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Coluna do domingão

Por Nill Júnior

Drama evidencia o que há de melhor e de pior em nós

É em tragédias como a que voltamos a ver na Mata Sul do Estado que o ser humano mostra a sua face mais solidária e também a mais cruel. De bom, os inúmeros exemplos de solidariedade encontrados estado afora. Cidades que há bem pouco sofriam com o drama da estiagem estão entre as mais solidárias com os municípios irmãos que agora padecem pelo excesso de água.

Veja os exemplos de Afogados, Flores, Serra Talhada e Sertânia. Com a logística comandada pelas prefeituras e Câmaras destas cidades, várias entidades se articularam e arrecadaram um número recorde de donativos. Esta semana, um caminhão de donativos veio para a Rádio Pajeú na área de Leitão, uma simples e humilde comunidade rural. “Eu saí de porta a porta pedindo ajuda. O povo é simples mas é solidário. É nosso dever“ , disse Djailson Silva, agricultor que coordenou a ação.

Como esquecer a história da menina Rivânia, de uma comunidade de José da Coroa Grande? Com brinquedos e outros pertences, preferiu salvar os livros, comovendo meio mundo.

Mas também é nessas horas que revelamos o que há de pior em nós. Levantamento feito em pontos de arrecadação no estado, mostrou que quase 70% das roupas doadas chegam em péssimo estado de conservação e precisam ir para o lixo. São peças mofadas, rasgadas e sujas. Em um ponto de coleta, por exemplo, foram doadas calcinhas e cuecas sujas de fezes.

Neste período, exploradores da dor inflacionam preços de mantimentos como água mineral e distribuída em carros pipa. Como o dinheiro para socorrer as famílias não passa por licitação, há casos graves de desvios verificados em cidades nos episódios anteriores.

E mesmo parte das famílias que foram socorridas em 2010, hoje estão no mesmo lugar porque venderam as casas ganhas do governo, como em Barreiros. No fim, a certeza de que vale a pena estar no primeiro grupo.

Ação pioneira

Impressionou a rapidez de raciocínio e solução encontrada pelo Presidente da AMUPE, José Patriota, para organizar a distribuição e socorro de cidades que decidiram ajudar as que estão em dificuldades.

A decisão de que uma cidade “adotasse outra”  deu uma praticidade sem tamanho à ajuda. Em 2010, era um samba do crioulo doido e havia o risco de mais mantimentos chegarem a quem menos precisava. Do jeito que foi agora, o projeto direcionou de forma mais justa e gerou mais solidariedade, com o sentimento de que havia uma “cidade irmã” a ser ajudada.

Diárias no Trending Topics

Há tempo, o tema “pagamento de diárias” não despertava tanta atenção. Já torrou o juízo do ex-prefeito Totonho e uma varredura administrativa para apurar os pagamentos a Daniel Valadares, Gilvan Menelau e Paulo Valadares. Voltou há alguns dias no embate Emídio x Igor em torno das diárias da Câmara de Afogados e agora, após matéria enviada por Djalma Alves (Solidão) sugerindo aumento das suas. Diária é boa, todo mundo gosta, dá um extrazinho, mas deve ser usada com valor justo, parcimônia, ética e quando estritamente necessária.

Fazendo do limão uma limonada

O IPA não tem recursos, sendo certamente um dos órgãos onde mais se pronuncia a palavra contenção. Mas não pode servir de desculpa para acomodação. Recém empossado no órgão regional – onde a gratificação é modica – Dêva Pessoa arregaçou as mangas, brigou por dinheiro com o presidente Gabriel Maciel. Aperreou Patriota e fez uma feira de artesanato que reuniu várias cidades em Afogados na última sexta. Merece o Troféu na categoria “como fazer um evento liso”.

Muda a manchete!

Cri-cri como de praxe, Emídio Vasconcelos questiona a nossa manchete “Chuva destrói muro de cemitério de Afogados”. O enfoque está errado. Não foi a chuva forte que derrubou a parede do cemitério. O que ocorreu é que uma chuva média de 55 milímetros, conseguiu derrubar a parede sem manutenção do Cemitério”. Concluiu seu comentário com um “vôte”. Registrado.

“Tão batendo em meu filho”

Em um encontro casual em Carnaíba, onde participava da festa de Santo Antonio, a mãe de Nailson Gomes, Presidente da Câmara de Serra Talhada, dona Nailda Alves da Sá Lima reclamou: “meu filho faz um trabalho tão bom, mas tão batendo muito nele”.

A queixa, também feita por Nailson, refere-se a parte da imprensa que anda questionando sua condução. Como ex-atacante profissional, está acostumado.

Não vai se posicionar

Duramente atacado e questionado pelo Delegado Ubiratan Rocha, que o acusa de perseguição e má condução na Delegacia Regional, o Delegado Jorge Damasceno avisou que não irá se pronunciar sobre os questionamentos da decisão de transferir o Delegado de São José do Egito para Sertânia. “Essa é uma questão que trato internamente”, disse à produção do programa Manhã Total.

“Liberdade total”

Foi o que disse o radialista Francys Maya ao ser perguntado sobre a linha editorial do programa Frequência Democrática, que apresentará com Giovani Sá na Vilabela FM. O cartão de visitas é dos melhores. Na “Audiência Pública”, sequência de debates do programa pela ordem Sebastião Oliveira (segunda), Luciano Duque (terça), Rogério Leão (quarta), Marilia Arraes (quinta) e representantes da CDL na sexta.

Frase da semana:

“Agradeço a esse gesto grandioso do povo de Afogados à nossa cidade”. Do Prefeito de Jaqueira, Marivaldo Andrade (PT), agradecendo a todos que colaboraram.

Outras Notícias

O Blog e a História: os 100 dias do primeiro governo Lula

Nos seus 100 dias do primeiro mandato, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administrou uma alta na taxa básica de juros logo na terceira semana do governo. O Banco Central, presidido então por Henrique Meirelles, aumentou a Selic de 25% para 25,5% ao ano, no dia 22 de janeiro. Na véspera, a […]

Nos seus 100 dias do primeiro mandato, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva administrou uma alta na taxa básica de juros logo na terceira semana do governo.

O Banco Central, presidido então por Henrique Meirelles, aumentou a Selic de 25% para 25,5% ao ano, no dia 22 de janeiro. Na véspera, a meta de inflação havia sido revista e o teto da variação de preços fora fixado em 8,5%.

Assim como agora, o cenário em 2003 era de baixo crescimento econômico e a inflação preocupava. Quem deu o tom do início do governo foi o Ministério da Fazenda, tocado então por Antônio Palocci.

Uma grande diferença estava na retórica do presidente. Em um ambiente de tranquilidade institucional , Lula tomou posse pedindo o controle “das muitas e legítimas ansiedades sociais”, que seriam atendidas, em suas palavras, “no momento justo”.

O momento demoraria. No segundo mês do governo, o BC promoveu novo aumento da Selic, de 25,5% para 26,5% e apertou o crédito, elevando a alíquota do depósito compulsório de 45% para 60%. O ajuste era a palavra de ordem do começo de 2003, como ficou claro na reunião de Lula com os 27 governadores em 22 de fevereiro, quando se comprometeu a enviar a reforma da Previdência e a tributária ainda no primeiro semestre.

No primeiro mês do governo, o superávit primário do setor público alcançou 7,01% do PIB, melhor resultado em 12 anos. Estes primeiros movimentos tiveram resposta no mercado financeiro, com queda no risco-país. Em 4 de março, o FMI liberaria a segunda parcela do desembolso previsto para o Brasil, de US$ 4,6 bilhões (valores da época). A inflação também cedeu: o IGP-M em março foi de 1,53%, menor variação desde maio de 2002.

O aperto do governo federal também se refletia na relação com os Estados. Em 10 de março, Minas Gerais sofreu um bloqueio de contas pelo não cumprimento do acordo de reestruturação da dívida da União, celebrado em 2001.

Próximo à marca de 100 dias, Lula começou a soltar as amarras. No dia 31 de março anunciou o aumento do salário mínimo de R$ 200 para R$ 240, o que em termos reais significava um aumento de 1,85% em relação a abril de 2002.

Gordura para queimar não era problema para Lula: pesquisa do Ibope divulgada em 2 de abril mostrava o presidente com 51% de bom e ótimo e apenas 7% de ruim e péssimo, realidade muito diferente da atual. Mas a relação de Lula com suas bases começava a estressar. Um protesto de servidores federais reuniu milhares de pessoas em 8 de abril, contra a política de austeridade do governo.

Coluna do Domingão: direita já descartou Flávio

O vídeo gravado por Flávio Bolsonaro com teor golpista foi ignorado pelos grandes portais como UOL e G1. A exceção foi o Metrópoles, nenhuma surpresa considerando seu nível editorial. A leitura dos demais é de que não há porque dar espaço para declarações que afrontem o processo eleitoral no Brasil, que foi limpo e declarou […]

O vídeo gravado por Flávio Bolsonaro com teor golpista foi ignorado pelos grandes portais como UOL e G1.

A exceção foi o Metrópoles, nenhuma surpresa considerando seu nível editorial. A leitura dos demais é de que não há porque dar espaço para declarações que afrontem o processo eleitoral no Brasil, que foi limpo e declarou vencedor quem teve mais votos.

Antes, a carta já era chamada de “com teor golpista” e Flávio,  de “fugitivo”.

O Estadão publicou um editorial com o título “um golpista em Miami, um democrata em SP”. Outra frase explorada pelo The Guardian ridicularizou: “A carta de Flávio não vale a tinta deste jornal, mas não há como ignorar o constrangimento”.

Não existe almoço grátis. Como parte da imprensa hegemônica tem interesses muito evidentes e servem a setores como o mercado,  as grandes empresas,  os grandes empresários e suas apostas,  a ideia é ignorar Flávio para projetar um novo líder,  com o favorito Tarcísio de Freitas. Já entenderam que com os Bolsonaros, não dá mais.  À exceção de 2018, com Lula preso, não tem mais chances.

Outra leitura é do último ciclo Lula. A esquerda ainda não tem um nome competitivo. Assim, a equação é ignorar Flávio Bolsonaro,  projetar Tarcísio de Freitas e apostar no enfraquecimento do lulismo em 2030. É uma espécie de “passa rápido,  podemos aguentar”.

Certeza é de que para essa turma,  Flávio já foi descartado.

Tristeza

Muito triste a morte do jovem João Caio Pereira Rodrigues Melo, de 26 anos, filho do ex-prefeito de Triunfo, João Batista Rodrigues, e da ex-secretária de Saúde Tarciane Pereira Melo, que faleceu na madrugada deste sábado, 31 de outubro de 2026, tendo sido sepultado esta noite. Prova do carinho de Pernambuco pelo casal foi o volume de manifestações nessa hora tão difícil.

Modus operandi

Como em todos os episódios similares, o vídeo publicado por Gil Amaral,  a Gil da Padaria,  de Custódia,  recomendando não contratar petistas, a primeira reação foi tentar retirar o vídeo. Depois,  bem depois, fazer uma nota afirmando que “não foi bem assim” e pedindo desculpas.

Críticas à concessão 

O Deputado Federal Pedro Campos,  do PSB,  criticou a prorrogação da concessão dos serviços de água e esgoto pelo governo Raquel Lyra às empresas vencedoras. “O preço da privatização da COMPESA chegou! As empresas ainda não estão prontas para assumir os serviços e, como sempre, quem corre o risco de pagar essa conta duas vezes é o povo pernambucano!” – diz. Ele diz que a tarifa de água será aumentada em mais de 10% e a tabela de serviços, em mais de 600%.

Público x privado 

Pedro diz ainda que as empresas Aqua Pernambuco e Vita Sertão estariam exigindo que os trabalhadores do Estado sirvam à estrutura privada que já vai começar a cobrar as novas tarifas. A proposta,  diz,  foi apresentada no Conselho de Administração da Compesa. Outra denúncia é a de que a parte que ficou pública terá prejuízo de R$ 3 bi.

Uma coisa é uma coisa

A primeira dama de Tuparetama,  Roseane Gomes,  tem todo o direito de ser bolsonarista. O complicado é,  na defesa de sua posição,  usar uma fake news para descredibilizar o processo eleitoral. Importante lembrar, não há registros de questionamentos ao sistema quando seu marido,  o prefeito Diógenes Patriota,  foi eleito a dois anos.

O meme veio pronto

O vereador Luiz Abel, de Sertânia,  tinha certeza da vitória de Flávio Bolsonaro. No domingo da votação,  foi de verde e amarelo e com a bandeira do Brasil em punho. Não deu. Em Sertânia,  a maior obra de desenvolvimento em décadas é o campus da UFPE,  bancada pelo governo Lula. O bolsonarismo é crítico das universidades. Curiosa era a crítica de que o tempo de Lula já passou. Luiz Abel tem quase 70 anos.

Criador e criatura

Em Belo Jardim,  a derrota foi dobrada. Mendonça Filho alcançou mais um insucesso eleitoral. Perdeu pro Senado,  coordenou a eleição de Flávio em Pernambuco e perdeu. E o prefeito Gilvandro Estrela achou que na zoada faria Flávio majoritário em Belo Jardim. Lula teve  70,50% dos votos válidos, pouco mais que a média estadual, contra 29,50% de Flávio.

Racha a vista?

Em Venturosa,  ao que tudo indica,  pode haver racha entre o prefeito Kelvin Cavalcanti e o ex-prefeito Eudes Tenório,  o Doutor Eudes. Isso porque com aprovação acima dos 80%, Kelvin sinaliza que disputará a reeleição. E Dr Eudes quer voltar. O problema é que só pode um.

Reunião

A ASSERPE,  Associação de Rádio e TV de Pernambuco, realiza nesta quinta-feira pela manhã importante reunião setorial em Serra Talhada. Será no Auditório do SENAC. Uma das pautas vai tratar do rádio do futuro,  com Maria Claudia Santos, Diretora de jornalismo da Rádio Itatiaia, mais participações de Cristiano Stuanni, consultor e palestrante sobre Rádio e suas estratégias digitais,  CBN Recife e Sistema Jornal do Commercio.

Frase da semana:

“Eu devo essa eleição ao povo brasileiro”.

Do presidente reeleito,  Luiz Inácio Lula da Silva,  acrescentando que essa eleição “foi o povo que ganhou, foi a juventude que ganhou, foram as mulheres que ganharam, foram as pessoas idosas que foram votar”.

Trump afirma que Flávio Bolsonaro pode ficar nos Estados Unidos pelo tempo que quiser

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer em território norte-americano pelo tempo que desejar. A declaração foi feita nesse sábado (31), durante uma conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida. Apesar de autorizar a permanência do brasileiro, Trump afirmou que não tem planos de se reunir […]

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer em território norte-americano pelo tempo que desejar. A declaração foi feita nesse sábado (31), durante uma conversa com jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida.

Apesar de autorizar a permanência do brasileiro, Trump afirmou que não tem planos de se reunir com Flávio, que chegou a Miami na quarta-feira (28), após deixar o Brasil em meio a restrições judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Questionado sobre a possibilidade de um encontro, o presidente norte-americano disse considerar que o senador foi tratado de maneira injusta.

“Sem planos de encontrar, mas acho que ele foi tratado muito mal. Muito mal. Então ele pode ficar aqui o tempo que quiser”, declarou Trump.

Em seguida, o republicano voltou a criticar a eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado em 25 de outubro.

“Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha”, afirmou, sem apresentar elementos que sustentassem questionamentos sobre a legitimidade do resultado.

É importante destacar que as acusações de fraude nas eleições presidenciais de 2026 não foram acompanhadas de qualquer prova. O resultado foi oficialmente proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

A declaração de Trump ocorreu no mesmo dia em que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou a participação direta do governo dos Estados Unidos na organização da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Rubio afirmou que o senador já possuía visto e que Trump autorizou sua entrada no país. Segundo o secretário, Flávio recebeu uma autorização temporária de permanência, conhecida como parole, mecanismo utilizado pelas autoridades migratórias norte-americanas.

Embora Trump tenha declarado que o parlamentar pode permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que quiser, a autorização migratória concedida é temporária e não representa, por si só, um direito de residência por prazo indeterminado.

Flávio deixou o Brasil após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que estabeleceu a entrega de seus passaportes e restrições à saída do território nacional. O senador chegou aos Estados Unidos acompanhado da família.

A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem, realizada após a imposição das medidas judiciais.

Fonte: O Globo
Foto: Reprodução

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Fuga de Flávio Bolsonaro envolveu seis carros e três jatos, diz jornal argentino

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país, teria envolvido seis veículos e pelo menos três jatos particulares. As informações foram divulgadas pelo jornal argentino Clarín e repercutidas pelo Metrópoles nesse sábado (31). Segundo a publicação, os seis carros deixaram […]

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de deixar o país, teria envolvido seis veículos e pelo menos três jatos particulares. As informações foram divulgadas pelo jornal argentino Clarín e repercutidas pelo Metrópoles nesse sábado (31).

Segundo a publicação, os seis carros deixaram a residência do senador, em Brasília, para dificultar a identificação do veículo que transportaria Flávio, sua esposa e suas duas filhas até a fronteira com a Argentina. A operação também teria contado com aeronaves alternativas, caso o voo inicialmente planejado não pudesse ser realizado.

O deslocamento por estrada não estava previsto originalmente. Flávio teria contratado um avião para viajar de Brasília até a região de Foz do Iguaçu, mas o proprietário da aeronave desistiu de realizar o transporte após a divulgação da decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a entrega dos passaportes e proibiu o senador de sair do território nacional.

Diante da situação, a família teria percorrido mais de 1.600 quilômetros por via terrestre até a fronteira argentina. De acordo com o Clarín, representantes dos Estados Unidos teriam participado da organização do deslocamento e dos procedimentos no aeroporto de Puerto Iguazú.

A reportagem também afirma que o presidente argentino Javier Milei teria enviado seu assessor Santiago Caputo à região para auxiliar na operação. Outros aviões teriam sido preparados, incluindo uma alternativa de saída pelo Paraguai.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, negou nesse sábado (31) que o governo dos Estados Unidos tenha colaborado com a operação. Os governos argentino e norte-americano não confirmaram participação na organização da viagem.

Segundo o relato publicado, Flávio e sua família teriam acessado diretamente a pista do aeroporto argentino antes da chegada de uma caminhonete branca registrada por emissoras de televisão na noite de terça-feira (27). O senador já estaria dentro da aeronave quando o veículo apareceu nas imagens.

A imigração argentina confirmou que Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira com a família na noite de terça-feira e embarcou em um voo particular com escala no Equador. O destino final foi Miami, nos Estados Unidos, onde desembarcou na manhã de quarta-feira (28).

Flávio deixou o Brasil dois dias depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A viagem ocorreu apesar da determinação judicial que o impedia de sair do país.

Fonte: Metrópoles, com informações do Clarín
Foto: Reprodução

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Fachin vê pressão sobre Tribunal Constitucional da Polônia como alerta para o Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a crise envolvendo o Tribunal Constitucional da Polônia representa um alerta para o Brasil e outras democracias. A declaração foi feita à jornalista Miriam Leitão, em mensagem publicada neste sábado (31), em sua coluna no jornal O Globo. A preocupação do ministro está relacionada […]

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou que a crise envolvendo o Tribunal Constitucional da Polônia representa um alerta para o Brasil e outras democracias. A declaração foi feita à jornalista Miriam Leitão, em mensagem publicada neste sábado (31), em sua coluna no jornal O Globo.

A preocupação do ministro está relacionada às disputas pelo comando da Corte polonesa, em meio a questionamentos sobre a nomeação e a permanência de magistrados. O conflito envolve o governo do primeiro-ministro Donald Tusk, o presidente Karol Nawrocki e integrantes do partido de oposição Lei e Justiça (PiS).

“É um alerta polonês para o Brasil e o mundo”, declarou Fachin à jornalista.

Na avaliação do presidente do STF, interferências indevidas no funcionamento dos tribunais podem comprometer a separação dos Poderes, enfraquecer os mecanismos de controle e colocar em risco direitos e liberdades individuais.

Segundo a reportagem de Miriam Leitão, a crise se intensificou após a juíza Anna Korwin-Piotrowska anunciar que assumiria interinamente a presidência do Tribunal Constitucional, depois da suspensão do presidente da Corte, Bogdan Swieczkowski.

A medida é contestada por integrantes do tribunal e pela oposição. O governo de Donald Tusk sustenta que suas ações buscam restabelecer o Estado de Direito, enquanto o presidente Karol Nawrocki e representantes do PiS acusam o Executivo de interferência política no Judiciário.

A disputa provocou manifestações diante da sede do tribunal, em Varsóvia, e levou Nawrocki a interromper uma viagem ao Senegal para retornar à Polônia. O presidente também convocou reuniões de emergência com representantes dos partidos políticos.

O conflito tem origem em divergências sobre a composição da Corte. Durante o governo do PiS, entre 2015 e 2023, a União Europeia questionou a independência de instituições judiciais polonesas e apontou problemas na relação entre o Judiciário e o poder político.

Desde que assumiu o governo, Tusk tenta promover mudanças na estrutura judicial, mas enfrenta resistência de magistrados ligados à administração anterior e do presidente da República.

Em sua manifestação à jornalista Miriam Leitão, Fachin destacou que ameaças à independência judicial exigem vigilância e responsabilidade institucional. Para ele, a preservação da democracia depende da capacidade das instituições de reagir a pressões que comprometam suas garantias fundamentais.

O ministro também divulgou uma nota informando que acompanha a crise por meio de contatos com a Embaixada do Brasil em Varsóvia. Fachin defendeu cautela na avaliação dos acontecimentos, sem antecipar conclusões sobre questões que poderão ser examinadas por tribunais europeus.

A mensagem enviada à jornalista não aponta um episódio específico do cenário político brasileiro, mas apresenta a situação polonesa como advertência sobre os riscos decorrentes de interferências na atuação dos tribunais constitucionais.

Fonte: O Globo, coluna de Miriam Leitão
Foto: Reprodução

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