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FBC soma sinais positivos: foi único dos pré-candidatos da “lista quente” do PSB a discursar na confraternização do partido

Por Nill Júnior

do Diário de PE

Se a escolha do cabeça da chapa do PSB para a disputa do governo do estado depender de “sinais”, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho está várias casas à frente dos concorrentes de partido.

Na festa de confraternização do PSB pernambucano, na noite desta segunda-feira, os tais indícios estavam lá. Fernando foi festejado por prefeitos, vereadores e deputados. Teve, inclusive, direito a discursar para a plateia socialista que lotou o bar Oitão, na Zona Norte do Recife.

Grande parte dos integrantes da lista mais badalada da política pernambucana,  foi vista no local. Estavam por lá os secretários Tadeu Alencar (Casa Civil), Antônio Figueira (Saúde), Planejamento (Paulo Câmara). O secretário de Cidade, Danilo Cabral, não teria batido o ponto.

Além de Lyra e FBC, discursaram o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, o ex-deputado petista Maurício Rands (que chegou a ser cotado para a disputa) e o prefeito do Recife, Geraldo Julio.

A aparição e o prestígio partidário de Fernando se deu horas depois de o governador ter cometido o ato falho, em discurso em Vitória de Santo Antão, pedindo a empresários que não esquecessem de Pernambuco e de “Fernan..” em 2014.

Outras Notícias

Em Arcoverde, rejeição de projeto sobre fogos com estampido provoca críticas e defesa de vereadores

Rodrigo Rôa e Luiza Margarida afirmaram que voto contrário à nova proposta não representa oposição à proteção de pessoas sensíveis aos ruídos ou dos animais. A rejeição de um projeto que ampliava as restrições aos fogos de artifício com estampido em Arcoverde provocou repercussão política e levou vereadores que votaram contra a proposta a explicar […]

Rodrigo Rôa e Luiza Margarida afirmaram que voto contrário à nova proposta não representa oposição à proteção de pessoas sensíveis aos ruídos ou dos animais.

A rejeição de um projeto que ampliava as restrições aos fogos de artifício com estampido em Arcoverde provocou repercussão política e levou vereadores que votaram contra a proposta a explicar seus posicionamentos. Rodrigo Rôa e Luiza Margarida defenderam que o município concentre esforços na fiscalização de uma lei já em vigor.

O Projeto de Lei Ordinária Legislativo nº 020/2026, de autoria do presidente da Câmara, Luciano Pacheco, foi rejeitado na última segunda-feira (31). A proposta previa proibir a comercialização, o armazenamento, o transporte, o uso e a queima de fogos de artifício e outros artefatos pirotécnicos com estampido no município.

A justificativa apresentada para o projeto mencionava os efeitos dos ruídos sobre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), crianças, idosos, pessoas com sensibilidade auditiva e animais.

Oito vereadores votaram contra a proposta: Heriberto do Sacolão, João Taxista, Wellington Siqueira, Luiza Margarida, Rodrigo Rôa, Paulinho Galindo, Célia Galindo e Sargento Britto. João Marcos não participou da votação.

Rodrigo Rôa foi o primeiro entre os parlamentares contrários à matéria a comentar publicamente a decisão. Em entrevista à Itapuama FM, nessa terça-feira (1º), afirmou que seu posicionamento não significa rejeição às medidas de proteção relacionadas aos impactos provocados pelo barulho.

“Continuo com o mesmo pensamento de que tem que reduzir, tem que controlar e tem que fiscalizar”, afirmou.

O vereador defendeu que o poder público fiscalize a legislação municipal já existente antes de estabelecer novas restrições ao comércio.

Luiza Margarida apresentou argumento semelhante em uma publicação nas redes sociais. Segundo a vereadora, Arcoverde já dispõe da Lei Municipal nº 2.618/2021, que estabelece restrições ao uso de fogos e artefatos pirotécnicos de alto impacto sonoro.

Diferença entre as propostas

A legislação de 2021 e o projeto rejeitado nesta semana, entretanto, não são idênticos.

A Lei nº 2.618/2021 trata da utilização e do manuseio de fogos com estampido em espaços públicos e privados. Já a proposta apresentada por Luciano Pacheco pretendia ampliar as restrições para alcançar também a comercialização, o armazenamento e o transporte desses produtos, além de estabelecer mecanismos de fiscalização e penalidades administrativas.

Portanto, o argumento de que a nova proposta seria redundante é a posição apresentada pelos vereadores que se manifestaram após a votação, e não significa que os dois textos tenham exatamente o mesmo alcance.

A rejeição provocou manifestações contrárias à decisão. O grupo de proteção animal Amor Animal criticou o resultado, enquanto o diretório municipal do PT divulgou nota de repúdio e classificou a votação como um retrocesso.

Até o momento das informações divulgadas pela Itapuama FM, Heriberto do Sacolão, Sargento Britto, João Taxista, Wellington Siqueira, Paulinho Galindo e Célia Galindo ainda não haviam apresentado publicamente suas justificativas para o voto.

Fonte: Itapuama FM

Foto: Michael Andrade

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Quaest: Lula tem 37%, Flávio 30% e Cury chega a 10%; segundo turno tem empate técnico

Pesquisa mostra avanço de Augusto Cury no primeiro turno e diferença de um ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro […]

Pesquisa mostra avanço de Augusto Cury no primeiro turno e diferença de um ponto entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno.

Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 37% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 30%. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 10%.

Os números são do cenário estimulado que inclui Pablo Marçal (PRTB), que registrou candidatura, embora esteja inelegível.

Cury apresentou a maior variação em relação à rodada anterior, divulgada em 14 de agosto. Na ocasião, tinha 2% e agora chegou a 10%, uma alta de oito pontos percentuais.

Renan Santos (Missão) aparece com 3%. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Pablo Marçal registram 1% cada. Os demais nomes testados não alcançaram 1%. Os indecisos são 10%, enquanto 7% disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não iriam votar.

No cenário sem Pablo Marçal, Lula mantém 37%, Flávio aparece com 29% e Cury continua com 10%. Renan tem 3%; Caiado, Zema e Samara Martins (UP) registram 1% cada.

Segundo turno

Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois aparecem tecnicamente empatados.

Lula registra 42% das intenções de voto, enquanto Flávio tem 41%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, não é possível apontar vantagem estatística de um sobre o outro.

Nesse cenário, 13% afirmam que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam, enquanto 4% estão indecisos.

Na rodada anterior, Lula tinha 43% contra 40% de Flávio. A variação entre os dois levantamentos ocorreu dentro da margem de erro.

Metodologia

A Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07065/2026.

Fonte: Estadão

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TSE rejeita punição a Flávio Bolsonaro por vídeo de Jair produzido com inteligência artificial

Por 4 votos a 3, Corte entendeu que conteúdo exibido durante convenção partidária não configurou propaganda eleitoral antecipada. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, nessa terça-feira (1º), a aplicação de multa ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela utilização de um vídeo produzido com inteligência artificial que recriou a imagem e a voz do […]

Por 4 votos a 3, Corte entendeu que conteúdo exibido durante convenção partidária não configurou propaganda eleitoral antecipada.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, nessa terça-feira (1º), a aplicação de multa ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela utilização de um vídeo produzido com inteligência artificial que recriou a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O conteúdo foi exibido durante a Convenção Nacional do PL, realizada em 25 de julho, quando o partido oficializou a candidatura de Flávio à Presidência. No vídeo, a representação de Jair Bolsonaro declarava apoio ao filho.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, questionou o material no TSE. A representação alegava propaganda eleitoral antecipada, transferência irregular de capital político e uso de deepfake, além de pedir a retirada do vídeo e aplicação de multa.

Por 4 votos a 3, o tribunal rejeitou o pedido. O relator e presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, considerou que a exibição ocorreu durante uma convenção partidária e que a mensagem não continha pedido explícito de voto.

O entendimento adotado pela maioria foi de que a transmissão de uma convenção pela internet não transforma, por si só, uma manifestação dirigida aos participantes do evento em propaganda eleitoral antecipada. Os ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha ficaram vencidos nesse ponto.

Critérios para deepfake

Além de analisar o caso de Flávio Bolsonaro, o TSE definiu parâmetros para aplicação das regras sobre deepfakes nas eleições de 2026.

Por 5 votos a 2, a Corte estabeleceu que deepfake é um conteúdo produzido ou manipulado por inteligência artificial, ou tecnologia equivalente, que tenha grau de realismo ou verossimilhança e crie, reproduza ou altere imagem, voz ou manifestação de uma pessoa.

O tribunal definiu ainda que a proibição eleitoral específica para deepfakes depende de o conteúdo ser caracterizado como propaganda eleitoral.

A tese aprovada deverá orientar a Justiça Eleitoral na análise de casos semelhantes durante as eleições de 2026. Entre os elementos a serem considerados estão o conteúdo da mensagem, a linguagem, os destinatários e o contexto em que o material foi divulgado. 

Fonte: TSE

Imagem: Reprodução

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Sandrinho no Debate das Dez

O prefeito Sandrinho Palmeira é o convidado do Debate das Dez desta quarta-feira na Rádio Pajeú. Claro, vai ser perguntado também sobre o “vão trabalhar babões” e “tem muita gente trabalhando sem receber” do vereador Vicentinho. A fala foi dada para justificar o apoio a Mendonça Filho por sete vereadores governistas: Vicentinho Zuza, Douglas Eletricista, […]

O prefeito Sandrinho Palmeira é o convidado do Debate das Dez desta quarta-feira na Rádio Pajeú. Claro, vai ser perguntado também sobre o “vão trabalhar babões” e “tem muita gente trabalhando sem receber” do vereador Vicentinho.

A fala foi dada para justificar o apoio a Mendonça Filho por sete vereadores governistas: Vicentinho Zuza, Douglas Eletricista, Cancão, Cícero Miguel, Gal Mariano, Simone da Feira e Mário Martins.

Além de dizer que as críticas vinham de”babões” e avisar que “tenham cuidado nos empregos”, a fala de maior repercussão de Vicentinho no Debate das Dez sobre 2028:

“Eu quero ser o candidato da Frente Popular,  agora a Frente Popular tem que me querer. Não fecho portas pra ninguém. Se a Frente Popular me apresentar um candidato que tenha mais condições do que eu, eu tiro o meu nome. Eu tô junto. Agora, eles têm que fazer o mesmo. E eu não vejo nenhum dizer isso, que se der o nome de Vicentinho, a gente tá com ele. Então,  eu não tô indo pra outro grupo. Agora, se me empurrarem,  aí eu tenho coragem. A gente tem acesso em todo canto”.

Vaza Mendonça: mensagens e áudios inéditos revelam encontro secreto de Vorcaro e André Mendonça

Por Paulo Motoryn – ICL Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master teve pelo menos um encontro secreto com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi […]

Por Paulo Motoryn – ICL

Mensagens e áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master teve pelo menos um encontro secreto com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A reunião ocorreu em 14 de março de 2025, em São Paulo, durou cerca de duas horas e foi realizada no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado.

A aproximação foi articulada durante semanas pelo advogado baiano Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo.

Em uma das mensagens mais explícitas, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria.

“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

O material mostra ainda que Ciro e Cezinha conversaram previamente com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.

Em outro áudio, o advogado disse ter deixado o ministro “balançado” com o assunto e afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”

O conteúdo não revela qual providência Vorcaro pretendia obter nem comprova que Mendonça tenha interferido no Banco Central ou adotado qualquer medida em favor do Banco Master. Comprova, porém, a articulação promovida por pessoas próximas ao ministro, o conhecimento prévio de Mendonça sobre o assunto e a realização de pelo menos uma reunião reservada com o banqueiro.

“Tô com André M.”

A articulação começou em 7 de fevereiro de 2025. Naquela tarde, Ciro Rocha Soares fez sucessivas tentativas de telefonar para Daniel Vorcaro. Depois das chamadas perdidas, escreveu: “Opa”, “me liga” e, às 14h03, acrescentou: “Tô [com] André M.”.

No dia seguinte, o advogado encaminhou ao banqueiro uma fotografia na qual aparecia ao lado de André Mendonça. A imagem teria sido feita em uma unidade da Alfaiataria Vasco Vasconcelos, empresa com endereços em São Paulo e Brasília.

Logo depois da fotografia, Ciro enviou o áudio de seis segundos: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno.”

As mensagens não esclarecem que trabalho Ciro dizia estar realizando para Vorcaro nem se o advogado mantinha contrato formal com o banqueiro, com o Banco Master ou com alguma empresa ligada ao grupo. A frase, porém, mostra que ele apresentava sua proximidade com Mendonça como parte de uma atuação em favor de Vorcaro.

Ciro Rocha Soares é advogado com atuação principalmente na Bahia e sócio do escritório Rocha Soares Advogados Associados, sediado em Salvador. Entre 2016 e 2017, exerceu o cargo de ouvidor do Ministério do Turismo.

As conversas mostram que sua relação com Vorcaro ultrapassava uma interlocução estritamente profissional. Os dois se tratavam como irmãos, trocavam declarações de amizade e falavam sobre questões familiares.

Essa intimidade aparece com clareza nas mensagens trocadas em 16 de fevereiro, quando Ciro procurou novamente o dono do Banco Master.

“Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, escreveu o advogado às 17h47. Na mensagem seguinte, reforçou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”.

Vorcaro respondeu com um ponto de interrogação e depois sugeriu: “Marca quarta”.

Ciro insistiu que precisava conversar por telefone para explicar o assunto. Na sequência, reclamou, em tom amistoso, que Vorcaro havia sido “o único amigo” que não ligara no seu aniversário.

O banqueiro respondeu que quase compareceu à festa, mas teve um problema com os filhos. Disse também que sabia que a comemoração era uma surpresa e, por isso, não quis falar sobre ela antecipadamente.

“Você é meu irmão caçula, meu protegido”, respondeu Ciro. Vorcaro, por sua vez, enviou uma longa mensagem de aniversário. Chamou o advogado de “irmão, anjo da guarda, parceiro, amigo de verdade” e afirmou: “Se não fosse você eu não estaria de pé”.

A conversa ajuda a dimensionar o grau de confiança existente entre os dois no momento em que Ciro atuava para aproximar o banqueiro de um ministro do Supremo.

“Dei uma balançada nele”

Depois da troca de declarações, Ciro enviou a Vorcaro um áudio de 1 minuto e 39 segundos. É nessa gravação que o advogado descreve de maneira mais detalhada sua interlocução com André Mendonça.

Ciro começou dizendo que conhecia o momento vivido pelo banqueiro e que havia sentido sua ausência na festa de aniversário. Contou que um senador havia dado “um show” no evento, cantado e perguntado por Vorcaro.

Em seguida, relatou que André Mendonça havia feito uma homenagem a ele durante a comemoração. Segundo Ciro, também estavam presentes o ministro do STF Kassio Nunes Marques e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“O André Mendonça fez uma homenagem pra mim do caralho no aniversário. O Kassio, o Gonet, puta merda, enfim, foi bacana”, disse.

Logo depois, o advogado voltou ao assunto que o levara a procurar Vorcaro: “O André quer te receber. Acho que eu dei uma balançada nele naquele assunto.”

Ciro não detalhou na gravação qual era “aquele assunto”. Mais adiante, porém, fez referência direta à situação do Banco Central e afirmou que Mendonça já havia sido informado sobre ela tanto por ele quanto por Cezinha de Madureira.

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo, me pediu até pra levar o Otto. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha, Cezinha já tinha falado com ele.”

A referência a “Otto” parece ser ao senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, citado anteriormente na conversa. A identidade, contudo, ainda precisa ser confirmada.

O áudio revela que havia ao menos duas linhas de interlocução com André Mendonça. Uma era conduzida por Ciro; a outra, por Cezinha de Madureira. Segundo o advogado, ambos já haviam conversado com o ministro sobre a situação relacionada ao Banco Central antes do encontro com Vorcaro.

Ciro disse ainda que iria a Brasília acompanhado de Otto e, em seguida, seguiria para São Paulo, onde seria internado no Hospital Sírio-Libanês. Propôs encontrar Vorcaro no próprio banco, por volta das 17h ou 18h, para que conversassem antes da reunião com Mendonça.

“Se quiser, eu passo no banco, a gente conversa”, sugeriu. Ao final, insistiu que precisava falar com o banqueiro e marcou um encontro para as 18h do dia seguinte.

Reunião marcada para quarta-feira

Em 17 de fevereiro, Ciro avisou que estava deixando Brasília, onde participara de uma reunião, e pediu para conversar com Vorcaro às 18h. “Dani, estou saindo de BSB agora. Estava numa reunião. Preciso falar com você hoje. Podemos marcar às 18h”, escreveu.

Os dois fizeram uma ligação de 18 segundos. Pouco depois, Ciro informou que estava “subindo”, indicando que teria chegado ao local combinado para o encontro com o banqueiro. Às 19h08, enviou uma nova mensagem: “Cezinha confirmou às 16h de quarta”.

A quarta-feira seguinte era 19 de fevereiro. O conjunto das conversas indica que Ciro se referia à reunião com André Mendonça que Vorcaro havia pedido para marcar dois dias antes.

Na data acertada, Ciro procurou novamente o banqueiro e pediu que Bruno Bianco Leal, ministro da Advocacia-Geral da União durante o governo de Jair Bolsonaro, também participasse. Em áudio, orientou Vorcaro a convocar o advogado para que os dois fizessem uma apresentação conjunta.

“Ô, Dani, deixa eu te falar aqui, pede ao Bruno Bianco chegar aqui quatro e meia, pode ser? Que aí a gente faz uma apresentação aqui. Ou quatro e vinte”, disse.

Bruno Bianco fez carreira na Advocacia-Geral da União e comandou o órgão entre agosto de 2021 e janeiro de 2023. Assumiu a chefia da AGU depois que André Mendonça deixou o governo Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo.

Após sair do serviço público, Bianco passou a atuar na iniciativa privada e tornou-se advogado ligado ao Banco Master. Mais tarde, integrou a equipe responsável pela defesa de Vorcaro.

As mensagens comprovam que uma reunião foi marcada para aquela quarta-feira, às 16h, e que Ciro tentou incluir Bianco na apresentação. O vazamento, entretanto, não contêm registros de deslocamento, chegada ou saída que permitam cravar que esse primeiro compromisso ocorreu.

O material prova o agendamento e os preparativos. Diferentemente do encontro do mês seguinte, porém, não demonstra de maneira conclusiva a presença simultânea de Vorcaro e Mendonça no local combinado.

Cezinha marca novo encontro

Menos de um mês depois, Cezinha de Madureira voltou a procurar Daniel Vorcaro. Em 13 de março, o deputado informou que havia marcado uma reunião com André Mendonça para as 17h do dia seguinte, em São Paulo.

“Amanhã sexta-feira 17:00 com ministro André em São Paulo”, escreveu.

Na mensagem seguinte, Cezinha indicou o endereço: Alameda Santos, número 647, 16º andar. Vorcaro respondeu: “Show” e, depois, “Marcado”. “Estarei lá para te receber”, afirmou o deputado, antes de reforçar a data e o horário: “Amanhã sexta-feira 14 às 17:00”.

Cezinha de Madureira é uma liderança da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira e tem relação próxima com André Mendonça. Sua trajetória política está fortemente associada à Frente Parlamentar Evangélica e às lideranças da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil.

Nas conversas analisadas, a participação do deputado não se limitou a compartilhar o contato do ministro. Segundo Ciro, Cezinha já havia conversado com Mendonça sobre a situação envolvendo o Banco Central. Depois, confirmou o compromisso de fevereiro e organizou diretamente a reunião de março, indicando data, horário e endereço.

“Ministro já está te esperando”

No dia marcado, 14 de março, Vorcaro procurou o deputado pouco antes das 17h. “Fala amigo”, escreveu às 16h37. Três segundos depois, avisou: “Estou a caminho”.

Houve então uma ligação de 20 segundos entre os dois. Às 16h43, Cezinha enviou a mensagem que confirma que André Mendonça estava no local: “Ministro já está te esperando.”

Os diálogos entre Vorcaro e seu motorista corroboram o deslocamento. Às 16h30, sete minutos antes de avisar Cezinha de que estava a caminho, o banqueiro encaminhou ao funcionário o mesmo endereço enviado pelo deputado: Alameda Santos, 647, 16º andar.

“Descendo”, escreveu Vorcaro. Em seguida, ordenou: “Vamos nesse endereço”. O motorista respondeu: “Ok dr”. Às 18h40, Vorcaro voltou a procurar o funcionário e avisou: “Saindo”.

O cruzamento dos horários mostra que o banqueiro permaneceu no endereço durante cerca de duas horas. Cezinha havia informado que Mendonça já o aguardava no local, e o deputado afirmara no dia anterior que estaria lá para receber Vorcaro.

As mensagens, portanto, comprovam a existência de pelo menos um encontro presencial entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo. Também indicam a participação de Cezinha de Madureira.

Reunião em endereço privado

O encontro não aconteceu na sede do Supremo Tribunal Federal, no gabinete do deputado ou em uma dependência do Banco Master.

No endereço indicado por Cezinha — Alameda Santos, 647, 16º andar — funciona, segundo o documento vazado, o Instituto ITER, instituição de ensino dedicada a cursos de formação e aperfeiçoamento profissional. O instituto foi fundado por André Mendonça em 2023.

A escolha de um endereço privado torna necessário esclarecer se o encontro apareceu na agenda pública de Mendonça, em que condição o ministro recebeu o banqueiro, quem mais participou da conversa e qual assunto foi tratado.

O material não apresenta uma ata, gravação ou transcrição da reunião. Também não mostra se o ministro tomou alguma providência depois do encontro.

A ponte evangélica

Cezinha de Madureira exerce o terceiro mandato de deputado federal por São Paulo e é um dos principais representantes políticos da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira.

Sua proximidade religiosa e política com Mendonça ajuda a explicar o papel de ponte desempenhado nas conversas. O ministro foi pastor presbiteriano e teve sua indicação ao Supremo promovida por Jair Bolsonaro sob a promessa de escolher um nome “terrivelmente evangélico”.

O deputado aparece no vazamento como uma pessoa com acesso direto ao ministro: teria conversado antecipadamente com Mendonça sobre a situação de Vorcaro perante o Banco Central, confirmado o compromisso de fevereiro e organizado o encontro comprovadamente realizado em março.

O documento menciona ainda que, em 25 de agosto de 2026, a Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil na bagagem de mão de Valéria Linhares, advogada e mulher de Cezinha, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Valéria foi assistida pelo advogado Daniel Bialski, que também atua na defesa de Daniel Vorcaro. A coincidência na representação jurídica não demonstra, por si só, que o dinheiro tenha relação com o banqueiro ou com o Banco Master, mas revela mais um ponto de contato entre os personagens.

O que as mensagens provam — e o que não provam
O vazamento comprova que Ciro Rocha Soares procurou Vorcaro enquanto estava com André Mendonça; enviou uma fotografia ao lado do ministro; disse estar “trabalhando” para o banqueiro; e atuou para organizar uma reunião entre os dois.

Também comprova que Ciro afirmou ter apresentado a Mendonça um assunto relacionado a Vorcaro e que, segundo o próprio advogado, a conversa teria deixado o ministro “balançado”.

No mesmo áudio, Ciro disse que Mendonça conhecia “a situação do Banco Central toda” porque ele e Cezinha de Madureira já haviam falado sobre o tema com o ministro.

As mensagens registram ainda o agendamento de um compromisso para 19 de fevereiro, com a possível participação de Bruno Bianco, e comprovam a realização do encontro de 14 de março.

Sobre a reunião de março, há três conjuntos convergentes de evidências: Cezinha informou data e endereço; disse que Mendonça já aguardava Vorcaro; e as mensagens do banqueiro com o motorista comprovam sua chegada e sua permanência no local durante aproximadamente duas horas.

O material, por outro lado, não revela com precisão o pedido que teria sido levado a Mendonça. Também não permite afirmar que o ministro tenha interferido no Banco Central, prometido ajuda, recebido alguma vantagem ou adotado uma decisão em benefício do Banco Master.

A existência de uma reunião entre um ministro do Supremo e um banqueiro não configura, isoladamente, irregularidade. O interesse público está no contexto: a aproximação foi promovida como um trabalho em favor de Vorcaro, envolveu conversas prévias sobre uma situação no Banco Central e ocorreu de maneira secreta, em um endereço privado.

O outro lado

A reportagem procurou o ministro André Mendonça e o deputado Cezinha de Madureira, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. A assessoria de comunicação do STF confirmou o recebimento da demanda e informou que ela foi encaminhada ao gabinete de Mendonça. A reportagem também confirmou que o próprio ministro tomou conhecimento da publicação da reportagem e, ainda assim, não enviou resposta. Também tentou localizar o advogado Ciro Rocha Soares para que comentasse as mensagens e os áudios, mas não conseguiu contato. O espaço permanece aberto para manifestações e esclarecimentos dos citados.