Luciano Duque debate impactos do El Niño na Alepe; 75 municípios de Pernambuco estão em emergência hídrica

Pernambuco tem 75 municípios em situação de emergência hídrica e poderá enfrentar um agravamento da estiagem nos próximos meses. O cenário foi apresentado nesta terça-feira (27), durante audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária e Política Rural da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), presidida pelo deputado Luciano Duque. O encontro discutiu os impactos do El Niño no abastecimento de água e na produção agropecuária do estado.
O número de municípios afetados foi apresentado por Josimar Fernandes, representante da Secretaria Estadual de Agricultura, que alertou para os riscos de perdas nas lavouras e de comprometimento da produção de grãos, especialmente no Sertão e no Agreste.
Durante a audiência, Clênio Torres, da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), afirmou que o El Niño já está instalado e poderá alcançar intensidade forte a muito forte até o final de 2026, com efeitos que podem se prolongar até meados de 2027.
“Chegaremos ao final do ano com esse fenômeno com uma magnitude extremamente elevada. Os efeitos que foram colocados aqui irão acontecer, não resta dúvida”, declarou o representante da Apac.
A perspectiva de redução das chuvas preocupa setores importantes da economia rural pernambucana, como a pecuária leiteira, a avicultura, a bovinocultura e a criação de pequenos animais. O deputado Luciano Duque defendeu que o poder público antecipe medidas para reduzir os prejuízos aos produtores.
“Se não começarmos a planejar agora ações para enfrentar esse período de grande estiagem, os prejuízos serão enormes. Precisamos pensar nas necessidades de hoje, mas também construir políticas permanentes para o futuro”, afirmou.
O diretor de Pesquisa do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), Henrique Castelletti, chamou atenção para a necessidade de substituir respostas exclusivamente emergenciais por investimentos contínuos em infraestrutura e assistência técnica.
“A seca não pode ser novidade, e ela não é mesmo. O fenômeno é natural, cíclico e recorrente, mas a gente não pode estar o tempo inteiro tendo soluções imediatas. Precisamos de soluções que permaneçam”, disse.
Entre as alternativas apresentadas pelo IPA estão a construção de barragens subterrâneas, a perfuração de poços, a instalação de dessalinizadores e a adoção de práticas de conservação da água e do solo. A instituição também defendeu a ampliação das reservas de alimentação animal, com utilização de silagem e palma forrageira, para reduzir os impactos sobre a pecuária.
Na área de abastecimento, Marcelo Asfora, representante da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, afirmou que Pernambuco dispõe atualmente de uma infraestrutura mais ampla do que em períodos anteriores de estiagem, mas reconheceu que ainda existem limitações.
Ele mencionou a situação da Barragem de Jucazinho, que enfrenta dificuldades desde 2011, e destacou investimentos em andamento pelo governo estadual. Segundo Asfora, as intervenções para ampliar a segurança hídrica exigem tempo e não eliminam a necessidade de alternativas de abastecimento.
A Operação Carro-Pipa também esteve entre os assuntos discutidos. O coronel Helder Guimarães, representante do Exército Brasileiro, informou que a instituição acompanha as condições climáticas e se prepara para prestar apoio à Defesa Civil nos municípios que necessitarem de atendimento emergencial.
Já o representante do Banco do Nordeste, Neydson Ferreira Moura, abordou as possibilidades de assistência financeira aos produtores afetados pela estiagem. Segundo ele, determinadas medidas de apoio dependem de decretos e providências do governo federal.
Ao final da audiência, Luciano Duque anunciou a proposta de criação de uma frente parlamentar permanente para acompanhar a situação hídrica em Pernambuco. A intenção é reunir representantes do Legislativo, dos governos estadual e federal, dos municípios e dos setores produtivos para monitorar medidas emergenciais e investimentos de longo prazo.
A reunião contou ainda com a participação de representantes do Comitê do Rio São Francisco, da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), além de prefeitos, vereadores e secretários municipais do Sertão e do Agreste.
Fonte: Assessoria do deputado Luciano Duque.
Foto: Reprodução
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