Os novos planos de lançamento de ‘Dark Horse’, o polêmico filme sobre Jair Bolsonaro

“Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, só deve chegar aos cinemas brasileiros em 2027. Apesar de já ter obtido um registro inicial na Agência Nacional do Cinema (Ancine), a produção ainda precisa concluir etapas para exploração comercial, passar pela classificação indicativa e ser dublada antes do lançamento no país.
A nova previsão foi apresentada pela Europa Filmes, responsável pela distribuição do longa no Brasil. Segundo o diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, o filme está finalizado, mas o processo necessário para colocá-lo comercialmente nas salas de cinema ainda não foi concluído.
“Dark Horse” já obteve o Registro de Obra Estrangeira (ROE) na Ancine. O documento, entretanto, funciona como uma etapa inicial e não representa autorização definitiva para exibição comercial.
A produção ainda precisa obter o Certificado de Registro de Título (CRT), também emitido pela Ancine, e passar pela classificação indicativa do Ministério da Justiça antes de chegar ao circuito brasileiro.
Outro fator que interfere no cronograma é a dublagem. O filme tem aproximadamente 1 hora e 40 minutos, diálogos em inglês e elenco predominantemente estrangeiro. A Europa Filmes pretende disponibilizar cópias dubladas em português para a exibição nacional.
Segundo a coluna de Malu Gaspar, de O Globo, um trailer destinado ao mercado brasileiro já foi editado e dublado, mas a previsão é de que ele seja divulgado somente depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
A estratégia busca afastar a produção da reta final da campanha eleitoral e reduzir o risco de questionamentos na Justiça Eleitoral. O filme retrata principalmente a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 e tem o ator norte-americano Jim Caviezel no papel do ex-presidente.
Além das questões comerciais e burocráticas, “Dark Horse” está no centro de investigações sobre seu financiamento.
Um relatório da Polícia Federal tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, revelou que o plano de negócios apresentado para o longa trabalhava com projeções consideradas elevadas pelos investigadores.
O documento previa três cenários para a arrecadação nas bilheterias: US$ 45 milhões no cenário pessimista, US$ 70 milhões no conservador e US$ 100 milhões no otimista.
A própria Polícia Federal comparou as projeções ao desempenho de “Minha Mãe é uma Peça 3”, que arrecadou aproximadamente R$ 120 milhões, equivalentes à época a cerca de US$ 30 milhões, e é apontado como o maior resultado de bilheteria do cinema nacional.
Na avaliação registrada pela PF, o cenário mais otimista projetado para “Dark Horse” superaria em mais de três vezes esse resultado. Os investigadores apontaram que o descompasso entre as projeções e os parâmetros do mercado justificava o aprofundamento da apuração sobre a viabilidade econômica e a destinação dos recursos. A avaliação, por si só, não representa constatação de crime.
Outro ponto analisado pelas investigações é a distribuição das despesas do filme. Uma perícia privada contratada pela própria Go Up Entertainment, produtora responsável pela obra, calculou um custo total de aproximadamente R$ 75 milhões.
Desse montante, cerca de R$ 54,2 milhões, correspondentes a 72% das despesas declaradas, teriam sido gastos nos Estados Unidos. Os outros R$ 20,9 milhões foram atribuídos à produção no Brasil.
Os gastos no exterior incluem desenvolvimento do projeto, pré-produção, filmagens e pós-produção. A documentação financeira das despesas realizadas nos Estados Unidos, contudo, tornou-se um dos pontos de interesse da Polícia Federal.
A produtora americana informou que não autorizaria a entrega de sua documentação contábil e bancária diretamente às autoridades brasileiras sem um procedimento formal de cooperação internacional ou determinação da Justiça dos Estados Unidos.
A perícia privada sustenta que os recursos analisados têm origem privada e afirma não ter identificado utilização de dinheiro público no material examinado. O laudo, porém, foi contratado pela própria produtora, limitou suas conclusões à documentação disponibilizada e não identificou individualmente todos os investidores responsáveis pelos aportes.
As investigações ganharam força depois da divulgação de conversas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sobre recursos destinados à produção.
Flávio já confirmou que participou da busca de financiamento privado para o filme e nega irregularidades ou qualquer contrapartida relacionada aos recursos. A Polícia Federal segue apurando a origem, o caminho e a destinação do dinheiro.
Com a estreia agora projetada para 2027, a Europa Filmes ainda não definiu uma data específica para o lançamento nacional.
Fonte: O Globo/Malu Gaspar
Foto: Foto: Marcelo Camargo | Reprodução
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