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Gustavo Ferraz: “Dinheiro foi entregue a Geddel”

Por André Luis
Gustavo Ferraz, advogado e ex-diretor da Codesal. Foto: Joá Souza l Ag. A TARDE

Por: Regina Bochicchio/A Tarde

Preso ano passado durante a operação Tesouro Perdido em razão de uma digital sua ter sido encontrada em saco de dinheiro no “bunker” que escondia R$ 51 milhões, e citado pela imprensa e Polícia Federal como amigo próximo do ex-ministro Geddel Vieira Lima, Gustavo Ferraz  hoje responde à Justiça em liberdade, após ser solto de recolhimento domiciliar pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 2 de fevereiro.

Após ser flagrado pela reportagem de A TARDE curtindo a sexta-feira de Carnaval, na Barra, Ferraz aceitou conceder entrevista exclusiva para dar sua versão dos fatos, a exemplo do episódio de 2012, quando foi à São Paulo, a pedido de Geddel, buscar dinheiro que, conta ele, imaginava que seria usado para campanha.

Gustavo afirma que, ao contrário do que dizem, nunca foi braço direito do ex-ministro. Fala em deslealdade e vai além: aposta em provar sua inocência para ser candidato à Prefeitura de Lauro de Freitas em 2020.

Quando abordado no Carnaval, você disse que não era operador e que a figura que estão pintando na imprensa não corresponde à realidade. Mas o que todos dizem é que você era o braço direito de Geddel…

Todos quem?

A imprensa, políticos e até a Polícia Federal… 

Não tem laudo da Polícia. Estamos aqui diante de vários documentos [mostra peças jurídicas e laudo da papiloscopia] que remetem a acreditar que muito do que foi dito pela imprensa nacional, infelizmente, é desproporcional à minha pessoa. Quando eu te falei lá [no Carnaval],  que achava… que eu entendia que foi criado um personagem nesta história, de fato foi.  A história precisava de alguém que tivesse ajudado. E o tempo passou e não sou essa pessoa. Até porque, você há de convir que é incompatível com os meus bens, é incompatível com minha história política, é incompatível com a origem da minha família por exemplo… a minha fiança foi paga pela minha mãe, estou desempregado – fiança de 100 salários mínimos, depois conseguimos reduzir pela metade. Acredito eu que a Justiça não faria essa redução se tivesse encontrado um patrimônio nababesco. Só tenho uma casa financiada pela Caixa Econômica Federal e um carro de um consórcio. Evidente que aquelas imagens chocam [das malas de dinheiro no apartamento da Graça, apelidado ‘bunker’], mas eu não tive nenhum benefício, nem obtenho nenhum benefício político ou financeiro da política. Eu não faço negócio, faço política de forma correta. Quando foi feita a busca e apreensão [na casa dele, em Vilas do Atlântico] só encontraram dois celulares, um computador e um jingle de campanha. As pessoas que me conhecem, tá certo, que convivem comigo, me defendem. Sou pessoa de classe média. Eu nunca me envolvi com coisas que são erradas. Talvez o único erro que eu cometi nessa história toda foi não perguntar a origem do dinheiro [que foi buscar em São Paulo em 2012]. Mas já passou, e eu estou pagando por isso.

O senhor era funcionário do PMDB? (hoje MDB)

Eu era um funcionário do partido… era contratado como assessor de bancada da liderança do PMDB na Assembleia Legislativa da Bahia com uma remuneração de R$ 3 mil…

E também devolvia dinheiro, como o Job Ribeiro?

Não! Claro que não. Era envolvido com as campanhas, dezenas de milhares de pessoas pelo estado inteiro. É um partido, o MDB na Bahia, sabe que tem campanha em quase todos os municípios da Bahia. E a sede do partido, a sede estadual, você deve imaginar como não fica em tempo de campanha. Campanha naquela época demorava três meses, eram filas de pessoas, de candidatos a vereadores, de prefeitos, etc… todos eles pedindo ao partido ajuda para suas campanhas.

Vamos, então, do início: quem pediu para o senhor ir buscar o dinheiro, como foi?

As pessoas do partido…Geddel era o presidente…’você pode pegar uma contribuição de campanha pra mim?’. Porque não? Posso. Talvez meu erro tenha sido não perguntar: ‘vem cá, da onde é esse dinheiro?’. Talvez poucas pessoas pudessem fazer essa pergunta. Talvez o meu erro, talvez, tenha sido não questionar. Mas como funcionário que era, está certo, talvez poucos na minha função perguntassem. Eu com a filha recém-nascida, tendo que pagar minhas contas, você vai se insubordinar à pessoa que está ali… que de uma certa forma te mantém, com a sua vida regular? Com suas contas pagas e etc? Meu emprego dependia disso, não é verdade?

Então foi o ex-ministro Geddel quem pediu?

Sim, o presidente do partido…

E aconteceu como foi noticiado? O senhor chegou lá [em São Paulo], se hospedou em um hotel?

Não me hospedei em hotel nenhum, não tenho nenhuma hospedagem em hotel. Eu fui encontrar uma pessoa [identificada pela PF como Altair Alves] que estava hospedada nesse hotel [Clarion], que eu também não conheço. Eu conheci aquela pessoa daquela vez. É a mesma coisa de você perguntar: qual é a cor da calça que você usava na época? É a mesma coisa você perguntar como era a pessoa que você só viu uma vez na vida, há cinco anos. Eu fui ao hotel e fiquei esperando a pessoa chegar. A pessoa chegou, me levou ao local onde eu ia pegar o recurso. Deveria ser o que: uns R$ 300 mil mais ou menos… um pouco menos, um pouco mais do que isso, não sei. Está certo? Mas nada absurdo. Daí a você saber a origem [do dinheiro]… não tem nenhuma caracterização. Foi tudo muito rápido. Eu estava aqui [no hotel], sentei um pouco, daqui a pouco vem o cara e diz ‘está lá, depois o carro vai te levar no aeroporto’. Claro que você não vai circular isso pelas vias normais né, em um embarque de passageiros com dinheiro de campanha. Embarquei em Congonhas, não foi em avião de carreira, foi em avião particular. Agora, quem é o dono, eu não sei. Cheguei [em Salvador], entreguei o recurso e tal e… fiz a minha parte, está certo?. E está lá a minha digital porque eu talvez eu tenha aberto a mala para mostrar que de fato o dinheiro estava lá, não tinha tirado nada. Não tem digital nenhuma em cédulas. Estava em saco plástico. Era um recurso envolvido no saco com a etiqueta do Banco do Brasil. Nesse pegar para mostrar foi que a digital ficou. A digital do dedo anelar direito, metade do dedo.

E depois?

Voltei para Salvador e continuei a minha vida. Normal, fazendo campanha, fazendo política. Fui candidato a prefeito [de Lauro de Freitas] na eleição de 2016, não recebi nenhuma contribuição, é só olhar a minha conta de campanha. Nenhuma, zero. Minha conta foi 00. Não tive nem a presença deles [dos irmãos Vieira Lima] na minha campanha. Nem do deputado [Lúcio Vieira Lima], nem do ex-ministro [Geddel]. E como é que eu sou o braço direito? Você acha que eu não ia ter nenhum dinheiro para campanha?

Então qual é a sua relação com Geddel e Lúcio?

Eu nunca neguei a vocês [da imprensa] a relação política. Apareço em fotos, em várias fotos no meio da rua. Agora, fotos do aniversário… eles foram em minha casa, sabem onde eu moro? Foram no aniversário da minha filha, da minha mulher, meu? Ou eu fui nas festas de aniversários que não foram em lugares públicos, foram em lugares restritos, na casa…- porque político faz festa em lugar público, mas faz também em lugares restritos…essa relação, vamos dizer assim… além da política, fica difícil de você falar. O que as pessoas estão tentando atribuir, na verdade, é uma mentira. Isso [de ser braço direito] não é verdade, isso é falso.

Mas então de onde o senhor acha que partiu essa ‘mentira’?

Não sei. Dos adversários políticos que eu tenho ao longo desse caminho, evidentemente, e também por pleitear a prefeitura de Lauro de Freitas. Acredito que a prefeita [Moema Gramacho, do PT], quer dizer, deputada né…porque ainda não virou prefeita, até porque não sentou na cadeira ainda, não mostrou para que veio, né, talvez ela tenha o interesse  nisso, o grupo político dela. E fica ali os grupos no whatsapp, não sei o que, tal, fazendo essas matérias difamatórias, matérias fake sobre mim…porque tem uma série de documentos aqui que atestam que o que está sendo dito não é. E é tudo via Estadão [as fake news]. Acho que a Polícia Federal deveria estar atenta aos fakes que são lançados muitas vezes e que parte da imprensa … Além dos veículos tradicionais, teve muita fake news. As pessoas fisicamente tem que ser responsáveis pelas informações que elas passam. E os veículos tradicionais replicaram. Teve um caso hoje [em 14/02, quinta-feira] dizendo lá que eu troquei e-mail com Job. Eu não troquei e-mail nenhum! Dizendo que a fonte é o Estadão. Você vai lá buscar a informação no Estadão e não tem nada. Não é verdade. Não troquei e-mail, zero e-mail.

Mas você está querendo dizer que este grupo político tem algum tipo de influência sobre tudo o que aconteceu?

Não tem influência, mas colabora. Com relações de compadrio para confundir a opinião pública.  O que eu acho que está acontecendo nesse momento é uma grande confusão do que de fato aconteceu, com o que eles querem passar para a opinião pública.

Você conhece o Job Ribeiro?

Conheço Job de vista , era um funcionário lá da família, assessor, via de vista lá, entrar e sair.  Eu afirmo que é mentira essa notícia, não tem e-mail, não é verdade. Isso tem que acabar. Eu não posso fazer uma fofoca sobre você e usar o veículo para te difamar. Eu recebo fake news mas eu não passo pra ninguém, porque tenho respeito pelas pessoas. Prefiro ligar, conversar, tentar entender porque  a pessoa fez aquilo e, de uma forma, até perdoar, não guardo raiva de ninguém, nem mágoa. A vida que segue, a roda gira pra todo mundo. Dia você está na alta, outro está na baixa, um dia você precisa de mim, outro eu preciso de você.  Se a gente se respeita, vamos ter sempre o elo. Se a gente desequilibra a relação, um dia eu em alta, você em baixa… te dou um chute na canela? Não. Vamos fazer Política com ‘p’ maiúsculo, não é verdade? Enquanto a prefeita teve um problema sério de saúde eu estava orando pela saúde dela. Eu acredito que ela deveria estar fazendo o mesmo por mim.

E o senhor é religioso?

Sou religioso sim. Sou católico apostólico romano. Acredito. Tenho fé no Senhor do Bonfim. Tive as medidas cautelares suspensas na Festa de Iemanjá, dia 2 de fevereiro. Fui lá agradecer, joguei a minha florzinha na praia, eu, minha esposa e minha filha, não é? Fui na Igreja do Bonfim também agradecer ao Senhor do Bonfim com uns amigos que estavam comigo. Então assim…tenho uma vida tranquila. O que eu acho é que a política nesses tempos, ela se reduz a ataques, muitas vezes covardes. E talvez a prefeita tenha que entender um pouco isso e o grupo político do qual ela faz parte. Uma cidade como a nossa [Lauro de Freitas], de 200 mil habitantes, não pode ter uma prefeita que em um ano não faz absolutamente nada pela cidade, que pinta os postos de saúde de vermelho, cor do partido dela. Se utiliza da máquina par ficar promovendo ações do partido, enquanto ela deveria estar se preocupando com a cidade. Viajando pelo país inteiro atrás da defesa do ex-presidente Lula – que eu até entendo, mas a cidade é pobre e precisa da presença física do prefeito. Até porque o salário dela é o mais generoso do Brasil. Inclusive o prefeito João Doria [de São Paulo] recebe menos do que ela.

Voltando para a mala de dinheiro. O senhor voltou a Salvador e este dinheiro foi entregue a quem?

Foi entregue a quem de direito, a quem eu devia repassar. Foi entregue a Geddel. E ele ficou de resolver, de repassar para as campanhas, enfim… do que eu imaginei que fosse ser feito. E que deve ter sido feito, não sei…

Você afirmou, no Carnaval, que não disse que se sentiu traído por Geddel, conforme está no depoimento da Polícia Federal e foi noticiado à larga…

[corta] À larga em matérias, tá. Eu fiz um depoimento, ainda na Polícia Federal em Salvador antes de ir à Brasília. Talvez pela pressa que eles tinham, de repente, de pegar uma confissão além do que eu fiz. E eu fiz isso sem advogado. Chegando à Brasília também fui atendido por um delegado federal. E também fiz um depoimento sem advogado. Eu caminho nessa história com a verdade: em nenhum momento eu fui ouvido, além desses dois depoimentos. Não tive audiência de custódia, por exemplo, para contar o que eu fiz, não tive absolutamente nada. E fiquei 40 dias em Brasília, no 19 Batalhão da Polícia Militar, onde tinha advogados, bombeiros, Polícia Militar, etc..

Mas você disse ou não disse que se sentiu traído?

Vou esclarecer. Vou te dar um exemplo. Você está tomando um depoimento meu, você é a delegada: ‘você se sentiu traído pelo Geddel?’.

E o senhor respondeu o que?

Ele colocou lá: ‘se sentiu traído pelo Geddel’. Porque… eu acho que isso é menor, você está entendendo? Poderia ter dito ‘você está decepcionado?’, ‘vc está…’

Então eu vou perguntar: o senhor se sentiu traído pelo Geddel?

Bicho, não sou eu que tenho que responder isso, quem tem que responder isso é ele próprio [Geddel], se ele usou… Para mim isso é coisa passada e menor.

O senhor não disse então?

Ele [o delegado] me perguntou! Eu não respondi. Ele colocou: ‘ele se sentiu traído por Geddel’.

Então o delegado errou?

Não sei se ele errou, também não quero entrar nessa polêmica. O delegado, eu só estive com ele uma vez na vida, está certo? Isso pra mim, do ponto de vista do que eu tenho que me defender, tecnicamente falando, é irrelevante, né.

Mas a partir do momento em que se viu que tinha um dinheiro lá no bunker, em um saco que tinha sua digital…

[corta] Eu estou sendo absolutamente sincero com você. No começo eu fiquei muito assustado, está certo? Porque é incomum as pessoas passarem pelo que eu passei. Evidente que quando você tem alguma culpa, você carrega isso dentro da sua alma, em algum momento  você espera que isso pode acontecer com você. Eu não esperava que isso fosse acontecer comigo.

Como foi a abordagem?

Fui muito bem tratado, na minha casa. É que, humanamente, quando você tem alguma culpa.. se eu tivesse lá uma série de obras de arte, uma série de recurso, tivesse um cofre com somas, evidente que em algum momento você pode até esperar que isso pudesse acontecer na sua vida. Não tenho…sou um trabalhador como outro qualquer, você está entendendo? Sou um advogado, militante, tudo o que conquistei ao longo da minha vida foi também com produção artística, viajei muito com artistas, vendendo shows, cuidando deste universo que hoje é o Carnaval. Veio daí o meu apartamento que eu comprei. Esse apartamento eu vendi e dei entrada em uma casa. Sempre tive carro financiado, pago meus financiamentos… como qualquer trabalhador de classe média no Brasil.

Então porque o senhor acha que te prenderam? Houve exagero da Polícia Federal?

Eu não sei… Estou me defendendo, evidente, de tudo isso. Se hoje estou aqui é porque a Justiça entendeu de que são desnecessárias nesse momento as medidas impostas a mim, vou poder retomar a minha vida né. Inclusive posso até exercer função pública, o que não quero neste momento. Quero cuidar um pouco da minha família e buscar uma alternativa, talvez, na advocacia. Não tenho emprego, estou vivendo de ajuda do meu pai, da minha família, que está me ajudando a pagar as minhas contas. Eu tenho uma filha de cinco anos para criar e que ela precisa do leite todo dia em casa. Mas vou voltar a trabalhar, evidente, não tenho medo do trabalho. Tenho um sonho de ser prefeito em Lauro de Freitas, não vou abandonar esse sonho, mesmo com tudo o que está acontecendo. Eu acho que o tempo é o senhor da razão e tudo vai ficar muito bem esclarecido. Não acho que houve exagero… eu só acho que você, para chegar numa prisão, é um momento mais extremo, é uma medida extrema. A prisão é você retirar as prerrogativas de cidadão, de alguém e se você não tem tanta certeza – porque se você for ver, diante de tudo o que foi dito, o que é fato – você  há de convir, se você analisar, que existe uma desproporção. E infelizmente isso poderia ter sido feito de uma outra forma. E que chegaríamos ao mesmo lugar. Porque me prenderam e não teve, por exemplo, condução coercitiva para prestar depoimento?

Mas tem uma digital…

Tem uma digital, um fragmento de digital que poderia ter sido explicado também. Esse mesmo fragmento está lá…

…Em um dos sacos de dinheiro. Então, um daqueles sacos que o senhor pegou em São Paulo, já que está lá o fragmento [da digital], não foi para campanha, estava lá, no bunker? Para você, fica claro isso?

Sim, fica. E assim, eu lamento que isso tenha acontecido porque a intenção era a que esse recurso fosse usado na campanha. Caixa 2 de campanha  faz parte da cultura política brasileira, infelizmente.

Mas então o senhor sabia que era caixa 2?

Não, não sabia. Quando você está num processo desse é como se fosse uma gincana de escola, você tem que ganhar né. Então, você vai e dá o seu sangue ali, a sua alma para aquilo. E eu era funcionário do partido, eu recebia pra aquilo, então eu fui cumprir essa missão.  Talvez tivesse errado porque devesse perguntar, tivesse o cuidado de fazer alguns questionamentos. Não fiz, estou respondendo por eles, acredito na minha inocência e tenho certeza que tudo vai passar e ficar esclarecido.

Você chegou a ter contato com o ex-ministro e Lúcio depois da prisão?

Não, nem posso. Nunca recebi nenhum contato de ninguém.. não devo fazer isso, acho, porque a minha linha de defesa é uma linha totalmente diferente, não tem nada a ver com o bunker.

O senhor foi exonerado no mesmo dia da sua prisão pelo prefeito ACM Neto… teve contato com ele depois de tudo?

Se eu fosse um gestor público eu faria a mesma coisa. Qual a saída para um momento desse? Ficar sangrando ou tomar atitude que precisa ser tomada para que as coisas parem de repercutir de forma negativa? Não, não tive contato, não tenho que ter contato com ele, minha relação com o prefeito é uma relação  de subordinado, não tenho relação pessoal. Eu estava li para cumprir uma tarefa. Infelizmente não consegui chegar até o final dela.

Algum político lhe prestou solidariedade?

Não, normalmente os amigos, mas políticos não. Eu até entendo também que em um momento como esse as pessoas preferem esperar a poeira baixar para se manifestar. E eu entendo. Eu não entendo é deslealdade. Mas o recolhimento, o silêncio, a gente entende.

E houve deslealdade de alguém?

Aí fica para quem foi desleal. Não vou citar, eu não quero causar  uma polêmica aqui. Mas que houve  deslealdade, houve. E aí fica para os desleais.

Geddel chegou a dizer que amigos de longa data  o lançaram no vale dos leprosos…

Não sei nem quem são esses amigos de longas datas, pra lhe ser sincero. Aí é uma coisa  que quem tem que responder é ele né… Não posso responder por ele.  Mas, enfim.. se lançaram…

O que se investiga é um esquema do Geddel com [Eduardo] Cunha, com suposto dinheiro da Caixa. O senhor sabia em algum momento de algum esquema?

Não, nunca exerci nenhuma função pública em Brasília. Não convivia com esse ambiente.  Vamos lá, numa escala de zero a 10, eu estava como se fosse o sexto escalão do PMDB [da Bahia], você está entendendo? Tem pessoas que tem muito mais destaque do que eu, pessoas que já estão há muito mais tempo do que eu … não é questão de ser presa ou estar envolvido em alguma coisa, não é isso não…é importância. Eu estou falando de importância, da proximidade,  de tudo, você está entendendo?  Eu não tenho como te afirmar uma coisa que eu não vivi, você está entendendo? Eu não vivi, não participo.

A revista Veja publicou certa vez que havia filmagens mostrando o senhor saindo do apartamento [da Graça] pelo menos 12 vezes. O senhor já esteve naquele apartamento, ajudou a levar o dinheiro?

Nunca estive e está comprovado que a Polícia Federal não tem fita nenhuma. Acabei de mostrar um documento para você [inquérito, soltura e laudo papiloscópico]. Então, assim, a revista Veja mentiu, infelizmente, uma revista  que tem uma inserção especialmente na classe média alta e que não pode fazer um jornalismo deste naipe, né, se utilizar de informações inverídicas, atribuir responsabilidades a alguém que não teve essas responsabilidades. Ninguém pode pagar pelo que não fez. Se eu tiver que pagar por alguma coisa, que pague pelo que eu fiz. Não pelo que eu não fiz. Estou me defendendo pelo que eu não fiz. E infelizmente no Brasil você primeiro é acusado, depois você mostra sua inocência. O jornalismo, uma parte dele…pode ser até mínima parte, mas assim, primeiro eles acusam para depois você vir aqui e se defender, então, estou me defendendo. Sei que houve confusão muito grande na cabeça das pessoas pelo que aconteceu, um turbilhão de informações e que, por mais que eu me dedique a atender todos os jornalistas que me ligarem daqui pra frente pra que eu diga a verdade, não será um terço do que colocaram sobre mim de forma equivocada, errada.

Como foi lá em Brasília, como era o local da prisão?

Fiquei no 19 Batalhão da Polícia Militar. Era um alojamento, beliches. Fui super bem tratado lá. Os advogados têm prerrogativas né…você tem direito de ficar numa sala de estado maior. Então eu, como advogado, exerci minha prerrogativa de ficar em um ambiente onde tivesse uma sala de estado maior, lá em Brasília.  Eram beliches com várias bicamas, super rotativo porque tem as pessoas que estão ali de passagem, na verdade. Devia ter umas 15 pessoas. Tinha advogados, pessoas que são militares, que eventualmente… exemplo: tem um coronel da polícia que teve uma briga no trânsito…e aí desacatou uma autoridade, foi pra lá e ficou 30 dias e saiu. Você fica ali no ambiente. Tem um campinho de futebol que você pode praticar o futebol, você tomava sol. Joguei futebol, com eles lá, com o pessoal que estava comigo lá.  E que hoje boa parte dessas pessoas já saíram, não estão mais lá. No dia a dia você acorda, toma café, acorda às 8h. O café da manhã a gente fazia, cada um tinha o seu café da manhã. No alojamento tinha tipo uma cozinha improvisada, uma pia, um fogão elétrico, uma geladeira. Comia comida normal, arroz, feijão, bife…

Você cozinhava?

Cada dia tinha uma pessoa. Então todo mundo tem que aprender a cozinhar. E tem que lavar a cozinha também. Então, o cara que está durante o dia na cozinha lava a cozinha toda depois.  Na sexta-feira as famílias iam almoçar lá também, então a gente tinha que lavar tudo, limpava tudo tal, pra receber as famílias. Eu cozinhei o tradicional: feijão, arroz, macarrão à bolonhesa… um feijão mais incrementado com umas coisas  mais nordestinas né… Eu cozinhava pouco né, porque  não tenho tanta variedade assim, não (risos). O pessoal gostou. Alguns deles eu ainda falo por telefone até hoje, tenho relação , enfim, são amigos que eu fiz, pessoas que eu tenho muito carinho, até porque  quando você passa por uma situação tão difícil quanto essa, é difícil você esquecer as pessoas… A família levava um quilo de arroz, um quilo de feijão, para a semana. E a gente cozinhava. Minha família esteve lá, minha mãe, minha esposa. Minha filha eu preferi não participar disso, uma criança né… e que evidentemente, no tempo certo ela vai ter a condição de entender…

Você chegou a chorar, como Geddel chorou?

Quando você carrega culpa, geralmente você sofre mais. Eu não tinha culpa pra carregar, não derramei nenhuma lágrima sobre isso. A lágrima que eu derramei foi no dia que tudo se resolveu.

Você disse que seu sonho é ser prefeito de Lauro de Freitas. Mas ficaria no MDB? E você acha que a população vai digerir a sua versão da história?

Veja só, essa coisa de partido político hoje em dia no Brasil é uma sigla né, você precisa de uma sigla não é verdade? Então, bola pra frente né… Não preciso sair correndo com isso porque não vou participar de nenhuma eleição gora. Minha eleição é em 2020, ainda tem muito tempo até lá pra que eu defina qual é o caminho que eu vou seguir. Veja bem, muitas pessoas me conhecem, sou uma pessoa pública lá, sabem da forma como eu ajo, tenho muitos amigos em Lauro de Freitas, tenho um grupo político que me defendeu desde o primeiro momento. Evidente que tem outro que fica mais balançado, mas também porque talvez se eu tivesse na mesma  situação também ficasse. Vou provar minha inocência.

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Gastos com candidaturas ultrapassam R$ 11 bilhões nas eleições de 2026

As despesas declaradas por candidatos nas eleições de 2026 chegaram a R$ 11,03 bilhões, segundo dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até sexta-feira (30). O valor é R$ 2,36 bilhões inferior ao registrado nas eleições gerais de 2022, mas ainda pode aumentar com a conclusão das prestações de contas. O levantamento considera as despesas […]

As despesas declaradas por candidatos nas eleições de 2026 chegaram a R$ 11,03 bilhões, segundo dados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até sexta-feira (30). O valor é R$ 2,36 bilhões inferior ao registrado nas eleições gerais de 2022, mas ainda pode aumentar com a conclusão das prestações de contas.

O levantamento considera as despesas informadas por candidatos à Presidência da República, ao Senado, à Câmara dos Deputados, às assembleias legislativas e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.

A maior parcela dos recursos declarados, aproximadamente 52% do total, corresponde a transferências financeiras entre candidatos e partidos políticos. Esses repasses somaram R$ 5,72 bilhões e representam a movimentação de recursos entre campanhas, não necessariamente pagamentos diretos a fornecedores.

Entre as despesas destinadas à contratação de produtos e serviços, a publicidade em materiais impressos, como panfletos e cartazes, movimentou R$ 976 milhões. Os serviços prestados por terceiros somaram R$ 795 milhões, enquanto as atividades de militância e mobilização de rua chegaram a R$ 662 milhões.

As campanhas também declararam R$ 538 milhões em despesas com pessoal, R$ 302 milhões em serviços advocatícios e R$ 282 milhões na produção de programas de rádio, televisão e vídeos.

Redes sociais receberam investimentos milionários

O impulsionamento de conteúdos nas plataformas digitais respondeu por R$ 488 milhões das despesas declaradas pelas candidaturas.

Entre as empresas de tecnologia, o Facebook, pertencente à Meta, liderou os recebimentos relacionados à publicidade eleitoral, com R$ 352 milhões distribuídos em aproximadamente 28,6 mil contratos.

Nas eleições de 2022, os valores destinados à plataforma haviam somado R$ 129 milhões, em cerca de 19,4 mil contratos. Os números mostram o crescimento dos investimentos das campanhas na divulgação paga de conteúdos nas redes sociais.

O professor de Direito da Universidade de Brasília (UnB), Murilo Borsio Bataglia, avalia que a distribuição dos recursos eleitorais acompanha as mudanças nas estratégias de comunicação política, com maior utilização das plataformas digitais para alcançar os eleitores.

Recursos públicos e prestação de contas

Uma das principais fontes de financiamento das campanhas é o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como fundo eleitoral, que disponibilizou R$ 4,91 bilhões para as eleições de 2026.

Entre os partidos, o PL recebeu R$ 882 milhões, o PT ficou com R$ 615 milhões e o União Brasil contou com R$ 526 milhões em recursos do fundo.

As campanhas também utilizaram transferências entre partidos e candidatos, doações de pessoas físicas e recursos próprios dos concorrentes.

Apesar de os gastos declarados até 30 de outubro serem inferiores aos registrados em 2022, os números ainda não são definitivos.

De acordo com o calendário do TSE, candidatos e partidos que participaram apenas do primeiro turno têm até terça-feira (3) para apresentar suas prestações de contas. Já os que disputaram o segundo turno têm prazo até 14 de novembro.

Com a entrega das informações restantes, o volume total de despesas declaradas nas eleições de 2026 poderá ser atualizado.

Fonte: CNN Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Lula avalia criar Ministério da Comunicação Digital para o quarto mandato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia criar um Ministério da Comunicação Digital para seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. A proposta ganhou espaço nas discussões sobre a composição do novo governo após a atuação das redes sociais na campanha presidencial. A estrutura em estudo reuniria secretarias atualmente vinculadas a […]

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia criar um Ministério da Comunicação Digital para seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. A proposta ganhou espaço nas discussões sobre a composição do novo governo após a atuação das redes sociais na campanha presidencial.

A estrutura em estudo reuniria secretarias atualmente vinculadas a diferentes ministérios e teria autonomia em relação à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), comandada por Sidônio Palmeira.

Entre os órgãos que poderiam integrar a nova pasta estão a Secretaria de Direitos Digitais, atualmente no Ministério da Justiça e Segurança Pública, e as secretarias de Políticas Digitais e de Estratégias e Redes, vinculadas à Secom.

Uma das atribuições previstas seria a coordenação de políticas relacionadas à regulamentação das plataformas digitais, tema defendido por Lula após sua reeleição.

A possibilidade de criação do ministério ganhou força após a mobilização digital organizada durante o segundo turno pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), responsável pelo canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou 10,5 milhões de inscritos.

O nome de Janones chegou a ser mencionado por aliados como possível responsável pela nova estrutura. Entretanto, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida nesse domingo (1º), o parlamentar descartou assumir qualquer ministério no próximo governo.

“Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado. Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo”, declarou.

Nesta segunda-feira (2), Janones voltou a justificar sua decisão em uma publicação na rede social X. Segundo o deputado, assumir um cargo ministerial poderia limitar sua atuação política.

“Porque não posso ter as amarras da liturgia de um cargo nem ficar preso em compromissos burocráticos!”, escreveu.

O parlamentar também afirmou que considera a Câmara dos Deputados o espaço mais adequado para continuar colaborando com Lula por meio da mobilização digital. Na publicação, classificou um ministério como sua “zona de conforto” e declarou que pretende manter o trabalho desenvolvido com o chamado “Exército do Lula”.

Na quinta-feira (29), Lula recebeu Janones para um almoço no Palácio da Alvorada. Durante o encontro, o presidente gravou uma mensagem para os participantes do canal de WhatsApp e anunciou a intenção de realizar uma transmissão ao vivo com o deputado.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que ainda não existe decisão sobre a criação do ministério. Segundo ele, Lula considera necessário ampliar a presença do governo nas redes sociais, mas a organização administrativa do próximo mandato permanece em discussão.

Durante o discurso de vitória, em 25 de outubro, Lula já havia anunciado que a comunicação digital teria maior importância em sua próxima gestão.

A proposta de regulamentação das plataformas enfrentou dificuldades para avançar no Congresso durante o atual mandato. Caso seja criado, o novo ministério poderá concentrar parte dessas discussões, mas suas competências e estrutura ainda dependem de definição.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Fonteles, Camilo Santana, João Campos e Gakiya estão entre cotados para ministérios de Lula

A formação do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já movimenta articulações políticas em Brasília. Entre os nomes cotados para integrar a equipe ministerial de 2027 estão Rafael Fonteles, Camilo Santana, João Campos e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya. As discussões envolvem mudanças em ministérios estratégicos, a possível criação de […]

A formação do quarto governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já movimenta articulações políticas em Brasília. Entre os nomes cotados para integrar a equipe ministerial de 2027 estão Rafael Fonteles, Camilo Santana, João Campos e o promotor de Justiça Lincoln Gakiya.

As discussões envolvem mudanças em ministérios estratégicos, a possível criação de novas pastas e a participação de aliados que não conquistaram cargos nas eleições de outubro. Segundo interlocutores do presidente, as primeiras definições deverão ocorrer após 16 de novembro, quando Lula retornar de compromissos internacionais na Turquia e nas Filipinas.

Um dos nomes mencionados para o Ministério da Fazenda é o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) também aparece entre as possibilidades para comandar a área econômica.

Fonteles ganhou espaço nas articulações do presidente durante o segundo turno das eleições. Ex-secretário da Fazenda do Piauí, ele é citado por aliados como uma alternativa para assumir a condução da política econômica federal.

Outro nome presente nas discussões é o senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação. Ele aparece entre os cotados para a Casa Civil, atualmente comandada por Rui Costa, e também para um eventual Ministério da Segurança Pública.

A criação de uma pasta exclusiva para a segurança pública é uma das propostas apresentadas por Lula durante a campanha. Entre os nomes avaliados para comandá-la está o promotor Lincoln Gakiya, conhecido por sua atuação em investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Apesar das especulações, não há indicação formalizada para a nova estrutura, que ainda depende de definições sobre suas competências e organização.

João Campos também aparece nas articulações

Em Pernambuco, o nome do ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, é apontado por aliados como uma possibilidade para integrar o próximo governo federal.

Derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo Governo de Pernambuco, João deixou a prefeitura para concorrer às eleições e está sem mandato eletivo.

Uma das possibilidades discutidas envolve o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, atualmente comandado por Luciana Santos (PCdoB). A pasta já foi ocupada por Eduardo Campos, pai de João, durante o primeiro mandato de Lula.

A eventual indicação dependerá das negociações entre o presidente e a direção nacional do PSB, partido que também ocupa a Vice-Presidência da República com Geraldo Alckmin.

Outros nomes avaliados

Fernando Haddad (PT), derrotado na disputa pelo Governo de São Paulo, também está entre os nomes mencionados nas conversas sobre a próxima equipe. Uma das possibilidades seria o Ministério das Relações Exteriores.

Entretanto, pessoas próximas ao ex-ministro afirmam que ele considera retornar às atividades acadêmicas na Universidade de São Paulo (USP), sem assumir uma nova função no Executivo.

O deputado federal André Janones (Rede-MG), que participou da mobilização digital da campanha de Lula, também chegou a ser citado para uma função ligada à comunicação do governo.

A possibilidade, porém, foi descartada pelo próprio parlamentar. Em entrevista ao Fantástico, exibida nesse domingo (1º), Janones afirmou que não aceitará um ministério e permanecerá na Câmara dos Deputados.

Na área da Defesa, José Múcio Monteiro manifestou a intenção de deixar o cargo. Também são discutidas possíveis mudanças nos comandos das Forças Armadas, enquanto o general Tomás Paiva é mencionado como alternativa para o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

Por outro lado, integrantes da atual equipe, como Esther Dweck, Leonardo Barchini e Fernanda Machiaveli, aparecem entre os nomes que poderão permanecer no governo, ainda que em funções diferentes.

Lula também deverá negociar espaços com partidos do Centrão para ampliar sua base de apoio no Congresso Nacional. A composição definitiva do primeiro escalão ainda não foi anunciada.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Após deixar o Brasil, Flávio diz que não se arrepende de suas ações e critica Moraes

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um comunicado nas redes sociais nesse domingo (1º), afirmando que não se arrepende de suas ações e criticando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorreu após o parlamentar deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos, contrariando restrições judiciais impostas depois de […]

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou um comunicado nas redes sociais nesse domingo (1º), afirmando que não se arrepende de suas ações e criticando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação ocorreu após o parlamentar deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos, contrariando restrições judiciais impostas depois de sua derrota na eleição presidencial.

Na publicação, intitulada “Nota ao Brasil”, Flávio voltou a questionar as medidas cautelares determinadas pelo STF, incluindo a obrigação de entregar seus passaportes. O senador classificou as decisões como perseguição política e afirmou que sua saída do país foi motivada pela situação que enfrentava.

O parlamentar também relatou o momento em que recebeu a intimação da Polícia Federal, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a comunicação ocorreu cerca de 12 horas depois da definição do resultado eleitoral.

Flávio afirmou que enfrentou um sistema político contrário à sua candidatura e declarou: “Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz”.

Em outro trecho, o senador criticou Moraes e alegou que agentes policiais teriam revirado pertences de suas filhas em sua residência. Entretanto, Flávio não foi alvo de uma operação de busca e apreensão, conforme esclarecido nas reportagens sobre o episódio.

O comunicado também apresentou críticas à imprensa. Flávio afirmou que recebeu um convite da TV Globo para uma entrevista exclusiva, mas que a emissora teria desistido após ele exigir a exibição integral da conversa, sem cortes ou restrições de assuntos.

O senador acusou a emissora de não oferecer espaço para sua versão em uma reportagem preparada para o Fantástico, exibida nesse domingo.

A reportagem do programa abordou as circunstâncias da saída de Flávio do Brasil e o trajeto realizado até os Estados Unidos. Ao final, apresentou o posicionamento de Frederick Wassef, advogado do parlamentar, que contestou a caracterização da viagem como fuga e afirmou que as informações sobre o deslocamento não haviam sido oficialmente confirmadas.

Flávio também reproduziu uma declaração de Cristiano Zanin, atual ministro do STF, feita em agosto de 2016, quando atuava na defesa de Luiz Inácio Lula da Silva. A frase tratava de supostas violações de direitos humanos no Brasil e foi utilizada pelo senador para sustentar suas críticas ao Judiciário.

Ao encerrar o comunicado, o parlamentar anunciou que pretende conceder entrevistas a veículos brasileiros e internacionais nos próximos dias, afirmando que deseja falar sem cortes ou filtros.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28), depois de deixar o território brasileiro apesar das restrições determinadas por Moraes. As circunstâncias da viagem são investigadas pela Polícia Federal.

Fonte: Estadão Conteúdo
Foto: Reprodução/Instagram

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Fux convoca ministérios da Saúde e Justiça para audiência sobre proibição das bets

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu incluir representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública na audiência pública que discutirá a proibição das apostas online no Brasil. O encontro está marcado para esta terça-feira (3), a partir das 10h, em Brasília. A decisão foi tomada nesse domingo (1º), […]

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu incluir representantes dos ministérios da Saúde e da Justiça e Segurança Pública na audiência pública que discutirá a proibição das apostas online no Brasil. O encontro está marcado para esta terça-feira (3), a partir das 10h, em Brasília.

A decisão foi tomada nesse domingo (1º), após pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que questionou a composição inicial da audiência por considerar que havia predominância de representantes de empresas de apostas e entidades esportivas.

Além dos dois ministérios, Fux convocou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o Comitê Paralímpico do Brasil, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) e o Grêmio Futebol Clube. Com as inclusões, a audiência contará com 34 entidades, órgãos e associações.

O encontro discutirá os impactos da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo governo federal, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das plataformas de apostas online, conhecidas como bets, em todo o território nacional.

A discussão ocorre no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 8027), apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (Anjl). A entidade questiona a constitucionalidade da medida provisória e solicita ao STF a suspensão da proibição.

Ao pedir a ampliação da lista de participantes, a AGU argumentou que a composição original poderia comprometer a diversidade de opiniões e a apresentação de informações técnicas. Dos 26 convidados inicialmente, 17 representavam clubes de futebol ou empresas de apostas favoráveis à retomada da atividade.

Em sua decisão, Fux lembrou que o STF já realizou duas audiências públicas sobre o tema, em novembro de 2024, quando entidades ligadas à saúde, à defesa do consumidor e à proteção de crianças e adolescentes apresentaram estudos sobre os impactos sociais das apostas.

Entre as organizações ouvidas naquela ocasião estavam a Associação Brasileira de Psiquiatria, o Instituto Alana e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Nenhuma delas integra a lista de participantes da audiência desta terça-feira.

O ministro reconheceu que os efeitos negativos das apostas sobre a saúde e a economia já foram discutidos pelo tribunal e considerados em julgamentos anteriores.

A audiência será transmitida pela TV Justiça, Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube. O encontro terá caráter informativo, destinado a reunir argumentos e dados para subsidiar a análise da ação judicial. A realização da audiência não representa uma decisão sobre a constitucionalidade da proibição das bets.

Fonte: Diario de Pernambuco
Foto: Victor Piemonte/STF

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