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Lembrança e esquecimento: o dever de lembrar do 8 de janeiro de 2023

Por André Luis

Por Augusto César Acioly Paz Silva*

Lembrança e esquecimento, são partes integrantes da condição humana, que tem os seus usos históricos, políticos, sociais e culturais. A História, como forma de conhecimento e aprendizagem humana, tem papel fundamental na reflexão à respeito destas duas dimensões. Por isto, tal conhecimento e os profissionais da História, possuem um compromisso ético em problematizar quais os motivos que faz com que determinada sociedade lembre e esqueça dos seus eventos e problemas.

Há um ano atrás, num domingo, a menos de uma semana após a posse do presidente que foi eleito de maneira livre e democrática, vários partidários do candidato derrotado nas urnas, aderiram numa tentativa de tomar o poder, dentro de todo um cenário simbólico que se materializou na invasão das sedes dos poderes da República: o Congresso, o Palácio do Planalto e o STF, identificados como espaços, que uma vez ocupados seriam centros irradiadores para à adesão de diversos segmentos na deposição do governo constituído a partir da eleição de 2022.

A justificativa dos extremistas de Direita foi sendo construída e aprofundada ao longo dos quatro anos da Gestão presidencial de Jair Bolsonaro, numa estratégia política de tensionamento aos poderes constituídos, operando dentro da lógica de construção do Caos, realidade muito bem analisada pelo cientista político italiano Giuliano da Empoli, no seu importante livro “Os Engenheiros do Caos: Como as Fake News, as Teorias da Conspiração e os Algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar eleições”. Nos últimos anos, a internet através das diversas redes sociais, foram utilizadas para disseminar todos os tipos de absurdos, que procuraram construir lógicas, sem base na realidade concreta. 

Dentre estas construções, antigos discursos, que defendiam “a verdadeira democracia”, foram recuperados na perspectiva de que o sistema democrático em que vivemos, não era mais válido e precisávamos superá-los, muitas vezes, estruturando discursos de defesa de uma suposta “liberdade de Expressão”, usada pelos bolsonaristas para justificar a licença de cometer toda sorte de crimes e de falta de respeito ao que estava estabelecido na constituição e, nos Direitos, que foram sendo construídos, ao longo do processo de mobilização e luta pelo alargamento dos Direitos, de diversas populações que, não foram ao longo dos séculos respeitados.

A Democracia é um aprendizado e, nós enquanto, sociedade temos o dever de lutar de maneira intransigente pela sua defesa e manutenção. Como aprendizado não podemos relativizar a defesa de princípios que ordenam este sistema, por isto, diferente das versões que foram sendo estabelecidas desde o dia 08/01/2023, não é possível encarar este evento como se não fosse uma tentativa de Golpe, não podemos ser lenientes com aqueles que orquestraram, sejam os autores intelectuais, financiadores ou as pessoas tomaram parte na invasão e destruição do patrimônio dos poderes, sejam aquelas que aderiram por convicção ou dinheiro.

Não podemos diminuir a gravidade do que aconteceu e lembrá-lo, é dever de todo cidadão que tem compromisso com a Democracia, pois esta é a única fórmula política possível de se viver. Historicamente, enquanto sociedade, em vários momentos, devido a uma Cultura Política assentada numa dimensão autoritária, convivemos com diversas formas de autoritarismos, que se efetivaram em regimes de exceção, como a Ditadura do Estado Novo (1937-45) e o Golpe Civil Militar de 1964. A arquitetura de Golpes, sempre se apresentaram como solução pelos segmentos mais conservadores, na tentativa de barrar conquistas, ou mesmo, consolidar em vários momentos do nosso processo histórico, o aprofundamento de experiências democráticas.

Por tais questões, não é possível diminuir as ações que se efetivaram com o 08 de janeiro de 2023, não podemos tratar tal ação como algo “menor”, porque não se efetivou como pretendiam os seus articuladores, as pessoas têm que continuar a ser efetivamente punidas, seguindo óbvio todo o processo devido legal e o respeito aos seus Direitos. Pensar e lembrar tal evento, deve se constituir, numa experiência de consolidação e defesa da Democracia em nossa sociedade como um valor permanente. Dito isto, todos nós temos o dever de lembrar do 08 de janeiro de 2023, para que eventos que questionem, ou coloquem em risco, os valores democráticos sejam combatidos e repudiados e cada vez mais, a Democracia seja respeitada e internalizada pelos indivíduos que vivem na sociedade brasileira.

*(Doutor em História, professor da AESA-CESA, do ProfHistória e PGH UFRPE)

Outras Notícias

PT, PCdoB e PV anunciam apoio à reeleição de Hugo Motta na presidência da Câmara

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciou apoio à reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi comunicada nessa terça-feira (27), dois dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e integra uma articulação entre partidos de […]

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciou apoio à reeleição do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. A decisão foi comunicada nessa terça-feira (27), dois dias após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e integra uma articulação entre partidos de esquerda e de centro para a próxima legislatura.

Com a adesão das três siglas, Motta passa a contar com o apoio declarado de 15 partidos, que somarão 354 deputados federais a partir de 2027. Para conquistar a presidência da Câmara, será necessário obter pelo menos 257 votos, maioria absoluta dos 513 parlamentares. A eleição está prevista para fevereiro do próximo ano.

Além de PT, PCdoB e PV, integram o grupo de apoio União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD, Republicanos, PDT e PSB.

Segundo o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), a decisão busca construir uma base parlamentar capaz de garantir a governabilidade durante o quarto mandato de Lula e permitir o avanço de propostas defendidas pela federação.

“Essa composição é estratégica para os próximos quatro anos”, afirmou Uczai, ao destacar a necessidade de articulação entre o governo e os partidos que integram o bloco.

A movimentação também tem como objetivo dificultar uma eventual candidatura do Partido Liberal (PL) à presidência da Câmara. A legenda de Flávio Bolsonaro elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura.

A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), afirmou que uma das prioridades da articulação é impedir que o PL conquiste o comando da Câmara ou do Senado.

Segundo a parlamentar, a aproximação com partidos de centro faz parte de uma estratégia para garantir a estabilidade institucional e a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelas legendas.

A formação do bloco também terá consequências na distribuição dos cargos da Mesa Diretora e no comando das comissões permanentes. Pelo Regimento Interno da Câmara, o tamanho das bancadas e dos blocos partidários influencia a ordem de escolha dessas posições.

Caso permaneça fora da articulação, o PL poderá perder espaço na definição dos postos mais disputados. A legenda deverá discutir sua posição em uma reunião da bancada prevista para a próxima semana.

Embora o conjunto dos partidos que declararam apoio a Motta reúna deputados em número superior ao necessário para sua reeleição, o resultado ainda dependerá da votação entre os parlamentares em fevereiro.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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Alunos da EREM Rosete, em Iguaracy, denunciam calor nas salas e ameaçam paralisação a partir de 3 de novembro

O Grêmio Estudantil da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Rosete Bezerra de Souza, em Iguaracy, divulgou uma carta aberta cobrando providências para melhorar as condições das salas de aula. Os estudantes relatam dificuldades provocadas pelas altas temperaturas e anunciam uma possível paralisação das atividades presenciais a partir de 3 de novembro, caso não […]

O Grêmio Estudantil da Escola de Referência em Ensino Médio Professora Rosete Bezerra de Souza, em Iguaracy, divulgou uma carta aberta cobrando providências para melhorar as condições das salas de aula. Os estudantes relatam dificuldades provocadas pelas altas temperaturas e anunciam uma possível paralisação das atividades presenciais a partir de 3 de novembro, caso não sejam apresentadas soluções.

No documento, dirigido à comunidade escolar e à Gerência Regional de Educação (GRE) do Sertão do Alto Pajeú, o grêmio afirma que o calor tem prejudicado estudantes e professores, principalmente durante o período da tarde.

Segundo os representantes estudantis, as temperaturas elevadas comprometem a concentração, a disposição e as condições necessárias ao desenvolvimento das atividades escolares.

A carta informa que a unidade possui aparelhos de ar-condicionado instalados, mas os equipamentos ainda não podem ser utilizados devido à ausência de forro de PVC em algumas salas e às condições da estrutura elétrica.

Outro problema apontado é a reforma pela qual a escola está passando. De acordo com o grêmio, parte das janelas permanece parcial ou totalmente coberta por tapumes, dificultando a circulação de ar e aumentando a sensação de calor dentro das salas.

Os estudantes ressaltam que a manifestação não busca responsabilizar a direção ou os profissionais da escola. O documento reconhece que determinadas decisões e autorizações dependem de instâncias superiores à gestão da unidade.

Cobrança à GRE

Na carta, o Grêmio Estudantil O Recomeço informa que já encaminhou a reivindicação à Gerência Regional de Educação do Sertão do Alto Pajeú, mas afirma que não recebeu resposta até a divulgação do documento.

Diante da situação, os estudantes cobram um posicionamento da GRE e a apresentação de medidas concretas para melhorar as condições das salas.

Entre as alternativas defendidas estão a viabilização do funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado e, enquanto o problema não for resolvido, a adoção de medidas provisórias, como a redução da carga horária.

O grêmio também informou que, caso não haja resposta e encaminhamentos efetivos, os estudantes pretendem iniciar uma paralisação das atividades presenciais na próxima terça-feira, 3 de novembro.

A mobilização é apresentada como uma medida para reivindicar condições adequadas de ensino e aprendizagem. Os representantes estudantis afirmam que continuam abertos ao diálogo para evitar a interrupção das aulas.

Foto: Reprodução

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Após escala no Equador, avião com Flávio Bolsonaro decola para Miami; chegada está prevista para as 10h40

O avião que transporta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família decolou do Equador em direção a Miami, nos Estados Unidos, às 6h22 desta quarta-feira (28), no horário de Brasília. Segundo informações divulgadas pelo G1, a previsão é de que a aeronave chegue ao aeroporto Opa-locka Executive por volta das 10h40. A aeronave, identificada […]

O avião que transporta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família decolou do Equador em direção a Miami, nos Estados Unidos, às 6h22 desta quarta-feira (28), no horário de Brasília. Segundo informações divulgadas pelo G1, a previsão é de que a aeronave chegue ao aeroporto Opa-locka Executive por volta das 10h40.

A aeronave, identificada pela matrícula LV-JQW, havia pousado às 5h46 em Guayaquil, no Equador, para uma breve escala. O trajeto começou na Argentina e passou pelo espaço aéreo do Paraguai, da Bolívia e do Peru, sem sobrevoar o território brasileiro.

Flávio deixou o Brasil acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza. A passagem da família pela Argentina foi confirmada oficialmente pela Direção Nacional de Migrações do país.

De acordo com o órgão, o grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Puerto Iguazú, na Argentina, às 22h50 de terça-feira (27).

As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos válidos e não encontraram impedimentos para a entrada no país. Cerca de 40 minutos depois, a família embarcou em um voo particular operado pela empresa Baires Fly, com destino ao Equador.

A confirmação do trajeto contraria informações divulgadas por aliados de Flávio ao longo de terça-feira, quando afirmaram que o senador já havia chegado aos Estados Unidos. Os registros oficiais indicam que ele ainda estava na Argentina naquela noite.

Segundo a reportagem, uma fonte de alto escalão do Departamento de Estado americano informou, na terça-feira, que o governo de Donald Trump concederia vistos ao senador e à família.

Fonte: Diário de Pernambuco
Foto: Mauro Pimentel/ Reprodução TV Globo

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Aliados mentiram sobre Flávio para enganar autoridades. Senador ficou até 22h50 no Brasil

Agora, a suspeita é de que aliados enganaram imprensa e autoridades ao dizer que não sabiam de seu paradeiro. Flávio só saiu da mansão em Brasília por volta das 19h de terça-feira (27), em um comboio. Flávio entrou no país às 22h50, cruzando a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu. Às 23h30, embarcou […]

Agora, a suspeita é de que aliados enganaram imprensa e autoridades ao dizer que não sabiam de seu paradeiro.

Flávio só saiu da mansão em Brasília por volta das 19h de terça-feira (27), em um comboio. Flávio entrou no país às 22h50, cruzando a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu. Às 23h30, embarcou em um voo privado da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador. Já pousou lá.

O empresário Simón Levy, que se apresenta como aliado de Donald Trump afirmou que Flávio já estava nos EUA e atribuiu a articulação ao secretário de Estado Marco Rubio. Chamou a movimentação de “Operação Alba”. Era mentira pra desviar as atenções.

No Brasil, Rogério Marinho e aliados diziam não saber onde Flávio estava. “Vocês devem saber mais que a gente”, disse Marinho de forma irônica aos jornalistas.

A suspeita é de que tudo fez parte de um grande plano para driblar as atenções da imprensa enquanto Flávio armava a fuga. Agora, a apuração deve buscar saber quem o ajudou entre políticos do PL, aliados e até possivelmente agentes federais e de fronteira.

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Apoio a Flávio Bolsonaro já é explorado por adversários de Trump em meio às eleiçoes nos EUA

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump virou mais um ativo para os Democratas, favoritos a terem maioria do controle da Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro. A desaprovação do presidente dos Estados Unidos atingiu níveis recordes […]

A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos sob a proteção de Donald Trump virou mais um ativo para os Democratas, favoritos a terem maioria do controle da Câmara dos Representantes e no Senado nas eleições de meio de mandato em 3 de novembro.

A desaprovação do presidente dos Estados Unidos atingiu níveis recordes negativos, variando entre 65% e 68%. A insatisfação com sua gestão e índices econômicos é motivo de guinada na votação. Trump corre sério risco de perder o controle das duas casas e não ter os mesmos poderes quase monárquico de hoje.

E a decisão de abrigar Flávio Bolsonaro já é explorada. O deputado democrata norte-americano Joaquin Castro disse ontem que “perder uma eleição não é motivo para asilo”. Ele também declarou que Flávio Bolsonaro é investigado no Brasil por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e questionou se o governo Trump teria ajudado o senador a deixar o país em desacordo com a legislação brasileira.

Na opinião pública americana, esse pode ser mais um episódio que denuncia a conduta de Trump.

Estratégia

Trump usa o caso para mentir e acusar o processo eleitoral no Brasil como suspeito, para atacar a eleição americana, onde pode perder e busca o mesmo argumento de 2020, quando perdeu a reeleição para Joe Biden.

Aqui, o partido de Flávio, Tarcísio de Freitas, Rogério Marinho e o Presidente do STF, Kassio Nunes Marques, aliado dos Bolsonaro, já reconheceram a derrota e a lisura do processo. Chefes de Estado e organismos internacionais também. Ou seja, vai colar muito menos que as queixas de “prisão política” sobre Bolsonaro.

Trump deve ser pressionado, mas não deve recuar. E a decisão pode lhe custar votos. Outra questão é que o seu mandato termina em 20 de janeiro de 2029. Se for substituído por um Democrata ou mesmo um Republicano moderado, o apoio e abrigo aos Bolsonaros pode estar com os dias contados.

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