Em defesa de Dom Limacêdo: o evangelho não se dobra ao fanatismo

Por Hesdras Souto*
Mais uma vez, nosso querido bispo diocesano, Dom Antônio Limacedo, torna-se alvo de ataques daqueles ímpios que parecem ter transformado a fé em instrumento de intolerância e o cristianismo em bandeira de disputas ideológicas. É preciso dizer com todas as letras: defender os direitos humanos, a democracia, a dignidade dos mais pobres e a justiça social não é trair a Igreja; é levar a sério o Evangelho de Jesus Cristo!
É profundamente contraditório ver pessoas que se dizem cristãs e católicas atacarem um bispo por suas posições sociais e políticas, enquanto demonstram tamanha hostilidade aos valores fundamentais da fraternidade, da solidariedade e do respeito à dignidade humana. Desde quando o Evangelho se tornou propriedade de uma corrente política? Desde quando defender os pobres, os humildes e os excluídos passou a ser motivo de perseguição e revolta?
O Nazareno jamais escolheu os palácios como lugar privilegiado para sua missão. Caminhou entre os pobres, acolheu os marginalizados, enfrentou a hipocrisia dos poderosos e denunciou as injustiças políticas e sociais de seu tempo. Seu compromisso jamais foi com a manutenção de privilégios, mas com a construção de uma sociedade justa, fraterna e humana.
A Igreja que se inspira nesse Cristo não pode permanecer indiferente diante da fome, da desigualdade, do racismo e da violência. Tampouco pode silenciar para agradar aos poderosos ou conquistar a aprovação dos fanáticos. O silêncio diante da injustiça não é neutralidade: muitas vezes, é cumplicidade!
Dom Limacedo tem o direito de expressar suas convicções, exercer sua missão pastoral e participar do debate público sem ser submetido a campanhas de desqualificação, intimidação ou hostilidade. Discordar faz parte da democracia; perseguir, insultar e tentar calar quem pensa diferente é negar os próprios princípios democráticos que tanto se diz defender.
A fé não exige obediência cega a líderes políticos ou religiosos. A consciência cristã não pode ser aprisionada por ideologias, e a mensagem de Jesus não pode ser reduzida a um discurso cego de ódio contra adversários. Quem pretende defender o cristianismo precisa começar por compreender sua mensagem central: amar o próximo, acolher os vulneráveis, promover a paz e reconhecer a dignidade de cada ser humano.
Minha completa solidariedade a Dom Limacedo e a todos aqueles que, inspirados pela fé em Cristo, colocam sua voz a serviço dos pobres, dos humildes e daqueles que historicamente foram silenciados e perseguidos, assim como o foi Jesus de Nazaré.
Cristo não pertence à extrema direita nem a qualquer partido. Mas seu Evangelho exige compromisso com a justiça, com os sofredores e com a dignidade de todos os seres vivos deste planeta.
Que os fanáticos que atualmente andam destruindo igrejas católicas e imagens sacras pelo Brasil compreendam: atacar um bispo não torna ninguém mais cristão. Malditos sejam esses iconoclastas, que não herdarão o Reino dos Céus! Usar o nome de Deus para alimentar o ódio colérico não torna ninguém mais virtuoso nem mais coerente. E defender privilégios em nome da fé sufoca a prática da caridade, da justiça e da fraternidade.
A Igreja não pode nem será refém do fanatismo. O Evangelho de Cristo não pode ser instrumento de dominação. E a voz profética de quem defende os pobres não deve ser silenciada pela intolerância insidiosa.
Parto em defesa de Dom Limacedo, que, assim como Pedro, é um pescador de homens, um profeta dos direitos humanos, um arauto da democracia e de um cristianismo comprometido com a vida, o amor ao próximo, a justiça e a dignidade de todos!
Porque, no fim, quando os séculos se consumarem e as sete trombetas tocarem, a pergunta que será feita não será: Quem estava ao lado do bispo? Mas, sim: Quem estava ao lado da mensagem de Jesus Cristo?
*Hesdras Souto é Professor, Historiador, Sociólogo e Escritor.


*Hesdras Souto é Professor, Historiador, Sociólogo e Escritor.


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