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Coluna do Domingão

Por Nill Júnior
Por Marina Roca – Especial para o El País

Haddad e Ciro focam Nordeste. Ciro, Sudeste. Bolsonaro, onde há musculatura

Passados 30 dias desde que a campanha começou oficialmente, a estratégia política dos principais candidatos à presidência – os cinco primeiros nas pesquisas – é tentar se consolidar nas regiões onde já têm maior aceitação ou ao menos menor rejeição. É o que mostra uma análise das agendas do último mês de Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Fernando Haddad (PT).

Quatro deles concentraram as atividades de campanha nas regiões onde já têm eleitores, ou o Sudeste. Além de ser o maior colégio eleitoral do país, a região de São Paulo e Rio concentra também os meios de comunicação e entidades que estão promovendo sabatinas e entrevistas presenciais. A exceção nesse panorama foi Haddad que, mesmo antes de ser confirmado pelo PT na terça-feira, já havia sido o nome mais frequente no Nordeste, de olho no estoque de votos lulistas que ele disputa agora com Ciro.

A prioridade da campanha petista não é nenhuma surpresa. É no Nordeste onde Haddad vem em forte crescente, passando de 5% no final de agosto para 20% das intenções de voto no Datafolha divulgado na sexta-feira —na votação no país inteiro, Haddad marca 13%. Entre os nordestinos, o ex-prefeito de São Paulo ocupa a primeira posição em empate técnico com Ciro, que oscilou de 20% para 18% na zona.

Dos últimos 30 dias de campanha, Haddad passou 25 deles como vice. Mesmo assim, já estava em campanha e foi o que mais visitou a região Nordeste, passando pelos nove Estados. “Ele precisa fazer o voto dele crescer mais rapidamente”, diz Alberto Almeida, cientista político do Instituto Brasilis. “E o lugar mais propenso a votar mais rapidamente nele é o Nordeste”.

A estratégia do petista deve ser mantida pelas próximas três semanas até o primeiro turno. Foi especificamente ao Nordeste que Haddad dedicou o programa na TV deste sábado. A primeira agenda fora do Sudeste como candidato oficial foi voltar à Bahia, passando por Vitória da Conquista e Jequié, também neste sábado. Ainda há previsão dele voltar para Pernambuco, com uma agenda no Recife, e para outros Estados nordestinos até o final da campanha. Sua agenda está mesclada com idas a cidades da região metropolitana de São Paulo e a Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preso. Em um mês, foram seis visitas à capital paranaense.

A batalha do Nordeste será travada especialmente com Ciro Gomes. Nascido em São Paulo, mas com carreira política no Ceará, onde foi governador e é aliado do grupo petista no poder, o pedetista vem em segundo lugar em visitas ao Nordeste: já visitou seis Estados. Se, por um lado, é onde Ciro tem mais potencial de crescimento, por outro, não é fácil disputar o voto com “o candidato de Lula” na região.

“Ciro pode ser esmagado na região Nordeste pelo PT, dada a posição de centro-esquerda dele”, diz Almeida. Por isso, na opinião do especialista, se o pedetista quiser chegar ao segundo turno, vai ter que disputar o voto da direita e não da esquerda entre os nordestinos. “Hipoteticamente falando, se ele quiser subir, vai ter que disputar com Bolsonaro uma vaga no segundo turno”, afirma. “Para isso, teria de fazer uma volta à direita e não à esquerda. É hipotético, mas ele pode fazer isso”.

Uma análise distinta é feita por Mauro Paulino e Alessandro Janoni, do Datafolha. Os dois escreveram que a melhor aposta de Ciro é “conseguir associar-se ao discurso lulista”. Se for bem sucedido e Haddad patinar, pode chegar a 19% dos votos. Fora do Nordeste, “o pedetista corre o risco de se prender a nichos de jovens universitários, segmento onde chega a ter 34% das intenções de votos, mas de pouca expressão quantitativa”, analisaram.

Jair Bolsonaro (PSL), cujo fundo partidário é o menor dentre os cinco primeiros candidatos (pouco mais de 9 milhões de reais), foi o que teve a agenda mais enxuta. Antes de sofrer um atentado que o tirou da campanha, no último dia 6, o deputado focou em visitar cidades onde os diretórios locais tinham alguma musculatura para organizar as recepções a ele ou comícios.

Em primeiro lugar nas pesquisas (26% das intenções de voto, segundo o Datafolha), o capitão do Exército decidiu por consolidar a audiência que já tem, pontua Alberto Carlos Almeida. “Ele passou a ir nos lugares que considerava os mais importantes para segurar o voto e não para tentar conquistar um novo eleitor”.

De fato, entre os dias 16 de agosto, quando a campanha começou oficialmente, e 6 de setembro, quando o candidato fora atacado, ele não fez nenhuma visita ao Nordeste. A região é a que mais o rejeita, segundo levantamento mais recente do Datafolha: 51% dos eleitores nordestinos não votariam no deputado. Nas demais regiões, ele esteve ao menos uma vez.

Já a campanha com menos recursos de Marina Silva forçou a candidata a permanecer a maior parte do tempo no Sudeste.  Foi três vezes o Nordeste – Fortaleza, Recife e Salvador – e nenhuma no Sul, onde sua rejeição é a segunda maior do país: 32%, seguida do Centro-oeste, com um ponto a mais. A acreana visitou o Norte, região que sofre um colapso com a crise dos imigrantes venezuelanos, somente duas vezes – esteve em Macapá e Belém, mas até Ciro foi mais à região do que ela. Em dois dias, o pedetista passou por seis dos sete Estados do Norte – Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Pará e Amazonas – completando assim a região toda, já que já havia ido ao Tocantins no mês passado. O abandono de Marina à sua região foi sentido nas pesquisas, que registraram a despencada da ambientalista ali: de 23% no final de agosto, para 12% das intenções de votos agora. Enquanto isso, Haddad cresceu de 2% para 12% no mesmo período, empatando com Ciro, que oscilou de 10% para 12%.

Para Alberto Almeida, os 10,6 milhões de reais de fundo partidário da Rede, somados aos escassos 21 segundos de inserção por bloco no horário eleitoral moldaram a agenda de Marina, que participou de sabatinas, entrevistas e debates mais do que realizou agendas de rua. Ele acredita que essa tendência deve permanecer. “Marina tende a ficar mais próxima das regiões onde já está, o que pode indicar falta de recursos”. O fundo partidário da Rede não chega a 5% dos 212,2 milhões de reais do PT, partido com o maior fundo desta eleição.

O fique onde está também foi adotado por Geraldo Alckmin, talvez não por falta de recursos, mas por uma questão mais estratégica. O PSDB detém quase 186 milhões do fundo partidário e mesmo assim, sua agenda é muito mais intensa no Sudeste. “Os candidatos de certa maneira estão tentando maximizar as áreas onde eles estão mais fortes”, diz Rui Tavares. “Não adianta Alckmin sair correndo em direção ao Nordeste, que ele não vai conseguir minimizar isso numa campanha tão curta quanto essa”. Na região onde já foi governador, o tucano tem 11% das intenções de voto, contra 9% no país todo. Com somente dois Estados nordestinos visitados, Alckmin não vai engrossar a disputa em terreno com Haddad e Ciro.

Mudou?

Claro que o ex-prefeito Totonho usou força de expressão ao dizer que, se o governador Paulo Câmara quisesse seu apoio, teria que ir à sua casa para pedir voto. Claro também que a fala teve muita repercussão. Não foram poucos, principalmente entre os que não o digerem, os que o acharam arrogante e prepotente. Mas, vale o registro, o tempo não fará Valadares mudar. Ele foi Totonho em estado puro com a declaração, para uns uma qualidade, para outros, um defeito. Um gozador leu que Totonho fechou em outra cidade o apoio a Câmara e questionou: “oxi, mudou-se pra São José?”

Fazendo contas

Aliados de Zeca Cavalcanti acreditam que o petebista poderá estar entre os quatro mais votados de sua coligação podendo abocanhar a reeleição.  Este sábado, esteve na terra natal acompanhado de Nerianny Cavalcanti, quando visitou o comércio do centro da cidade. Em Caruaru,  recebeu o apoio do Sindicato dos Vigilantes de Pernambuco, tendo a frente Cassiano Souza.

Clássico

Sávio Torres já fala como candidato a reeleição em Tuparetama. Ontem, quando entregou ambulâncias e assinou obra de serviço para escola padrão FNDE, disse que sua gestão é bem avaliada e que será candidato a reeleição “se o povo assim quiser”. Pode estar pintando outra disputa com Dêva Pessoa, hoje Gerente Regional do IPA. A votação dos candidatos de um e de outro já podem dar um indicativo.

Raio duas vezes 

Enquanto a novidade federal de 2014, Kaio Maniçoba, ampliou bases e acredita na manutenção do seu mandato no pleito deste ano, a surpresa estadual, Eduíno Brito, não aparenta ter a mesma força para ampliação das bases. Como em 2014 ganhou sem alarde, a falta de repercussão sobre ampliação da força de sua candidatura não quer dizer necessariamente que não manterá a cadeira.

Apoio

Em 2014, Aline Mariano teve o apoio da hoje vereadora Edileuza e da família Godê em Solidão. Agora, garantiu o apoio de Genivaldo Soares e da esposa Eliana Maria, que preside a Câmara de Vereadores. Eles estiveram no Prosa Política, do candidato Paulo Câmara, noite passada em Afogados da Ingazeira.

Procurando nome

Prefeitos que terão que ter um nome pra chamar de seu em 2020: não tem direito a reeleição e terão que ter um nome para disputar a prefeitura Luciano Duque (Serra Talhada), até agora pendente ao apoio a Márcio Oliveira, José Patriota (Afogados), que pode apoiar Sandrinho, Tasso Bezerra (Santa Cruz da Baixa Verde), ainda sem nome e Sebastião Dias (Tabira), também sem opção imediata. Os demais com caneta na mão tem direito a reeleição.

Se lascou só

O candidato a Federal Ricardo Teobaldo disse que o prefeito Zeinha Torres (PSB) iria “se lascar” e perder a eleição com seus candidatos este ano, sendo derrotado em 2020 por Dessoles. A fala infeliz e desnecessária foi compartilhada aos montes, mas não afetou os cabeças do processo local. Zeinha não deu muita bola e Dessoles não tem perfil para esse tipo de fala. Assim, aparentemente, a repercussão ficou no entorno.

Fim ao pão e circo

Essa semana, o prefeito de Águas Belas, Luiz Aroldo (PT) quis gastar mais de R$ 1 milhão em festa com o município atolado em débitos com INSS. Há de um dia aparecer uma lei que proíba gestão com déficit fiscal e sem índices mínimos em educação, saúde e saneamento de tentar farrear com dinheiro público.

Bom se copia

Tabira continua avancando no processo de municipalização do trânsito com a sinalização horizontal e vertical das vias. Próximo passo, orientação e fiscalização. Na mesma semana em que o vídeo de um caminhão trava rua com som topado acordou moradores da Senador Paulo Guerra às cinco da manhã em Afogados.

Patrimônio

Amoêdo declarou à Justiça Eleitoral ter patrimônio de R$ 425 milhões; Meirelles R$ 378 milhões; Goulard Filho, quase R$ 8,6 milhões;  Eymael, R$ 6,1 milhões; Álvaro Dias, R$ 2,8 milhões; Bolsonaro R$ 2,3 milhões; Ciro 1,7 milhão; Alckimin quase R$ 1,4 milhão;  Haddad R$ 428 mil, Marina R$ 119 mil, Vera R$ 2o mil; Boulos, R$ 15 mil e Cabo Daciolo, nenhum bem declarado.

Frase da semana: “Tenho dito muito que Lula não deixa de ser candidato, ele é candidato com o nome de Fernando Haddad”.

Lula, que se acha uma ideia, na busca de transferência de votos para Fernando Haddad.

Outras Notícias

Sob efeitos do El Niño, aumentam queixas de alunos sobre falta de climatização e até água em escolas estaduais

No comentário desta sexta-feira (30/10) para o Jornal Itapuama, o jornalista Nill Júnior destaca o aumento das reclamações de estudantes da rede estadual de ensino diante das altas temperaturas provocadas pelos efeitos do El Niño. Os alunos relatam problemas graves como falta de água e falhas na climatização das salas de aula. Entre as situações […]

No comentário desta sexta-feira (30/10) para o Jornal Itapuama, o jornalista Nill Júnior destaca o aumento das reclamações de estudantes da rede estadual de ensino diante das altas temperaturas provocadas pelos efeitos do El Niño. Os alunos relatam problemas graves como falta de água e falhas na climatização das salas de aula.

Entre as situações citadas, estudantes da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Senador Vitorino Freire emitiram uma nota convocando a comunidade escolar para uma mobilização entre os dias 4 e 6 de novembro, denunciando o mau funcionamento dos aparelhos de ar-condicionado e as condições de ensino. Queixas semelhantes sobre infraestrutura e calor extremo também foram registradas na EREM Monsenhor Antônio de Pádua Santos e na Escola Rosete Bezerra, no Sertão do Pajeú.

A cobrança se direciona às Gerências Regionais de Educação (GRE) para a adoção de medidas urgentes. O comentário reforça ainda a promessa do governo de Pernambuco sobre a climatização e melhoria da estrutura das escolas estaduais, destacando o impacto direto do problema na saúde dos estudantes e na qualidade do aprendizado.

Influenciador digital eleito deputado estadual em PE tem prisão preventiva decretada por suspeita de extorsão

A Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva do influenciador digital Emerson Freitas, eleito deputado estadual nas eleições deste ano pelo MDB. Ele é suspeito de envolvimento em um caso de extorsão. A decisão foi tomada pela 15ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), e consta em um mandado de […]

A Justiça de Pernambuco decretou a prisão preventiva do influenciador digital Emerson Freitas, eleito deputado estadual nas eleições deste ano pelo MDB. Ele é suspeito de envolvimento em um caso de extorsão. A decisão foi tomada pela 15ª Vara Criminal da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), e consta em um mandado de prisão expedido nesta quinta-feira (29).

O documento identifica Emerson Jhuan Pereira do Nascimento. Na internet, ele é conhecido como Emerson Freitas, e costuma fazer reportagens sobre crimes e segurança pública. Nas eleições deste ano, ele obteve 49.254 votos e foi o segundo deputado mais votado do MDB, que elegeu dois parlamentares.

A ordem judicial indica o artigo 158 do Código Penal, que trata do crime de extorsão, e foi assinada pelo magistrado Abérides Nicéas de Albuquerque Filho.

A decretação da prisão consta na decisão em que a Justiça aceita uma denúncia do Ministério Público contra Emerson Freitas e contra Rizelly da Silva Santos. No trecho reproduzido no mandado, porém, a prisão preventiva é decretada expressamente contra Emerson.

O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para obter outras informações sobre o caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.

A defesa de Emerson Freitas afirmou que não iria se pronunciar sobre o mandado de prisão. O g1 também tentou, mas não conseguiu contato com a defesa de Rizelly da Silva Santos, também citada na denúncia.

A decisão prevê que a necessidade de manutenção da prisão cautelar seja reavaliada em 90 dias, conforme determina a legislação. A decisão não detalha a participação dos dois envolvidos no esquema de extorsão.

Procurado, o diretório estadual do MDB afirmou que tomou conhecimento do mandado de prisão por meio da imprensa e que “acompanhará o caso e aguardará os esclarecimentos das autoridades competentes, reafirmando seu respeito ao devido processo legal, ao amplo direito de defesa e à presunção de inocência”.

Democratas exploram abrigo de Trump a Flávio Bolsonaro às vesperas de eleição

O governo de Donald Trump está sob forte pressão e críticas de parlamentares do Partido Democrata e da imprensa internacional após autorizar a entrada e a concessão de vistos para o senador brasileiro Flávio Bolsonaro e sua família. O episódio ocorreu logo após Flávio ser derrotado nas eleições presidenciais brasileiras e desobedecer a uma ordem […]

O governo de Donald Trump está sob forte pressão e críticas de parlamentares do Partido Democrata e da imprensa internacional após autorizar a entrada e a concessão de vistos para o senador brasileiro Flávio Bolsonaro e sua família.

O episódio ocorreu logo após Flávio ser derrotado nas eleições presidenciais brasileiras e desobedecer a uma ordem judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes no âmbito de investigações criminais.

Parlamentares democratas criticaram duramente o uso de recursos e canais oficiais para facilitar a saída de Flávio do Brasil e seu acolhimento nos EUA.

Na terça-feira, 3 de novembro, até 200 milhões de eleitores registrados poderão ir às urnas nos Estados Unidos para votar em todos os 435 membros da Câmara dos Representantes, 33 senadores, 36 dos 50 governadores, além de integrantes de legislaturas estaduais e locais. As pesquisas indicam que Donald Trump e o Partido Republicano têm grandes chances de sofrer uma derrota acachapante, perdendo o controle da Câmara dos Representantes e, possivelmente, do Senado. E a questão Flávio virou um ativo de seus opositores.

O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados (ala democrata) ironizou o fato de a gestão Trump impor severas restrições a refugiados de nações em guerra (como Sudão e Haiti), enquanto “estende o tapete vermelho” para um político sob investigação criminal.

O deputado Joaquin Castro (Texas) afirmou publicamente que uma derrota eleitoral não justifica proteção internacional. Ele exigiu que a Casa Branca dê explicações ao Congresso sobre o papel do governo americano em ajudar o brasileiro a fugir das autoridades de seu país.

O congressista Morgan McGarvey apontou o que chamou de um padrão de privilégios de Trump, afirmando ironicamente que o presidente não aceita criminosos entrando no país, “a menos que sejam tão corruptos quanto ele”. Outros membros, como o candidato Isaiah Martin, classificaram Flávio como “imigrante ilegal criminoso” e repudiaram o fato de os contribuintes americanos pagarem pela segurança de sua família.

Grandes jornais revelaram detalhes sobre a operação que levou Flávio aos EUA, ampliando as críticas ao governo de Washington:

De acordo com reportagens do The New York Times, o jato particular que transportou Flávio da Argentina para Miami foi providenciado por Jason Miller, conselheiro de comunicação e estrategista próximo a Donald Trump. O secretário de Estado, Marco Rubio, também é apontado como peça central na facilitação dos vistos de urgência.

Meios como o The New York Times e o Le Figaro destacaram que o abrigo concedido pelos EUA pode congelar e agravar significativamente as relações diplomáticas bilaterais entre a gestão de Trump e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Resposta de Trump

Embora Donald Trump tenha criticado publicamente a eleição brasileira, classificando-a como “estranha” e “terrível”, e afirmado que aprova a permanência de Flávio por considerar sua família de “boas pessoas”, ele adotou um tom de recuo estratégico em seguida. Após Flávio publicar uma carta com tom golpista se autodeclarando o “verdadeiro presidente eleito”, Trump declarou formalmente a jornalistas que “não vai se envolver” nos assuntos internos e que não assumiu uma posição direta no pleito brasileiro, indicando que manterá o caso em segundo plano para não contaminar a política doméstica americana.

Embaixada dos EUA contraria Trump e valida vitória ‘definitiva’ de Lula em relatório oficial

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras. A avaliação consta de um relatório diplomático enviado na segunda-feira, 26, a órgãos do governo americano, incluindo o Departamento de Estado, segundo informações […]

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras. A avaliação consta de um relatório diplomático enviado na segunda-feira, 26, a órgãos do governo americano, incluindo o Departamento de Estado, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.

Intitulado “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”, o documento afirma que a votação transcorreu de maneira majoritariamente pacífica, apesar de problemas logísticos registrados em algumas regiões do país. O relatório também destaca que observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado e que a ampliação do horário de votação não teve impacto significativo na diferença entre os candidatos.

A avaliação da representação diplomática contrasta com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro nesta quinta-feira, 29. Embora tenha afirmado que pretende conversar com Lula, o republicano classificou a eleição como uma “vergonha” e evitou responder se reconhece o petista como vencedor legítimo da disputa.

Segundo o documento diplomático, Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O relatório registra que o segundo turno foi marcado por dificuldades de acesso a locais de votação e interrupções no transporte público em áreas do Nordeste e do Sul.

As campanhas dos dois candidatos teriam solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a ampliação do horário de votação diante dos problemas. A medida foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação em duas horas além do encerramento previsto para as 17h.

A decisão provocou confusão em algumas seções eleitorais, que não teriam recebido a determinação a tempo. Ainda assim, o relatório ressalta que, segundo dados do TSE, apenas 34 mil votos foram registrados depois das 17h, incluindo eleitores que já estavam nas filas no horário previsto para o encerramento. O total corresponde a aproximadamente 0,03% dos votos, volume insuficiente para modificar a diferença entre os candidatos.

O documento também atribui ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, a avaliação de que a extensão do horário não teve influência significativa sobre o resultado. A representação americana relata que observadores internacionais consideraram a decisão mal administrada, mas avaliaram que o processo eleitoral ocorreu de forma organizada.

As missões da Organização dos Estados Americanos (OEA), conforme o relatório, afirmaram não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados”, embora tenham apontado problemas na comunicação interna entre os responsáveis pela organização da votação.

Eleições 2026: 27 partidos reconheceram vitória de Lula nas urnas

Vinte e sete partidos políticos, incluindo o PL, divulgaram manifestações em que reconhecem a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano. O petista conquistou a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro, que deixou o país após o resultado. Após desembarcar nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta com teor […]

Vinte e sete partidos políticos, incluindo o PL, divulgaram manifestações em que reconhecem a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições deste ano. O petista conquistou a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro, que deixou o país após o resultado.

Após desembarcar nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta com teor golpista, na qual afirmou não reconhecer o resultado das urnas no segundo turno da eleição presidencial, acusou suposta fraude eleitoral e afirmou ser o “verdadeiro presidente do Brasil”, o “presidente eleito”.

Segundo levantamento feito a partir de notas oficiais, assessorias e publicações das legendas e de seus dirigentes, 27 partidos reconheceram a vitória do petista; o partido Novo questionou as instituições e afirmou que o país “não é uma democracia”; e uma não se manifestou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a regularidade do processo eleitoral e reconheceu a vitória do presidente Lula ainda no domingo (25), após a totalização dos votos.

Depois da divulgação da carta de Flávio, questionando o resultado nas urnas, o presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a Justiça Eleitoral entregou o pleito deste ano com segurança e que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade”.

Entre as siglas que reconheceram a vitória estão o PL — partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro —, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP e PSTU.