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Marília Arraes pressiona PT por candidatura ao governo de Pernambuco

Por André Luis
Marília quando esteve na Rádio Pajeú. Foto: André Luis/Arquivo do blog.

Do blog de Jamildo

Após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e um mês de prisão pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), a vereadora do Recife Marília Arraes (PT) continuará a pressionar o partido a lançá-la como candidata ao governo de Pernambuco. Em Serra Talhada, no Sertão do Estado, está marcado para este sábado (27) um encontro de lideranças que apoiam a sua pré-candidatura.

Em artigo enviado ao Blog de Jamildo, o presidente do PT de Paulista, Luciano Morais, apontou que o Partido dos Trabalhadores terá que fazer a “escolha de Sofia” “entre abdicar do seu potencial capital político-eleitoral para ceder às pressões pragmáticas de forças políticas partícipes do golpe”, em referência ao PSB que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), “ou se apresentar com a cara e a coragem dos seus quadros mais dispostos a afirmar uma agenda político-ideológica que não abdique dos lastros históricos originais do PT”.

Morais opina que a candidatura de Marília Arraes “preenche todos os requisitos necessários como resistência aos tempos difíceis que vivemos, bem como aponta para uma renovação partidária equilibrada”.

Nomes que também fazem coro a favor da vereadora, a deputada estadual Teresa Leitão (PT) e o ex-deputado Fernando Ferro marcarão presença no Ginásio Poliesportivo Egídio Torres, local do encontro, que está previsto para começar às 15h.

O prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), organiza o ato, que espera reunir também dirigentes e representantes de 70 diretórios municipais da legenda, além de líderes estudantis, de juventude e das principais entidades dos movimentos sociais do Estado, como MST, CUT e Fetape. Confirmaram a participação também mais de 35 vereadores do Partido dos Trabalhadores, prefeitos, ex-prefeitos e vice-prefeitos do partido.

Outras Notícias

19º Encontro de motociclistas é o Brasil dentro de Afogados

Evento de 2021 já tem as datas definidas para 21, 22, 23 e 24 de janeiro. Por André Luis Motociclistas das cinco regiões do Brasil marcaram presença no 19º Encontro de Motociclistas de Afogados da Ingazeira. Evento realizado pelo Moto Clube Dragões de Aço, com apoio do comércio local e da Prefeitura municipal. Norte, Nordeste, […]

Foto: Cláudio Gomes

Evento de 2021 já tem as datas definidas para 21, 22, 23 e 24 de janeiro.

Por André Luis

Motociclistas das cinco regiões do Brasil marcaram presença no 19º Encontro de Motociclistas de Afogados da Ingazeira. Evento realizado pelo Moto Clube Dragões de Aço, com apoio do comércio local e da Prefeitura municipal.

Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul conviveram em perfeita harmonia durante os quatro dias do evento, que teve início na quinta-feira (16), com o já tradicional Churrasco de Fil e show com Júnior Mendes, na sede dos Dragões de Aço.

Na sexta-feira (17), teve a recepção aos motociclistas às 09h, seguida de Som eletrônico. As 10h foi o início das inscrições e entrega dos troféus. A noite foi aberta com muito com rock nacional e MPB. No Palco, Ney Gomes e Banda. A noite de sexta ainda teve muito rock nacional e internacional com as bandas Reborn e Vitruvian.

No sábado a programação seguiu com recepção aos motociclistas, som eletrônico, início das inscrições e entrega dos troféus. Tudo na parte da manhã. A partir das 12h foi a vez do samba dos Amigos do Samba entrar em ação para animar o almoço dos participantes no Hotel Brotas.

A música gospel da banda Discipuluz abriu a noite do evento – hora de louvar e agradecer a Deus. Depois muito rock nacional e internacional com as bandas Magnóllya e Blackbird. Fechou a noite de sábado a cantora Vanessa Andrade que cantou de tudo um pouco. Veja abaixo mais algumas fotos do fotografo e parceiro, Cláudio Gomes. ( Clique na foto para ampliar).

Na manhã de domingo os motociclistas se reuniram para tomar café da manhã e logo depois às 13h churrasco de despedida e convite para 2021, ambos na sede dos Dragões de Aço. Ainda teve muito som eletrônico.

Segundo informações da organização, foram 205 Moto Clubes inscritos. Celso Brandão, um dos organizadores do evento, explicou que ao menos 60 deixaram de se inscrever “ou por que não querem, ou ainda acreditando que a inscrição seria paga, já que é prática atualmente na grande maioria dos eventos”, e completou: “mas aqui não cobramos a inscrição”.

Brandão ainda informou que em média, 1.800 motociclistas de fora participaram do evento. Sendo que o motociclista que mais rodou veio de Rio Branco, no Acre, rodando 4.373 km.

O local escolhido para a realização do evento deste ano – uma parte do Anel Viário que fica em frente ao Campo do Nascente, foi aprovado por todos. Motociclistas e pessoas em geral. “Até o Prefeito José Patriota ficou impressionado como o local casou com o evento”, informou Celso, que aproveitou ainda para anunciar que o 20º Encontro de Motociclistas em 2021, já tem as datas definidas para 21,022,23 e 24 de janeiro.

Eleição da Câmara une Evandro e Zé Marcos em São José do Egito

Anchieta Santos Quando parecia que já tínhamos visto de tudo em eleição de Câmara de Vereadores, eis que surge São Jose do Egito com seus três candidatos a Presidência e os fatos curiosos. Depois do governista Rogaciano Jorge (PSB), oficializado logo no primeiro dia de registro, eis que ontem foram confirmados os nomes dos vereadores […]

Zé Marcos e Evandro Valadares

Anchieta Santos

Quando parecia que já tínhamos visto de tudo em eleição de Câmara de Vereadores, eis que surge São Jose do Egito com seus três candidatos a Presidência e os fatos curiosos.

Depois do governista Rogaciano Jorge (PSB), oficializado logo no primeiro dia de registro, eis que ontem foram confirmados os nomes dos vereadores Rona Leite(PT) e David de Deus (PR).

Os comentários nos bastidores da política egipciense são os mais diversos, inclusive dando conta de que David de Deus tem a simpatia de Jose Marcos de Lima (PR) e do Prefeito Evandro Valadares (PSB).

Ao mesmo tempo o socialista Rogaciano Jorge que compôs com a oposição tinha inclusive a desconfiança do seu colega de chapa Albérico Thiago que o citava como preferido do Prefeito Evandro. Vá entender…

Marta Suplicy deixa Ministério da Cultura

A saída Marta Suplicy do Ministério da Cultura precipitou em uma semana o processo coletivo de saída do ministros do Governo Dilma. A exoneração coletivas dos ministros séria na próxima terça (18), quando eles entregariam os seus pedidos de demissão. Hoje, no entanto, a assessoria da Casa da Civil telefonou para os chefes dos ministérios […]

Marta-Suplicy

A saída Marta Suplicy do Ministério da Cultura precipitou em uma semana o processo coletivo de saída do ministros do Governo Dilma. A exoneração coletivas dos ministros séria na próxima terça (18), quando eles entregariam os seus pedidos de demissão.

Hoje, no entanto, a assessoria da Casa da Civil telefonou para os chefes dos ministérios para entregarem os seus cargos já. Segundo a Folha de São Paulo, essa é uma tentativa de neutralizar o impacto da renúncia da ministra da Cultura.

Leia carta na integra:

“Agradeço a honra a mim concedida com o convite para ser Ministra de Estado da Cultura do Brasil nos últimos dois anos de seu governo. Encerro hoje a presente etapa com minha missão cumprida, razão pela qual apresento meu pedido de demissão.

Ao lado de minha valorosa equipe, à qual sou muito grata, tivemos a possibilidade de construir caminhos e encaminhar soluções para nossas sete importantes instituições e fundações coligadas, assim como também pudemos apresentar um país diferente no exterior.

Em meio a inúmeras demandas e carências orçamentárias do Ministério da Cultura, focamos nosso trabalho em valores que nos são preciosos: inclusão da população na produção de cultura e ampliação do acesso aos bens culturais.

Para que o legado de Vossa Excelência viesse a ser sólido, nos dedicamos a viabilizar a aprovação, com êxito, de um conjunto de leis por anos pendentes no Congresso, que possibilitaram criar a coluna vertebral de políticas de Estado da Cultura.

Em dois anos aprovamos o Sistema Nacional de Cultura, o Vale-Cultura, a Lei da Cultura Viva, o Marco Civil da Internet, a Lei de fiscalização do Ecad, a PEC da Música, além de ter enviado à Casa Civil, onde aguardam encaminhamento, o Direito Autoral e a Lei da Meia Entrada.

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Por esta oportunidade de servir nosso país nesta função tão especial, de conhecer melhor e conviver com o povo da cultura, estar mais próxima de nossos artistas e raízes profundas, lhe sou grata.

Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país. Isto é o que hoje o Brasil, ansiosamente, aguarda e espera.

Volto para o Senado Federal para representar o Estado de São Paulo, por mais quatro anos, com muito vigor, energia e com o firme propósito de fazê-lo com amplitude, seriedade e grandeza. Na condução do Ministério da Cultura, e como Senadora licenciada pelo PT, não me apequenei, o fiz com coragem e determinação. Não fugi à responsabilidade de meu compromisso público ao me posicionar e ter feito o que acreditava ser o melhor para o Brasil e para o povo brasileiro.”

TSE acata pedido do PL e veda manifestação política no Lollapalooza

Agência Brasil O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Raul Araújo acolheu um pedido do PL e determinou que o festival Lollapalooza vede a realização de manifestações que podem ser classificadas como político-eleitorais por parte dos artistas que se apresentarem no evento, que termina hoje (27). A decisão do ministro é monocrática e foi tomada […]

Agência Brasil

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Raul Araújo acolheu um pedido do PL e determinou que o festival Lollapalooza vede a realização de manifestações que podem ser classificadas como político-eleitorais por parte dos artistas que se apresentarem no evento, que termina hoje (27).

A decisão do ministro é monocrática e foi tomada após o PL ter acionado a Corte, em razão de manifestações dos artistas Pablo Vittar e Marina, na sexta-feira (25).

O partido argumentou que durante as apresentações, os artistas se manifestaram a favor do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, filiado ao PL. Para os advogados do partido, as manifestações configurariam propaganda eleitoral antecipada, o que não é permitido por lei.

Na determinação de ontem (26), o ministro justificou a decisão com o argumento de que esse tipo de propaganda “pode voltar a ser deflagrada”, já que a programação do Lollapalooza começa ao meio dia de hoje e termina após as 23h

“Defiro parcialmente o pedido de tutela antecipada formulada na exordial da representação, no sentido de prestigiar a proibição legal, vedando a realização ou manifestação de propaganda eleitoral ostensiva e extemporânea em favor de qualquer candidato ou partido político por parte dos músicos e grupos musicais que se apresentem no festival”, escreveu Araújo.

O ministro estipulou ainda multa de R$ 50 mil para o festival para cada vez que a proibição for desobedecida, “até ulterior deliberação”, da Corte.

Programa nuclear brasileiro: “pau que nasce torto, morre torto”!

Por Heitor Scalambrini Costa* e Zoraide Vilasboas** Diante do momento atual – em que se discute a retomada da construção de Angra 3 (paralisada há quase 40 anos), abrindo a porteira para um amplo programa de instalação de mais usinas, constante do Plano Nacional de Energia- PNE 2050 – é muito importante conhecer o histórico […]

Por Heitor Scalambrini Costa* e Zoraide Vilasboas**

Diante do momento atual – em que se discute a retomada da construção de Angra 3 (paralisada há quase 40 anos), abrindo a porteira para um amplo programa de instalação de mais usinas, constante do Plano Nacional de Energia- PNE 2050 – é muito importante conhecer o histórico da política nacional de energia nuclear desde o nascimento, e até sua repercussão nos dias atuais. O ditado popular “pau que nasce torto, morre torto” tem tudo a ver com este percurso.

Os primeiros registros de atividades envolvendo fissão nuclear em território nacional, promovidas pelos militares, datam da década de 1930. Em consequência, na década de 1950 criou-se o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), com especial interesse, nas pesquisas sobre o átomo, tanto para a produção de energia elétrica como para fabricar bombas, preocupação geopolítica vigente no início da Guerra Fria. 

ACORDOS INCONVENIENTES

Vários estudos e publicações disponíveis apontam problemas associados à questão atômica desde a criação do CNPq, em 1951 (lei sancionada pelo presidente Eurico Gaspar Dutra). Na época, disputas acabaram resultando na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias sobre acordos internacionais de exportação de materiais estratégicos para os Estados Unidos da América. Na CPI, foi discutida a ingerência norte-americana na política brasileira com a anuência de autoridades nacionais, envolvidas nas transações, nada transparentes, da atividade nuclear.

Diante destes fatos, o presidente da República, Juscelino Kubitschek (JK) constituiu uma Comissão Especial para elaborar as Diretrizes Governamentais para a Política Nacional de Energia Nuclear, cuja principal recomendação foi a criação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Nascida por decreto do executivo em 1956, dentro da estrutura do CNPq, sua regulamentação definitiva pelo Congresso Nacional só ocorreu 6 anos depois, quando foi convertida em autarquia federal pela lei 4.118 de 27/08/1962. Incompreensível – dada a importância do assunto – que essa regulamentação da CNEN demorasse tanto tempo.

As divergências, os conflitos, a disputa interna no CNPq entre autonomistas (nacionalistas) e não nacionalistas (pró norte-americanos) definiram os próximos passos da política nuclear brasileira. Com a promessa desenvolvimentista –  sintetizada no slogan “50 anos em 5” – em seu Programa de Metas, JK apontou a necessidade de realização de estudos sobre o projeto nuclear brasileiro, e mesmo a instalação de uma usina nuclear de 10 MW. No plano externo, alinhou-se à política norte-americana no contexto da Guerra Fria.

Estudos recentes abordados no artigo científico “Who’s to blame for the brazilian nuclear program never coming of age?” (“De quem é a culpa pelo programa nuclear brasileiro nunca ter atingido a maioridade?”), publicado em 15 fevereiro de 2025 pela revista científica Science and Public Policy, vinculada à Universidade Oxford, (Reino Unido), o professor da UFMG Dawisson Belém Lopes e o doutor em Ciência Política João Paulo Nicolini Gabriel, revelaram corrupção, interesses escusos, o papel negativo e os equívocos estratégicos adotadas pelo regime militar (1964-1985) na implantação da indústria nuclear no Brasil.

As revelações dos autores, reforçada por ampla análise documental e entrevistas, são contundentes em demonstrar a visão dos militares e de sua nucleocracia (grupo de burocratas escolhidos pela ditadura para comandar o programa brasileiro) na escolha das estratégias que possibilitaram dominar o ciclo do combustível nuclear, em particular do enriquecimento do urânio.

DECISÕES ERRÁTICAS

Para estabelecer uma indústria nuclear nacional durante a ditadura, a estratégia adotada seria reduzir a dependência da tutela tecnológica norte-americana, além de pular etapas em relação à absorção da tecnologia. Assim,  há 50 anos, durante a gestão do general Ernesto Geisel, celebrou-se o acordo Brasil-Alemanha (1975),  que reforçou a dependência à outra nação estrangeira, a Alemanha Ocidental.

O acordo previa a instalação de 8 usinas nucleares no país e a transferência de tecnologia relativa ao ciclo do combustível. Deste acordo, só Angra 2 foi construída. A obra começou em 1981, e a usina começou a operar em 2001.

Angra 1, que antecedeu Angra 2, foi comprada em 1972 da empresa norte-americana Westinghouse, num modelo conhecido como “turn key” (chave na mão), sem transferência de tecnologia, nem troca de conhecimento. Inaugurada em 1985, desde então, Angra 1 –  logo apelidada de “vagalume”, pelas frequentes interrupções –  tem apresentado vários problemas operacionais. 

Um dos principais motivos apontados para o fracasso do acordo nuclear com a Alemanha é o fato da elite tecnocrática, no período da ditadura, priorizar o desenvolvimento rápido, em detrimento do fomento à pesquisa nacional, marginalizando, negligenciando a academia, seus pesquisadores e a indústria nacional. A colaboração insuficiente entre o governo ditatorial e parcelas importantes da sociedade brasileira, que poderiam contribuir com o projeto nacional, dificultou e inviabilizou o florescimento de um setor nuclear autossuficiente.

Acidentes em usinas nucleares em Chernobyl/Ucrânia (1986) e em Fukushima/Japão (2011) revelaram ao mundo que estas fábricas de produção de energia elétrica não são tão seguras, como querem nos fazer crer os nucleopatas.Tais acidentes desencorajaram a instalação de novas usinas no mundo, e muitos países chegaram a interromper projetos e mesmo banir esta tecnologia.

INSEGURANÇA NUCLEAR

Atualmente, os negócios nucleares tentam mostrar, equivocadamente, a necessidade de novas instalações, como solução para o aquecimento global e para atender a demanda crescente por energia elétrica. Verifica-se que financiadores de “think tanks” (instituições que se dedicam a produzir conhecimento, e – cuja principal função é influenciar a tomada de decisão nas esferas pública e privada -) e lobistas estão muito ativos e atuantes, abusando da desinformação. A falta de transparência é a arma potente dos negócios nucleares.

O setor nuclear brasileiro tem em sua trajetória um passado nebuloso, repleto de episódios controversos. Entre eles, destacamos: o secretismo do Programa Nuclear Paralelo/Clandestino; a corrupção no Acordo Nuclear Brasil Alemanha, que originou uma CPI; o contrabando e exportação de areias monazíticas do litoral capixaba/baiano/fluminense; a cabulosa venda de urânio para o Iraque; a irresponsabilidade e o déficit de competência técnico-gerencial; o recebimento de propinas milionárias por gestores do setor e a falta de controle social; o legado de morte e contaminação, deixado pela Nuclemon (antiga estatal) na extração de minerais radioativos e de terras raras; a tragédia do Césio-137, em Goiânia; o enorme passivo ambiental da mineração de urânio, no Planalto de Poços de Caldas/MG e em Caetité/BA; a insegurança em radioproteção, acarretando roubos e sumiços de radiofármacos e de fontes radioativas, com a omissão de informações cruciais para a população sobre graves ocorrências, como vazamentos de água radioativa das usinas nucleares, em Angra dos Reis/RJ. 

Esses e outros episódios aprofundaram perante a opinião pública o crescente descrédito sobre o desempenho da indústria nuclear, e de seus gestores, privilegiados com supersalários. Mais recentemente, o desgaste da Eletronuclear (responsável pelas usinas) ficou bem evidenciado, diante de uma crise financeira com uma política de demissões em massa, que acabou levando a uma greve, por tempo indeterminado, dos trabalhadores das usinas e da parte administrativa.

Planejamento errático, estratégias equivocadas, incompetência técnico-operacional, falta de transparência e de controle social, completa ausência de interlocução com a comunidade acadêmica, com o empresariado e com a sociedade foram os maiores problemas que levaram ao fiasco do Programa Nuclear Brasileiro. As lições nos mostraram que, neste caso “pau que nasce torto, morre torto”.

Erros do passado seguem sem aparecer uma luz no fim do túnel, como a herança maldita de mais de 20 bilhões de reais já consumidos em Angra 3, obra iniciada em 1986, que necessita praticamente do mesmo valor para ser concluída. Usina repudiada pela população brasileira é contra indicada por especialistas e técnicos do próprio governo Lula, num embate infindável com os lobistas nucleares acomodados em ministérios estratégicos e no Congresso Nacional.   

Não há hoje a mínima adesão da sociedade brasileira para que o Brasil promova a nuclearização de seu território com mais usinas nucleares, desnecessárias para garantir a segurança energética. Mesmo o “pequeno reator” atômico apresentado como alternativa às grandes usinas, deve ser repelido pelos riscos que representa para a vida humana e da natureza. A energia nuclear não é um bom negócio, nem econômico, nem ambiental e nem social. E as mudanças climáticas em curso, só aumentarão os riscos de graves acidentes, como alertam especialistas nucleares.

Acreditar em um mundo/Brasil desnuclearizado, sem armas de destruição em massa, sem usinas nucleares é acreditar em um amanhã melhor, de paz, e de progresso da civilização humana!

* Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix, associado ao Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de Energia Atômica (CEA)-França.

 **Ativista socioambiental do Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça, Cidadania e integrante da Articulação Antinuclear Brasileira.