Caso Master: entenda o esquema bilionário investigado e como o banco chegou à liquidação
Novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades voltaram a colocar o Banco Master no centro do noticiário. Entenda como começou o caso e o que está sob investigação.
As novas revelações envolvendo Daniel Vorcaro e mensagens atribuídas a conversas com o ministro Alexandre de Moraes voltaram a colocar o caso Banco Master em evidência. Diante dos novos desdobramentos, o Blog do Nill Júnior recapitula como começaram as investigações, quais são as principais acusações e como o banco chegou à liquidação.
No centro das apurações está Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A Polícia Federal investiga um suposto esquema que teria utilizado títulos de crédito falsos, operações financeiras sem lastro e ativos superavaliados para melhorar artificialmente a situação patrimonial da instituição e captar recursos no mercado.
As investigações começaram em 2024 e deram origem à Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, uma das principais suspeitas é de que o Master tenha criado carteiras de crédito sem lastro e posteriormente negociado esses ativos com o Banco de Brasília (BRB).
Em termos simples, a suspeita é de que valores apresentados no balanço do banco como patrimônio ou créditos a receber não correspondiam integralmente a ativos com o valor e a segurança registrados.
Como funcionaria o esquema
Uma carteira de crédito reúne empréstimos concedidos por uma instituição financeira. Esses créditos podem ser negociados com outros bancos, que pagam determinado valor e passam a receber as parcelas dos devedores.
Esse tipo de operação é comum e legal. No caso Master, porém, a investigação apura se parte das carteiras negociadas correspondia a empréstimos sem lastro suficiente ou a operações que não existiam da maneira como eram apresentadas.
A PF também investiga a possível utilização de empresas, fundos e outros ativos para fazer recursos circularem entre diferentes estruturas financeiras enquanto determinados bens recebiam avaliações superiores ao seu valor efetivo.
A suspeita é de que essas operações ajudassem a produzir uma aparência de maior solidez financeira para uma instituição que enfrentava dificuldades de caixa.
O papel dos CDBs
Outro ponto importante são os Certificados de Depósito Bancário, os CDBs.
Na prática, ao comprar um CDB, o investidor empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca. O Master ganhou espaço no mercado oferecendo remunerações acima das praticadas por diversas instituições concorrentes.
Parte desses investimentos era protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitados os limites previstos pelas regras da entidade.
A investigação busca esclarecer se, enquanto captava grandes volumes de recursos com esses títulos, o banco já enfrentava problemas para sustentar suas operações.
Fraudes bilionárias sob investigação
Em fases anteriores da Operação Compliance Zero, as suspeitas relacionadas a títulos e operações financeiras chegaram à casa dos bilhões de reais.
Decisões judiciais também determinaram bloqueios e sequestros de grandes volumes de bens e valores pertencentes a investigados. Esses montantes, contudo, não representam necessariamente prejuízo comprovado: são medidas cautelares adotadas durante as investigações.
Por que o Banco Central liquidou o Master
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de instituições que integravam o conglomerado.
O BC apontou grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.
Na prática, a liquidação encerrou as operações regulares do banco e colocou sua administração sob responsabilidade de um liquidante encarregado de organizar ativos, dívidas e pagamentos aos credores.
A decisão administrativa do Banco Central é diferente da investigação criminal e não representa, por si só, condenação dos antigos controladores.
Vorcaro e o avanço das investigações
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jato particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Com o avanço das investigações, o caso deixou de envolver apenas suspeitas de fraudes bancárias. A Polícia Federal passou a apurar também possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, obtenção irregular de informações sigilosas e tentativas de interferência nas investigações.
Foi justamente nesse contexto que novas mensagens extraídas do celular de Vorcaro passaram a levantar questionamentos sobre contatos mantidos pelo ex-banqueiro com autoridades.
Esses novos elementos abrem uma segunda frente do caso e passaram a envolver diretamente o Supremo Tribunal Federal.
Na segunda reportagem desta série, o Blog do Nill Júnior explica o que mostram as mensagens atribuídas a conversas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes e por que elas chegaram à Procuradoria-Geral da República e ao plenário do STF.
Daniel Vorcaro nega irregularidades, e sua defesa afirma que ele vem colaborando com as autoridades. As investigações continuam em andamento.
Fonte: G1 / Agência Brasil
Foto: Reprodução
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