Alcolumbre amplia negociações com governo e oposição para tentar reeleição no Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), intensificou as articulações com partidos governistas e de oposição para tentar permanecer no comando da Casa a partir de fevereiro de 2027. O senador já conta com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas busca ampliar sua base diante do crescimento da direita no Congresso Nacional.
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre na última terça-feira (27). A decisão foi formalizada pelos presidentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, mas enfrenta resistência de parlamentares que defendem uma candidatura alternativa.
A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Como a votação é secreta, o apoio das direções partidárias não garante automaticamente os votos de todos os integrantes das bancadas.
Entre os possíveis adversários de Alcolumbre estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ambos têm buscado apoio para disputar o comando da Casa.
O PL terá a maior bancada do Senado na próxima legislatura e pretende utilizar sua representação para ampliar a influência sobre a pauta legislativa. Uma das principais reivindicações de setores da oposição é a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Nas articulações para conquistar votos da direita, aliados de Alcolumbre relatam que ele avalia discutir alternativas de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pela participação na tentativa de golpe de Estado.
A possibilidade envolveria uma negociação com o governo Lula e parlamentares de oposição. Entretanto, não existe proposta formalizada ou acordo confirmado, e integrantes da direita já manifestaram resistência à ideia de apoiar Alcolumbre em troca de medidas relacionadas à situação judicial do ex-presidente.
O presidente do Senado também busca aproximação com o senador eleito Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados. A expectativa de aliados é que Lira possa contribuir para reduzir resistências entre parlamentares de centro-direita.
Nos bastidores, o nome de Lira também aparece em conversas sobre o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e uma possível candidatura à presidência do Senado em 2029. Não há acordo oficial sobre essas possibilidades.
Do lado governista, Lula sinalizou apoio à recondução de Alcolumbre durante encontro realizado no Palácio da Alvorada, no dia 26 de outubro. O presidente também manifestou apoio à permanência de Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara dos Deputados.
Para o governo, a manutenção dos atuais presidentes das duas Casas integra as negociações para construir uma base parlamentar no quarto mandato. Já Alcolumbre procura reunir votos de diferentes campos políticos, incluindo integrantes de partidos que fizeram oposição a Lula nas eleições.
A disputa permanece aberta. Para conquistar a presidência do Senado, o candidato precisará obter a maioria absoluta dos votos dos 81 senadores, equivalente a pelo menos 41 votos.
Fonte: Folha de S.Paulo
Foto: Reprodução
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