Após impeachment, ex-presidente Santiago Peña é preso no Paraguai em meio a escândalo bancário

O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso nessa sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído do cargo pelo Senado. Ele ficará em prisão domiciliar, na capital Assunção, enquanto o Ministério Público paraguaio avança nas investigações sobre suspeitas de irregularidades relacionadas ao colapso do banco digital Ueno.
A crise política e financeira começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição bancária, que enfrentava problemas de solvência. O episódio provocou o bloqueio do acesso de milhões de clientes aos seus recursos e desencadeou manifestações populares.
Peña, que assumiu a Presidência em 2023, manteve vínculos comerciais com o grupo proprietário do banco. Parlamentares o acusaram de conflito de interesses, manipulação da fiscalização bancária, desvio de recursos previdenciários e participação em um suposto esquema de encobrimento de irregularidades.
As acusações motivaram a abertura de um processo de impeachment na Câmara dos Deputados, aprovado na quinta-feira (5). No mesmo dia, diante da perda de apoio político, Peña anunciou sua renúncia à Presidência, alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional do país.
Como a renúncia não havia sido formalmente aceita, o processo de impeachment prosseguiu. Nessa sexta-feira (6), o Senado aprovou a destituição por 44 votos favoráveis e uma abstenção.
Pouco depois da votação, o Ministério Público determinou a prisão do ex-presidente. Agentes policiais foram até sua residência, em Assunção, onde ele permanecerá sob monitoramento enquanto as autoridades definem os próximos procedimentos.
As investigações também envolvem o ex-presidente do Banco Central paraguaio, Carlos Carvallo, que teve a prisão determinada. Entre os possíveis crimes apurados estão abuso de confiança e tráfico de influência. As suspeitas ainda dependem de investigação e julgamento na esfera criminal.
A saída de Peña levou à posse do então vice-presidente Pedro Alliana, que assumiu o comando do Paraguai nessa sexta-feira.
A crise do banco Ueno também provocou protestos de correntistas que exigem a liberação de suas economias e a responsabilização dos envolvidos. Parte dos clientes começou a recuperar os valores bloqueados, enquanto as autoridades financeiras trabalham para reduzir os impactos da quebra da instituição.
Fonte: Agência Brasil
Foto: Reprodução
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