Escritório de Flávio faturou R$ 13,7 milhões durante mandato de senador, aponta investigação do UOL

O escritório de advocacia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Parte dos valores foi cobrada de outros escritórios de advocacia, e a maioria dos documentos apresenta descrições genéricas dos serviços prestados.
O levantamento analisou 62 notas fiscais emitidas pela Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, aberta em abril de 2021 e registrada no endereço residencial do senador, no Lago Sul, em Brasília. A empresa tem Flávio como único titular e conta com Letícia Caetano dos Reis na administração.
A maior parte das notas descreve os serviços apenas como “assessoria jurídica”, sem detalhar os trabalhos realizados. Consultas a sistemas judiciais identificaram somente um processo em que Flávio atuou para um dos clientes mencionados nos documentos. A advocacia, entretanto, também envolve consultorias e pareceres que não necessariamente resultam em processos judiciais.
O maior cliente identificado foi o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, que pagou R$ 4 milhões em duas parcelas, em agosto e outubro de 2025. Um dos sócios, Edvaldo Nilo de Almeida, foi nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência, em 2022.
Edvaldo afirmou que os serviços foram prestados conjuntamente pelos escritórios para clientes privados, sem utilização de recursos públicos.
Outros R$ 3,3 milhões foram registrados em notas destinadas à Simas Industrial de Alimentos. Duas sociedades ligadas ao advogado Otto Medeiros, amigo do ministro Kassio Nunes Marques, aparecem com pagamentos que somam R$ 2,1 milhões. O escritório de Otto informou que contratou serviços de consultoria jurídica privada.
A banca de Daniel Bettamio Tesser, integrante da defesa de Jair Bolsonaro, também aparece entre os clientes, com R$ 970 mil em pagamentos entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Os documentos mostram ainda uma nota de R$ 500 mil emitida para a Contábil Correa Contabilidade & Auditoria, empresa ligada à Copenhagen Assessoria e Consultoria, que recebeu recursos do Banco Master. Outras duas notas destinadas à Copenhagen, também de R$ 500 mil cada, foram canceladas.
As movimentações ganharam atenção em meio a um inquérito da Polícia Federal sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. Segundo a investigação, uma das contas bancárias indicadas nas notas fiscais do escritório seria compartilhada pelos dois, informação contestada por ambos.
A legislação permite que parlamentares exerçam atividades profissionais paralelas ao mandato, desde que respeitem restrições legais, incluindo impedimentos para atuação em determinadas causas envolvendo o poder público.
O empresário Marcos Antonio Grecco, também identificado entre os clientes, afirmou que contratou formalmente Flávio para atuar em um processo judicial e negou qualquer relação entre os serviços e negócios de suas empresas no setor energético.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para prestar esclarecimentos, mas não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem.
Fonte: UOL
Foto: Charles Vieira
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