo com 1.596.472 votos e tornou-se a mulher mais votada da história em uma eleição para a Câmara dos Deputados.
Após a repercussão da postagem, Campopiano afirmou que a manifestação ocorreu no contexto do debate político nas redes sociais. Sua assessoria informou que responderá pelos meios legais caso haja notificação formal.
Erika Hilton afirmou que não pretende responder diretamente à deputada eleita e indicou que Sofia Favero já está adotando as medidas que considera cabíveis.
A apresentação da representação não significa que o Ministério Público tenha reconhecido a prática dos crimes apontados. Caberá ao órgão analisar o pedido e decidir se existem elementos para abertura de investigação ou adoção de outras providências.
Fonte: O Globo
Foto: Reprodução
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