Influenciadores de esquerda superam os de direita em engajamento nas redes pela primeira vez em 2026

Influenciadores de esquerda alcançaram 49 milhões de interações nas redes da Meta na primeira semana do segundo turno, contra 45 milhões dos perfis de direita. É a primeira vez em 2026 que esse grupo aparece à frente no levantamento da Bites.
Os dados foram divulgados nessa sexta-feira (16) por O Globo e mostram uma mudança no comportamento observado ao longo da campanha presidencial. O levantamento acompanha interações orgânicas públicas, como curtidas, comentários e compartilhamentos.
O resultado ocorre em meio às reclamações da campanha de Lula (PT) sobre a atuação das big techs no processo eleitoral. A equipe do petista acusa a Meta de tratamento desigual entre as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro (PL). A empresa nega interferência política e atribui os episódios apontados a falhas técnicas.
A pesquisa da Bites, no entanto, não mede alcance, impressões ou impulsionamento pago. Por isso, a falha reconhecida pela Meta que bloqueou temporariamente a conta de anúncios da campanha de Lula não interfere nos números analisados pelo estudo, que considera apenas o engajamento orgânico do conteúdo público.
Entre os dias 4 e 11 de outubro, os influenciadores identificados com a esquerda registraram crescimento de 783% nas interações nas redes da Meta. Entre os perfis de direita, a alta foi de 162%.
No Instagram, sem considerar o Facebook, a diferença foi maior: o engajamento da esquerda cresceu 1.195%, enquanto o da direita aumentou 241%.
O levantamento mostra uma inversão em relação aos períodos anteriores. Na pré-campanha, entre junho e agosto, os perfis de direita somavam cerca de 11 milhões de interações semanais, diante de 4,6 milhões da esquerda.
Durante a campanha do primeiro turno, a direita chegou a aproximadamente 25 milhões de interações por semana, enquanto os perfis de esquerda ficaram em torno de 11,5 milhões.
Na primeira semana após o primeiro turno, a esquerda passou para 49 milhões de interações, contra 45 milhões da direita. Segundo a Bites, essa foi a única semana da série analisada em que os perfis de esquerda ficaram à frente.
Entre os nomes monitorados estão André Janones, Erika Hilton e Jones Manoel, à esquerda. Os três concentraram 76% das interações desse grupo no segundo turno. Janones respondeu por 33%, Erika Hilton por 29% e Jones por 15%.
Na direita, Nikolas Ferreira concentrou sozinho 49% das interações dos perfis monitorados, percentual semelhante ao observado no primeiro turno.
De acordo com André Eler, diretor técnico da Bites, parte do crescimento dos perfis de esquerda ocorreu com o uso de grandes comunidades organizadas em aplicativos como Telegram e WhatsApp, convocadas para interagir simultaneamente com determinadas publicações.
O estudo acompanhou 13 nomes identificados com a direita e nove com a esquerda durante os períodos de pré-campanha, primeiro turno e início do segundo turno.
O desempenho dos próprios candidatos também mudou. Considerando as redes da Meta, TikTok e X, o engajamento de Lula cresceu 298% na primeira semana do segundo turno, enquanto o de Flávio Bolsonaro aumentou 110%.
No Instagram, Lula registrou crescimento de 1.789% no período, enquanto Flávio avançou 694%.
A Bites também identificou diferença na frequência das publicações. Lula ampliou o volume de cerca de 110 para 300 postagens semanais ao longo da campanha. Flávio reduziu o ritmo depois do primeiro turno e chegou a 56 publicações na semana analisada.
Fonte: O Globo
Foto: Gerada através de Inteligência Artificial
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