Carlos Veras destaca papel do Cine São José como espaço de resistência cultural e política
Por André Luis
Deputado federal destinou emenda no valor de R$150 mil para manutenção da infraestrutura do equipamento.
Na noite deste sábado (12), o deputado federal Carlos Veras (PT) participou da solenidade de reabertura do Cine São José, em Afogados da Ingazeira. O evento marcou a entrega das novas cadeiras e da tela do espaço, símbolo histórico da cidade.
Durante seu discurso, Veras ressaltou o papel do Cine São José como espaço de resistência cultural e política. “O Cine São José sempre foi um palco de resistência popular, de resistência da cultura, contra a ditadura, contra o fascismo e contra a intolerância”, afirmou.
O deputado também destacou a importância da Lei Aldir Blanc, responsável por viabilizar a reabertura do cinema. Ele lembrou sua participação como coautor da legislação, aprovada durante a pandemia, para socorrer o setor cultural. “Ver hoje esse processo de reabertura sendo realizado fruto de uma lei tão importante, me enche de orgulho”, disse.
Carlos Veras aproveitou a ocasião para anunciar a apresentação de um novo projeto de lei, intitulado Ainda Estou Aqui, que propõe garantir aos cinemas tradicionais o direito de exibir produções nacionais no mesmo período de lançamento das grandes redes.
Ao final de sua fala, o parlamentar confirmou a destinação de uma emenda no valor de R$ 150 mil para a manutenção da infraestrutura do equipamento. “Está garantido a emenda de R$ 150 mil pra gente fortalecer essa parceria”, afirmou, destacando o pedido feito por representantes do movimento sindical, vereadores, o vice-prefeito Daniel Valadares e o comunicador Nil Júnior, que o gerente administrativo da Fundação Cultural Senhor Bom Jesus dos Remédios, mantenedora do Cine São José, da Rádio Pajeú e do Museu do Rádio.
O grupo Mestre Bi e a Ciranda Bela Rosa, de Nazaré da Mata, anunciou o cancelamento de sua participação no festival Pernambuco Meu País, que acontece entre 29 e 31 de agosto em Arcoverde. A informação é do Panorama PE. A apresentação estava prevista para o dia 31, no distrito de Ipojuca, mas não ocorrerá […]
O grupo Mestre Bi e a Ciranda Bela Rosa, de Nazaré da Mata, anunciou o cancelamento de sua participação no festival Pernambuco Meu País, que acontece entre 29 e 31 de agosto em Arcoverde. A informação é do Panorama PE.
A apresentação estava prevista para o dia 31, no distrito de Ipojuca, mas não ocorrerá porque, de acordo com o mestre cirandeiro, os custos da viagem superam o valor pago pelo contrato.
A decisão, contudo, vai além de uma simples alteração na programação: ela revela um problema crônico enfrentado por muitos artistas populares do estado. Nesse sentido, os dos baixos cachês e da necessidade de, muitas vezes, “pagar para trabalhar”.
Em nota publicada nas redes sociais, Mestre Bi desabafou que a decisão foi tomada “puramente por questões financeiras e de valorização”. Desse modo, ressaltando que desde 2015 luta para dar visibilidade à cultura popular, mas que não é viável arcar com despesas tão altas quando o pagamento não cobre os custos.
A publicação rapidamente gerou uma onda de solidariedade e abriu espaço para que outros artistas relatassem situações semelhantes. Entre eles, Antônio Neto, que comentou: “É complicado mesmo. O Mamulengo do meu avô foi se apresentar em Salgueiro, no Festival Pernambuco Meu País, mas o custo foi bastante elevado. É pagar pra trabalhar. Nossa solidariedade ao Mestre Bi”.
O posicionamento foi amplamente elogiado por internautas, que classificaram a atitude como um “ato de coragem diante da desvalorização e da perseguição aos mestres da cultura popular”. Para a artista Thays Venâncio, episódios como esse mostram a urgência de união e cobrança: “Lamentável essa situação, essa desvalorização… mas fico feliz por ver esse posicionamento, é necessário falar, cobrar e nos unir para que episódios como esse não se repitam”.
Assim, o cancelamento expôs um debate que transcende o festival em Arcoverde e que coloca em questão o modelo de contratação dos grupos culturais. Afinal, os mestres que mantêm vivas as tradições pernambucanas ainda enfrentam a difícil equação de equilibrar transporte, alimentação. Bem como hospedagem e equipe com cachês que não correspondem ao valor de sua arte.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) uma operação contra uma organização criminosa que teria planejado um golpe de Estado após as eleições de 2022 para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e restringir a atuação do Poder Judiciário. As informações foram confirmadas em reportagem divulgada hoje por G1. Segundo a […]
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) uma operação contra uma organização criminosa que teria planejado um golpe de Estado após as eleições de 2022 para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e restringir a atuação do Poder Judiciário.
As informações foram confirmadas em reportagem divulgada hoje por G1.
Segundo a Polícia Federal, entre as ações elaboradas pelo grupo havia um “detalhado planejamento operacional, denominado ‘Punhal Verde e Amarelo’, que seria executado no dia 15 de dezembro de 2022” para matar os já eleitos presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin.
Foram presos quatro militares do Exército ligados às forças especiais, os chamados “kids pretos”: o general de brigada Mario Fernandes (na reserva), o tenente-coronel Helio Ferreira Lima, o major Rodrigo Bezerra Azevedo e o major Rafael Martins de Oliveira. Ainda um policial federal: Wladimir Matos Soares.
O documento cita, por exemplo, que os golpistas começaram a monitorar o deslocamento de autoridades ainda em novembro de 2022, antes da posse de Lula – após uma reunião na casa do ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, que foi candidato a vice de Bolsonaro na chapa de reeleição.
“As atividades anteriores ao evento do dia 15 de dezembro de 2022 indicam que esse monitoramento teve início, temporalmente, logo após a reunião realizada na residência de Walter Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022”, diz a PF no documento.
A PF diz que, entre as ideias cogitadas pelo grupo, estava a de envenenar o ministro Alexandre de Moraes.
“Foram consideradas diversas condições de execução do ministro Alexandre de Moraes, inclusive com o uso de artefato explosivo e por envenenamento em evento oficial público. Há uma citação aos riscos da ação, dizendo que os danos colaterais seriam muito altos, que a chance de ‘captura’ seria alta e que a chance de baixa (termo relacionado a morte no contexto militar) seria alto”, afirma trecho.
“Ou seja, claramente para os investigados a morte não só do ministro, mas também de toda a equipe de segurança e até mesmo dos militares envolvidos na ação era admissível para cumprimento da missão de ‘neutralizar’ o denominado ‘centro de gravidade’, que seria um fator de obstáculo à consumação do golpe de Estado”, prossegue a PF em trecho citado por Moraes.
O grupo cogitou também “neutralizar” (assassinar) Lula e Geraldo Alckmin, então presidente e vice-presidente eleitos.
“Para execução do presidente Lula, o documento descreve, considerando sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico”, descreve a PF.
O novo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, inicia o seu mandato na próxima quinta-feira com a árdua missão de substituir seu padrinho político, o ex-governador Eduardo Campos, morto em tragédia área no mês de agosto. Mais que dar continuidade a uma administração que contava com mais de 80% da aprovação dos pernambucanos, o ex-secretário da […]
O novo governador de Pernambuco, Paulo Câmara, inicia o seu mandato na próxima quinta-feira com a árdua missão de substituir seu padrinho político, o ex-governador Eduardo Campos, morto em tragédia área no mês de agosto. Mais que dar continuidade a uma administração que contava com mais de 80% da aprovação dos pernambucanos, o ex-secretário da Fazenda terá que promover avanços em diversas áreas, como a segurança, que viu seus índices piorarem durante este ano. Paulo, no entanto, já definiu qual será o seu primeiro foco de ataque: “A prioridade um é saúde”, disparou durante entrevista concedida ao Diario de Pernambuco.
Além de prometer que cuidará da ampliação estrutural do setor, com a construção de novas UPAs e hospitais, o socialista garantiu que uma das preocupações principais de seu governo será ampliar as políticas sociais em todas as áreas. “Na Saúde, por exemplo, dobramos o número de leitos, multiplicamos por cinco o número de UTIs, conseguimos chegar mais perto das cidades, da população. O que a população quer agora é uma humanização da saúde”, exemplificou.
O novo governador, no entanto, abordou vários assuntos que merecerão atenção especial durante o seu primeiro ano de governo, como a relação com o governo federal para reabrir a torneira dos investimentos. Falou também da rápida ascensão, dos primeiros desafios políticos que terá que enfrentar, como a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa e o imbróglio que pode gerar um confronto direto com o nome mais forte para a disputa, o deputado estadual Guilherme Uchoa (PDT), que tentará o seu quinto mandato na Casa de Joaquim Nabuco. Falou também sobre família, prioridades, desafios para 2015 e que espera, em 2018, ter cumprido todos os compromissos de campanha, sem antecipar se será o nome natural do partido quando o próximo pleito chegar.
O governador João Lyra, em entrevista, deu declarações em que se mostra magoado em relação ao processo de escolha do candidato do PSB ao governo do estado. Ele também comentou que não foi consultado sobre o seu secretariado. O senhor tem conversado com ele, como está a sua relação?
Acho que faz parte do processo político, algum tipo de descontentamento que possa ter havido, porque sempre ocorre. Eu presenciei isso em várias etapas da minha vida pública. Escolha de secretariado sempre gera descontentamento e isso pode gerar também um desdobramento dependendo do ator. Escolha de candidato não é uma coisa fácil, porque você escolhe um entre vários que têm condição. No meu caso foi uma opção diferente do tradicional, tanto meu caso como o de Geraldo, duas pessoas que nunca tinham disputado uma eleição, jovens, que nunca tinham sido vereador, prefeito, deputado, que nunca tinham sido nada. Então, é uma escolha diferente que muita gente pode entender como equivocada, como não ser o caminho certo ou um desprestígio com quem faz militância política-eleitoral há muito tempo… Isso sempre gera um ruído, algum tipo de descontentamento. Então o que eu procuro sempre é ouvir as pessoas e ver o encaminhamento que pode ser dado. Já conversei com João Lyra muitas vezes. Não conversei após o que saiu na imprensa, mas vou conversar. Sempre conversei muito com João Lyra.
Esse descontentamento quem presenciou a escolha do candidato no mês de fevereiro, viu que notoriamente ele não ficou satisfeito com a forma como foi conduzido o processo. Isso aí, o que ele disse na entrevista é o que a gente já havia presenciado no início de fevereiro. O fato de ele não ter concordado com a forma com que Eduardo conduziu o processo. Então, eu não vi novidade. Acho que isso foi uma parte já superada do processo, não tem mais o que fazer. O que ele falou foi o que a leitura política de todos que acompanham o processo já sabiam.
João Lyra é governador de Pernambuco até 31 de dezembro. Ele me disse que continuará fazendo política, ele é vice-presidente do partido, a família Lyra está presente na cena política, Raquel Lyra é deputada estadual e tem pretensões políticas para 2016 e eu vou, sempre que possível, sempre que conveniente, conversar com João Lyra sobre as coisas de Pernambuco, sobre os destinos… Então, eu espero tê-lo como uma pessoa que quer contribuir ainda para o nosso estado. Tenho certeza que ele está aberto a coloborar naquilo que for chamado.
Quais as perspectivas econômicas para o seu primeiro ano de governo?
A gente tem um ano ainda muito incerto. Acho que é o ano que menos poderemos fazer previsão de como ele vai acabar. Porque, fora as questões econômicas, as questões normais de primeiro ano de mandato, há muita incerteza.
A troca da equipe econômica do governo federal foi uma prova dada pela presidente Dilma Rousseff de que ela vai mudar a forma da condução econômica. O próprio Joaquim Levy (ministro da Fazenda) disse que ele irá fazer o ajuste fiscal e isso envolve claramente cortes. O tamanho e a abrangência desses cortes é que vão dar o tom do ano. Os sinais de que as desonerações não vão mais existir. Por outro lado, o Nélson Barbosa, como ministro do Planejamento é um claro sinal de que há um esforço de retomar os investimentos e de o Brasil voltar a crescer. O Nélson Barbosa tem experiência nisso. Então é um tripé de política fiscal, de retomada de uma política fiscal de decisão, com uma política monetária que vem sendo utilizada nos últimos anos para combater a inflação e com o esforço de retomar o crescimento do país e o crescimento traz por si só a manutenção do emprego, a distribuição de renda… Então, é um fator importante. Esses ajustes podem dar um tom diferente para os próximos anos.
A partir de 2015 teremos um ano mais restritivo como também não é muito diferente dos primeiros anos de governo. A maioria dos primeiros anos de governo, se você pegar a série histórica, são anos de ajustes, independente de ser reeleição ou não do governante. Então, a minha expectativa é de que a gente vai ter que continuar a fazer o que tem que ser feito: priorizar o gasto naquilo que é importante, economizar ao máximo naquilo que pode economizar, e buscar junto ao governo federal que as coisas que são estruturantes, que são fundamentais para o estado, não fiquem em segundo plano. A continuidade e a conclusão das obras é fundamental, e outros projetos que são estruturadores para Pernambuco que a gente vai apresentar à presidente como fundamentais para a gente ultrapassar 2015 de maneira tranquila. Vou fazer o dever de casa. Pernambuco tem muitas oportunidades se desenhando agora, conclusão de grandes empreendimentos, colocação desses empreendimentos em funcionamento, muita coisa a ser entregue ainda no âmbito do governo estadual que não deu tempo de concluir em 2014, que a gente vai concluir em 2015. Então vai ser um ano que a gente vai conseguir fazer muitas entregas e também será um ano de fazermos projetos. Nós temos o programa de governo que foi aprovado, muita coisa que está no programa de governo a gente vai precisar projetar, vamos aproveitar 2015 para isso… Fazer projeto é muito mais barato do que fazer obra, porque para fazer obra é preciso fazer o projeto. E cada equipe, cada secretário otimizar em sua secretaria aquilo que é mais importante no momento: conclusão do que está em andamento, fazer os projetos e iniciar políticas diferenciadas que façam com que as coisas cheguem mais rápido à população. A melhoria da qualidade dos serviços públicos tanto na saúde, como na educação, como na segurança elas muitas vezes não envolvem recursos, envolvem mudança de forma de gerir, de comportamento, a mudança de algumas pessoas, então é hora de fazer isso também.
O que vai nortear a economia no primeiro ano?
O que a gente vê na máquina pública que tá sempre acontecendo… A tecnologia da informação ela está cada vez mais presente em todos os processos e procedimentos do estado, então é uma ferramenta que vem fazendo as coisas melhorarem, serem mais rápidas e econômicas em algumas áreas. Então a gente tem que começar a ver mudança de procedimento… É o ano de se fazer mudança de procedimento, de rever alguns contratos… Tudo isso são os alicerces do primeiro ano, porque depois a dinâmica da máquina também pede o que a gente tá fazendo. É obvio que quero manter a máquina em níveis cada dia mais enxutos… Quando a gente fala da diminuição da folha dos comissionados é isso… Acho que a gente pode funcionar bem com menos. E em todas as áreas, nas formas de contratação, tanto nas grandes compras, como nos serviços, nas obras de engenharia, nos serviços de informática, tudo isso pode ser acoplado. E a área meio tem um grande papel nisso aí que é ver realmente as oportunidades que estão surgindo e como a gente pode introduzir ela no estado, pra gente melhorar. A central de licitações, concentrar o maior número de licitações em um único órgão na Fazenda, para você ganhar escala… Isso vai ser cada vez mais fortalecido no nosso governo. Isso já vem sendo feito, mas a gente vai fortalecer mais… E buscar, com a tecnologia da informação, ver o que os outros estão fazendo. Vamos procurar as experiências que vêm dando certo em cada área.
Como o senhor avalia a questão fiscal do estado e de atração de investimentos?
O governo federal sinalizou, e isso é fundamental, uma reforma tributária… Não sei se ele vai conseguir fazer. Tentou-se no primeiro governo de Dilma e não se conseguiu. O máximo que se conseguiu foi avançar na discussão sobre o ICMS em si. A modificação das alíquotas que mesmo assim terminou não saindo. Essa discussão deve voltar, até por que o Nélson Barbosa foi um dos idealizadores disso. O Levy com certeza vai colocar, porque ele foi secretário da Fazenda também. Ele sabe que hoje que a forma como o ICMS está colocado e a guerra fiscal em si não são boas para o Brasil. Apesar de o ICMS ser o único instrumento que os estados menos desenvolvidos têm para atração de recursos, então tem que ser uma fórmula muito bem pensada. Aqui internamente a gente vai ter que continuar tendo esses níveis de arrecadação sem aumentar ICMS, sem aumentar imposto, isso aí é uma premissa do meu governo. Agora o Márcio (Stefanni, futuro secretário da Fazenda) tem um desafio também de, como tem o olhar da captação, do BNDES, o olhar do desenvolvimento econômico também, modelar esses empreendimentos, esses benefícios que são dados também numa ótica econômica, numa ótica de que isso vai vir, vai ter o benefício, mas isso vai gerar e vamos potencializar a geração de bons resultados.
Hoje, com a nota fiscal eletrônica, os procedimentos de fiscalização, você pode chegar a muito mais gente sem tembém precisar daquele quantitativo de fiscais… Hoje você pode fazer muita coisa virtualmente… Agora, há também um esforço nosso que é a formalização. E pra formalizar você tem que mostrar aos contribuintes, principalmente aos pequenos, as vantagens de se formalizar. Não é apenas um ônus a mais você se formalizar. Então o Simples tem esse papel também. E a Secretaria da Fazenda tem que ter o papel também de cobrar em cima de quem realmente não tá pagando, mas também de entender que a economia está mudando, mais gente precisa entrar nesse comércio, a gente precisa ter também condições de oferecer alternativas para as pessoas, para os contribuintes. Às vezes a dificuldade econômica os leva à inadimplência, então a gente precisa ver também as soluções para resolver isso, pois não há só má-fé, a maioria dos contribuintes é de boa fé… Esse olhar mais peculiar para cada segmento econômico precisa ser feito. Então, Márcio vai também, com a ajuda das equipes da Secretaria da Fazenda procurar fazer com que ela tenha seu papel de cidadania, de geração de emprego, de ser uma instituição que busca também facilitar a vida das pessoas.
O senhor acredita que por conta dos desdobramentos do Caso Petrobras será mais difícil conseguir a aprovação de matérias no Congresso em 2015 e, consequentemente, tocar as obras do estado?
A gente espera que, primeiro, o que tá em andamento continue e o que parou seja retomado. Acho que quanto mais tempo parado pior. Uma Transnordestina, que está parada há muito tempo… Ela tem que voltar… Qual o custo de deixar parada uma obra dessas? Acho que os contratos que estão em andamento precisam ser respeitados. Na questão das construturas, ainda não há condenações, há investigações. O Brasil não pode parar. Agora, esses contratos que estão em andamento precisam ser auditados, ver se estão de acordo com as boas normas… E se estiver, eu não vejo problema. Acho que o custo de parar obras em virtude de se esperar investigações é muito maior que se você fizer um trabalho interno para ver se aquele contrato está de acordo com as normas, se foi auditado pelos órgãos competentes…
O custo do prejuízo então é menor do que o custo ético?
Eu não estou falando isso. Você não pode prejulgar ninguém. Não tem ninguém condenado, os contratos estão em andamento. Por que você vai parar estes contratos? Se há dos órgãos de fiscalização a autorização pra que eles sigam… O TCU diz: “esse contrato está OK, não vejo nenhum problema nele”… A gente vai pará-lo por que é de alguma construtura que está envolvida ou por que o dirigente está preso enquanto está sendo investigado? Isso é que tem que ser razoável. Você vai desempregar as pessoas? Qual é a exigência ética se não tem ninguém condenado? Ele está preso, mas está sendo investigado. E se ele for inocente? Acho que não podemos utilizar essa palavra ética, você pode utilizar investigado, você pode utilizar suspeição, agora tem meios de você resolver esse tipo de suspeição. É isso que eu prezo. O que eu defendo é isso. A gente tem que dar andamento. A gente não pode parar o Brasil. Desempregar milhões de pessoas sob questões que podem ser trabalhadas e conduzidas. Eu acho que é muito importante esses empreendimentos que estão com o governo federal serem continuados. Vamos nos preparar para um ano em que talvez tenhamos menos recursos do que nos anos anteriores, mas o importante é que a gente tenha também condição de que as coisas continuem, os projetos andem… Então é nisso que eu vou trabalhar, trabalhar com parcerias sim. Vou levar para o governo federal aquilo que eu acho que é importante para o estado, o que é estruturador.
Entre as obras que precisam sair do papel, qual o carro-chefe?
As obras hídricas, elas são o carro-chefe. A conclusão da Adutora do Agreste e a conclusão da Transposição com as obras que fazem as ligações dos eixos (os ramais), isso precisa ser feito. A Adutora do Agreste é feita pelo governo de Pernambuco com recursos federais. São vários consórcios, dependendo do lote. Cada lote tem um consórcio, são seis ou oito lotes…
Hoje o senhor é líder do partido e vice-presidente do PSB. Qual a orientação que dará à sua bancada na Câmara?
O PSB, com o desaparecimento de Eduardo, está se reformulando. A própria vinda de Carlos Siqueira para a presidência, a minha para a vice-presidência, a manutenção da maioria das pessoas da executiva, pessoas que sempre trabalharam para o PSB junto com Eduardo, eles mantêm a cara do PSB. Mas o PSB hoje é um partido que precisa buscar uma reafirmação junto à política nacional. A gente vai fazer isso de acordo com as deliberações da executiva. A gente já teve a oportunidade de nos posicionarmos em relação ao governo Dilma, Colocamos uma posição de independência e apoiaremos os projetos importantes para o país dentro de linhas propositivas que já defendemos há muito tempo. Estamos com um candidato à presidência da Câmara, Julio Delgado (PSB-MG). Inclusive ele está aqui hoje (segunda-feira passada). Veio para definir as estratégias de sua candidatura, até porque o Congresso está de recesso, volta no dia 2, o dia da eleição. Então ele está fazendo agora em dezembro e janeiro essas articulações para a sua candidatura… Ir aos estados, conversar com os deputados, pedir para os deputados que estão com ele que busquem os colegas de outros partidos, a possibilidade de engajamento…
O PT pode chegar?
Não sei, vai depender da conjuntura. Hoje temos três candidaturas: a do Júlio, a do candidato do PT (Arlindo Chinaglia) e a do Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Com três candidaturas há possibilidade de segundo turno. Hoje estão conosco o PSDB, o PPS e o PV. Isso dá mais de 100 deputados. Então o PSB vai se recolocar dentro do cenário nacional, não tenho dúvida disso. Hoje é uma partido respeitado, um partido ouvido, que ganhou a dimensão nacional e precisa agora, com as novas lideranças, discutir temas nacionais e estar à frente, como protagonista, de bandeiras que sejam importantes para o país. A gente quer que o país volte a crescer, que combata a inflação. A gente quer o combate à corrupção, uma reforma política, uma reforma tributária, uma discussão sobre as cidades, o desenvolvimento urbano, que experiências como a nossa da escola de ensino integral possam chegar a todo o Brasil, experiências de combate à criminalidade como o Pacto pela Vida sejam discutidos em todo o Brasil, por que isso fortalece o sistema… É um partido que hoje tem propostas para o Brasil e que nós vamos defender no parlamento e nos fóruns onde nós estamos, eu como governador de Pernambuco vou defender em todas as instâncias em que estiver participando como governador ou como vice-presidente do partido, essas bandeiras que são importantes para o país. Quando você vê que Eduardo, em 2011, iniciou o debate do novo pacto federativo, naquele momento todos concordaram e a situação de lá para cá só piorou.
Principal bandeira que o partido irá defender?
O novo federalismo.
Com relação às eleições da mesa diretora da Assembleia Legislativa qual será a posição do PSB?
O PSB é hoje o partido majoritário na Assembleia, nós temos 15 deputados. É a bancada mais forte e mais representativa. O que eu tenho dito e acho que é a condução correta de minha parte, principalmente a partir de janeiro como governador, é que nós tenhamos condições de apresentar um nome da base de apoio ao governo que agregue mais a todos. Então é essa a construção que eu venho pedindo a todo mundo que conversa comigo ao longo desses meses, para tentarmos ver aquele foco que agregue mais dentro da nossa base de deputados. Então, estando na base e agregando mais, a gente vai fazer um esforço de levar esse nome a disputar os postos principais dentro da Assembleia Legislativa.
E se esse nome for o do deputado Guilherme Uchoa (PDT)?
É uma alternativa. Eu não vejo problema em nós apoiarmos o deputado Guilherme Uchoa se ele for o ponto de convergência dentro da nossa chapa majoritária. Não vejo nenhum problema. Guilherme Uchoa tem serviços prestados à Assembleia e serviços prestados à aprovação de projetos importantes do governo Eduardo.
Nos bastidores, aliados temem que se o nome de Uchoa for colocado o senhor tenha que enfrentar o primeiro desgaste político de seu governo…
Estou dizendo o que eu penso e o que eu discuto com as pessoas. Se eles dizem isso em off, eles têm a oportunidade de conversar comigo em on. Você descartar um nome apenas em off não é a melhor maneira de conduzir um processo. O deputado Guilherme Uchoa acabou de ser reeleito com uma das maiores votações do estado. Ele tem capital político, tem legitimidade para ser um nome, como foi há oito anos. Então não vejo isso como uma coisa que vá contra a opinião pública, desde que respeite os ditames legais, constitucionais para uma eleição interna da Assembleia Legislativa. Então, os deputados também têm, dentro de seu grau de atuação, possibilidade de discutir isso. E janeiro é o mês para discutir isso. É o que eu sempre pedi pra eles.
O senhor deve ter uma oposição um pouco mais barulhenta também. Isso o preocupa de alguma maneira?
Não. Porque eu vou fazer o trabalho que foi aprovado pela população, que está no nosso programa de governo. Meu governo vai ser um governo transparente, como foi o governo de Eduardo, vamos fazer tudo às claras, o Portal da Transparência está em constante aperfeiçoamento para dar cada vez mais informações. A oposição está no seu papel legítimo de buscar contribuir para o debate também. Eu não tenho problema nenhum de conversar com a oposição, de ouvir suas sugestões, de acatá-las se forem boas e estiverem em consonância com o que eu penso. Então, tanto para os deputados da base aliada quanto para os da oposição, estarei aberto para conversar com todos, questões que sejam em favor do nosso estado.
Nos últimos tempos houve uma queda no repasse de recursos da União. Está havendo uma reaproximação durante essa transição e a chegada da nova equipe econômica?
Desde a eleição, desde o final do segundo turno, já com a sinalização da nova equipe econômica, não houve avanço em relação a discussões sobre 2015. Pelo contrário. Nós estamos vendo justamente como vão agir. Tenho conversado com os governadores, com os eleitos e com os que ainda estão aí, que isso é uma coisa geral. Não está havendo nesse momento, principalmente depois da eleição, nenhum tipo de repasse para os estados de maneira mais significativa.
O senhor acha que isso vai ser um problema em 2015?
Eu espero que não. Espero que as medidas fiscais que sejam tomadas tenham como critério realmente dado o que tem que cortar, que esses cortes sejam em cima do que não é estratégico. Que o que seja estratégico seja continuado. Pernambuco, nas suas ações estratégicas, tem os recursos garantidos. As sinalizações que a gente tem tido, com as pessoas que a gente conversa, é que não vai ter nenhum tipo de retaliação ao estado. A própria presidente Dilma, quando conversei com ela em duas oportunidades: uma por telefone e outra rapidamente durante a diplomação dela, sempre se mostrou disposta a conversar comigo para vermos os encaminhamentos. Pernambuco tem uma situação fiscal muito boa em relação a outros estados, tem já uma arrumação e um modelo de gestão que tem um conjunto de informações que ajuda muito no processo de tomada de decisões e dos ajustes que a gente vai precisar fazer… Então, eu vou levar ao governo federal um pacote de medidas e de obras que a gente entende como necessárias e vou mostrar em cada uma a justificativa, como o estado pode contribuir, ajudar, como o estado pode ser parceiro do governo federal… Obras estruturadoras e o benefício que elas irão trazer ao conjunto da população. Pernambuco é um estado que cresce dois pontos percentuais, no mínimo, a mais do que o Brasil, então o Brasil também precisa de Pernambuco para voltar a crescer novamente.
Desse patamar de investimentos da LOA (R$ 3,8 bilhões para investimentos), quais obras estratégicas que serão priorizadas?
Pernambuco, com todas as dificuldades do ano que foi difícil para o Brasil, vai fechar com investimentos acima de R$ 3 bi. Não é pouco. Então, é um investimento que se for olhar proporcionalmente a outros estados, em relação à receita e ao tamanho do estado, tenho certeza que Pernambuco vai estar entre os estados onde mais se investiu no Brasil. Como já foi nos anos anteriores. Era o segundo… Perdia para o Acre, mas não dá para comparar, pois o Acre é muito menor. Mas você pega São Paulo que tem uma economia dez vezes maior do que a nossa, investe, no máximo, quatro vezes mais do que Pernambuco. O Rio a mesma coisa, Minas Gerais também. A manutenção desses investimentos é uma premissa para que o estado continue funcionando bem. Vou ter essa condição. Primeiro, vou dar continuidade a tudo que está em andamento. Vamos concluir essas obras. Isso é um pacote de ações significativas já para os investimentos de 2015, como os corredores, os hospitais que já estão em construção, as UPAs, as escolas técnicas, as obras rodoviárias que já estão em andamento.
Quais as prioridades nas obras rodoviárias? A BR-101 é importante principalmente pra quem escoa a produção de Goiana…
É prioridade também. A requalificação da BR-101 já começou, mas nós temos também as PEs. No caso do Arco Metropolitano, teremos um conjunto de obras que serão alternativas para o escoamento da produção. Mesmo sem o Arco, a gente vai ter que colocar em prática para que não haja a necessidade de passar diretamente dentro da BR-101, dentro das cidades. Então a gente vai fazer rotas alternativas ali por Carpina, Timbaúba para ajudar no escoamento dessa produção. E vamos continuar fazendo as obras. Muitas já estão em andamento, outras com tudo pronto para dar a ordem de serviço. Então, por região, a gente vai ver claramente quais são as obras prioritárias.
Essas vias do polo industrial de Goiana, já tem algo na agulha?
Algumas já estão licitadas, outras em andamento. Acelerar as que estão em andamento e dar prosseguimento às que estão para iniciar. Mas vamos fazer isso com um olhar espacial, de Pernambuco por inteiro, dentro de cada região vamos ter ações do estado. Priorizaremos aquilo que é mais importante no momento: o processo de escuta do “Todos por Pernambuco” que nós vamos fazer a partir do primeiro semestre terá esse papel… De priorizar, dentro do que está proposto, o que é importante para 2015, o que pode ficar para 2016, o que pode ficar para 2017, o que pode ficar para 2018. Vamos estar nas 12 regiões vendo a priorização das ações que vão ser feitas. Vamos fazer esse processo de escuta que ele é muito válido no início do nosso governo. E priorizar o investimento. Não tem outro foco. Se a gente quiser manter esse ritmo de crescimento, esse ritmo de melhoria na parte estrutural a gente tem que focar isso. A população de Pernambuco, por tudo que aconteceu nos últimos oito anos, tem uma percepção muita clara de avançar não apenas no econômico. Passou-se muito tempo falando que Pernambuco tinha que crescer, tinha que crescer, tinha que crescer… Hoje as pessoas querem isso, que continue assim, mas querem melhorias nas políticas sociais. Então isso vai ter também.
A criação de novas pastas tem a intenção de fomentar essas políticas? A ida de Fred Amâncio para Educação também é um sinal disso?
É… Primeiro que as secretarias elas têm que se comunicar. Não podem ser ilhas isoladas. Cada secretário tem que saber o que está acontecendo na pasta do outro e vice-versa. Cada um potencializando o que cada um está fazendo. Isso é fundamental para não haver desperdício. E as políticas sociais têm que estar presentes. Tanto a política social em si, que é a pasta de Isaltino (Desenvolvimento Social, Criança e Juventude), mas também as políticas sociais de cada secretaria: educação, saúde, segurança… O que a infraestrutura pode melhorar no social das pessoas e ter sempre esse olhar… O que o desenvolvimento econômico pode melhorar no social das pessoas… Então, esse olhar espacial de cada secretaria, focado no social, tem que estar presente também.
Quais as políticas sociais que precisam melhorar?
Saúde, por exemplo. A saúde foi marcada nos últimos oito anos pela construção dos hospitais, das UPAs, dobramos o número de leitos, multiplicamos por cinco o número de UTIs, conseguimos chegar mais perto das cidades, da população… E o que a população quer agora é uma humanização da saúde. Um atendimento mais próximo. Então essa é uma premissa que tem que estar presente. Na segurança, as pessoas querem a polícia presente, a repressão, mas também querem políticas de prevenção e de cidadania mais presente. Na educação, quem tem a experiência da escola de tempo integral quer que isso chegue a todos os lugares. A comunidade escolar cada vez mais próxima. O desafio do enfrentamento do crack… Isso tem que continuar de maneira mais científica. Curar as pessoas e dar uma porta de saída. Nós temos que avançar em políticas… Algumas já estão mais consolidadas como a política da Mulher, mas tem muito o que fazer… A Criança e a Juventude, tem muito o que fazer… A prioridade um é saúde sim, pois é o que a população mais pede. Temos que ter um olhar muito cuidadoso com a Saúde, pois é o que a população mais deseja. As queixas existem mas há um reconhecimento de que muito já foi feito.
Voltando à política local. Alguma possibilidade de aproximação com o PT?
A política é dinâmica. Mas eu acho que nesse momento atual as coisas precisam estar muito claras. A população nos aprovou, nos deu uma bonita vitória e nossos adversários defenderam outras bandeiras. Eu tenho que governar, nesse primeiro momento, com aqueles que acreditaram no meu projeto, nas minhas bandeiras, e na minha forma de governar. Se os nossos adversários quiserem nos ajudar, contribuindo e querendo de alguma maneira participar do debate eu vou estar aberto ao diálogo… Vou estar sempre conversando com quem quiser conversar comigo, seja da oposição ou da situação.
Já que o senhor não vai chamar PT e PTB num primeiro momento, por que acredita que a presidente Dilma terá uma atenção especial com o senhor?
Eu vou governar Pernambuco para os 185 municípios… Não vou discriminar aquele que me apoiou e aquele que não me apoiou. É isso que a população espera de um governante. Isso é o que esperam de Dilma e o que esperam de mim. Então, o que espero da presidente Dilma é que ela dê as contribuições a Pernambuco, independente de Paulo Câmara ser do PSB, um partido que não está alinhado com ela no Congresso Nacional, nem participa de seu governo. É isso que eu espero da presidente.
Sobre a independência do PSB. Ela não seria uma forma de o partido não ser cobrado quando votar a favor do governo?
A independência do partido já está em cima das linhas. Vamos apoiar o governo naquilo que for de acordo com as linhas do partido. A regra está muito clara, não tem subjetividade. Você vê aí na votação da LDO. O governo simplesmente mudou o resultado e não disse, não botou nenhum mecanismo de que isso não se repetiria mais e a gente não apoiou. Se eles colocassem algum mecanismo de que isso não aconteceria mais, talvez o PSB tivesse apoiado. É uma coisa muito concreta. Tem que ter o mínimo de bases razoáveis para haver entendimento conosco.
Há cerca de um ano o senhor sequer era filiado ao partido e hoje é o governador eleito do estado e vice-presidente do PSB. Como foi a mudança na vida da família, de suas filhas?
Não foi fácil para elas, é uma mudança de vida muito grande para as minhas filhas. Estou tendo um cuidado muito grande de estar sempre conversando com elas, principalmente a de dez anos que já tem um entendimento mais claro do que está acontecendo… A de cinco ainda não, mas a preocupação com a família é muito grande. A gente não pode, nessa roda viva que é participar de uma campanha, de ser eleito e virar governador, esquecer que estamos formando duas pessoas que precisam ter uma boa formação.
O senhor já pensa em 2018?
Só em 2018… Não há como antecipar nada agora. O Brasil tem esse formato de eleição de dois em dois anos. Não quero antecipar esse debate. Quero governar o estado e governar bem. Vou estar muito feliz, satisfeito e sereno se nos próximos quatro anos cumprir tudo aquilo com que me comprometi e se o estado estiver melhor do que está em 2014. Ficarei satisfeitíssimo, com a certeza de que cumpri o meu papel como governador. Então não vou trabalhar com projeções que vão além dos meus quatro anos de governo. Vai ser uma marca muito registrada minha, vocês vão ver, vou estar muito antenado com os próximos quatro anos e vai ser um governo que também vai estar antenado com o plano PE 2035, a gente vai botar o nosso governo para funcionar pensando no Pernambuco estratégico, o Pernambuco dos próximos 20 anos. Para que tenha melhoria em todos os indicadores econômicos-sociais, pensando nos próximos 20 anos. Então, tem muita coisa que talvez não dê o resultado esperado em quatro anos, mas que serão sementes para dar o resultado para as futuras gerações.
O que não pode passar de 2018?
Nossos compromissos tem que estar finalizados até 2018. Os compromissos do nosso programa de governo. E o que pode ficar é aquilo que não dá tempo de fazer, que são coisas mais estruturadoras… Mas temos que estar sempre atentos à evolução dos anos seguintes. Em todas as áreas: Saúde, Educação, Segurança, Infraestrutura, Meio Ambiente… Todas as áreas vão ter ações pensadas para os próximos quatro anos e ações pensadas para os próximos 20 anos.
O que planeja para essa nova pasta de habitação?
Veja… O déficit habitacional é uma realidade. E não é de Pernambuco só, é nacional também. É uma área que tem recursos, pois até o formato do Minha Casa Minha Vida, o formato das linhas de financiamento trazem oportunidades. Então, entendemos que era hora de empoderar a habitação para aproveitar essas oportunidades. De termos uma habitação em cima dos programas já existentes, de termos uma habitação que vai procurar juntos aos municípios as parcerias necessárias, para que haja condições de o estado ajudar o município a construir mais habitações dignas para sua população. E uma orientação clara para que a Secretaria de Habitação trabalhe em parceria com a Secretaria de Cultura para poder chegar também a movimentos que façam com que a habitação rural seja também uma realidade em nosso estado. Termos condições de financiamento que cheguem também a cada localidade deste estado, a cada distrito. Então o empoderamento que nós estamos dando à Secretaria de Habitação realmente para a gente ter condições de potencializar as oportunidades, de destravar muitas coisas. O que é hoje um dos grandes entraves dentro do programa habitacional de Pernambuco? É a questão da regularização da terra, da posse do terreno… Então, a secretaria tem que tratar disso também. Por que você só vai conseguir os investimentos se regularizar as áreas. Destravando isso é muito mais fácil. Agora, para esse projeto virar realidade, você tem que criar as condições…
Houve demandas do mercado imobiliário?
O mercado teve um peso importante. A habitação gera emprego, gera renda, oportunidades. Mas é o que a gente ouviu ao longo dessa campanha. O debate que eu participei mostrou claramente que isso é uma questão que precisa ser potencializada e foi isso que nós levamos em consideração com mais ênfase. É muito marcante, como servidor público que sou, ver a importância de se entregar uma casa para uma pessoa. Quero ter a oportunidade nos próximos quatro anos de entregar muitas casas a muita gente, sabendo que aquilo é uma coisa que traz qualidade de vida, dignidade e uma vontade de ficar nesse estado, morar, se desenvolver…
Alguma outra mudança prevista na reforma administrativa?
Não. A gente vai ter um enxugamento da máquina, das secretarias, das secretarias-executivas e do número de comissionados, mas nada vai mudar na concepção do governo.
Um dos temas mais sensíveis para o Grande Recife é a mobilidade. Há algum projeto específico pensado para destravar os gargalos?
Veja, a gente vai fazer as intervenções necessárias. Os grandes investimentos eles já foram concebidos. Uns estão em andamento, outros esperando a oportunidade para começar, a oportunidade financeira que é ainda a conclusão de alguns corredores exclusivos de transporte coletivo, que é o da BR-101, a questão da Avenida Norte, como a gente pode desafogá-la… A questão do VLT da Zona Sul, que está em estudo… Mas nós temos que atuar com medidas que priorizem o transporte público, isso é atender quem mais precisa hoje, e colocar os municípios também em um papel de protagonista. Recife está conseguindo fazer isso a partir do momento que cria as faixas exclusivas de ônibus, fora os grandes corredores… Isso dá velocidade ao transporte coletivo. Os próprios orientadores, acho que foi uma ideia que deu bons resultados. A gente quer um transporte público mais pontual, mais veloz e com mais conforto. Isso o torna atrativo para as pessoas pensarem nele como uma alternativa para ir ao trabalho, à escola… E ver as reformas estruturais que ainda podem ser feitas dentro de uma ótica de fazer obras que tenham sinergia com o enfrentamento do problema e seja bem estudado. Tem que ser uma coisa muito bem pensada para que, após os transtornos, haja uma melhoria potencial. É uma área sensível, mas não podemos colocá-la de lado pensando que pode trazer prejuízo político.
A gente precisa ter boas ideias e bons projetos. O que a gente tem hoje de continuidade é a questão dos corredores e de fazer as faixas exclusivas dos ônibus e vamos atrás de oportunidades que possam garantir o melhor funcionamento desse sistema. A gente não vai ter condições de resolver esse problema de imediato, mas vamos ter paliativos para conviver melhor com o caos que está posto, por que em dez anos a frota de carros foi multiplicada sem estrutura para isso. Se dobrou a frota de carros em dez anos no Brasil e as cidades não estavam prontas para isso. Conversaremos com todas as prefeituras.
E a questão do FEM (Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal)… Vai virar política de estado mesmo?
Está assegurado sim, a gente vai ter os encaminhamentos necessários para os ajustes que são precisos numa política nova como é essa… Ajustes não da concepção, mas de dar mais velocidade, que as coisas aconteçam com mais rapidez, que os investimentos se concluam. As premissas dele são fundamentais. Quais são as premissas: você repassar verba sem burocracia para os municípios para ele aplicar naquilo que o gestor municipal entende que é prioritário naquele momento. Então, essa é a concepção, essa é a linha geral. O que a gente precisa ajustar é que as obras se concretizem com boa qualidade.
Vai haver mais fiscalização, já que houve resquícios de obras inacabadas do 1º e do 2º FEM?
Isso não é uma coisa que inviabilize o projeto. Precisamos fazer os ajustes, ver aqueles municípios que precisam de ajuda pra finalizar isso e nós vamos ajudá-los para que haja mais tranquilidade. Uma das coisas que eu vou lançar e isso está no meu programa de governo é o escritório de projetos, que vai atuar com a Secretaria de Planejamento para dar condições aos municípios de ter melhores projetos na hora de fazer seus investimentos, de contratar as empresas. Porque muitas vezes o que atrasa as obras é a concepção com falha de projetos. Isso é geral, em todo o Brasil. Mas isso não pode ocorrer, pois isso gera um custo e esses aditivos que às vezes não é por má-fé, às vezes é por que o projeto está ruim mesmo e precisou aditivar. Então é isso que a gente está querendo minimizar. O escritório de projetos será justamente para dar condição aos municípios de ter uma estrutura dentro do estado que vá auxiliá-los para que possam ter projetos que saiam mais rápido do papel.
Em conversa com o seu secretariado, revelaram que há um pacote previsto de R$ 800 milhões para obras no início do ano. Alguma que já pode ser anunciada?
A gente vai priorizar isso. Mais na frente a gente divulga isso.
Quem é o Paulo Câmara economista?
Eu não tenho rótulos nem idéia fixa de nada. O que eu aprendi como servidor público e como gestor é que a gente tem que estar sempre ouvindo e conversando. Tendo a capacidade de planejar, de executar e de corrigir. Sem receio que mais na frente você tenha que dizer: “Eu errei”, que aquele caminho que você achava que era o correto não deu certo, eu vou ter que mudar. Não tenho nenhuma preocupação quanto a isso. Agora, eu sou disciplinado e trabalho em equipe, mas eu tenho minhas convicções de que o serviço público pode melhorar muito, e pode melhorar com os meios que hoje tem, independente da necessidade de investimentos que são sempre necessários. Mas se hoje eu não tivesse a condição de investir R$ 1 eu tenho a convicção de que posso melhorar o serviço público que temos hoje. Então a gente vai trabalhar nessa linha: melhorando o que a gente tem hoje e potencializando o que a gente tem para investir naquilo que faça com que melhore muito mais. Então a gente vai ser exigente nesse aspecto. A população vai ser bem ouvida, assistida. A população tem que estar presente também, você tem que tratar bem a população que demanda os nossos serviços, nós temos que ter uma humanização na saúde cada vez maior, nós temos que ter a presença cada vez mais efetiva da polícia, não só na parte de repressão mas também na cidadania, nós temos que ter uma educação que trabalhe para melhoria da qualidade, mas também saiba se adaptar às peculiaridades de cada região, e busque integrar a comunidade escolar cada vez mais presente. E nós vamos ter a capacidade, nesses primeiros meses, de ouvir a população em cada região do estado para que a gente possa, com base nessa escuta e no nosso programa de governo priorizar aquilo que é importante para o estado nesse ano de 2015. Vamos ter um ano de 2015 de oportunidades. E oportunidades elas precisam ser pegas… Cada secretário vai ter que potencializar em suas pastas as oportunidades, fazendo que as coisas aconteçam.
Será um ano de muito trabalho, de muitos desafios, que por toda a experiência acumulada no governo Eduardo, nos últimos oito anos, a gente tem total convicção que a gente pode continuar fazendo mais, gastando melhor e chegando à população de todo o estado. A marca vai ser essa: um governo cada vez mais presente, mais exigente e oferecendo melhores serviços para a população.
E o custeio da máquina pública, o senhor vai controlar pessoalmente? Como cortar sem onerar?
Contratando melhor, otimizando, sempre tem desperdício para se cortar. A arrecadação otimizamos ampliando a base, usando tecnologias de informação e vendo os pontos críticos. Às vezes você pode diminuir uma alíquota de ICMS e a base de arrecadação aumentar… O que a gente não vai tolerar é a sonegação. A gente vai arrecadar mais como sempre fizemos, buscando oportunidades, sem querer prejudicar ninguém, sem aumentar imposto. A questão do custeio é olhar contrato por contrato… É um trabalho de formiguinha que os secretários com suas equipes têm condição de fazer. É olhar o que está acontecendo no mundo, se você pode, cada vez mais, olhar contrato por contrato e encontrar o que pode melhorar… Você vai achar. Isso foi o que a gente fez em 2006, 2007, 2008, 2009, 2010… É um trabalho que já é feito. Todo ano vem surtindo resultados. Você vê a quantidade de serviços que foi ampliada no estado e a quantidade de aumento da máquina, com certeza é desproporcional. Ou seja, nós aumentamos os serviços e não aumentamos proporcionalmente os gastos com esses serviços. Ou seja, estamos gastando melhor. É isso que a gente tem que continuar fazendo.
E a Questão da educação profissional… Como otimizar essa questão, já que grande parte da mão de obra dos grandes empreendimentos sempre veio de fora …
Nós estamos com quase 30 escolas técnicas em funcionamento. Vamos chegar a 40 ainda em 2015. A dinâmica está melhorando. As escolas técnicas vão ter esse papel, e também vai ter dentro da secretaria da Microempresa o trabalho da qualificação, oportunidade de também potencializar as qualificações. Essa secretaria tem um potencial muito grande, ela capacita algo em torno de 20 mil pessoas por ano e a gente sabe que pode chegar a 40 mil… Não é um número irreal. E esses grandes empreendimentos que chegaram também foram um aprendizado para a gente. Tá muito bem estruturado. A gente hoje pode dar melhores condições a esses grandes empreendimentos do que dávamos no passado… E é isso que a gente precisa potencializar… Isso vai envolver parceria com municípios e tratar os casos pontuais. As universidades vão estar presentes também, tanto as federais, quanto as estaduais e as outras, e tem um componente novo aí: a secretaria de Ciência e Tecnologia ela vai estar com um viés muito grande agora na questão da inovação. E essa inovação é que vai fazer a diferença na qualificação da nossa mão de obra. O foco será na inovação. É fazer com que Pernambuco não seja apenas um polo industrial, mas um polo industrial-inovador, pois é isso que vai garantir a manutenção desses investimentos. É isso que a gente vai priorizar em 2015.
E o primeiro ato, já está definido?
Tomamos posse no dia 1º, no dia 2 vamos dar posse aos secretários e no dia 3 pela manhã eu vou fazer a primeira reunião do Pacto pela Vida, já com a nova equipe. Minha participação é importante porque a segurança, como eu sempre disse na campanha e reafirmo agora, será comandada pelo governador, assim como Eduardo fez, como João lyra fez e a gente também vai fazer. Temos que fazer com que os índices de violência voltem a cair. Vamos ver essa questão dos concursos da PM, da Polícia Civil, os investimentos que são necessários… E na próxima semana nós vamos fazer atos sim. No interior do estado também e mostrar que o nosso governo é um governo de Pernambuco por inteiro. Vamos estar muito presente nas ruas, ouvindo a população, indo aos municípios, ajudando naquilo que for possível, por que nós temos a clara necessidade de o estado estar muito presente na vida da população e só se está presente na vida da população, inclusive, com a presença física e é isso que nós vamos fazer nos quatro anos de governo.
O Prefeito da Ingazeira, Luciano Torres (PSB), também Presidente do Cimpajeú, informou hoje em entrevista à Rádio Pajeú que está confirmada a inauguração do novo Curral do Gado do município. Será nesta sexta, 9h, segundo ele seguindo os protocolos de segurança. A obra foi realizada com recursos próprios e tem capacidade para receber até cem […]
O Prefeito da Ingazeira, Luciano Torres (PSB), também Presidente do Cimpajeú, informou hoje em entrevista à Rádio Pajeú que está confirmada a inauguração do novo Curral do Gado do município.
Será nesta sexta, 9h, segundo ele seguindo os protocolos de segurança. A obra foi realizada com recursos próprios e tem capacidade para receber até cem animais. Segundo Luciano, o espaço vai atrair mais criadores de Afogados da Ingazeira e da região.
Inclusive empresários do setor de bovinos estão atraídos pelo espaço segundo o prefeito. Ingazeira realiza sua feira livre todas as sextas-feiras, o que motivou a data de inauguração. Segundo ele, prefeitos da região estão sendo convidados. Foto de Júnior Finfa.
Servidores de Santa Cruz da Baixa Verde reclamaram falando ao Secretário do Povo, Evandro Lira, atraso de salários de servidores da área de saúde. “Até o momento não foi dada nenhuma justificativa ou provável data de pagamento”, disse uma servidora ao blog. Outra queixa é de que os salários ainda não foram atualizados. “O pagamento […]
Servidores de Santa Cruz da Baixa Verde reclamaram falando ao Secretário do Povo, Evandro Lira, atraso de salários de servidores da área de saúde. “Até o momento não foi dada nenhuma justificativa ou provável data de pagamento”, disse uma servidora ao blog.
Outra queixa é de que os salários ainda não foram atualizados. “O pagamento do salário do mês passado foi repassado no valor do salário vigente em 2016”, queixa-se.
O prefeito Tássio Bezerra reconheceu o problema. “É importante esclarecer que não são todos os servidores. Existe um atraso de poucos dias, de parte dos servidores da saúde. O atraso foi ocasionado pela queda do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)”, justifica.
E segue: “infelizmente com o fluxo de caixa insuficiente, não conseguimos realizar a quitação da folha no quinto dia útil do mês, como sempre fizemos. Assim, nos restou programar o pagamento desta parte restante da folha, para quitação no dia 20 deste mês, quando acontece o segundo repasse do FPM”.
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